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Resenha: Dream Theater - Images And Words (1992)

Por: Tiago Meneses

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Nada menos do que uma bíblia sagrada do metal progressivo
5
08/03/2019

Images and Words é o melhor álbum de metal progressivo já feito? Claro que isso é discutível e várias pessoas podem ter uma opinião diferente, mas que se trata de um marco e um divisor de águas dentro do gênero, isso é inegável. Há sons suaves e sentimentais, riffs de guitarra agressivos, linhas de baixo pulsantes, bateria avassaladora, bits progressivo, teclados e pianos que ambientam o cenário e os deixam acessíveis e o então novo vocalista, James Labrie, se instala muito bem na banda a deixando com uma sonoridade muito mais emocional e comovente. A musicalidade é estreita e imaculada, as composições são bem trabalhadas e atraentes, os arranjos são inteligentes e requintados. 

Embora seja o segundo álbum da banda, foi aqui que eles mostraram pela primeira vez uma sonoridade emotiva e suas incríveis capacidades como músicos. As músicas são muito mais longas e complexas em relação ao seu disco anterior, produzindo muitos dos clássicos do Dream Theater que todos conhecemos e amamos hoje. A substituição de Charles Dominici, o vocalista do seu primeiro álbum, When Dream And Day Unite, provou ser uma decisão mais do que acertada, e mesmo que eu não seja um grande entusiasta dos vocais do Labrie, ele trouxe uma carga emotiva para a banda e que ela não tinha. 

O disco abre com aquele que indiscutivelmente o maior clássico da banda. “Pull Me Under” é uma combinação de oito minutos de riffs pesados, excelentes melodias, sonoridades suaves, teclados complexos e trabalhos incríveis de guitarra. Ela tem um refrão cativante e memorável dentro de uma composição agradável, lenta ou intermediária. Sempre disse que ela possui todos os ingredientes pra agradar qualquer tipo de fã de metal que seja. Um começo de álbum que já diz muito sobre o que estar por vir. 

“Another Day” então muda completamente o clima do álbum. Muitas pessoas dizem que eu só falo mal das baladas do Dream Theater e eu sempre nego, bom, essa é uma faixa que não me deixa mentir que quem fala isso está errado. Depois de um clássico metal progressivo eu achei que a banda foi bem ousada em colocar algo assim como segunda faixa, mas também acho que é um bom exemplo da variedade musical que eles podem possuir. Solos de saxofone, teclados serenos, bateria leve, baixo discreto, guitarras e vocais emotivos. Certamente uma grande balada da banda. 

“Take The Time” é mais uma complexa e indescritivelmente bela faixa. Começa através de algumas batidas vigorosas, teclados e guitarra sinistros, mas depois se transforma em um solo de teclado em alta velocidade e em um ritmo jazzístico. Músicas como essas que me fazem “não gostar” de fazer resenhas de discos do Dream Theater, pois existem tantos componentes e influências na música que minha escrita às vezes trava. “Take the Time” é jazzística, blues, pop, metal entre outras coisas todas juntas, cativante, mas complicada, talvez seja essa a essência aqui. Considero esta uma das maiores conquistas técnicas do Dream Theater, onde, são várias audições até o ouvinte conseguir entender tudo que acabou de acontecer aqui. 

“Surrounded” é a faixa seguinte e, embora não seja tão longa ou mesmo complexa como outras do álbum, tem seus momentos intrincados e possui grande beleza. Começa com Labrie cantando sobre um belo trabalho de piano antes de irromper em outro momento suave e jazzístico. É uma espécie de balada, mas mais enérgica que “Another Day”. Não possui muitos (ou quase nada) elementos de metal, mas tem seu valor dentro do álbum e preenche muito bem o seu espaço. 

“Metropolis - Part I (The Miracle And The Sleeper)” é mais uma das maiores criações da banda e um clássico absoluto. Um verdadeiro passeio através de uma peça clássica e cheia de excelência. Riffs pesados de guitarra, bateria de complexidade extrema, letras emotivas e mudanças de tempo e humor em abundância. Aquele tipo de música que pode se passar o tempo que for que a banda poderá olhar pra trás e sentir orgulho do que foi criado. Possui todos os ingredientes para atrair a atenção do ouvinte durante toda a faixa. As partes instrumentais são fantásticas e palavras me faltam pra definir a grandeza que tem uma música desta. Uma verdadeira aula de como se fazer metal progressivo com maestria. 

