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Resenha: AC/DC - Powerage (1978)

Por: Fábio Arthur

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Eletrizante!
5
06/03/2019

Os EUA sempre foram o ponto de equilibro entre o sucesso dentro das artes, quer fossem na área musical, pintura e/ou a chama de Sétima Arte; o cinema. No caso das bandas ou cantore(a)s, sempre haviam os impedimentos, justamente porque tudo deveria seguir pela notada cartilha Norte Americana, em que a mesma se baseia no contexto específico e concebido por ela mesma; os artistas tinham que manter o padrão pré-estipulado pelos americanos.

O AC/DC, bem que tentou se colocar na medida certa dos padrões americanos, para elevar sua carreira mediante seu contrato com a filial nos EUA de sua gestora australiana, mas o desenvolvimento não foi tão bom como deveria. Partindo de um princípio básico, o AC/DC chegou ao mercado fonográfico em um turbilhão de lançamentos, prova disso são as versões americanas, as europeias e australianas do grupo. Para os EUA, o disco de 1976, “Dirty Deeds Done Dirty Cheap”, consta como segundo disco da banda – no Brasil também -, mas na Austrália segue em sequência diferenciada; pelo menos nos primeiros anos da banda foi segmentado dessa forma. Anteriormente, “TNT” e “High Voltage” seriam o alicerce inicial do grupo, deixando assim uma dúvida entre os fãs e os colecionadores de materiais do grupo. Um outro ponto e muito importante foi o vocalista Bon Scott (R.I.P.) que não teve o apoio da gravadora americana, eles o pressionavam para que cantasse de forma mais branda, já que o som do AC/DC era um bluesy com bom rock n’ roll e assim a vocalização destoava – segundo a gravadora – de todo processo. Bon, teria que cantar em tonalidades mais baixas e limpar os vocais, ou seja, sem os devidos drives.  Esse fator – drives na voz – deixou os empresários da filial americana descontentes, fazendo com que a divulgação do grupo ficasse em menor escala no solo americano. À medida em que o grupo avançava na carreira, fazendo shows, vídeos e gravações, as mudanças não ocorriam de forma satisfatória, deixando a banda aos caminhos e sem suporte vigente. Mais uma vez o grupo não teria o valor reconhecido, mas mesmo assim eles estavam um  passo a frente com o novo material, intitulado de “Powerage”, lançado em 1978. 

As curiosidades são muitas em torno do álbum de 78, um ponto importante seria a demissão do baixista Mark Evans no final da tour de 77, Malcolm (R.I.P.) e Angus Young resolveram pedir a um dos empresários que dispensassem Mark naquele ano. Algo muito interessante sobre o lançamento envolvendo o momento de “Powerage” seria o entusiasmo de alguns músicos famosos em relação ao disco em questão. Artistas como: Eddie Van Halen, Keith Richards, Slash e Gene Simmons, adoram esse long play, acreditam ser um dos melhores e mais gostosos trabalhos do grupo para ouvir e o cultuam. Uma questão também envolvendo esse álbum é que a banda aqui começou a mudar a forma de compôr, as canções são mais complexas em relação aos riffs de discos passados do grupo. Aqui, o envolvimento musical seria com bem mais afinco, a direção seria a mesma, mas as melodias e bases das guitarras teriam acordes em maior grau de construção. A banda seria mais profissional nessa fase da carreira, soando bem coesa inclusive ao vivo, com mais potencial ainda; uma mudança natural e necessária. Ainda sobre as curiosidades de “Powerage”, é que pela primeira vez a banda faria um disco sem que houvesse uma faixa-título, ou seja, batizaram o álbum com nome já citado, mas não existe a canção do mesmo, somente o título em questão, o que também acabou ficando muito legal. Mais um ponto importante desse clássico, é que a música “Rock and Roll Damnation” foi um pouco modificada para que houvesse uma incursão nas rádios americanas. Deixaram ela mais hard, com um vocal mais singelo e moldaram sua veia rítmica, assim ficaria mais fácil atingir o mercado americano.Porém, mesmo assim, a gravadora ainda não gostou do resultado. Mais um fator seriam as letras de Bon, que  nesse período chegaram em uma qualidade extremamente imponente. Fato é que o vocalista e compositor sabia como inserir suas andanças e fatos acontecidos com outrem de forma muito imponente, dando assim vida as linhas musicais nas canções. Contudo, um detalhe importante aqui nessa fase da banda, é que a produção dos familiares dos Young (George e Vanda), teriam seus dias contados. Eles fariam a produção e pré-produção desse disco e dai em diante o grupo selaria com outros produtores uma parceira em escala maior. Para finalizar com as respectivas curiosidades, o AC/DC faria sua primeira tour nos EUA em 77 e dando seguimento a mesma em 78, mas em locais mais brandos e assim foram circulando aos poucos por locais maiores. 

