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Resenha: Circle (2013)

Álbum de Amorphis

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Audição agradável, sempre!

Autor: Vitor Sobreira

20/06/2019

O Amorphis chegava ao seu décimo primeiro full length em 2013, 23 anos após o inicio de sua carreira. Não há como negar que a banda finlandesa é uma das que conseguiram a proeza de criar uma sonoridade distinta e bem elaborada, sabendo usar elementos que vão do Rock Progressivo ao Melodic Death Metal, em uma sonoridade algumas vezes complicada de querer se explicar.

Um pouco mais enxuto em termos de faixas, do que o seu antecessor, ‘Circle’ foi lançado pela Nuclear Blast em 19 de abril de 2013. Para a interessante arte de capa foi convocado o britânico Tom Bates, enquanto que para a produção e demais processos de estúdio, ninguém menos que Peter Tägtgren. A formação se manteve a mesma, à época, junta desde o álbum ‘Eclipse’ (2006).

Com um sutil clima épico, as honras da abertura são feitas com “Shades of Gray”, que apresentou a fórmula de mesclar riffs pesados e partes melodiosas, junto ao refrão que recebeu uma atenção especial, para grudar mesmo na cachola. Com uma introdução mais suave, “Mission” esbarra no Prog e já segura um pouco as rédeas no peso, mas permite uma variada de tempo, com breves levadas rápidas em seu meio. “The Wanderer” tem cara de hit, e não à toa, sendo bastante focada nas melodias – tanto de guitarra como vocal.

Até aqui você já pode ter uma noção de como é o álbum, mas vamos seguir com “Narrow Path”, que com uma letra bem simples logo nos faz lembrar que o Amorphis também agrega alguns elementos Folk à sua música. Pegando emprestado teclados sinfônicos, para dar aquele clima de grandeza nos momentos certos, “Hopeless Days” também se foca quase que inteiramente no Progressive Metal moderno, onde só ficou devendo nos solos de guitarra (sei que Esa Holopainen e Tomi Koivusaari tinham capacidade para mais).

Após várias doses dos vocais limpos de Tomi, confesso que eu estava sentindo falta de uns urros guturais, mas “Nightbird’s Song” se encarregou disso, trazendo de brinde também passagens “malvadas”, dignas do Melodic Black Metal. Claro, que os vocais impostados e limpos não ficaram de fora, sendo usados apenas no refrão. Ah, e vale mencionar ainda uma breve incursão Prog/Folk, para não deixar a diversidade encostada em um canto se amontoando de poeira e teias de aranha.

“Into the Abyss” retorna à programação normal, com os vocais característicos e as melodias marcantes, mas por vezes maçantes – felizmente contornadas pela inspiração dos músicos, como por exemplo, um tímido, porém eficaz, solo de teclado e o verso “Why I’m the one / The chose one… / When I’m no one”. Com uma letra bastante poética e que me remeteu a antigas histórias épicas, “Enchanted by the Moon” delicadamente resgata os vocais malignos, em contra partida sem abandonar os pomposos e clamantes que em determinado momento chegam a encher o saco, de verdade. Mas, para cantar “My delusion imprisoned me / My enemy destroyed me / A sword cleaved my skull / An arrow pierced my heart / A sword cleaved my skull / And the wind took my soul” (algo como: “Minha ilusão me aprisionou / Meu inimigo me destruiu / Uma espada cortou meu crânio / Uma flecha perfurou meu coração / Uma espada cortou meu crânio / E o vento levou minha alma.”) não poderia ser de outra maneira mesmo. No solo de guitarra, acertaram em cheio na técnica e no feeling!

Os momentos finais deste capítulo da história do Amorphis estão escritos em “A New Day”, suavemente descompromissada e com aquela pompa instrumental, capaz de fazer inveja em qualquer charlatão que se diz compositor de trilhas sonoras, sendo perceptível também o fato de que o tecladista Santeri Kallio teve mais espaço para mostrar seu talento… Enfim, um álbum com grandes momentos e que deve ser conferido pra ontem!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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