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Resenha: Steve Hackett - At The Edge Of Light (2019)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Um fluxo diversificado e irresistível de melodias e temas
4
03/03/2019

Hoje em dia quando se trata de Steve Hackett eu sou bem tranquilo em relação ao que esperar, sempre imagino um bom disco, nada de obra-prima ou algo que esteja fora do universo musical do músico, até porque ele durantes décadas sempre vem mostrando tantas vertentes que hoje em dia soar de forma nova fica quase impossível. E isso é ruim? Definitivamente não, hoje Hackett quer apenas se manter prolífico e não fazer inúmeras turnês sem novidade no setlist. At the Edge of Light apenas confirma o guitarrista, melhor dizendo, reafirma o guitarrista no posto de um dos grandes embaixadores da world music através da ideia de novamente incorporar músicos e instrumentos de vários cantos do mundo. 

“Fallen Walls and Pedestals” é um curto início e de estrutura relativamente simples, mas bastante bombástico e dramático. Hackett faz alguns belos solos até que a música emenda com a faixa seguinte. “Beasts In Our Time”é bastante representativa dentro do tema do álbum. Uma alternância entre um violão pastoral e um violento saxofone, entre uma harpa angelical e tons sinfônicos mais obscuros. Por último a guitarra de Hackett assume o comando até uma cacofonia em seu momento final. 

“Under the Eye of the Sun” tem várias qualidades semelhantes às encontradas em músicas do Yes. Logo na sua abertura a linha de guitarra pode remeter o ouvinte a “Make it Easy”. A linha de baixo é estrondosa e pode facilmente evocar em mente Chris Squire. A jornada acelerada da música tem uma pausa, passando a se sustentar apenas por sons assustadores de didjerido, duduk e flauta em sua seção intermediária. A energia da faixa regressa e assim ela permanece até o fim. 

Em “Underground Railroad” e usando de toda sua versatilidade, Hackett logo de cara mostra uma abordagem gospel através de um belo trabalho vocal. Aqui é criado um (e como o nome já diz) conto sobre a famosa rede de fuga dos escravos que buscavam sua liberdade. Após uma abertura apaixonante, a música se move com a voz e violão de Hackett, além de belos trabalhos vocais de fundo, e isso mostra o desenho da primeira metade da música, já a segunda metade contém uma sonoridade com o charme já habitual de Hackett. Um som típico do músico, ou seja, qualidade garantida. 

Músicas longas sempre são algo que me animam em um disco deste, logo, em ““Those Golden Wings” e seus quase doze minutos foi exatamente o que aconteceu antes que eu a ouvisse. Fiquei animado à toa? Negativo, o mini épico trata-se de uma oferta sumptuosa, com orquestração exuberante, belíssimo coro e guitarra de 12 cordas que apoiam muito bem seus vocais principais. Possui uso de violão clássico, a bateria e o baixo fazem uma cozinha extremamente bem feita. Enfim, uma faixa muito bem construída. Ah sim, não posso deixar de mencionar o solo de encerramento de Hackett. 

“Shadow and Flame” faz com que agora o ouvinte desembarque em território indiano. O uso da sitar aqui é de suma importância para que o ambiente seja criado, sem deixar de mencionar a tabla que o acompanha. Devo admitir que não se trata de um dos destaques do álbum, mas a sonoridade já citada, aliada a guitarra característica de Hackett, orquestração e percussão  deixam com que ela seja um música bem vinda. 

“Hungry Years” é aquele tipo de faixa que sempre tem nos discos de Hackett, aquele bom e conciso “hit” de refrão forte. Embora não seja uma música que você vai ouvir em uma estação de rádio da sua cidade, ela tem todos os ingredientes pra isso. Agradável, possui um ótimo solo de guitarra apoiado por proeminentes linhas de baixo ao fundo. Belíssimos vocais de apoio e um arranjo brilhante fazem deste momento algo bastante edificante. 

As últimas três faixas juntas formam o outro mini épico e que fecha o álbum. Começa com "Descent", que deliciosamente gira em torno de uma incessante linha de bateria staccato, também possui uma linda orquestração e guitarra que aprofunda o ouvinte em uma atmosfera sombria até chegar na sua segunda parte. “Conflict” é uma curta faixa instrumental e que mostra mais uma vez linhas de guitarra e grandeza sinfônica em primeiro plano, apesar de ter menos do que dois minutos é um momento de muita força. “Peace” é a faixa que fecha o mini épico, começa com bonitos acordes rítmicos tocados ao piano e a voz solitária de Steve Hackett liderando o caminho que se abre. Conforme vai se construindo o coral da música mostra que os vocais serão um dos destaques aqui. Não chega a ser uma espécie de hino da paz como ocorreu com “West to East” do seu disco anterior, The Night Siren, mas não deixa de carregar um ar de esperança a partir do momento que o disco vai chegando a sua conclusão. A música chega ao fim com uma ótima linha de guitarra e uma orquestração que finaliza o disco em uma nota triste, como de um mau pressentimento. 

Uma das características principais de Steve Hackett é o fato das muitas mudanças em seus discos não deixar com que o ouvinte fique entediado. Resumidamente o disco é um fluxo diversificado e irresistível de melodias e temas.