Importante ressaltar que a banda começaria a dar o passo concreto de sua carreira em “Powerage”, não em 1979 com o póstumo “Highway to Hell”. Aqui, nesse disco fantástico de 78 é que a coisa começou a mudar. O nível e aceitação da banda foi conquistado por esse disco na verdade, dando o impacto total um ano depois e assim adiante na carreira do grupo.
Embora muitos prefiram se concentrar nos discos póstumos do que a esse fantástico “Powerage”, a banda concebeu uma obra de arte sem dúvida alguma. Prova disso são as faixas maravilhosas contidas nesse clássico, músicas dotadas de ótimos riffs e arranjos, caso de canções como “Riff Raff”, “Up to my Neck Into You”, “Down Payment Blues”, “Sin City”, “Gone Shootin” e a citada acima “Rock and Roll Damnation”. Enfim, o disco permeia entre o AC/DC maduro e a um passo em frente do profissionalismo e acima de tudo muito além de uma simples banda de rock/blues, ou seja, eles conseguiram inverter a situação totalmente ao seu favor, mesmo com todas as dificuldades estampadas. 

Aqui o disco data como uma passagem para outro patamar não somente financeira como em sucesso de público e crítica. Inovador e de bom gosto!

Eletrizante!
5
06/03/2019

Os EUA sempre foram o ponto de equilibro entre o sucesso dentro das artes, quer fossem na área musical, pintura e/ou a chama de Sétima Arte; o cinema. No caso das bandas ou cantore(a)s, sempre haviam os impedimentos, justamente porque tudo deveria seguir pela notada cartilha Norte Americana, em que a mesma se baseia no contexto específico e concebido por ela mesma; os artistas tinham que manter o padrão pré-estipulado pelos americanos.

O AC/DC, bem que tentou se colocar na medida certa dos padrões americanos, para elevar sua carreira mediante seu contrato com a filial nos EUA de sua gestora australiana, mas o desenvolvimento não foi tão bom como deveria. Partindo de um princípio básico, o AC/DC chegou ao mercado fonográfico em um turbilhão de lançamentos, prova disso são as versões americanas, as europeias e australianas do grupo. Para os EUA, o disco de 1976, “Dirty Deeds Done Dirty Cheap”, consta como segundo disco da banda – no Brasil também -, mas na Austrália segue em sequência diferenciada; pelo menos nos primeiros anos da banda foi segmentado dessa forma. Anteriormente, “TNT” e “High Voltage” seriam o alicerce inicial do grupo, deixando assim uma dúvida entre os fãs e os colecionadores de materiais do grupo. Um outro ponto e muito importante foi o vocalista Bon Scott (R.I.P.) que não teve o apoio da gravadora americana, eles o pressionavam para que cantasse de forma mais branda, já que o som do AC/DC era um bluesy com bom rock n’ roll e assim a vocalização destoava – segundo a gravadora – de todo processo. Bon, teria que cantar em tonalidades mais baixas e limpar os vocais, ou seja, sem os devidos drives.  Esse fator – drives na voz – deixou os empresários da filial americana descontentes, fazendo com que a divulgação do grupo ficasse em menor escala no solo americano. À medida em que o grupo avançava na carreira, fazendo shows, vídeos e gravações, as mudanças não ocorriam de forma satisfatória, deixando a banda aos caminhos e sem suporte vigente. Mais uma vez o grupo não teria o valor reconhecido, mas mesmo assim eles estavam um  passo a frente com o novo material, intitulado de “Powerage”, lançado em 1978. 

