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Resenha: Jethro Tull - Stormwatch (1979)

Por: Tiago Meneses

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Stormwatch é um daqueles álbuns extremamente equilibrados e sóbrios
4
13/03/2019

Sendo honesto, acho que todos que conhecemos um pouco o rock progressivo dos anos 70, sabemos que ao final daquela década as coisas não estavam favoráveis ao gênero. As grandes bandas estavam começando a dar passos gigantescos em direção ao mainstream, flertando sem nenhum constrangimento com o pop tentando ser um alternância lucrativa diferente para a disco e o punk que haviam “tomado” o cenário musical. 

Mas mesmo nas piores das tempestades pode haver um farol que possa guiar o navio musical para a segurança do porto, neste caso, esse navio respondia pelo nome de Jethro Tull. Aqui muitas pessoas dizem que eles mudaram demais sua sonoridade, é claro que mudaram, isso é o motor do progresso, mas conseguiram fazer isso sem dar ao mesmo tempo uma espécie de salto suicida para um pop simples e chato ou algum tipo de musica sem direção alguma. 

Enquanto que os discos anteriores, Songs from the Wood e Heavy Horses tiveram uma forte influência folk criando uma atmosfera bucólica bastante agradável, onde o som da flauta era a base para um som melódico; Stormwatch é mais pesado em uma musicalidade mais orientada para o rock and roll. Mesmo a clássica flauta é mais agressiva e menos frequente, no geral os riffs pesados de guitarra de Martin Barre assumem a liderança, claro, junto dos vocais poderosos e inconfundíveis de Ian Anderson. 

“North Sea Oil” é a faixa de abertura. A música flui suavemente e de maneira rítmica e constante, com algumas boas mudanças, os vocais estão ótimos, a flauta agressiva e os excelentes riffs de guitarra fazem desse um dos meus momentos preferidos em todo o disco. 

“Orion” é uma faixa completamente diferente, principalmente pelos vocais obscuros e mais agressivos em alguns momentos. Possui partes acústicas, na verdade o problema dessa música é que eles parecem nunca terem desenvolvida a ideia completa, por exemplo, quando eles parecem está chegando num pico climático, eles mudam e retornam para um humor acústico. Parece faltar algo, mas não é uma faixa ruim. 

“Home” soa como se a banda tivesse dando um passo atrás em direção a uma sonoridade mais folclórica encontrada em discos anteriores. Mas com o passar dos segundos ela mostra que estamos diante de algo diferente, uma nova forma de uma balada popular. Diria até que um pouco mais suave do que o normal, mas de uma melodia muito bonita reforçada pelas cordas conduzidas por David Palmer. 

“Dark Ages” é uma das poucas músicas que mantém a estrutura clássica de uma faixa progressiva, algo que deve ser imaginado antes mesmo de ouvi-la, apenas tirando uma conclusão pelos seus 9:13, que pode fazer com que a vejamos como uma curta epopeia. A música começa suave, mas ao mesmo tempo cria expectativa através de riffs poderosos de guitarra e acordes incompletos de piano deixando o ouvinte com a sensação de que algo vai explodir a qualquer momento. No primeiro momento isso não acontece. Uma passagem baseada nos vocais faz o ouvinte pensar que a música nunca chegará ao clímax, mas quando menos espera uma seção de guitarra mostra o caminho para o desenvolvimento da canção, toda a banda toca uma passagem rápida interrompida por uma complexa seção vocal apenas para retornar aos momentos frenéticos. As letras mostram de uma maneira sarcástica (do jeito que Ian gosta) a consciência social do vocalista. 

“War Sporran” é um tipo diferente de música, teclados muito bons, violão e bateria são muito bem cadenciados e forma uma espécie de hino militar ou algo assim. Uma música simples, mas ótima, dá ao ouvinte uma sensação inclusive que será mais longa. 

“Something's On The Move” é uma faixa orientada mais para o rock and roll, rápida em um ritmo quase frenético (dentro dos padrões da banda), é suavizada pelos vocais de Ian. Uma contradição perfeita criada pela banda ao usar a voz semi country de Ian em um ambiente claramente de hard rock, nesse caso fornecido não apenas pela guitarra agressiva, mas pela flauta mais hard e rápida. 

