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Resenha: Memory Almost Full (2007)

Álbum de Paul McCartney

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Surpreendentemente ousado

Autor: André Luiz Paiz

03/04/2019

Após a ótima aceitação de "Chaos And Creation In The Backyard" e depois de aventurar-se novamente na música clássica com "Ecce Cor Meum", Paul seguiu empolgado e decidiu retomar algumas gravações iniciadas em 2003 para completar mais um lançamento. Em 2007 saiu: "Memory Almost Full", um álbum rock, pop e com bastante diversificação.

"Memory Almost Full" é o primeiro lançamento de Paul pela parceria formada com a Starbucks para distribuição do disco. O título, segundo Paul, foi escolhido de tanto receber esta mensagem em um de seus aparelhos eletrônicos. Logo depois surgiu a notícia de que seria um anagrama para a frase "For my soulmate LLM", em que LLM seriam as iniciais de Linda Louise McCartney, sua finada esposa. De início Paul fez mistério, depois confirmou que tratou-se de apenas uma coincidência.

Agora mergulhando na parte musical, temos aqui um disco de clima mais leve do que o seu antecessor, já que "Chaos And Creation In The Backyard" se destacou bastante pelo clima triste e introspectivo. "Dance Tonight" tornou-se um dos hits da carreira solo de Macca, sendo que é executada ao vivo até nos dias atuais. Agradável ao som do Ukulele, instrumento que também acompanha Paul nas turnês atuais, diverte o ouvinte positivamente.
Em seguida, temos o primeiro single lançado: a rockeira e interessante "Ever Present Past". A princípio parece uma faixa sem gosto, mas é impressionante como cresce e agrada após algumas audições.
"See Your Sunshine" é uma baladinha pop de excelente melodia, embora traga diversidade na estrutura melódica das linhas vocais em comparação com o que Paul já fez.
"Only Mama Knows" entrou no setlist das turnês da época. Um ótimo rock de melodia densa. Muito boa!
Seguindo adiante, temos uma trinca de destaque: "You Tell Me", "Mister Bellamy" e "Gratitude" se sobressaem por se distanciarem do fácil e óbvio. Seria simples para Paul repetir eternamente as mesmas fórmulas, mas é merecedor de aplausos quando decide ousar. Confira a tristeza de "You Tell Me", divirta-se com "Mister Bellamy" e aprecie a desenvoltura de Paul em "Gratitude".
Por falar em trinca, agora temos mais uma, no formato Medley. Na época do lançamento, surgiram comparações com o lado 2 de "Abbey Road", dos Beatles, mas, vamos deixar para lá. "Vintage Clothes", "That Was Me" e "Feet in the Clouds" são ótimas. A primeira e terceira nos fazem recordar dos Beatles da segunda fase ou dos Wings, com belas melodias. Já "That Was Me" é um rock fantástico e viciante.
Caminhando para o final do álbum, temos mais um destaque positivo: "House of Wax" é belíssima. O som do piano de Paul casa perfeitamente com a sua vocalização em mais uma faixa densa e diferente. Em seguida, o único deslize do disco: "End of the End" não é ruim, mas a balada conduzida ao piano traz uma letra triste, que é praticamente um testamento de Paul. Infelizmente não funcionou.
Por fim, se você gostou de "That Was Me", "Nod Your Head" também lhe agradará. Outro ótimo rock.
O álbum foi lançado com algumas versões que traziam faixas adicionais, porém sem muito destaque.

Paul conseguiu distanciar-se bastante do seu lançamento anterior. Aqui, optou por não gravar todos os instrumentos sozinho e contou com o auxílio da banda que o acompanha nos shows:  Brian Ray, Rusty Anderson, Paul 'Wix' Wickens e Abe Laboriel Jr. Foi também a primeira vez que senti os primeiros sinais de desgaste na voz de Paul, devido aos envelhecimento e também vários e vários anos em turnê.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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