As curiosidades são muitas em torno do álbum de 78, um ponto importante seria a demissão do baixista Mark Evans no final da tour de 77, Malcolm (R.I.P.) e Angus Young resolveram pedir a um dos empresários que dispensassem Mark naquele ano. Algo muito interessante sobre o lançamento envolvendo o momento de “Powerage” seria o entusiasmo de alguns músicos famosos em relação ao disco em questão. Artistas como: Eddie Van Halen, Keith Richards, Slash e Gene Simmons, adoram esse long play, acreditam ser um dos melhores e mais gostosos trabalhos do grupo para ouvir e o cultuam. Uma questão também envolvendo esse álbum é que a banda aqui começou a mudar a forma de compôr, as canções são mais complexas em relação aos riffs de discos passados do grupo. Aqui, o envolvimento musical seria com bem mais afinco, a direção seria a mesma, mas as melodias e bases das guitarras teriam acordes em maior grau de construção. A banda seria mais profissional nessa fase da carreira, soando bem coesa inclusive ao vivo, com mais potencial ainda; uma mudança natural e necessária. Ainda sobre as curiosidades de “Powerage”, é que pela primeira vez a banda faria um disco sem que houvesse uma faixa-título, ou seja, batizaram o álbum com nome já citado, mas não existe a canção do mesmo, somente o título em questão, o que também acabou ficando muito legal. Mais um ponto importante desse clássico, é que a música “Rock and Roll Damnation” foi um pouco modificada para que houvesse uma incursão nas rádios americanas. Deixaram ela mais hard, com um vocal mais singelo e moldaram sua veia rítmica, assim ficaria mais fácil atingir o mercado americano.Porém, mesmo assim, a gravadora ainda não gostou do resultado. Mais um fator seriam as letras de Bon, que  nesse período chegaram em uma qualidade extremamente imponente. Fato é que o vocalista e compositor sabia como inserir suas andanças e fatos acontecidos com outrem de forma muito imponente, dando assim vida as linhas musicais nas canções. Contudo, um detalhe importante aqui nessa fase da banda, é que a produção dos familiares dos Young (George e Vanda), teriam seus dias contados. Eles fariam a produção e pré-produção desse disco e dai em diante o grupo selaria com outros produtores uma parceira em escala maior. Para finalizar com as respectivas curiosidades, o AC/DC faria sua primeira tour nos EUA em 77 e dando seguimento a mesma em 78, mas em locais mais brandos e assim foram circulando aos poucos por locais maiores. 

Importante ressaltar que a banda começaria a dar o passo concreto de sua carreira em “Powerage”, não em 1979 com o póstumo “Highway to Hell”. Aqui, nesse disco fantástico de 78 é que a coisa começou a mudar. O nível e aceitação da banda foi conquistado por esse disco na verdade, dando o impacto total um ano depois e assim adiante na carreira do grupo.
Embora muitos prefiram se concentrar nos discos póstumos do que a esse fantástico “Powerage”, a banda concebeu uma obra de arte sem dúvida alguma. Prova disso são as faixas maravilhosas contidas nesse clássico, músicas dotadas de ótimos riffs e arranjos, caso de canções como “Riff Raff”, “Up to my Neck Into You”, “Down Payment Blues”, “Sin City”, “Gone Shootin” e a citada acima “Rock and Roll Damnation”. Enfim, o disco permeia entre o AC/DC maduro e a um passo em frente do profissionalismo e acima de tudo muito além de uma simples banda de rock/blues, ou seja, eles conseguiram inverter a situação totalmente ao seu favor, mesmo com todas as dificuldades estampadas. 

Aqui o disco data como uma passagem para outro patamar não somente financeira como em sucesso de público e crítica. Inovador e de bom gosto!

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