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Resenha: Strange New Flesh (1976)

Álbum de Colosseum II

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Fusion para se aplaudir de pé!

Autor: Marcel Z. Dio

22/06/2019

Com os excelentes discos de Colosseum I e após a passagem pelo grupo Tempest, Jon Hiseman recoloca suas fichas na antiga banda, chamando o lendário Gary Moore, (outras fontes dizem que a ideia partiu do "novato" Gary) para formar o agora Colosseum II.
Dentre os discos dessa nova etapa, Strange New Flash não foi superado, pois é uma aula de jazz rock em todos os sentidos.
Quando comprei o LP na loja de um amigo, foi como estar diante do Santo Graal procurado nos filmes de Indiana Jones. A única decepção foi o buraco encontrado na primeira faixa "Dark Side of the Moog", sim, uma pequena "panela" nos sulcos, que na certa destruiria minha agulha. A foto da "cratera" estará abaixo da resenha. Com isso a solução foi ouvir o restante "normal" da faixa ou esquece-la por completo.
Falando na dita, cujo o nome é um trocadilho com o disco Dark Side of the Moon, temos uma obra baseada na profusão do moog e nas frases precisas de Gary Moore. Don Airey usava o instrumento tal qual uma guitarra, aplicando rápidos solos na linha space jazz rock.

Em "Down to You" - composição de Joni Mitchell, a beleza das notas de Gary Moore só mostra o quanto esse sujeito é versátil em qualquer coisa que se meta a fazer. Na primeira parte cantada, a bola da vez são as suaves intervenções de teclado, também na voz e viradas de bateria. Do meio adiante Moore e Don Airey aparecem com um curto trecho erudito/ progressivo nos arranjos de piano e violão, para retomar a normalidade do fusion cadenciado.

O suingue bate a porta de "Gemini and Leo" com uma seção de ritmo funky alucinante, fundindo-se a guitarra bluesy. "Secret Places" passa pela agressividade roqueira, onde a coluna central está no ritmo fragmentado da bateria. Hiseman poderia jogar uma levada comum, mas não se conteve.

"On Second Thoughts" é o que separa os homens dos garotos. De uma beleza impar, a voz extraordinária, pronuncia forte e tempo compassado dos graves são apenas o começo da epopeia, que ainda encontra um dos melhores solos de guitarra feitos em todo o Jazz fusion. No termino do intrigante agudo de Mike Starrs, Gary More solta uma nota uníssona com a voz, segurando o ultimo folego do cantor. A ultima parte abre a vez para Jon Hiseman ligar a faixa seguinte com um solo devastador na introdução de "Winds". A música desdobra para que todos assumam seu momento "solista", sem que isso seja uma masturbação sonora ou algo do tipo. Quem conheceu Neil Murray tardiamente pelo Black Sabbath ou via Whitesnake, cairá de costas com os serviços prestados em Strange New Flash. Em "On Second Thoughts" o baixista desfila um walking bass, não parando por um segundo ao costurar a harmonia de forma brilhante.

Elogiar Strange New Flash é chover no molhado, de minha parte, um dos 10 melhores discos de todos os tempos. Só preciso de tempo e vergonha na cara para ouvir a edição recheada de bônus no formato CD, com calma chego lá.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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