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Resenha: Farmhouse Odyssey (2015)

Álbum de Farmhouse Odyssey

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Uma odisseia sônica

Autor: Roberto Rillo Bíscaro

29/06/2019

No outono de 2012, universitários formaram o Farmhouse Odissey, cujo nome advém do fato de a criação ter sido numa casa de fazenda, no interior californiano. Odisseia também se aplica às viagens sônicas dos arranjos complexos desse quinteto que junta tantos estilos e beleza que fica mais fácil defini-los como um grupo de prog sinfônico.

Em maio de 2015, saiu o début homônimo; meia dúzia de canções prenhes de momentos memoráveis e do clima improvisacional provavelmente inspirado pelas jams de jazz. So It Would Seem é o primeiro passo da jornada. 13 minutos que abrem com instrumental luxuoso, nostálgico, cheio de fraseados memoráveis e melancólicos e antes de tornar-se mais pesada há segmento de psicodelia Krautrock early 70’s, com ruídos de máquina de escrever e afins.

Dante transiciona de leveza de voz fina de indie rock e teclado pimpão para mais peso guitarreiro, mas nunca chega a heavy metal, para depois mudar pra clima que poderá agradar até a fãs de MPB mineira anos 70. Farmhouse Odissey é progressivo pela extrema fluidez das canções, rigorosamente executadas, mas cheias de nuanças, detalhes, variações. Ora a guitarra é suave, ora incandesce, como em Sleeping Silent. Ora o teclado é eclesiástico sci fi como o de Tony Banks fase Foxtrot, basta conferir Cross the Deep, que ademais tem cozinha levemente funkeada e evolui pra eventual peso. Colossal Cypress (que abre meio Gentle Giant) e A Moment to Take emendam-se pra fechar o álbum com as melodias vocais mais marcantes da odisseia. Ouvir Farmhouse Odissey é um momento que se leva por muito tempo.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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