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Resenha: King Crimson - Discipline (1981)

Por: Tiago Meneses

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Um testemunho honesto de uma banda de progressivo sobrevivendo aos anos 80.
4.5
09/03/2019

Depois de um hiato que durou seis anos, Robert Fripp decidiu formar uma banda em 1981. A formação reunida pelo guitarrista era algo realmente promissor e constituída pelos músicos, Bill Bruford na bateria, Tony Levin no baixo e Chapman stick e Andrian Belew trazendo pela primeira vez uma segunda guitarra em um grupo de Robert Fripp. A ideia inicial era que a banda se chamasse Discipline e começaram a trabalhar em algumas músicas novas. No entanto, pouco antes do lançamento do primeiro disco da Discipline, Rober Fripp decidiu que a banda teria mesmo o nome de King Crimson, sendo então o álbum nomeado com o nome de Discipline. 

Algo a ser dito em relação a esse álbum principalmente aos mais acostumados apenas com a fase clássica da banda é que você provavelmente vai se perguntar, “que diabos está acontecendo aqui?”. De fato, o estilo musical e a direção mudaram drasticamente, no entanto, se você é um ávido por progressivo, também deve saber que mudanças podem ser algo muito bom. 

“Elephant Talk”, faixa de abertura do disco, já mostra o quão a banda está milhas de distância de tudo que já haviam feito antes. É bastante dançante e liderada por uma excelente linha de baixo groove. Os vocais são executados de uma forma até mesmo humorística e totalmente diferente de tudo já apresentado pela banda. O ouvinte pode por um tempo até se esquecer do passado da banda. Uma excelente música que ainda conta com ótimos riffs (e um solo) de guitarra e bateria atrativa. 

“Frame by Frame” é a segunda música e introduz um estilo rítmico de guitarra que Fripp ainda vai utilizar bastante durante todo anos 80. O músico utilizou o potencial das guitarras duplas para produzir um estilo de rock que se aproxima aos conjuntos de gamelão. Em resumo, uma ótima música. 

“Matte Kudasai" é uma música bastante adorável e de uma enorme sensibilidade. Os vocais são ótimos e Fripp nos presenteia com alguns dos seus licks mais deliciosos desde os primórdios do King Crimson. Seus contínuos efeitos "frippertrônicos", desenvolvidos e demonstrados em suas colaborações em músicas ambientais com Brian Eno, haviam se tornado próprios e finalmente encontraram o cenário certo. Lindíssima música. 

“Indiscipline” é sem dúvida alguma a minha música preferida do álbum. As partes faladas criam bastante tensão entre as partes instrumentais pesadas. A faixa inteira dá ao ouvinte uma sensação de instabilidade mental. A bateria frenética, o baixo pulsantes, vocais brilhantes de Belew,  letras encharcadas de paranoia e Fripp liderando as guitarras criando um ambiente caótico e certamente uma das melhores músicas de todo o catálogo da banda. 

“Thela Hun Ginjeet” possui um riff que a conduz muito bem, assim como a seção rítmica dançante. Bastante cativante é um daqueles sons que podem ficar por horas na sua cabeça. No meio da faixa há uma narrativa da vida real em que Belew relata sua experiência com uma gangue e a polícia. 

“The Sheltering Sky” lembra o ouvinte que estranhou tudo até agora que ele está ouvindo ao King Crimson. Uma faixa instrumental e bastante experimental mostra Bruford usando um kit de bateria quase que completamente eletrônico. Evocativa, atmosférica e obscura, é um momento bastante introspectivo do disco. 

A faixa título, “Discipline”, é também a que fecha o álbum. Um verdadeiro exercício magistral em síncope de quatro partes, já que a bateria, Chapman stick e as duas guitarras integram-se perfeitamente em um todo contagiante. A seção rítmica é novamente perfeita. Um grande final para um grande álbum. 

Discipline é um disco mais impactante pelo reinvento da banda em relação a sua música do que por conter somente faixas fora de série. Mas não tem como negar que a qualidade do trabalho encontrado aqui é excelente e que se trata de um registro bastante divertido. Dentro do contexto musical da época eu diria até mesmo que se trata de uma obra-prima. Um testemunho honesto de uma banda de progressivo sobrevivendo aos anos 80. 

