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Resenha: Dream Theater - Distance Over Time (2019)

Por: Tiago Meneses

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Dentro de sua zona de conforto, fizeram um bom disco.
3
02/03/2019

Acho que hoje em dia não existe uma banda que causa tanto alvoroço envolto a um lançamento de disco como o Dream Theater, pelo menos não na direção em que meus olhos se voltam. Há fãs que ainda hoje a cada novo álbum questiona o fato do Portnoy não está na banda e compara os novos trabalhos com clássicos como, Images...Awake e Scenes...por exemplo, eu mesmo já fiz isso bastante, mas acho que já deu. 

Após o lançamento de The Astonishing, disco que eu particularmente achei fraquíssimo, eu já fiquei pensando no próximo álbum da banda, onde somente pouco mais de três anos depois de minhas perguntas estou obtendo as respostas. Algo que vale ser mencionado, o álbum possui cerca de cinquenta e sete minutos, ou seja, o menor desde seu disco de estreia. Parece que a banda aprendeu que nem sempre é preciso de quase oitenta minutos pra se ter um disco pronto e muitas vezes isso não agrega em nada. Então é nisso que eu acho que Distance Over Time leva vantagem em relação a inúmeros discos anteriores da banda, pois basicamente tudo nele parece necessário, não existe partes gordurosas, seções instrumentais desnecessárias ou uma auto indulgência pra provar o quão técnicos e impressionantes são os músicos do Dream Theater, até porque, isso eles não precisam provar mais pra ninguém, né? Simplesmente executam um metal progressivo e pronto, mostrando que eles ainda podem executar um som ao menos atraente. 

O disco começa através de “Untethered Angel”, uma música típica da banda, sem nenhuma característica diferente e de amplas seções instrumentais. Uma introdução que já vimos a banda fazer algumas vezes através de guitarra e violão. Pesada, bastante técnica nos solos de guitarra e de teclado, bateria executada com força e um baixo com boas linhas e mais audível que em trabalhos anteriores. Uma boa música, mas cheia de deja vu. 

“Paralyzed” em se tratando de músicas curtas da banda pode entrar no rol das minhas favoritas. Lenta, com groove, pesada e bem bonita, sem contar que felizmente não traz nenhuma extravagância do tipo que poderia comprometer seu resultado final. Já no início mostra um bom riff de guitarra seguido de um grande preenchimento da bateria de Mangini. Menção também para o refrão, algo que eu achei legal. 

“Fall Into The Light” começa com alguns riffs pesados de guitarra seguido por uma progressão clássica da banda até a caída pro refrão. Sinceramente, essa faixa seria um simples mais do mesmo, mas é salva pelo seu elemento mais forte, uma parte instrumental mais lenta e de um grande solo de guitarra. 

“Barstool Warrior” é a faixa que de fato me fez mergulhar no desconhecido pela primeira vez, afinal, as três primeiras já haviam sido liberadas pela banda. Uma faixa surpreendente e de bastante nuances, além de arranjos inspiradores. Em alguns pontos e salvando as devidas proporções sentimos algumas reminiscências de criações do Images & Words. 

“Room 137” já mostra algo curioso antes mesmo de ouvirmos ela pela primeira vez, afinal, trata-se da primeira composição de Mangini para a banda. Tem algo nessa música que me fez não conseguir apreciar o seu som, seu riff principal me faz lembrar “Beautiful People” do Marilyn Mason. Possui alguns riffs pesados de guitarra, com alguns solos agradáveis e uns elementos estranhos. Não é ruim, tem suas qualidades, mas não é do tipo que vou ouvir sempre. 

“S2N” mostra novamente Myung compondo uma faixa. O baixista costuma não compor muito, mas dentro do seu histórico na banda costuma compor sempre a melhor ou uma das melhores músicas do álbum, fato que aqui não é diferente. Começa com um baixo furioso e depois vai se desenvolvendo em um pandemônio musical excelente, cheio de técnica e às vezes groove. O refrão é cativante e o final ótimo. 

