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Resenha: Wild Orchids (2006)

Álbum de Steve Hackett

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Um álbum que nasceu com potencial de clássico

Por: Tiago Meneses

22/07/2019

A versatilidade que Steve Hackett mostra não é mais uma surpresa, ele saltou da música sinfônica para a clássica, passando por jazz, alguma música mais voltada pra vanguarda e agora em Wild Orchids parece mais ligada a uma forma obscura de música progressiva sinfônica étnica. Sempre fazendo tudo de maneira bastante cativante. 

“Transylvanian Express” é a faixa que abre o disco. É simplesmente de tirar o fôlego, com destreza ele combina seu som misterioso habitual com influências étnicas romenas quase no ritmo Mazurca, mas sem esquecer suas raízes progressivas, mudanças radicais e excelentes trabalhos de guitarra elétrica provam que ele é tão habilmente plugado ou desconectado. Excelente também é o trabalho de bateria e baixo. 

“Waters Of The Wild” agora abraça o folk oriental, apesar de Hackett não ser conhecido por ser um cantor incrível, ele consegue modular sua voz para soar bastante aceitável. Mais simples do que a faixa anterior, ainda é uma mudança interessante de estilo, a cítara elétrica dá um toque agradável.

“Set Your Compass” é um retorno às suas raízes, mais melódico e misterioso, mas ainda com um toque de folk, o trabalho vocal é muito bem elaborado, de alguma forma eu sinto o espírito de Voyage of the Acolyte nesta faixa, mas tão bem desenvolvido que soa absolutamente original, já que ele nunca tentou algo parecido.

“Down Street” é novamente uma música bem interessante, embora possa levar tempo para se acostumar. Começa a soar como uma trilha sonora muito dinâmica e sombria de um filme de terror com uma narrativa que termina com três minutos. Uma grande demonstração da capacidade de Hackett de produzir arranjos maravilhosos e tocar solos fenomenais com sua guitarra.

“A Girl Called Linda” é uma bela e doce música. Os vocais serenos, a flauta doce e as belas linhas de violão conseguem fazer com que essa faixa não se trate apenas de mais uma música pop, mas um belíssimo feito. 

“To A Close” possui uma melodia adorável e um triste tema ao mesmo tempo. Os vocais e o violão são os destaques. Dentro de uma simplicidade consegue soar também de maneira grandiosa. 

“Ego and Id” foi uma grata surpresa principalmente para aqueles que já eram acostumados com os discos do guitarrista lançados até então. Inicial em um estilo quase de metal, algo que ele nunca havia feito antes. Seu trabalho de guitarra elétrica na veia dos mestres do metal é excelente e um constante hammond faz o back dele de forma eficiente. Uma faixa maravilhosa. 

“Man In The Long Black Coat” é um cover de Bob Dylan. A faixa apresenta algumas guitarras de blues e gaita com vocais reservados, mais ou menos como acontece na versão original. Um cover extremamente respeitoso. 

"Cedars of Lebanon" começa com uma introdução sombria, enquanto Hackett arranha os acordes da guitarra para criar um efeito percussivo áspero, uma voz obscura faz o equilíbrio perfeito, então ele pega o instrumento acústico e um refrão bem elaborado e faz um trabalho delicioso. A pausa instrumental de orquestra é extremamente bonita e pacífica, mas não fique confiante, ele começa a ficar mais “louco” à medida que a música vai "crescendo" terminando como começou.

“Wolfwork” é uma música bastante sinfônica. Devo admitir que não é um dos grandes momentos do álbum, mas também não compromete, a famosa faixa, “ok”. Com pouco menos de cinquenta segundos, “Why” soa como um jazz dos anos 40, mas com um vocal não muito bom. Outro momento dispensável. 

"She Moves in Memories" é mais do que eu poderia esperar, o guitarrista agora invade o território clássico, não que tenha sido a primeira vez que estivesse fazendo isso, mas em se tratando desse álbum é algo bem inesperado. Hackett apenas ratifica o seu posto de um dos mais versáteis músicos do século XX. 

“The Fundamentals Of Brainwashing” é talvez a música que mais ficou na minha cabeça quando ouvi o disco pela primeira vez. Possui um refrão forte e de vocais modificados. Também apresenta uma harmonia vocal e apoio instrumental muito bom. 

“Howl” é aquele tipo de música que me faz pensar que alguma parte do seu coração ainda está com o Genesis, mesmo que seja diferente com o que ele fez com a banda. A atmosfera lembra um pouco a algo do disco Wind & Wuthering. Mas como sempre, ao mesmo tempo em que o músico usa de grande influência, consegue manter-se extremamente original. 

O álbum é um verdadeiro "soco na cara" de quem ainda duvidava do poder de composição do músico e sem sombra de dúvidas, um álbum que nasceu com potencial de clássico.

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