“Under a Glass Moon” é mais uma música desde disco que figura facilmente entre uma das minhas músicas favoritas da banda. A música começa com uma bela fusão de guitarra e teclados que logo se transforma em uma incrível combinação de peso e sonoridade mais suave. É também um dos momentos do álbum onde o ouvinte mais pode sentir paixão e emoção nos vocais. O solo de guitarra dessa música é emblemático e sempre figura por infinitas listas de melhores solos de guitarra de todos os tempos. O solo de teclado me faz lembrar porque ainda hoje me pergunto como teriam sido os trabalhos da banda se Kevin nunca tivesse saído, particularmente é o meu preferido entre todos os que já passaram pelas teclas do grupo. “Under a Glass Moon”  é uma música que mantem a mesma emoção e honestidade durante todos os seus sete minutos. Sensacional. 

"Wait for Sleep" é aquele tipo de música pra dar uma pausa e que possamos recuperar o fôlego principalmente depois das duas faixas anteriores. Simples e de um trabalho de teclado assombroso, oferece ao ouvinte um poder imaginativo de belas paisagens, assim como noites frias de inverno. A suavidade da voz de Labrie é um complemento perfeito. Uma faixa curta e calma para o ouvinte sentar, relaxar e recuperar a compostura antes do final do álbum. 

Imaginem a qualidade de uma música que fecha com chave de ouro um álbum que é uma verdadeira obra-prima. Minha música preferida do álbum, “Learning to Live” é também a mais longa e bastante sinuosa. Enquanto que a maioria dos longos épicos do Dream Theater são fortemente carregados e apresentam uma combinação de sons mais pesados, essa música é na maior parte muito mais sutil, muito mais “balada” do que suas outras faixas que ultrapassam os dez minutos. Essa música carrega de tudo um pouco, dois grandes solos de guitarra, muitos solos e divertidos trabalhos de teclado, seções instrumentais pesadas e outras mais sutis e até um momento meio flamenco. Sem deixar de mencionar a cozinha Myung e Portnoy que trabalham novamente de maneira brilhante. Uma música certamente de tirar o fôlego. 

Enfim, o que dizer de um álbum que traz com ele quatro das minhas dez músicas preferidas da banda? Considero Images and Words o melhor caminho para entrar no universo musical do Dream Theater e sua essência (infelizmente perdida com o tempo). Tem músicas de vários tamanhos e estilos, desde curta que é somente feita com piano e voz e é ótima pra nos fazer respirar, até uma obra-prima épica e enérgica do tipo que nos tira o fôlego. Nada menos do que uma bíblia sagrada do metal progressivo. 

Nada menos do que uma bíblia sagrada do metal progressivo
5
08/03/2019

Images and Words é o melhor álbum de metal progressivo já feito? Claro que isso é discutível e várias pessoas podem ter uma opinião diferente, mas que se trata de um marco e um divisor de águas dentro do gênero, isso é inegável. Há sons suaves e sentimentais, riffs de guitarra agressivos, linhas de baixo pulsantes, bateria avassaladora, bits progressivo, teclados e pianos que ambientam o cenário e os deixam acessíveis e o então novo vocalista, James Labrie, se instala muito bem na banda a deixando com uma sonoridade muito mais emocional e comovente. A musicalidade é estreita e imaculada, as composições são bem trabalhadas e atraentes, os arranjos são inteligentes e requintados. 

Embora seja o segundo álbum da banda, foi aqui que eles mostraram pela primeira vez uma sonoridade emotiva e suas incríveis capacidades como músicos. As músicas são muito mais longas e complexas em relação ao seu disco anterior, produzindo muitos dos clássicos do Dream Theater que todos conhecemos e amamos hoje. A substituição de Charles Dominici, o vocalista do seu primeiro álbum, When Dream And Day Unite, provou ser uma decisão mais do que acertada, e mesmo que eu não seja um grande entusiasta dos vocais do Labrie, ele trouxe uma carga emotiva para a banda e que ela não tinha. 

O disco abre com aquele que indiscutivelmente o maior clássico da banda. “Pull Me Under” é uma combinação de oito minutos de riffs pesados, excelentes melodias, sonoridades suaves, teclados complexos e trabalhos incríveis de guitarra. Ela tem um refrão cativante e memorável dentro de uma composição agradável, lenta ou intermediária. Sempre disse que ela possui todos os ingredientes pra agradar qualquer tipo de fã de metal que seja. Um começo de álbum que já diz muito sobre o que estar por vir. 

“Another Day” então muda completamente o clima do álbum. Muitas pessoas dizem que eu só falo mal das baladas do Dream Theater e eu sempre nego, bom, essa é uma faixa que não me deixa mentir que quem fala isso está errado. Depois de um clássico metal progressivo eu achei que a banda foi bem ousada em colocar algo assim como segunda faixa, mas também acho que é um bom exemplo da variedade musical que eles podem possuir. Solos de saxofone, teclados serenos, bateria leve, baixo discreto, guitarras e vocais emotivos. Certamente uma grande balada da banda. 

