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Resenha: School's Out (1972)

Álbum de Alice Cooper

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Puramente musical e extraordinário

Autor: Fábio Arthur

28/03/2019

Como os anos 70 foram gloriosos e ricos musicalmente falando. Nesse período fantástico da música, artistas em suas mais variadas formas davam o tom necessário e virtuoso, dentro de padrões sem fronteiras e trazendo aos fãs conteúdo de qualidade. Quantos LPs formaram uma escala muito bem definida de álbuns sublimes e necessários aos ouvintes ávidos por cultura e qualidade ao mesmo tempo!? Bandas como Black Sabbath, Jethro Tull, Chicago, The Who, Rolling Stones, Supertramp, entre tantas outras, mostravam seus talentos e competências aos inúmeros fãs de música boa. Foi nesse segmento que o nominado Alice Cooper chegava ao sucesso e mantinha sua presença sombria e muito qualificada na mídia musical.
 
Em 1971, Alice Cooper e sua banda - maravilhosa, diga-se -, passaram por percalços inúmeros, isso se devia ao fator: chocar os pais dos garotos e garotas roqueiras. A banda já tinha uma notória visibilidade nesse período e mesmo assim a falsa moralidade ainda era um pequeno problema. O que ocorreu foram pedidos para que Alice e sua banda não tocassem em certos estados e/ou cidades. Mas, tempos depois, ele iria desenvolver um trabalho tão bom e perfeito que ganharia espaço nos estádios e ginásios abarrotados e com vendas muito acima do esperado. Essa fase, chegaria em 1972, com a obra de arte - assim deve ser considerada - "School´s Out".
Esse disco é tão imponente que demanda uma audição com headfones e também com atenção, sem se preocupar com a miscelânea musical, pois a mesma denota muita qualidade sublime e evolutiva. Os músicos aqui envolvidos são uma referência de aprendizado para qualquer um que tenha vocação para tocar algum instrumento ou ame apreciar melodias e notas infinitas de alto nível, executadas aqui com maestria suprema. O naipe de músicos fala por si só: Bob Erzin (produtor do disco e de tantas outras bandas como o Kiss, por exemplo), tocou teclados também no álbum, além de Glen Buxton na guitarra solo, Dennis Dunnaway no baixo, Michael Bruce na guitarra base e teclados, Dick Wagner guitarra de apoio e que gravou um solo para a faixa "My Stars" e Neal Smith, um membro original do grupo Alice Cooper e que era denominado por muitos na época e pela própria banda como "O Polvo", devido suas incursões frenéticas e movimentações exuberantes em seus inúmeros tambores. Assim, nascia um álbum totalmente musical, que nos remete aos funkeados, boleros, expressões caracterizadas em algumas peças, chegando a lembrar as composições de Ray Manzarek (R.I.P.) dos The Doors. Solos, harmonias, sopros, gaitas e batidas de palmas, tudo muito coeso e sem limites musicais, simplesmente uma obra virtuosa e muito promissora. Na área vocal, Alice Cooper traz agudos, médios e graves, com momentos doces, agressivos e uma interpretação primorosa; um artista verdadeiro no sentido da palavra. 

Ao lançamento do disco no famoso Hollywood Bowl, um piloto de avião fora contratado para jogar calcinhas sobre a plateia. Esse foi um fator interessante e instigante, na verdade por causa da arte de capa que fora concebida por Craig Braun, em que trazia uma carteira de madeira escolar rabiscada,  com uma calcinha agregada à mesma - isso nas primeiras cópias prensadas -, fez com que ideia fosse levada adiante e muito bem recebida por fãs e imprensa musical. Hoje a tal carteira escolar está na exposição de um Hard Rock Café; bem curioso.
 
A riqueza por detrás desse maravilhoso long play, nos remete aos tempos em que a música era vista como cultura e levada a sério, assim também, outros artistas, como já citado o fizeram, trazendo à luz do dia obras intensas e muito férteis. Notável!


Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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