“At Wit's End” se tornou instantaneamente a minha música preferida do álbum. Essa faixa incrível começa com arpejos violentos de Petrucci nos quais a música se desenvolve. A demonstração de técnica e entrosamento da banda só é interrompida quando a música em sua parte final evolui para um final lento e de beleza ímpar, com destaque para o solo de de Petrucci cheio de feeling e magia. O único ponto fraco da música é que nunca gostei de fadeout (embora isso não me impeça de gostar da música), pior ainda quando eles usam um final falso pra regressarem por mais alguns segundos até terminar de fato, meio desnecessário. Ainda assim a melhor do álbum. 

“Out Of Reach” mostra algo que sinto a um bom tempo, o Dream Theater parece não conseguir mais me emocionar com suas baladas. Mas ela possui algumas coisas legais, Jordan cria uma boa atmosfera e textura através do seu trabalho de piano. Labrie costuma se sair bem nesse tipo de faixa e aqui não é diferente, mostrando seus esforços mais eloquentes e menos agressivos. Um som ok. 

“Pale Blue Dot” mostra em alguns momentos a banda caminhando para um território djent, mas sem que haja a descaracterização no seu som, continuam o típico Dream Theater. Momentos caóticos e complexos que a princípio eu não havia gostado, mas com o tempo suas passagens instrumentais me divertiram. Sofre do mesmo problema de tantas faixas do grupo nos últimos anos (incluindo com o Portnoy), impressionante tecnicamente, mas musicalmente não cativa tanto. Mas como eu disse, pode divertir. 

“Viper King” é a faixa bônus do álbum. No geral faixas bônus costumam ser algo descartável, mas aqui as coisas funcionam bem, trata-se de um trabalho bastante agradável. Possui peso, um refrão cativante e divertido. Não é cheia de pompa, mas certamente possui bastante brio. 

O resumo da ópera é que não existe nada de surpreendente em Distance Over Time, os fãs certamente irão gostar, mas não tem como enxergar alguma progressão no som da banda. A banda novamente faz uma música onde exceto por uns dois ou três momentos, nos dá a sensação de já ter escutado tudo o que foi apresentado aqui. Ainda assim, devo dizer que dentro de sua zona de conforto, fizeram um bom disco. 

Dentro de sua zona de conforto, fizeram um bom disco.
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02/03/2019

Acho que hoje em dia não existe uma banda que causa tanto alvoroço envolto a um lançamento de disco como o Dream Theater, pelo menos não na direção em que meus olhos se voltam. Há fãs que ainda hoje a cada novo álbum questiona o fato do Portnoy não está na banda e compara os novos trabalhos com clássicos como, Images...Awake e Scenes...por exemplo, eu mesmo já fiz isso bastante, mas acho que já deu. 

Após o lançamento de The Astonishing, disco que eu particularmente achei fraquíssimo, eu já fiquei pensando no próximo álbum da banda, onde somente pouco mais de três anos depois de minhas perguntas estou obtendo as respostas. Algo que vale ser mencionado, o álbum possui cerca de cinquenta e sete minutos, ou seja, o menor desde seu disco de estreia. Parece que a banda aprendeu que nem sempre é preciso de quase oitenta minutos pra se ter um disco pronto e muitas vezes isso não agrega em nada. Então é nisso que eu acho que Distance Over Time leva vantagem em relação a inúmeros discos anteriores da banda, pois basicamente tudo nele parece necessário, não existe partes gordurosas, seções instrumentais desnecessárias ou uma auto indulgência pra provar o quão técnicos e impressionantes são os músicos do Dream Theater, até porque, isso eles não precisam provar mais pra ninguém, né? Simplesmente executam um metal progressivo e pronto, mostrando que eles ainda podem executar um som ao menos atraente. 

O disco começa através de “Untethered Angel”, uma música típica da banda, sem nenhuma característica diferente e de amplas seções instrumentais. Uma introdução que já vimos a banda fazer algumas vezes através de guitarra e violão. Pesada, bastante técnica nos solos de guitarra e de teclado, bateria executada com força e um baixo com boas linhas e mais audível que em trabalhos anteriores. Uma boa música, mas cheia de deja vu. 

