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Resenha: Main Course (1975)

Álbum de Bee Gees

Pop

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Transição para a Disco

Autor: Johnny Paul

24/04/2019

Ao falar de Main Course, o 13º álbum dos Bee Gees, é importante atentar-nos a alguns detalhes: à ausência dos membros na capa, o que era raro de se ver nos trabalhos dos irmãos até 1975 (Odessa, de 1969, idem), ao novo logotipo criado pelo norte-americano Drew Struzan e que marcaria os próximos discos daquele ponto em diante e, claro, à semente que se propagaria no som do trio pelo resto da década de 70.
A pré-produção teve seu pontapé inicial em parceria com o produtor da Atlantic Records  Arif Mardin, o mesmo que produziu o álbum anterior, Mr. Natural, além do engenheiro de som Karl Richardson no famoso Criteria Studios em Miami. Com a inclusão do tecladista Blue Weaver (um dos poucos músicos que não receberam créditos no disco, exceto por Songbird), Main Course caminhava lentamente para as influências da Disco Music, ou Dance Music, dependendo do ponto de vista do ouvinte.
Do time de Mr. Natural, o guitarrista de longa data Alan Kendall foi mantido. A mesma coisa aconteceu com o baterista Dennis Bryon (colega de Weaver). Nesse registro, podemos ouvir com maior relevância os falsetes de Barry Gibb, mesclado ao bom uso da harmonia vocal que já era a marca dos irmãos até ali. Mas foi, talvez, a mudança de ambiente que fez o som do Bee Gees respirar um novo ar, e tudo isso por conta do convite de Eric Clapton aos irmãos para gravarem no Criteria Studios. A história poderia ser outra, como conta Maurice Gibb: "Nós decidimos que era o momento de levar nossa música a sério novamente, e assim fizemos Main Course no Criteria Studios".
Enquanto Nights On Broadway e Jive Talkin' são uma espécie de cartão de visitas para o novo som que o grupo fazia, Country Lanes e Baby As Your Turn Away ainda se sustentavam de influências Folk e Country dos álbuns anteriores. Não é novidade, tendo em vista a grande bagagem e influência musical dos quais o Bee Gees sempre gozou.
Main Course foi lançado em 1975 e atingiu a posição de número 1 no Canadá, enquanto fisgava a 8º e 29º posições na Espanha e Austrália, respectivamente. O interessante é apreciar o trabalho de qualquer artista e avaliar a transição de um som para outro sempre do ponto crucial do surgimento do mesmo, como foi o caso de Main Course com os irmãos Gibb.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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