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Resenha: Angst (1991)

Álbum de Lacrimosa

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Um início desesperador

Autor: Rafael Lemos

07/05/2019

Uma das mais conhecidas bandas góticas do mundo, o Lacrimosa, iniciava a sua saga em 1991, com "Angst", após ter lançado a demo "Clamor" no ano anterior. Na minha opinião, os três primeiros álbuns são sem dúvida os melhores da discografia, contando com uma áurea sombria vinda da influência do gênero Darkwave, sensação que se perderia cada vez mais a partir da entrada da Anne Nurmi na banda. Os fãs da Anne que me perdoem, mas esta fase inicial é insuperável.
Nesse começo, o Lacrimosa era um projeto pessoal do Tilo Wolff, contando com ele como único integrante, tocando todos os instrumentos e compondo todas as músicas e letras. E foi assim que "Angst" foi gravado.
As letras, cantadas em alemão, abordam temas obscuros e repugnantes, como doenças, desespero, existência insignificante, profanação, tristeza, falta de esperança, solidão e, acima de tudo, o tema que dá título ao álbum e permeia todas as faixas: o medo.

"Seele in not" abre o disco com um belíssimo e arrebatador órgão sacro, de intensa profundidade, que vai perdendo espaço pra pianos de sons e intervalos disformes e gritos sombrios feitos por sintetizadores. A voz, inicialmente asustada de Tilo, se torna gritos de revolta e ódio em seu final.
"Requiem" possui um ritmo constante e é conduzida por um teclado e pela voz grave de Tilo que canta o desprendimento da alma de seu corpo. Parece um ensaio para a música "Reißende Bircke" que estaria no álbum seguinte, dadas as semelhança.
"Requiem" e "Seele in not" eram as duas músicas que compunham a demo "Clamor", lançada no ano anterior, em 1990. Portanto, o álbum em si começa com a instrumental e dispensável "Lacrima mosa", seguida da dançante e anticlerical "Der Ketzer", com seu baixo forte.
"Der letzte Hilfeschrei", a mais desesperadora música do álbum e, quem sabe de toda a carreira da banda, narra as reflexões e agonias de um doente internado em um hospital, encerrando com gritos desesperados que antecedem a sua morte. A música é toda conduzida por um teclado de fundo e o ritmo de um batimento cardíaco.
A última faixa é a introspectiva e extremamente triste "Tränen der Existenzlogiskeit", mas na versão em cd há a bônus "Diener eines Geistes", que sairia no álbum seguinte em uma diferente versão - aqui, menos obscura do que lá.
O encarte possui letras e informações técnicas somente.

Esta obra é genial por ser autêntica. Um grande início de uma grande banda, mas que não leva a nota máxima devido à fraca instrumental que a integra.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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