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Resenha: Turbo (1986)

Álbum de Judas Priest

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Judas, o traidor?

Autor: Fábio Arthur

16/07/2019

Ao final dos anos setenta, as bandas Punks tomaram o lugar dos grandes do Rock pesado, ficando assim algo meio dividido. No entanto, um tempo depois, a chamada de "Nova Onda do Heavy Metal Britânico" chegou com tudo, trazendo bandas inúmeras, isso lá por 1979, chegando mais firme em 1980 e bandas como: Saxon, Motörhead, Iron Maiden, Def Leppard e Judas Priest. 

Enfim, uma nova modalidade sonora invadia a Inglaterra e postumamente EUA, Brasil e demais países. O Judas vinha dos anos setenta, praticando uma incisiva pegada de Rock e Metal - eles vieram moldando seu som, fortemente. 

No caso do Priest, ele foi o responsável por boa parte da vestimenta que seria copiada anos depois por outras bandas mais pesadas, o couro e os cinturões, adereços nos braços como os famosos braceletes e afins, vieram das ideias de Rob Halford. O som, era uma mescla de Black Sabbath com a pegada do movimento da "Nova Onda". 

De oitenta adiante, o Judas Priest trouxe uma forma diferenciada em seu som, ele ficou mais calcado entre o Heavy Metal tradicional e com uma pegada de Hard em algumas faixas. Assim, seguiam em frente mantendo a fama e por vários discos seguidos eles trabalharam nessa fórmula grandemente. Discos como o "British Steel", "Point of Entry", "Screaming for Vengeance" e "Defenders of the Faith" trouxeram a banda para o centro das atenções. Era o metal gritado, surrado, com técnica e altamente competente, fazendo frente com demais bandas do mesmo seguimento. 

Mas em 1986, quando o metal começou a ser dividido em algumas vertentes mais abrangentes - que já existiam, mas até aquele ano, ainda não eram tão almejadas -, foi que a banda resolveu remodelar suas composições. Em 86, o Iron Maiden, trouxe sintetizadores, os Scorpions pouco tempo depois traria um disco Hard Rock com base nas rádios momentâneas americanas. Grupos como o Bon Jovi, Motley Crue e Poison, desfrutavam de um cenário forte, confrontando com o Heavy oitentista. Outras vertentes como Thrash e o Death vieram ter o seu lugar junto a tudo isso. Bandas como Slayer, Metallica e Megadeth cresceram com discos muito bem elaborados e que caíram no gosto dos fãs e mídia. 

Em 1986, o Judas resolveu então, como já dito, mudar seu segmento e assim trouxe uma gama de fatores para seu som, alterando o sentido já imposto pelo grupo. O disco chamado de "Turbo" iria ascender um nível acima de média e atender as vontades gravadoras e rádios. A banda já era bem conhecida e famosa a essa altura pelos EUA, Japão e Brasil, e de fato não se sabe se realmente foram necessárias as tais mudanças. 

"Turbo" marca o décimo trabalho de estúdio do Priest e o mesmo se resume em pouco mais de 40 minutos de canções. Foi lançado pela Columbia Records e teve a produção de Tom Allon, já conhecido do grupo e de outras bandas. 

Para se ter uma ideia, a banda lançaria um disco em 1985 com a tour de "Defenders of the Faith", ao vivo e esse seria duplo, mas a Columbia/CBS insistiu em um álbum de estúdio com novas faixas e sugeriram as mudanças nas composições. 

Durante o processo, o estúdio Compass tinha um equipamento moderno e o instrumental acabou sendo totalmente motivado por essa tal tecnologia. Dessa forma, "Turbo" sairia como um dos primeiros discos de Heavy Metal a ser gravado com tecnologia digital, mas, o que seria algo grandioso, se transformou em desafeto para críticos e inúmeros fãs; e logicamente um álbum adorável para outros. 

Passado um período, a banda resolveu tentar acrescentar mais canções para o set list do novo disco e o mesmo seria um disco de estúdio duplo, mas a gravadora vetou alegando que seria um investimento muito alto para algo inédito e, assim, o disco seguiu em um LP somente e algumas faixas desse projeto indesejado foram utilizadas no disco seguinte, "Ram It Down" de 1988, em que a banda tentava sair da fase de "Turbo" e voltar ao metal oitentista. 

Pode se dizer que "Turbo" vem em uma linhagem meio Glam Metal até, pois o visual também destoava do passado do grupo, trazendo cabelos armados, roupas por vezes mais coloridas e, aliando isso com as novas faixas, tudo se fazia novo. O grupo lançou um VHS naquele momento da tour nos EUA, a platéia lotada de fãs e de modistas, inclusive muitas garotas fãs de Hard Rock, preenchiam os lugares de outrora os cabeludos "headbangers" comandavam o agito e assim tudo se fazia diferenciado. No cast ao vivo, o Judas manteve os hits, "Living After Midnight", "Metal Gods", "Eletric Eye" e boa parte do álbum "Defenders of the Faith" sendo executadas, mas ainda assim muitos estavam lá por farra e para assistir as novas faixas sintetizadas. Os vídeos foram lançados para MTV também, com roteiros compatíveis com as letras e com efeitos visuais bem datados. 

O maior fator é, seria o Judas Priest de 86, uma banda que saíra do contexto ou ainda era o mentor do metal pesado, guiado pelo vocal poderoso de Halford? 

Enfim, muito se falou e se fala quando o assunto é "Turbo", um disco divisor na carreira mas que tem faixas exemplares como: "Turbo Lover" tocada até os dias de hoje, "Locked In", "Rock You All Around the World" agitada e com belos vocais, "Out in the Cold" que também podemos destacar a voz de Halford, e "Reckless" que encerra o disco. 

O álbum para se pensar e refletir durante a audição, e quando na primeira vez de audição, pode-se dizer que o mesmo deixa uma dúvida sobre o que está sendo executado ali. A produção, as faixas, o estilo diferente se fazem presente o tempo todo. Existem os fãs que amam o álbum, outros que dizem que o mesmo traz boa parte de faixas ótimas e ainda há aqueles que detestam, preferindo voltar a ouvir o grupo somente em "Painkiller", deixando de lado "Turbo" e o disco sucessor. 

Ao final, cada qual tem seu parâmetro do que o Judas nos mostra no álbum, do estilo que a banda optou naquele momento e o que se sabe é que ainda assim, o mesmo faz parte da discografia de um momento importante no mundo da música de boa qualidade.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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