Bem-vindo ao 80 Minutos

Nós amamos música e adoramos compartilhar nossas avaliações sobre os álbuns de nossas bandas favoritas.

Resenha: The Alan Parsons Project - Tales Of Mystery And Imagination (1976)

Por: Tiago Meneses

Acessos: 137

Compartilhar:

Facebook Twitter
User Photo
Album Cover
Um álbum muito sombrio e misterioso com excelentes faixas 100% progressivas
5
20/03/2019

Considero Tales of Mystery e Imagination - Edgar Alan Poe de longe o melhor disco do Alan Parsonsn Project, porém, antes de chegar até aqui eu passei por outros caminhos musicais do projeto que sinceramente não me animavam muito em continuar conhecendo algo da banda. Discos como Pyramid, Eye in the Sky e Eve estavam simplesmente fazendo com que eu perdesse o interesse em continuar a ouvir algo novo vindo dessa fonte. Não que esses fossem trabalhos ruins (tirando o Eve que é ruim mesmo), mas simplesmente não me empolgavam.

Desde o primeiro toque que tive com esse trabalho de estreia, percebi que esse disco possuía algo diferente do que eu já havia escutado da banda, um álbum muito sombrio e misterioso com excelentes faixas 100% progressivas. Algo muito mais sério, digamos assim, do que qualquer coisa que o Alan Parsons Project fez mais tarde.

É de conhecimento de todos que o Alan Parsons é um engenheiro fenomenal, grande músico e compositor talentoso, mas seria injusto não mencionar Andrew Powell, um incrível maestro e responsável pelos arranjos orquestrais perfeitos que desempenham um papel muito importante aqui. 

“A Dream Within a Dream" começa com uma narração de Orson Welles de uma passagem de Edgar Allan Poe que define o clima não apenas para essa música, mas também para todo o álbum, como sempre sua voz inglesa e instruída dá credibilidade extra para o que ele lê. A música, como a faixa diz, é onírica, começando com um solo de sintetizador que vai crescendo até que a bateria e o baixo se juntem numa explosão e poder que novamente começa a desvanecer para terminá-la, uma abertura bonita e assustadora.

“The Raven” é reforçada pela orquestra e o The English Chorale brilhantemente conduzido por Andrew Powel, os vocais são suaves e quase escondidos atrás dos instrumentos e do coro. Essa faixa tem a particularidade de que Alan Parsons canta algumas seções usando um vocoder da EMI.

“The Tell-Tale Heart” começa mais rápido do que as anteriores, os vocais são de tirar o fôlego do lendário Arthur Brown e criam o perfeito sentimento de culpa e angústia pela história de um homem que é atormentado por sua obsessão com a batida do coração de uma pessoa que ele matou, corretamente complementada pelos instrumentos e música. É uma música perfeita para uma história perfeita.

“The Cask Of Amontillado” nos dá um exemplo do estilo que Alan Parsons Project desenvolveu com o passar dos anos, vocais suaves de John Miles e Terry Sylvester seguidos por impressionantes seções orquestrais cheias de instrumentos de sopro e coros profissionais, infelizmente em álbuns posteriores, ele misturou todo esse brilhantismo com músicas mais fracas e pop.

 “(The System Of) Doctor Tarr And Pfofessor Fether” é uma música muito estranha, começa meio obscura e fica confusa à medida que os minutos passam, porque eles se misturam a muitos acordes e melodias diferentes, criando algum tipo de caos, porém, agradável. Excelente faixa que mistura diferentes estilos e sons de uma forma muito inventiva, e é isso que significa rock progressivo, desafia o ouvinte mesmo quando soa meio confuso. 

“The Fall Of The House Of Usher” é um épico dividido em 5 partes. 

I – “Prelude”, são sete minutos de introdução para orquestra e baixo que situa o ouvinte no meio da cena, a escuridão e o mistério criam uma atmosfera de suspense perfeita para a casa condenada.

II – “Arrival”, uma faixa assustadora que começa com um órgão barroco medonho, imediatamente seguido por um teclado rápido junto da banda, o set está pronto para um filme de Boris Karloff, simplesmente espetacular.

III - “Intermezzo”, uma coleção de sons mais assombrosos que levam o suspense ao seu ponto mais alto.

IV – “Pavane” é uma música mais suave tocada principalmente com harpa, funciona como um alívio para o final supostamente forte do épico.

V – “Fall”, a orquestra cria uma cacofonia musical que se assemelha à queda de uma casa antiga, considero que não chegou a ser um final forte como eu costumo esperar quando se trata de um excelente épico. Tecnicamente é muito preciso, mas creio que musicalmente poderia ter sido desenvolvido muito mais.

“To One for the Paradise” é cantada por Terry Sylvester, Erick Woolfson e Alan Parsons que criam complexas seções vocais tendo como pano de fundo a The Westminster City School Boys Choir e Jane Powell. É uma música semi acústica e que suaviza a atmosfera obscura de todo o álbum. Um final extremamente bonito.

Por fim, acho que também é importante mencionar Erick Woolfson, produtor assistente e tecladista impecável, muitas vezes conhecido como mão a direita de Alan Parsons, sem ele com certeza que esse álbum não teria sido o mesmo. Apesar de possuir alguns outros bons discos considero esse o único essencial. Seu registro mais imaginativo. 

