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Resenha: Dream Theater - Awake (1994)

Por: Tiago Meneses

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Um registro muito bem pensado.
5
03/10/2017

Ao contrário de Images and Words, disco anterior, a música é bastante jazzística e abrange o metal neoclássico de vez em quando. Além disso, o som é mais sujo, os riffs de guitarra são mais pesados e os vocais mais ásperos. Sem contar que a produção elimina qualquer influência de som glam metal que talvez tenha sido o único ponto negativo de Images and Words. As composições são complexas e executadas rapidamente, dando a tenacidade e tornando-a mais dinâmica. Sempre sinto no disco certa atitude urbana, que de alguma forma me dá a impressão de estar no meio de uma metrópole com todo o seu barulho e agitação. A guitarra é a melodia criada pelos carros que aceleram enquanto a bateria as portas que batem em todos os lugares e o movimento constante de milhares de pés, o baixo representa as vozes de todos conversando, os teclados as sirenes, buzinas e outros sons típicos metropolitanos.

O disco começa com “6:00” trazendo um mini solo de bateria que é um contraponto perfeito para o grito do teclado frenético de Kevin Moore. Apresenta um trabalho instrumental complexo e é provavelmente o momento de maior diversão em um disco que soa muitas vezes sombrio. 

“Caught in a Web” é mais pesada e aqui confesso que a entrega vocal me soa um pouco estranha, apesar de bastante sólida. Demorou até que ganhasse a minha apreciação, mas hoje a vejo com uma música de versos muito atrativos, ótimo coro, excelente musicalidade por parte de todos, com destaques para as performances uníssonos de guitarra e teclado deixando tudo extremamente encorpado e cheio de vitalidade.

“Inocence Faded” é uma faixa muito mais leve do que as que a cercam e tem alguns cantos estranho de James Labrie e com isso, provavelmente seja uma das letras mais “mal interpretadas” em sua carreira com a banda. Mas ainda assim não a considero uma mancha no disco, pois musicalmente é agradável e possui um excelente final, enérgico e de um ótimo e direto solo de guitarra de John Petrucci.

As próximas três faixas compõe o épico “A Mind Beside Itself”. Mas quando escutada como um épico, esta faixa não rivaliza de forma alguma com outros grandes épicos prog, mas cada parte é interessante por direito próprio, digamos assim. A primeira parte é “Erotomania”, uma instrumental excelente, com passagens lindas, complexas e mudanças estranhas de tempo. A segunda parte é “Voices”, um lamento soberbamente poético de John Petrucci sobre o quão difícil às vezes é ter fé, pra mim, um dos momentos mais sublimes do disco, musicalmente as apresentações de cada um novamente é bastante sólida, com menção especial a Kevin Moore que adequa seus teclados perfeitamente ao tema, criando uma atmosfera gótica incrível. O solo de guitarra também é arrepiante e bastante condizente com a narrativa da música. James Labrie também brilha em uma incrível quantidade de tonalidade e fraseio impecável e bem escolhido. O épico finaliza com “The Silent Man”, não tem muito o que falar dessa faixa, trata-se de uma emotiva peça acústica muito bem interpretada por James Labrie e que traz um bonito solo de violão no seu meio.

“The Mirror” é pesada e excelente com letras que descrevem a luta de Mike Portnoy com o alcoolismo e muitas vezes vista como uma espécie de prelúdio para a “Twelve-Step Suite". Uma trilha notável e de metal puro perfeitamente bem trabalhado com elementos progressivos. Destaque também a referência feita a “Space Dye Vest” que ficou excelente. Se final súbito já a emenda na próxima faixa. 

“Lie” faz o álbum seguir de maneira pesada, mas dessa vez com menos elementos progressivos, mesmo assim a vejo com uma espécie de segunda parte de “The Mirror”, possui excelente atmosfera e um solo de muita velocidade de John Petrucci.