“Take The Time” é mais uma complexa e indescritivelmente bela faixa. Começa através de algumas batidas vigorosas, teclados e guitarra sinistros, mas depois se transforma em um solo de teclado em alta velocidade e em um ritmo jazzístico. Músicas como essas que me fazem “não gostar” de fazer resenhas de discos do Dream Theater, pois existem tantos componentes e influências na música que minha escrita às vezes trava. “Take the Time” é jazzística, blues, pop, metal entre outras coisas todas juntas, cativante, mas complicada, talvez seja essa a essência aqui. Considero esta uma das maiores conquistas técnicas do Dream Theater, onde, são várias audições até o ouvinte conseguir entender tudo que acabou de acontecer aqui. 

“Surrounded” é a faixa seguinte e, embora não seja tão longa ou mesmo complexa como outras do álbum, tem seus momentos intrincados e possui grande beleza. Começa com Labrie cantando sobre um belo trabalho de piano antes de irromper em outro momento suave e jazzístico. É uma espécie de balada, mas mais enérgica que “Another Day”. Não possui muitos (ou quase nada) elementos de metal, mas tem seu valor dentro do álbum e preenche muito bem o seu espaço. 

“Metropolis - Part I (The Miracle And The Sleeper)” é mais uma das maiores criações da banda e um clássico absoluto. Um verdadeiro passeio através de uma peça clássica e cheia de excelência. Riffs pesados de guitarra, bateria de complexidade extrema, letras emotivas e mudanças de tempo e humor em abundância. Aquele tipo de música que pode se passar o tempo que for que a banda poderá olhar pra trás e sentir orgulho do que foi criado. Possui todos os ingredientes para atrair a atenção do ouvinte durante toda a faixa. As partes instrumentais são fantásticas e palavras me faltam pra definir a grandeza que tem uma música desta. Uma verdadeira aula de como se fazer metal progressivo com maestria. 

“Under a Glass Moon” é mais uma música desde disco que figura facilmente entre uma das minhas músicas favoritas da banda. A música começa com uma bela fusão de guitarra e teclados que logo se transforma em uma incrível combinação de peso e sonoridade mais suave. É também um dos momentos do álbum onde o ouvinte mais pode sentir paixão e emoção nos vocais. O solo de guitarra dessa música é emblemático e sempre figura por infinitas listas de melhores solos de guitarra de todos os tempos. O solo de teclado me faz lembrar porque ainda hoje me pergunto como teriam sido os trabalhos da banda se Kevin nunca tivesse saído, particularmente é o meu preferido entre todos os que já passaram pelas teclas do grupo. “Under a Glass Moon”  é uma música que mantem a mesma emoção e honestidade durante todos os seus sete minutos. Sensacional. 

"Wait for Sleep" é aquele tipo de música pra dar uma pausa e que possamos recuperar o fôlego principalmente depois das duas faixas anteriores. Simples e de um trabalho de teclado assombroso, oferece ao ouvinte um poder imaginativo de belas paisagens, assim como noites frias de inverno. A suavidade da voz de Labrie é um complemento perfeito. Uma faixa curta e calma para o ouvinte sentar, relaxar e recuperar a compostura antes do final do álbum. 

Imaginem a qualidade de uma música que fecha com chave de ouro um álbum que é uma verdadeira obra-prima. Minha música preferida do álbum, “Learning to Live” é também a mais longa e bastante sinuosa. Enquanto que a maioria dos longos épicos do Dream Theater são fortemente carregados e apresentam uma combinação de sons mais pesados, essa música é na maior parte muito mais sutil, muito mais “balada” do que suas outras faixas que ultrapassam os dez minutos. Essa música carrega de tudo um pouco, dois grandes solos de guitarra, muitos solos e divertidos trabalhos de teclado, seções instrumentais pesadas e outras mais sutis e até um momento meio flamenco. Sem deixar de mencionar a cozinha Myung e Portnoy que trabalham novamente de maneira brilhante. Uma música certamente de tirar o fôlego. 

Enfim, o que dizer de um álbum que traz com ele quatro das minhas dez músicas preferidas da banda? Considero Images and Words o melhor caminho para entrar no universo musical do Dream Theater e sua essência (infelizmente perdida com o tempo). Tem músicas de vários tamanhos e estilos, desde curta que é somente feita com piano e voz e é ótima pra nos fazer respirar, até uma obra-prima épica e enérgica do tipo que nos tira o fôlego. Nada menos do que uma bíblia sagrada do metal progressivo. 

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