Um álbum muito sombrio e misterioso com excelentes faixas 100% progressivas
5
20/03/2019

Considero Tales of Mystery e Imagination - Edgar Alan Poe de longe o melhor disco do Alan Parsonsn Project, porém, antes de chegar até aqui eu passei por outros caminhos musicais do projeto que sinceramente não me animavam muito em continuar conhecendo algo da banda. Discos como Pyramid, Eye in the Sky e Eve estavam simplesmente fazendo com que eu perdesse o interesse em continuar a ouvir algo novo vindo dessa fonte. Não que esses fossem trabalhos ruins (tirando o Eve que é ruim mesmo), mas simplesmente não me empolgavam.

Desde o primeiro toque que tive com esse trabalho de estreia, percebi que esse disco possuía algo diferente do que eu já havia escutado da banda, um álbum muito sombrio e misterioso com excelentes faixas 100% progressivas. Algo muito mais sério, digamos assim, do que qualquer coisa que o Alan Parsons Project fez mais tarde.

É de conhecimento de todos que o Alan Parsons é um engenheiro fenomenal, grande músico e compositor talentoso, mas seria injusto não mencionar Andrew Powell, um incrível maestro e responsável pelos arranjos orquestrais perfeitos que desempenham um papel muito importante aqui. 

“A Dream Within a Dream" começa com uma narração de Orson Welles de uma passagem de Edgar Allan Poe que define o clima não apenas para essa música, mas também para todo o álbum, como sempre sua voz inglesa e instruída dá credibilidade extra para o que ele lê. A música, como a faixa diz, é onírica, começando com um solo de sintetizador que vai crescendo até que a bateria e o baixo se juntem numa explosão e poder que novamente começa a desvanecer para terminá-la, uma abertura bonita e assustadora.

“The Raven” é reforçada pela orquestra e o The English Chorale brilhantemente conduzido por Andrew Powel, os vocais são suaves e quase escondidos atrás dos instrumentos e do coro. Essa faixa tem a particularidade de que Alan Parsons canta algumas seções usando um vocoder da EMI.

“The Tell-Tale Heart” começa mais rápido do que as anteriores, os vocais são de tirar o fôlego do lendário Arthur Brown e criam o perfeito sentimento de culpa e angústia pela história de um homem que é atormentado por sua obsessão com a batida do coração de uma pessoa que ele matou, corretamente complementada pelos instrumentos e música. É uma música perfeita para uma história perfeita.

“The Cask Of Amontillado” nos dá um exemplo do estilo que Alan Parsons Project desenvolveu com o passar dos anos, vocais suaves de John Miles e Terry Sylvester seguidos por impressionantes seções orquestrais cheias de instrumentos de sopro e coros profissionais, infelizmente em álbuns posteriores, ele misturou todo esse brilhantismo com músicas mais fracas e pop.

 “(The System Of) Doctor Tarr And Pfofessor Fether” é uma música muito estranha, começa meio obscura e fica confusa à medida que os minutos passam, porque eles se misturam a muitos acordes e melodias diferentes, criando algum tipo de caos, porém, agradável. Excelente faixa que mistura diferentes estilos e sons de uma forma muito inventiva, e é isso que significa rock progressivo, desafia o ouvinte mesmo quando soa meio confuso. 

“The Fall Of The House Of Usher” é um épico dividido em 5 partes. 

I – “Prelude”, são sete minutos de introdução para orquestra e baixo que situa o ouvinte no meio da cena, a escuridão e o mistério criam uma atmosfera de suspense perfeita para a casa condenada.

II – “Arrival”, uma faixa assustadora que começa com um órgão barroco medonho, imediatamente seguido por um teclado rápido junto da banda, o set está pronto para um filme de Boris Karloff, simplesmente espetacular.

III - “Intermezzo”, uma coleção de sons mais assombrosos que levam o suspense ao seu ponto mais alto.

IV – “Pavane” é uma música mais suave tocada principalmente com harpa, funciona como um alívio para o final supostamente forte do épico.

V – “Fall”, a orquestra cria uma cacofonia musical que se assemelha à queda de uma casa antiga, considero que não chegou a ser um final forte como eu costumo esperar quando se trata de um excelente épico. Tecnicamente é muito preciso, mas creio que musicalmente poderia ter sido desenvolvido muito mais.

“To One for the Paradise” é cantada por Terry Sylvester, Erick Woolfson e Alan Parsons que criam complexas seções vocais tendo como pano de fundo a The Westminster City School Boys Choir e Jane Powell. É uma música semi acústica e que suaviza a atmosfera obscura de todo o álbum. Um final extremamente bonito.

Por fim, acho que também é importante mencionar Erick Woolfson, produtor assistente e tecladista impecável, muitas vezes conhecido como mão a direita de Alan Parsons, sem ele com certeza que esse álbum não teria sido o mesmo. Apesar de possuir alguns outros bons discos considero esse o único essencial. Seu registro mais imaginativo. 

Sample photo

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Mais Resenhas de The Alan Parsons Project

Album Cover

The Alan Parsons Project - The Turn Of A Friendly Card (1980)

Unindo o art rock à simplicidade do pop
5
Por: Marcel Z. Dio
07/02/2019
Album Cover

The Alan Parsons Project - Eye In The Sky (1982)

O encaixe perfeito entre o Pop e o Rock Progressivo.
5
Por: André Luiz Paiz
12/12/2017

Quer Mais?

Veja as nossas recomendações:

Album Cover

Richard Wright - Wet Dream (1978)

Sentimental, melancólico, musicalidade fácil, acessível e bastante cativante
4
Por: Tiago Meneses
16/05/2018
Album Cover

Hatfield and the North - The Rotters' Club (1975)

Música muito bem trabalhada e equilibrada.
4.5
Por: Tiago Meneses
04/04/2018
Album Cover

Rush - Permanent Waves (1980)

O Rush em um testemunho de sua tenacidade
4
Por: Tiago Meneses
31/01/2019