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Resenha: Sin After Sin (1977)

Álbum de Judas Priest

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Intermediando entre o rock e o metal

Autor: Fábio Arthur

04/07/2019

Pode-se afirmar que nesse terceiro disco, o Judas Priest trouxe uma gama de inovações e revigorou seu estilo. 

Ao final de 1976, com o rompimento prematuro com a Gull Records - que a banda julgava não divulgar seu trabalho, de uma forma adequada -, o Priest assinou com a Columbia Records e assim obteve maior respaldo para ir adiante. 

Já na produção a situação seria bem elevada, Roger Glover (Deep Purple), trouxe seus serviços em favor da banda e conseguiu ajustar um padrão certeiro ao finalizar as faixas do que viria a ser "Sin After Sin". O álbum saiu em abril de 1977 e foi gravado no Ramport Studios. Aqui, a mescla entre o som dos anos setenta e o Heavy Metal, começou a formar o carácter musical em que o Judas iria trabalhar futuramente; indo na cola de bandas como Black Sabbath, Scorpions e Motörhead, mas com identidade própria. 

A primeira empreitada do Judas anos antes com "Rocka Rolla" havia sido bem diferente, o disco agrada, mas não parece o mesmo Judas que ganhou a mídia anos depois. Já, na segunda gravação, com "Sad Wings of Destiny", o Priest trouxe uma articulação diferenciada e clássicos juntamente com o trabalho. Mas, no terceiro petardo é que a coisa toda formulou as incrementações ao geral, dando vida a um disco fenomenal. 

O que se ouve em "Sin After Sin" é puramente transitório e forte. Se por um lado as grandes bandas eruditas como Genesis e Yes eram musicalmente poderosas, mas no entanto, passavam um período de dificuldades - não financeiras - pois, o Punk Rock invadia os caminhos das rádios e inundava as cabeças de jovens sedentos por sons mais diretos e crus, o Judas Priest conseguia aliar peso, musicalidade e ainda agradar ambos os lados de fãs, pois seu som era puramente formado por vocalizações exemplares, guitarras cortantes em que obtinham harmonias e riffs muitos concisos e ainda por cima um paralelo forte entre a cozinha musical. 

O Judas Priest de 1977, remonta a um nível em que a junção musical vai se concretizar num futuro em que culminaria com o chamado Priest clássico do fim dos 70 aos anos 80. 

Em "Sin After Sin", pela terceira vez há troca de baterista, sendo que o mega-músico e ambidestro, Simon Phillips (Toto entre outras), foi o cara para acentuar suas faixas em estúdio. O que se viu foi uma performance absurdamente à frente de tudo, um legado entre o swing, a técnica e que abrilhanta de forma única cada ponto do disco. Somente no álbum seguinte a banda iria ter um baterista por mais de dois discos seguidos. 

Em termos de melodias, nós temos um apanhado sublime que faz o contraponto com a voz de Halford, em seus drives, falsetes perfeitos e agudos poderosos, com uma característica única do cantor. E que vocalista, diga-se todos nós fãs da banda!

O importante aqui é ressaltar também que, com essa fase, o Judas foi para a América do Norte pela primeira vez, fazendo concertos com o Led Zeppelin como headliner. 

"Sin After Sin" se torna um difusor dentro da carreira e do estilo do grupo britânico. Para não deixar dúvida, a banda teria consolidado muito de vertentes usadas em anos depois, em cima das características mais fortes desse trabalho. Um ponto importante aqui, seria a cover exibida e uma imposição de Glover, a música de Joan Baez, "Diamonds and Rust". De fato, a banda havia escolhido uma outra canção, mas o acerto foi fulminante e ajudou o grupo a ficar nas paradas por mais tempo. Halford diria mais tarde que sempre foi fã de Baez, e o Priest modificou arranjos e seus andamentos, o que trouxe a faixa para o conforto do grupo. 

A canção "Sinner" é um deleite promissor, a música transita entre o metal e o progressivo sutil com nuances setentistas, mas que se colocam ao favor de Halford com sua potente vocalização e traz muito do que viríamos anos em frente nos discos da banda. Um outro modelo de canção em potencial e com uma vertente poderosa, é a faixa "Starbreaker". Em "Dissedent Agressor", os dois bumbos de Phillips e as poderosas guitarras dos geniais Tipton e Downing, soam ferozes em uma faixa extremamente forte que até o Slayer viria regravar onze anos depois. 

O disco continua firme e voraz. "Last Rose of the Summer" tem o brilhantismo melódico e um vocal supremo de Halford. Também podemos destacar "Here Come the Tears", sem dúvida alguma. 

Uma grande obra de uma banda que ainda se tornaria gigante em muitos aspectos futuramente. Foram galgando cada degrau de forma digna e pavimentando muitos segmentos que conhecemos hoje em dia, dentro de inúmeras vertentes do rock/metal. 

Pode ouvir sem receio e no talo!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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