Um testemunho honesto de uma banda de progressivo sobrevivendo aos anos 80.
4.5
09/03/2019

Depois de um hiato que durou seis anos, Robert Fripp decidiu formar uma banda em 1981. A formação reunida pelo guitarrista era algo realmente promissor e constituída pelos músicos, Bill Bruford na bateria, Tony Levin no baixo e Chapman stick e Andrian Belew trazendo pela primeira vez uma segunda guitarra em um grupo de Robert Fripp. A ideia inicial era que a banda se chamasse Discipline e começaram a trabalhar em algumas músicas novas. No entanto, pouco antes do lançamento do primeiro disco da Discipline, Rober Fripp decidiu que a banda teria mesmo o nome de King Crimson, sendo então o álbum nomeado com o nome de Discipline. 

Algo a ser dito em relação a esse álbum principalmente aos mais acostumados apenas com a fase clássica da banda é que você provavelmente vai se perguntar, “que diabos está acontecendo aqui?”. De fato, o estilo musical e a direção mudaram drasticamente, no entanto, se você é um ávido por progressivo, também deve saber que mudanças podem ser algo muito bom. 

“Elephant Talk”, faixa de abertura do disco, já mostra o quão a banda está milhas de distância de tudo que já haviam feito antes. É bastante dançante e liderada por uma excelente linha de baixo groove. Os vocais são executados de uma forma até mesmo humorística e totalmente diferente de tudo já apresentado pela banda. O ouvinte pode por um tempo até se esquecer do passado da banda. Uma excelente música que ainda conta com ótimos riffs (e um solo) de guitarra e bateria atrativa. 

“Frame by Frame” é a segunda música e introduz um estilo rítmico de guitarra que Fripp ainda vai utilizar bastante durante todo anos 80. O músico utilizou o potencial das guitarras duplas para produzir um estilo de rock que se aproxima aos conjuntos de gamelão. Em resumo, uma ótima música. 

“Matte Kudasai" é uma música bastante adorável e de uma enorme sensibilidade. Os vocais são ótimos e Fripp nos presenteia com alguns dos seus licks mais deliciosos desde os primórdios do King Crimson. Seus contínuos efeitos "frippertrônicos", desenvolvidos e demonstrados em suas colaborações em músicas ambientais com Brian Eno, haviam se tornado próprios e finalmente encontraram o cenário certo. Lindíssima música. 

“Indiscipline” é sem dúvida alguma a minha música preferida do álbum. As partes faladas criam bastante tensão entre as partes instrumentais pesadas. A faixa inteira dá ao ouvinte uma sensação de instabilidade mental. A bateria frenética, o baixo pulsantes, vocais brilhantes de Belew,  letras encharcadas de paranoia e Fripp liderando as guitarras criando um ambiente caótico e certamente uma das melhores músicas de todo o catálogo da banda. 

“Thela Hun Ginjeet” possui um riff que a conduz muito bem, assim como a seção rítmica dançante. Bastante cativante é um daqueles sons que podem ficar por horas na sua cabeça. No meio da faixa há uma narrativa da vida real em que Belew relata sua experiência com uma gangue e a polícia. 

“The Sheltering Sky” lembra o ouvinte que estranhou tudo até agora que ele está ouvindo ao King Crimson. Uma faixa instrumental e bastante experimental mostra Bruford usando um kit de bateria quase que completamente eletrônico. Evocativa, atmosférica e obscura, é um momento bastante introspectivo do disco. 

A faixa título, “Discipline”, é também a que fecha o álbum. Um verdadeiro exercício magistral em síncope de quatro partes, já que a bateria, Chapman stick e as duas guitarras integram-se perfeitamente em um todo contagiante. A seção rítmica é novamente perfeita. Um grande final para um grande álbum. 

Discipline é um disco mais impactante pelo reinvento da banda em relação a sua música do que por conter somente faixas fora de série. Mas não tem como negar que a qualidade do trabalho encontrado aqui é excelente e que se trata de um registro bastante divertido. Dentro do contexto musical da época eu diria até mesmo que se trata de uma obra-prima. Um testemunho honesto de uma banda de progressivo sobrevivendo aos anos 80. 

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