"Lifting Shadows off a Dream" é uma faixa branda, a introdução harmônica do baixo de John Myung, os teclados suaves seguindo a mesma linha melódica da voz, o som da guitarra espacial fazem dessa faixa uma grande experiência.  Uma música bastante completa apresentando muitas variações de estilo e intensidade. 

Com onze minutos, “Scarred” é a faixa mais longa, mas também musicalmente coesa do álbum, onde todos tem grande contribuição para o seu resultado. Os estilos mudam com tanta frequência que se o ouvinte não prestar atenção pode facilmente se perder em meio a tanta variação. Acho inclusive que é uma música bastante subestimada se comparada a outras da mesma natureza (tamanho), pois carrega uma qualidade crescente durante a sua execução poucas vezes vista na banda.

O álbum chega ao fim através de “Space Dye Vest”, composta inteiramente por Kevin Moore, é bastante emocional, onde toda a música se concentra quase que exclusivamente no piano de Kevin e no vocal suave de James. Pensativa, sombria e introspectiva, apresenta uma melodia intrigante, e há algo hipnótico e trágico sobre a forma como Moore mistura os dois "riffs" de piano principais ao longo da música. É uma canção sobre o crescimento cada vez mais alienado do mundo, um homem que ficou obcecado com modelos dos catálogos de moda, com exclusão de relacionamentos reais e significativos, sem dúvida alguma é a maior expressão de liberdade criativa de Moore no disco. Sua parte final tem o acompanhamento dos demais instrumentos que a fazem crescer musicalmente, finalizando o álbum de maneira sublime.

Awake sem dúvida alguma é um registro muito bem pensado e que merece cadeira cativa no rol dos grandes lançamentos de metal progressivo de todos os tempos. Cinco músicos sendo cada um dos percursores de suas nuances instrumentais (e vocais). Um trabalho de onze faixas de qualidade e profundidade que mesmo depois de mais de duas décadas desde o seu lançamento ainda merece ser difundido a aqueles que não se depararam com a sua música. 

Um registro muito bem pensado.
5
03/10/2017

Ao contrário de Images and Words, disco anterior, a música é bastante jazzística e abrange o metal neoclássico de vez em quando. Além disso, o som é mais sujo, os riffs de guitarra são mais pesados e os vocais mais ásperos. Sem contar que a produção elimina qualquer influência de som glam metal que talvez tenha sido o único ponto negativo de Images and Words. As composições são complexas e executadas rapidamente, dando a tenacidade e tornando-a mais dinâmica. Sempre sinto no disco certa atitude urbana, que de alguma forma me dá a impressão de estar no meio de uma metrópole com todo o seu barulho e agitação. A guitarra é a melodia criada pelos carros que aceleram enquanto a bateria as portas que batem em todos os lugares e o movimento constante de milhares de pés, o baixo representa as vozes de todos conversando, os teclados as sirenes, buzinas e outros sons típicos metropolitanos.

O disco começa com “6:00” trazendo um mini solo de bateria que é um contraponto perfeito para o grito do teclado frenético de Kevin Moore. Apresenta um trabalho instrumental complexo e é provavelmente o momento de maior diversão em um disco que soa muitas vezes sombrio. 

“Caught in a Web” é mais pesada e aqui confesso que a entrega vocal me soa um pouco estranha, apesar de bastante sólida. Demorou até que ganhasse a minha apreciação, mas hoje a vejo com uma música de versos muito atrativos, ótimo coro, excelente musicalidade por parte de todos, com destaques para as performances uníssonos de guitarra e teclado deixando tudo extremamente encorpado e cheio de vitalidade.

“Inocence Faded” é uma faixa muito mais leve do que as que a cercam e tem alguns cantos estranho de James Labrie e com isso, provavelmente seja uma das letras mais “mal interpretadas” em sua carreira com a banda. Mas ainda assim não a considero uma mancha no disco, pois musicalmente é agradável e possui um excelente final, enérgico e de um ótimo e direto solo de guitarra de John Petrucci.

