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Resenha: Master Of Puppets (1986)

Álbum de Metallica

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A expressão e o expoente máximo da vertente

Por: Fábio Arthur

28/05/2019

De apenas garotos que dormiam em um canto na sala do "manager" até o próximo concerto e/ou algo além disso, chegando à cadeia máxima do chamado "Heavy Metal", temos uma das maiores bandas do mundo dentro do gênero: Metallica. 

James, vocalista/guitarrista, respondeu ao anuncio de um jornal local elaborado pelo dinamarquês e fã de Iron Maiden, Lars Ulrich que, dentre outras, almejava ser músico e era um principiante na bateria. Lars queria formar uma banda. 
Com o tempo, a banda passou por ressalvas, momentos ótimos e uma popularidade em vários níveis e tons. Com o nome elaborado, um contrato e o grupo já composto por quatro músicos, entre eles, Cliff Burton (R.I.P.), baixista/compositor e uma espécie de mentor, e Kirk Hammett vindo de outra banda de "Thrash Metal", o Exodus. Anteriormente a vaga seria de Dave Mustaine - Megadeth. Após inúmeros problemas com os membros do Metallica, Dave acabou sendo desligado e assim rumou o seu próprio destino. 

O Metallica começou a ser parte de uma trajetória incomparável e, após o lançamento de dois discos afortunados, vieram com tudo na terceira empreitada, sendo referência para tantos outros. Em verdade, o debute "Kill ´Em All" traz uma banda rápida, com melodias em determinados momentos e canções muito bem concebidas, das quais Dave Mustaine tinha o mérito em algumas delas; isso até o segundo disco. 
Com a sequência fenomenal de "Ride The Lightning", voaram alto e foram odiados por tantos, o que também serviu de inspiração para outros grupos; vide Sepultura, Anthrax e o próprio Megadeth, do ex-companheiro Mustaine. 

"Master of Puppets" veio coroar a banda como grande, em um disco que marca o melhor da música pesada e fica lado a lado com "Reign Blood" (Slayer) como referência mundial. 
Letras fabulosas, som bem delineado, guitarras afiadas, bateria coesa pela primeira vez e um vocal de rasgado a ácido de James, dando vida às canções. Se não fosse o falecimento de Burton, a banda teria seguido ainda vários estágios perfeitos e plenos. 
Diria um Lars vitorioso em uma entrevista no ano de 1989 na fase "...And Justice for All" - abertamente e sem medir as palavras "fiquei rico com a fase de lançamento, vendas e as tours de Master, todos ficamos". 
O legado do Metallica transformou a banda em gigantesca. Neste momento eles abriam para o Ozzy Osbourne, vendiam discos e eram queridos em meio aos grupos mais requisitados como Judas Priest, Iron Maiden entre tantos outros. Bandas de origem iguais ao Metallica não obtiveram a mesma ascensão, mas ainda assim conseguiram marcar seu nome até os dias de hoje e algumas chegaram ao mainstream, caso do Slayer e Megadeth. 

O disco "Master of Puppets" foi gravado na Dinamarca, no Sweet Silence Studios, e a pré-produção e gravações ocorreram em setembro de 1985. Sendo assim, o álbum acabou ficando disponível em março do ano posterior. O disco flerta com o Thrash e o Speed, característica incisiva do primeiro disco da banda, mais que no segundo disco se misturou ao melódico com peso e alternâncias de andamentos. As faixas se tornaram grandes e bem trabalhadas. Fato esse foi parte da influência de Mercyful Fate, banda de King Diamond, de quem a banda abriu alguns concertos anos antes e assim a convivência deram margens aos estilos.

Com um disco de ponta nas mãos, um produção bem concisa e marketing alinhado, o Metallica assumiu o posto de grande banda e elevou os padrões em que "puritanos" roqueiros e/ou Headbangers, torceriam o nariz para o novo padrão do grupo. Enfim, o Metallica chegava forte na cena e ganharia o mundo daquele momento em diante.

É preciso que se entenda que o Metallica sempre se moveu com Lars como proprietário do grupo e seus afins, mas Cliff Burton mantinha o nível dentro da banda a guiava, com Hetfield seguindo a mesma linha. Dentre outras coisas, Lars tinha dificuldades de lidar com os membros e também de tocar a bateria corretamente. Ao vivo o músico atravessava os tempos regulares das faixas e sempre era hostilizado por Hetfield. 

Mas, aos poucos, o Metallica chegava em um nível totalmente à frente de outros grupos. Os fãs iam aos shows de Ozzy em sua maioria para ver o Metallica abrir. Aquela potência, aquele som visceral e aqueles moleques cabeludos e beberrões que trajavam jeans, couro e tênis sujos. Os mesmos fãs eram de sua idade ou pouco mais novos. A juventude vinha de uma febre desde 1980, onde o Heavy Metal se tornou um estilo fabuloso e que trazia um diferencial enorme dentro do cenário musical mundial. 

O poder de fogo do disco "Master of Puppets" nos brinda com um encanto aos ouvidos de quem aprecia música de qualidade e perpetua o metal como um gênero ilimitado e primordialmente conhecido. O disco em questão ajudou a fazer a trajetória de um estilo anteriormente anulado por críticos ou sem importância para os fãs de rock/metal dos anos 70, mas que também se renderam à maestria do metal forte, progressivo e autossuficiente do Metallica. 

A banda desfila sons poderosos, pesados, rápidos, cadenciados e até mesmo instrumentais. O Metallica deu a direção com "Master of Puppets" e seu impacto é inegável. 

Para ouvir no talo!

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