Um fluxo diversificado e irresistível de melodias e temas
4
03/03/2019

Hoje em dia quando se trata de Steve Hackett eu sou bem tranquilo em relação ao que esperar, sempre imagino um bom disco, nada de obra-prima ou algo que esteja fora do universo musical do músico, até porque ele durantes décadas sempre vem mostrando tantas vertentes que hoje em dia soar de forma nova fica quase impossível. E isso é ruim? Definitivamente não, hoje Hackett quer apenas se manter prolífico e não fazer inúmeras turnês sem novidade no setlist. At the Edge of Light apenas confirma o guitarrista, melhor dizendo, reafirma o guitarrista no posto de um dos grandes embaixadores da world music através da ideia de novamente incorporar músicos e instrumentos de vários cantos do mundo. 

“Fallen Walls and Pedestals” é um curto início e de estrutura relativamente simples, mas bastante bombástico e dramático. Hackett faz alguns belos solos até que a música emenda com a faixa seguinte. “Beasts In Our Time”é bastante representativa dentro do tema do álbum. Uma alternância entre um violão pastoral e um violento saxofone, entre uma harpa angelical e tons sinfônicos mais obscuros. Por último a guitarra de Hackett assume o comando até uma cacofonia em seu momento final. 

“Under the Eye of the Sun” tem várias qualidades semelhantes às encontradas em músicas do Yes. Logo na sua abertura a linha de guitarra pode remeter o ouvinte a “Make it Easy”. A linha de baixo é estrondosa e pode facilmente evocar em mente Chris Squire. A jornada acelerada da música tem uma pausa, passando a se sustentar apenas por sons assustadores de didjerido, duduk e flauta em sua seção intermediária. A energia da faixa regressa e assim ela permanece até o fim. 

Em “Underground Railroad” e usando de toda sua versatilidade, Hackett logo de cara mostra uma abordagem gospel através de um belo trabalho vocal. Aqui é criado um (e como o nome já diz) conto sobre a famosa rede de fuga dos escravos que buscavam sua liberdade. Após uma abertura apaixonante, a música se move com a voz e violão de Hackett, além de belos trabalhos vocais de fundo, e isso mostra o desenho da primeira metade da música, já a segunda metade contém uma sonoridade com o charme já habitual de Hackett. Um som típico do músico, ou seja, qualidade garantida. 

Músicas longas sempre são algo que me animam em um disco deste, logo, em ““Those Golden Wings” e seus quase doze minutos foi exatamente o que aconteceu antes que eu a ouvisse. Fiquei animado à toa? Negativo, o mini épico trata-se de uma oferta sumptuosa, com orquestração exuberante, belíssimo coro e guitarra de 12 cordas que apoiam muito bem seus vocais principais. Possui uso de violão clássico, a bateria e o baixo fazem uma cozinha extremamente bem feita. Enfim, uma faixa muito bem construída. Ah sim, não posso deixar de mencionar o solo de encerramento de Hackett. 

“Shadow and Flame” faz com que agora o ouvinte desembarque em território indiano. O uso da sitar aqui é de suma importância para que o ambiente seja criado, sem deixar de mencionar a tabla que o acompanha. Devo admitir que não se trata de um dos destaques do álbum, mas a sonoridade já citada, aliada a guitarra característica de Hackett, orquestração e percussão  deixam com que ela seja um música bem vinda. 

“Hungry Years” é aquele tipo de faixa que sempre tem nos discos de Hackett, aquele bom e conciso “hit” de refrão forte. Embora não seja uma música que você vai ouvir em uma estação de rádio da sua cidade, ela tem todos os ingredientes pra isso. Agradável, possui um ótimo solo de guitarra apoiado por proeminentes linhas de baixo ao fundo. Belíssimos vocais de apoio e um arranjo brilhante fazem deste momento algo bastante edificante. 

As últimas três faixas juntas formam o outro mini épico e que fecha o álbum. Começa com "Descent", que deliciosamente gira em torno de uma incessante linha de bateria staccato, também possui uma linda orquestração e guitarra que aprofunda o ouvinte em uma atmosfera sombria até chegar na sua segunda parte. “Conflict” é uma curta faixa instrumental e que mostra mais uma vez linhas de guitarra e grandeza sinfônica em primeiro plano, apesar de ter menos do que dois minutos é um momento de muita força. “Peace” é a faixa que fecha o mini épico, começa com bonitos acordes rítmicos tocados ao piano e a voz solitária de Steve Hackett liderando o caminho que se abre. Conforme vai se construindo o coral da música mostra que os vocais serão um dos destaques aqui. Não chega a ser uma espécie de hino da paz como ocorreu com “West to East” do seu disco anterior, The Night Siren, mas não deixa de carregar um ar de esperança a partir do momento que o disco vai chegando a sua conclusão. A música chega ao fim com uma ótima linha de guitarra e uma orquestração que finaliza o disco em uma nota triste, como de um mau pressentimento. 

Uma das características principais de Steve Hackett é o fato das muitas mudanças em seus discos não deixar com que o ouvinte fique entediado. Resumidamente o disco é um fluxo diversificado e irresistível de melodias e temas.

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