“Paralyzed” em se tratando de músicas curtas da banda pode entrar no rol das minhas favoritas. Lenta, com groove, pesada e bem bonita, sem contar que felizmente não traz nenhuma extravagância do tipo que poderia comprometer seu resultado final. Já no início mostra um bom riff de guitarra seguido de um grande preenchimento da bateria de Mangini. Menção também para o refrão, algo que eu achei legal. 

“Fall Into The Light” começa com alguns riffs pesados de guitarra seguido por uma progressão clássica da banda até a caída pro refrão. Sinceramente, essa faixa seria um simples mais do mesmo, mas é salva pelo seu elemento mais forte, uma parte instrumental mais lenta e de um grande solo de guitarra. 

“Barstool Warrior” é a faixa que de fato me fez mergulhar no desconhecido pela primeira vez, afinal, as três primeiras já haviam sido liberadas pela banda. Uma faixa surpreendente e de bastante nuances, além de arranjos inspiradores. Em alguns pontos e salvando as devidas proporções sentimos algumas reminiscências de criações do Images & Words. 

“Room 137” já mostra algo curioso antes mesmo de ouvirmos ela pela primeira vez, afinal, trata-se da primeira composição de Mangini para a banda. Tem algo nessa música que me fez não conseguir apreciar o seu som, seu riff principal me faz lembrar “Beautiful People” do Marilyn Mason. Possui alguns riffs pesados de guitarra, com alguns solos agradáveis e uns elementos estranhos. Não é ruim, tem suas qualidades, mas não é do tipo que vou ouvir sempre. 

“S2N” mostra novamente Myung compondo uma faixa. O baixista costuma não compor muito, mas dentro do seu histórico na banda costuma compor sempre a melhor ou uma das melhores músicas do álbum, fato que aqui não é diferente. Começa com um baixo furioso e depois vai se desenvolvendo em um pandemônio musical excelente, cheio de técnica e às vezes groove. O refrão é cativante e o final ótimo. 

“At Wit's End” se tornou instantaneamente a minha música preferida do álbum. Essa faixa incrível começa com arpejos violentos de Petrucci nos quais a música se desenvolve. A demonstração de técnica e entrosamento da banda só é interrompida quando a música em sua parte final evolui para um final lento e de beleza ímpar, com destaque para o solo de de Petrucci cheio de feeling e magia. O único ponto fraco da música é que nunca gostei de fadeout (embora isso não me impeça de gostar da música), pior ainda quando eles usam um final falso pra regressarem por mais alguns segundos até terminar de fato, meio desnecessário. Ainda assim a melhor do álbum. 

“Out Of Reach” mostra algo que sinto a um bom tempo, o Dream Theater parece não conseguir mais me emocionar com suas baladas. Mas ela possui algumas coisas legais, Jordan cria uma boa atmosfera e textura através do seu trabalho de piano. Labrie costuma se sair bem nesse tipo de faixa e aqui não é diferente, mostrando seus esforços mais eloquentes e menos agressivos. Um som ok. 

“Pale Blue Dot” mostra em alguns momentos a banda caminhando para um território djent, mas sem que haja a descaracterização no seu som, continuam o típico Dream Theater. Momentos caóticos e complexos que a princípio eu não havia gostado, mas com o tempo suas passagens instrumentais me divertiram. Sofre do mesmo problema de tantas faixas do grupo nos últimos anos (incluindo com o Portnoy), impressionante tecnicamente, mas musicalmente não cativa tanto. Mas como eu disse, pode divertir. 

“Viper King” é a faixa bônus do álbum. No geral faixas bônus costumam ser algo descartável, mas aqui as coisas funcionam bem, trata-se de um trabalho bastante agradável. Possui peso, um refrão cativante e divertido. Não é cheia de pompa, mas certamente possui bastante brio. 

O resumo da ópera é que não existe nada de surpreendente em Distance Over Time, os fãs certamente irão gostar, mas não tem como enxergar alguma progressão no som da banda. A banda novamente faz uma música onde exceto por uns dois ou três momentos, nos dá a sensação de já ter escutado tudo o que foi apresentado aqui. Ainda assim, devo dizer que dentro de sua zona de conforto, fizeram um bom disco. 

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