“Old Ghost”é uma música com um aura até de certo ponto assustadora que flui suavemente, produzindo um sentimento nostálgico em vez de medo. O efeito alcançado por uma pequena orquestra principalmente de cordas é bastante agradável. Uma boa faixa. 

“Dun Ringill” apesar de sua curta duração certamente esta também estaria entre uma das minhas favoritas do disco. Em cerca de 2:45 minutos essa música mostra tudo que o Jethro Tull e Ian Anderson são capazes de fazer quando eles deixam de lado o lado elétrico e optam para o acústico. Os vocais de Ian aqui estão excelentes. 

“Flying Dutchman” é mais uma faixa que é mais longa do que o padrão apresentado no disco. A primeira impressão causada pelas duas primeiras notas do piano me remeteu a Locomotive Breath, mas claro que depois de alguns segundos é nítido que estamos diante de algo completamente diferente. O bandolim e a flauta criam a atmosfera de uma história narrada por um velho marinheiro enquanto bebia duas cervejas no bar do porto. Algumas boas mudanças adicionam um clima especial à faixa com passagens de guitarra mais pesadas e curtas, uma faixa bonita e muito bem elaborada.

“Elegy” é a faixa que finaliza o álbum. Instrumental e extremamente bonita baseada em uma interpretação de guitarra clássica espetacular de Martin Barre com algumas curtas passagens elétricas. Esta faixa dá um final perfeito para um álbum obscuro como um céu tempestuoso, mas ao mesmo tempo suave e doce. 

Stormwatch é um daqueles álbuns extremamente equilibrados e sóbrios, não possui grandes sucessos e nem uma obra-prima, mas por outro lado também não traz nenhum tipo de preenchimento ou trilha ruim, talvez “Orion” esteja à baixo das demais, mas ainda assim longe de comprometer o disco. Ótimo de se ouvir do começo ao fim. 

Stormwatch é um daqueles álbuns extremamente equilibrados e sóbrios
4
13/03/2019

Sendo honesto, acho que todos que conhecemos um pouco o rock progressivo dos anos 70, sabemos que ao final daquela década as coisas não estavam favoráveis ao gênero. As grandes bandas estavam começando a dar passos gigantescos em direção ao mainstream, flertando sem nenhum constrangimento com o pop tentando ser um alternância lucrativa diferente para a disco e o punk que haviam “tomado” o cenário musical. 

Mas mesmo nas piores das tempestades pode haver um farol que possa guiar o navio musical para a segurança do porto, neste caso, esse navio respondia pelo nome de Jethro Tull. Aqui muitas pessoas dizem que eles mudaram demais sua sonoridade, é claro que mudaram, isso é o motor do progresso, mas conseguiram fazer isso sem dar ao mesmo tempo uma espécie de salto suicida para um pop simples e chato ou algum tipo de musica sem direção alguma. 

Enquanto que os discos anteriores, Songs from the Wood e Heavy Horses tiveram uma forte influência folk criando uma atmosfera bucólica bastante agradável, onde o som da flauta era a base para um som melódico; Stormwatch é mais pesado em uma musicalidade mais orientada para o rock and roll. Mesmo a clássica flauta é mais agressiva e menos frequente, no geral os riffs pesados de guitarra de Martin Barre assumem a liderança, claro, junto dos vocais poderosos e inconfundíveis de Ian Anderson. 

“North Sea Oil” é a faixa de abertura. A música flui suavemente e de maneira rítmica e constante, com algumas boas mudanças, os vocais estão ótimos, a flauta agressiva e os excelentes riffs de guitarra fazem desse um dos meus momentos preferidos em todo o disco. 

“Orion” é uma faixa completamente diferente, principalmente pelos vocais obscuros e mais agressivos em alguns momentos. Possui partes acústicas, na verdade o problema dessa música é que eles parecem nunca terem desenvolvida a ideia completa, por exemplo, quando eles parecem está chegando num pico climático, eles mudam e retornam para um humor acústico. Parece faltar algo, mas não é uma faixa ruim. 

