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Resenha: O Marginal (1992)

Álbum de Cassia Eller

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Rock, blues e afins, para saborear sem moderação

Autor: Marcel Z. Dio

11/07/2019

Em tempos de rebeldia plastificada e calça que já sai rasgada de fabrica, é sempre bom resgatar um disco de Cassia Eller, "a ultima das moicanas".
Os desavisados que a conhecem apenas por Malandragem (Cazuza) e Segundo Sol (Nando Reis) deveriam dar uma passeada por sua discografia, a começar por este.
Segundo a cantora relatou à MTV anos depois, "O Marginal" foi confeccionado sem grandes preocupações comerciais. Nele estão registradas gravações com grande influência da chamada vanguarda paulista, e apesar de não conter grandes hits, consegue posição de destaque.
Ainda que a maioria das faixas não sejam autorais, o cardápio de artistas é bem variado, passando por Cazuza, Luiz Melodia, Itamar Assunção e Beto Guedes. Como sobremesa, temos duas excelentes versões de Jimi Hendrix. Interessante é que Cassia se apodera das canções, entregando-se de corpo e alma.
A banda não fica por menos, com os excelentes : Élcio Cáfaro na bateria; Nelson Faria nas guitarras; Tavinho Fialho no baixo (Tavinho é pai de Chicão, filho de Cássia); e Zé Marcos nos teclados.

O rock rural e psicodélico nos arranjos e voz de Beto Guedes, ganha outro enredo com "Caso Você Queira Saber". Virou música urbana, um blues eletrificado na voz angustiante de Cassia.
"Sensações" tem um temperinho de Gang 90. Baixo pronunciado, metais, guitarra com muito suingue, levantando o astral de qualquer um.
"Teu Bem" - (composição de Arrigo Barnabé) virou vídeo na época, pena que pouco divulgado, tocando geralmente em horários de menor audiência na extinta MTV.
A faixa homônima é outra boa pedida. Agitada e com letra crítica, investe timidamente no samba, alternando bases pesadas na parte fora do refrão, bem na escola do guru Cazuza.
Com bons e esquisitos arranjos de vibrafone e percussão, a experimental "Comédia" contrasta do restante. Curiosamente a voz que é o ponto alto do disco, consegue atrapalhar com os zilhões de "Nanará nu nará" e "nanana naras" entre outras "entonações" choradas por Eller.

Os destaques finais ficam pelas duas "versões" de Jimi Hendrix. A primeira com "Hear My Train A Comin" - tem um arranjo modernizado e simplificado, sem tantos solos, apostando nos riffs e com um interessante órgão ao fundo. Já a clássica "If Six Was Nine" ganhou uma versão ao vivo. Pode não ser melhor que a original, porem a distancia é encurtada pela competência da banda.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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