As próximas três faixas compõe o épico “A Mind Beside Itself”. Mas quando escutada como um épico, esta faixa não rivaliza de forma alguma com outros grandes épicos prog, mas cada parte é interessante por direito próprio, digamos assim. A primeira parte é “Erotomania”, uma instrumental excelente, com passagens lindas, complexas e mudanças estranhas de tempo. A segunda parte é “Voices”, um lamento soberbamente poético de John Petrucci sobre o quão difícil às vezes é ter fé, pra mim, um dos momentos mais sublimes do disco, musicalmente as apresentações de cada um novamente é bastante sólida, com menção especial a Kevin Moore que adequa seus teclados perfeitamente ao tema, criando uma atmosfera gótica incrível. O solo de guitarra também é arrepiante e bastante condizente com a narrativa da música. James Labrie também brilha em uma incrível quantidade de tonalidade e fraseio impecável e bem escolhido. O épico finaliza com “The Silent Man”, não tem muito o que falar dessa faixa, trata-se de uma emotiva peça acústica muito bem interpretada por James Labrie e que traz um bonito solo de violão no seu meio.

“The Mirror” é pesada e excelente com letras que descrevem a luta de Mike Portnoy com o alcoolismo e muitas vezes vista como uma espécie de prelúdio para a “Twelve-Step Suite". Uma trilha notável e de metal puro perfeitamente bem trabalhado com elementos progressivos. Destaque também a referência feita a “Space Dye Vest” que ficou excelente. Se final súbito já a emenda na próxima faixa. 

“Lie” faz o álbum seguir de maneira pesada, mas dessa vez com menos elementos progressivos, mesmo assim a vejo com uma espécie de segunda parte de “The Mirror”, possui excelente atmosfera e um solo de muita velocidade de John Petrucci.

"Lifting Shadows off a Dream" é uma faixa branda, a introdução harmônica do baixo de John Myung, os teclados suaves seguindo a mesma linha melódica da voz, o som da guitarra espacial fazem dessa faixa uma grande experiência.  Uma música bastante completa apresentando muitas variações de estilo e intensidade. 

Com onze minutos, “Scarred” é a faixa mais longa, mas também musicalmente coesa do álbum, onde todos tem grande contribuição para o seu resultado. Os estilos mudam com tanta frequência que se o ouvinte não prestar atenção pode facilmente se perder em meio a tanta variação. Acho inclusive que é uma música bastante subestimada se comparada a outras da mesma natureza (tamanho), pois carrega uma qualidade crescente durante a sua execução poucas vezes vista na banda.

O álbum chega ao fim através de “Space Dye Vest”, composta inteiramente por Kevin Moore, é bastante emocional, onde toda a música se concentra quase que exclusivamente no piano de Kevin e no vocal suave de James. Pensativa, sombria e introspectiva, apresenta uma melodia intrigante, e há algo hipnótico e trágico sobre a forma como Moore mistura os dois "riffs" de piano principais ao longo da música. É uma canção sobre o crescimento cada vez mais alienado do mundo, um homem que ficou obcecado com modelos dos catálogos de moda, com exclusão de relacionamentos reais e significativos, sem dúvida alguma é a maior expressão de liberdade criativa de Moore no disco. Sua parte final tem o acompanhamento dos demais instrumentos que a fazem crescer musicalmente, finalizando o álbum de maneira sublime.

Awake sem dúvida alguma é um registro muito bem pensado e que merece cadeira cativa no rol dos grandes lançamentos de metal progressivo de todos os tempos. Cinco músicos sendo cada um dos percursores de suas nuances instrumentais (e vocais). Um trabalho de onze faixas de qualidade e profundidade que mesmo depois de mais de duas décadas desde o seu lançamento ainda merece ser difundido a aqueles que não se depararam com a sua música. 

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