“Home” soa como se a banda tivesse dando um passo atrás em direção a uma sonoridade mais folclórica encontrada em discos anteriores. Mas com o passar dos segundos ela mostra que estamos diante de algo diferente, uma nova forma de uma balada popular. Diria até que um pouco mais suave do que o normal, mas de uma melodia muito bonita reforçada pelas cordas conduzidas por David Palmer. 

“Dark Ages” é uma das poucas músicas que mantém a estrutura clássica de uma faixa progressiva, algo que deve ser imaginado antes mesmo de ouvi-la, apenas tirando uma conclusão pelos seus 9:13, que pode fazer com que a vejamos como uma curta epopeia. A música começa suave, mas ao mesmo tempo cria expectativa através de riffs poderosos de guitarra e acordes incompletos de piano deixando o ouvinte com a sensação de que algo vai explodir a qualquer momento. No primeiro momento isso não acontece. Uma passagem baseada nos vocais faz o ouvinte pensar que a música nunca chegará ao clímax, mas quando menos espera uma seção de guitarra mostra o caminho para o desenvolvimento da canção, toda a banda toca uma passagem rápida interrompida por uma complexa seção vocal apenas para retornar aos momentos frenéticos. As letras mostram de uma maneira sarcástica (do jeito que Ian gosta) a consciência social do vocalista. 

“War Sporran” é um tipo diferente de música, teclados muito bons, violão e bateria são muito bem cadenciados e forma uma espécie de hino militar ou algo assim. Uma música simples, mas ótima, dá ao ouvinte uma sensação inclusive que será mais longa. 

“Something's On The Move” é uma faixa orientada mais para o rock and roll, rápida em um ritmo quase frenético (dentro dos padrões da banda), é suavizada pelos vocais de Ian. Uma contradição perfeita criada pela banda ao usar a voz semi country de Ian em um ambiente claramente de hard rock, nesse caso fornecido não apenas pela guitarra agressiva, mas pela flauta mais hard e rápida. 

“Old Ghost”é uma música com um aura até de certo ponto assustadora que flui suavemente, produzindo um sentimento nostálgico em vez de medo. O efeito alcançado por uma pequena orquestra principalmente de cordas é bastante agradável. Uma boa faixa. 

“Dun Ringill” apesar de sua curta duração certamente esta também estaria entre uma das minhas favoritas do disco. Em cerca de 2:45 minutos essa música mostra tudo que o Jethro Tull e Ian Anderson são capazes de fazer quando eles deixam de lado o lado elétrico e optam para o acústico. Os vocais de Ian aqui estão excelentes. 

“Flying Dutchman” é mais uma faixa que é mais longa do que o padrão apresentado no disco. A primeira impressão causada pelas duas primeiras notas do piano me remeteu a Locomotive Breath, mas claro que depois de alguns segundos é nítido que estamos diante de algo completamente diferente. O bandolim e a flauta criam a atmosfera de uma história narrada por um velho marinheiro enquanto bebia duas cervejas no bar do porto. Algumas boas mudanças adicionam um clima especial à faixa com passagens de guitarra mais pesadas e curtas, uma faixa bonita e muito bem elaborada.

“Elegy” é a faixa que finaliza o álbum. Instrumental e extremamente bonita baseada em uma interpretação de guitarra clássica espetacular de Martin Barre com algumas curtas passagens elétricas. Esta faixa dá um final perfeito para um álbum obscuro como um céu tempestuoso, mas ao mesmo tempo suave e doce. 

Stormwatch é um daqueles álbuns extremamente equilibrados e sóbrios, não possui grandes sucessos e nem uma obra-prima, mas por outro lado também não traz nenhum tipo de preenchimento ou trilha ruim, talvez “Orion” esteja à baixo das demais, mas ainda assim longe de comprometer o disco. Ótimo de se ouvir do começo ao fim. 

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