Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Virtual XI (1998)

Álbum de Iron Maiden

Acessos: 712


Entre as dificuldades e o fim de um período

Por: Fábio Arthur

27/07/2019

Sempre que resenho algum disco e/ou banda, tento me abster totalmente de minha visão pessoal, nunca me enveredo em dar conotações negativas e realmente me concentro em ater aos fatos daquele trabalho, ou seja, daquele momento, e nunca menosprezo a obra de um artista. No entanto, nesse caso o de "Virtual XI", resolvi mostrar minha versão dos fatos; com todo o respeito que a banda merece, logicamente.

Assisti ao concerto do Iron Maiden em 1992 em São Paulo, na turnê de "Fear of the Dark", um disco que realmente eu sempre ouvi com um pouco de receio, isso por estar dividido após o lançamento de "No Prayer for the Dying", pois me parecia que, em 1992, o Maiden estava voltando a ser aquela banda de outrora, mas ainda com ressalvas pertinentes, e o disco em questão não me deixou satisfeito por completo. 

Com a saída de Bruce Dickinson e a entrada tempos depois de Blaze Bayley, senti uma ansiedade em ouvir esse "novo" Maiden, pois era algo que inúmeros fãs almejavam e não era somente uma mera curiosidade e sim uma necessidade vital, pois estávamos falando de uma das maiores bandas do mundo metálico e que havia perdido seu mega vocalista; um dos melhores do mundo!

Quando o novo álbum chegou na ocasião, denominado de "The X Factor", foi uma surpresa em um turbilhão de dúvidas e sentimentos - isso por minha visão. O grupo tinha uma produção diferenciada e que remontava em um padrão bem limpo no sentido literal da palavra e o mais importante, a voz era a grande questão incisiva do processo como um todo. 

Por um outro segmento, me peguei pensando naquele momento como a banda pode ter mudado tanto e como esse novo vocalista conseguirá desempenhar as faixas antigas, com esse tom grave em demasia? 

Em outro momento eu me vi questionando que a faixa de abertura "The Sign of the Cross" era melhor que o "Fear of the Dark" todo, pois na minha crença, era Iron Maiden ao estilo épico, Maiden mesmo!

Pois bem, estamos em 1998 e o Iron Maiden veio ao Brasil, mas antes disso eu estava fazendo compras e vi na prateleira do hipermercado mais de cem CD´s enfileirados - sem modéstia alguma -, e um poster com a capa de "Virtual XI" figurando entre os mesmos; era a propaganda em massa da EMI para o disco em questão.

Eu, logicamente comprei na hora, mas sabia que iriam lançar o álbum. Para minha surpresa, foi rapidamente exposto para nós da América do Sul. Cheguei em casa e coloquei o CD para rolar e obtive a sensação de que Blaze ainda me cansava, mantinha tons graves, mas as canções me soavam bem mais consistentes - isso em minha observação pessoal.

A abertura com "Futureal" trouxe um alívio para os ouvidos. Rápida - sim, com aquela produção "chatinha" do disco anterior -, mas com um Q de metal revigorado, me lembrando "Be Quick or be Dead" e Wrathchild", precisa e com entonações de outrora, ou seja, de um passado já distante; fiquei feliz. 

O disco "Virtual XI" marca o décimo primeiro disco de estúdio do grupo e a essa altura é muito difícil uma banda se manter como nos tempos passados, isso para qualquer uma ao redor do vasto mundo. Seguindo, o álbum, vinha com uma faixa que veio em se tornar um single também, intitulada de "The Angel and the Gambler", do qual o vídeo deixou a desejar e a faixa muito mais, afinal, para que repetir um refrão centenas de vezes seguidas e outro ponto, uma camada de teclados inserida, elaborada e executada por um dos maiores compositores do Heavy Metal, sim, Mr. Steve Harris! Enfim, algo estava errado, com certeza.

Nigel Green não tinha a mão certa para produzir, e ele, juntamente com Harris, deixaram a banda moderna e sem graça nesse ponto. E em mais de cinquenta minutos, o Maiden desfila algo entre o legal, o ótimo e o abaixo da média. 

O título do disco foi bem elaborado até, era a junção da copa de 98 e o game denominado de Ed. Hunter, o primeiro do grupo, e até mesmo a arte de capa traz esses temas em seu todo. Aliás, em "Virtual XI", temos um Eddie diabólico, criado por Melvyn Grant. 

"Lighting Strikes Twice", de co-autoria de Dave Murray com Steve Harris, soa simples, com passagens notáveis, essa difusão gera uma confusão, pois a mesma detém solos razoáveis com andamentos competentes, desde seu início. 

Em "The Clasman", a banda traz um clássico à sua altura, com conotações inspiradas em um filme famoso na época e também em uma realidade antiga européia. A faixa é de autoria de Steve Harris. Ponto alto do álbum.

No caso de "When Two Worlds Collide", de autoria de Blaze, Harris e Murray, a banda traz uma ótima faixa, alimentada por riffs, melodias e uma letra muito bem elaborada. Ponto positivo, mesmo!

Quando o disco apresenta "The Educated Fool", o grupo segue em uma linhagem muito boa, mantendo a qualidade imposta deixando a audição agradável. A faixa seguinte, "Don't Look To the Eyes of a Stranger", nos traz aquele dilema de outrora: por que repetir um refrão diversas vezes? Qual o propósito? O Maiden fez algo em "Virtual XI", que seria o de lançar um disco com 8 faixas novamente, prática dos anos 80, mas em CD, era algo meio incomum na década de 90 e ainda mais com o advento do CD; enfim, preenchendo disco com repetições desnecessárias. A canção citada anteriormente peca no quesito - como já exposto - repetições, e quando sua candência muda, acaba sendo como em um Speed Metal, mas sem o glamour e consistência pertinentes à vertente, a faixa traz apenas a função de ser mais uma dentre outras, simplesmente o básico mesmo. 

Ao encerrar o álbum, o Iron Maiden concebeu o pecado mortal com a música "Como Estais Amigos", de Blaze e Gers. Ela traz um tema até interessante, mas o título e a música em si, deixam sombras e mais sombras de dúvidas se o Iron Maiden poderia continuar nessa linhagem e se realmente era Iron Maiden um cover de si mesma!?

Em 98, o Maiden cancelou shows e mais shows, isso devido ao fato de Blaze ficar com problemas nas cordas vocais e venda baixa de ingressos. Isso estava ruindo com o grupo, levando todos a um final precoce de carreira. A solução viria um ano depois em 1999, com a volta de Bruce e Adrian; que todos já sabemos. 

O fato é que o Iron Maiden - creio eu -, até conseguiu ir bem em "Virtual XI", mas a falta de músicas melhores e um vocalista à altura do grupo deixou tudo meio conturbado e sem uma direção correta. 

Eu como fã, sou suspeito, pois adoro Maiden em todas as fases, mas com ressalvas, logicamente. 

Up The Irons!

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.