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Resenha: Black Sabbath (1970)

Álbum de Black Sabbath

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O início do heavy metal

Autor: Fábio Arthur

12/06/2019

A música sempre esteve em evolução, desde os primórdios, com as primeiras batidas, criações de instrumentos e seus afins. A Bíblia Sagrada cita trechos em que homens se valiam de instrumentos como a harpa por exemplo e tantos outros. Assim, o ato de fazer canções e tocar alguns instrumentos, foi se revelando poderosamente e assim a humanidade chegou a investir e idealizar estilos musicais. 

Na verdade, um dos estilos mais amados - talvez possamos afirmar -, que seria o rock and roll, esse mesmo vindo de influência do blues de raiz e chegando a se moldar em demasia. No começo, as bandas não tinham referências, e grupos como The Rolling Stones vinham beber na fonte de Howling Wolf. Já outros como Led Zeppelin, se faziam adoradores de The Beatles e enfim a evolução seria incisiva. 

Quando ainda se denominavam Earth, os jovens britânicos, descabelados e iniciantes na área musical, por assim dizer, teriam uma vontade sublime de chegar a gravar um álbum. Nem se importavam com dinheiro - mesmo que necessitassem do mesmo -, o que Bill, Ozzy, Iommi e Butler queriam mesmo, era que ouvissem suas composições;  almejavam o reconhecimento como profissionais. 

Enfim, com pouco de más experiências ao vivo e uma sede musical intensa, alteraram seu nome para Black Sabbath, título de um filme do gênero de horror, e assim compuseram materiais mais profundos, sombrios e com conotações bem distantes dos estilos mais antigos e/ou bandas já consagradas, do qual eles eram fãs. 

Tudo foi chegando aos poucos, ou seja, gravações de demos, contatos, ensaios duros e contrato com uma empresa que os levaram até a Fontana Records, e aí o primeiro single e uma gravação para um disco completo seriam acertados; isso em meados de 1969. 

Rodger Bain, era o escolhido para ser o produtor. A banda o acolheu propositadamente e as canções foram contempladas com a força também de Tom Allon e, assim, nascia o primeiro disco de Heavy Metal da história da música. Sim, alguns citam até mesmo que The Beatles com uma faixa significativa denominada de Helter Skelter seria o início de tudo e outros ainda insistiam em falar que o The Who seria o embrião, mas Black Sabbath lançado numa sexta - feira 13 de 1970, tinha tudo para ser ajustado como debute do gênero. Tal fator pode ser afirmado e confirmado nos detalhes de arte de capa, na cruz invertida no gate fold do disco, e também nos estilo evolutivo complementado pela banda - algo meio denominado como Doom Metal -, e letras bem macabras e segmentadas por temas obscuros. Tudo isso, fez de Black Sabbath um disco aclamado e para muitos o melhor da banda até os dias de hoje. 

Ainda falando da arte do álbum, a tal mulher lembrando uma bruxa, parada nos arredores do Mapledurham Watermill e ao lado do Tamisa na Inglaterra, remete a um anúncio de horror, com todas características dos filmes antigos ou crenças passadas em contos para lá de misteriosos. De fato, a mesma mulher, veio em um concerto do Sabbath em 1973 e disse que ela era a tal mulher da arte, mas como todos da banda estavam em uma fase de "loucuras" e prestes em entrar no palco, apenas trocaram poucas palavras, e assim, a mesma nunca mais foi vista. 

A gravação do disco foi como ao vivo, separados por blocos, ou como dizem, cabines de gravações. Eles mandaram ver no material, incluindo algo a pedido dos produtores e assim também após findar a última faixa, alguns cortes foram feitos, reduzindo-a de 15 minutos de músico para 10. Assim, o disco foi completado, com uma prensagem um pouco diferente na versão americana. 

O disco em si, ainda tem um Q de blues, pois obviamente seria a influência que pairava sob a banda, mas eles deixaram algo bem inovador dentro do processo todo. Tantas outras facetas permeiam o álbum, ainda em termos de simbologias, canções e os títulos delas, ou seja, um disco único, misterioso e totalmente envolvido em um som profundo, pesado e aclamado de forma única. 

A expansão do Black Sabbath seria determinante após o lançamento do primeiro disco, indo em um ponto mais alto. Logicamente, entre empresários sem moral e dificuldades de se tornarem em um futuro próximo ainda maiores, eles rumaram e deram ao que conhecemos como Heavy Metal e suas denominações, uma amplitude musical. Bandas como: Venom, Slayer, Iron Maiden, Possessed e tantas outras, vieram com influências em todos o termos, ou seja, temáticas, capas e o som do Sabbath em si. 

Após a introdução, escolhida pelos produtores no estúdio e que agradou a banda em um todo, o que se ouve é realmente impressionante. A música sombria, é antecedida por sinos e trovões e que combina com a letra e arte do disco, estamos falando de "Black Sabbath". Entre outras do disco, podemos destacar também: "The Wizard", fenomenal com sua pegada de bateria meio Jazz e a harmônica de Ozzy, indo assim para a fantástica e clássica "N.I.B", que culmina em seu título com o apelido dado ao baterista Bill Ward. Outra canção muito fluente no álbum, seria a "Behind The Wall of Sleep", que traz um balanço fenomenal e com a temática inspirada em um conto de H.P. Lovecraft, e o mesmo é datado de 1919. A faixa "Evil Woman", uma cover, se faz igualmente importante dentro do repertório e o mesmo ainda traz "Sleeping Village", que antecede "Warning", fechando em clímax máximo e esplendoroso. 

Black Sabbath marca não somente um disco importante sonoramente, como trouxe a força de uma vertente inovadora e de muitos caminhos denominada de Heavy Metal. Se hoje ouvimos bandas fabulosas e temos tantos discos calcados em sons macabros e com suas artes no mínimo interessantes, devemos isso aos quatro jovens britânicos e que firmaram um dos estilos mais cultuados no cenário musical e cultural. 

Hoje existem versões diversas desse debute, algumas com a faixa "Wicked World", que inicialmente aparecia somente na versão dos USA, mas que com o tempo veio a complementar os CDs em relançamentos remixados e masterizados. Ainda assim, tudo isso não tirou o brilhantismo desse som, preciso e clássico. 

Sabbath na veia!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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