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Resenha: Empath (2019)

Álbum de Devin Townsend

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Muitos momentos que nos deixam envolvidos e partes de extrema inspiração

Por: Tiago Meneses

19/04/2019

Devin Townsend sempre foi um artista que tenho uma admiração estratosférica, mas mesmo assim nunca escrevi sobre nenhum dos seus discos, quer dizer, não até hoje. Seu mais novo disco, Empath, me despertou bastante interesse em começar a desbravar nem que seja um pouco de sua discografia. Uma coisa já posso deixar claro nesse início, Empath trata-se de um dos seus melhores trabalhos. Seu legado continua incrível e não tem como seus fãs ficarem desapontados. O considero um dos nomes mais fortes do metal progressivo, mas devo admitir que nem seus vocais emocionais e nem sua técnica de som é do tipo que se encaixa bem aos ouvidos de todos, o que é uma pena, pois considero que pessoas assim estão perdendo a chance de desfrutar de uma música do mais alto nível. São muitos os momentos que nos deixam envolvidos e partes de uma extrema inspiração. 

O disco começa com a pequena, “Castaway”, uma preparação para o cenário do álbum feito de maneira surpreendente com destaque para o coral no final que a leva muito bem de forma emendada para a faixa seguinte. “Genesis” começa carregando o coral da faixa anterior, mas não demora muito para que Devin comece a bombardear o ouvinte com seus vocais pesados e melodias robustas, claro, sem deixar de possuir uma boa variante e um som bastante dinâmico. Esta faixa é um dos exemplos onde mais de um baterista faz parte da música (aqui são três pra ser mais exato). A sensação de Genesis é de um metal progressivo puro e tradicional, mas carrega algo além disso, possui mudanças e surpresas que se encaixam perfeitamente como um coral muito bem feito. 

"Spirits will Collide" tem um começo bastante sinfônico e enérgico, criando uma atmosfera perfeita para o coral que canta antes de que Devin se junta a ele. O disco como um todo eu considero meio sentimental, logo, esse tipo de peso emocional é tudo que uma faixa como esta pede. Em “Evermore” novamente eu sinto um músico se aventurando em algo mais sinfônico, mas claro, sem perder o seu tato metálico. Incorpora algumas seções mais silenciosas e excelentes trabalhos de sintetizadores. Devin tem um dom que não se vê muito por aí, e um deles certamente é transformar a sua sonoridade pesada em algo palatável e atraente até aos ouvidos menos doutrinados por esse tipo música. 

“Sprite” mostra uma leitura musical um pouco mais estranha, os vocais de Devin estão menos agressivos e com um ar mais arejado, não apenas os vocais, mas a instrumental em si que se desenvolve de maneira mais divertida, porém, quando falamos de Devin Townsend sempre também devemos esperar momentos complexos e aqui não é diferente. Por debaixo da bonança sempre há uma tempestade. A música então explode em notas mais rápidas e chega a um falso final antes que regresse e emende na música seguinte. “Hear me” já começa bastante gritada e extremamente caótica. Consegue soar emocional assim como as demais, mas de uma forma diferente e sem barreiras, bastante barulhenta e ainda assim incrível. Existem alguns rosnados que apenas elevam o seu poder. Talvez não agrade alguns logo de cara, mas tem a qualidade exigida dentro do álbum. 

“Why” é o momento mais maluco do disco, ainda continua a ser algo muito bom, bem orquestrado e com um ar de desenho da Disney. Aos mais exigentes isso pode parecer meio piegas, eu mesmo achei inicialmente, mas depois de alguma maneira me conquistou. Possui um coral que ajuda a música a se manter incrível. Algo que chama atenção também é Devin mostrando um poder vocal surpreendente e quase operístico. "Borderlands" começa numa batida bastante reggae e que mais tarde se torna em um heavy metal da melhor qualidade. Essa faixa possui mais de onze minutos do mais puro metal progressivo e flui maravilhosamente bem. Devin demonstra toda a sua genialidade e sua vocação para o uso de maneira eficiente da dinâmica dos muitos estilos que ele tocou ao longo de toda a sua carreira. É uma música bastante forte até chegar sua metade, se tornando algo mais alegre e introspectivo por alguns minutos. Retorna com um coro lhe trazendo energia novamente até que tem uma final de maneira ambiental. 

“Requien” tem o mesmo papel da primeira faixa do disco, uma espécie de preparação para o que está por vir. Possui um coral muito bonito e bastante orquestral. “Singularity” é o grande final para o álbum, uma suíte dividida em seis partes e de mais de vinte e três minutos. A primeira parte é “Adrift” e que começa com uma guitarra “chorosa” e de uma belíssima melodia antes que Devin entre acrescentando na faixa os seus vocais de maneira suave que mais tarde tem o apoio de um coral, deixando tudo mais celestial, Devin então volta a funcionar ao seu melhor estilo. “I Am I” coloca a faixa em uma linha mais bombástica e explosiva onde as paredes vocais e instrumentais soam bem mais pesadas. Depois de um tempo a música novamente suaviza para uma passagem mais quieta. “There Be Monsters” muda a direção de “Singularity” para um lado mais obscuro e intensifica as coisas a ponto de tudo parecer “enlouquecer” em uma sonoridade extremamente pesada. “Curious Gods” substitui o volume utilizado na parte anterior com uma rápida, porém, mais calma passagem onde em determinado momento suaviza de vez. Possui umas belas harmonias vocais em camadas sobre uma sonoridade mais complexa e até mesmo vanguardista junto a alguns assobios. A música então vai se deslizando para a próxima seção. “Silicon Scientists” é uma parte caótica, algumas mudanças muito interessantes de andamentos e vocais não cantados, mas falados de maneira profunda. “Here Comes the Sun” é a última das seis partes que compõe o épico. Os vocais de Devin regressam e dessa vez suavemente, as coisas constroem o clímax quando Steve Vai (sim ele mesmo, faz participação nessa faixa) chega com um solo de guitarra bastante propício e que termina essa suíte épica e álbum incrível. 

Meu questionamento no começo cresceu ainda mais a cada momento deste álbum que eu ouvia, afinal, por que eu nunca escrevi nada sobre esse mestre do metal progressivo até hoje? Bem, independente disso, digo apenas que se você admira a música de Devin Townsend, você precisa ouvir esse disco, se você se julga em cima do muro em relação a sua obra, você precisa ouvir esse disco, se você nunca ouviu sequer falar no seu nome, antes de qualquer outro, eu lhe indicaria esse disco. Em resumo, Townsend lançou um dos seus mais bem feitos discos e certamente um dos que irão figurar lá nas ainda longes listas de melhores de 2019.

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