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Resenha: 3 - To The Power Of Three (1988)

Por: André Luiz Paiz

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Nem rock, nem progressivo
3
06/02/2019

Nos anos 80, surgiu um “boom” de mudanças e reuniões de grupos bem-sucedidos do rock progressivo dos anos 70. Tivemos um novo King Crimson, o surgimento do Asia, a mudança sonora do Rush, a transformação do Genesis e a fase Trevor Rabin no Yes. No meio desse cenário, já era hora de uma reunião de Emerson, Lake and Palmer. Com Carl Palmer no Asia, surgiu o Emerson, Lake and Powel, que não chamou muito a atenção. Ao tentar uma nova reunião, agora era Greg Lake que estava indisponível. Assim, Keith Emerson, Carl Palmer e o baixista/guitarrista Robert Berry, que tinha acabado de deixar o GTR, uniram forças em conjunto com Sue Shifrin, que saiu logo depois. Juntos, os três restantes lançaram “...To The Power Of Three”, em um projeto denominado “3”.

É possível compreender o que os fãs de ELP devem ter sentido quando ouviram notícias sobre este lançamento na época. Tudo bem, é um outro grupo e com outro nome, portanto, teoricamente não havia uma sonoridade ou estilo preestabelecidos. A banda poderia fazer o que quisesse em seu primeiro álbum. Mas, obviamente, dada a formação do trio, certamente o público principal seria aquele de outrora. Assim, a decepção realmente deve ter sido enorme. Então meus amigos, não, “...To The Power Of Three” não é prog e não é rock. É pop!

Deixe-me dizer agora, que a conclusão do meu parágrafo anterior não é totalmente ruim. O pop feito pelo grupo é de primeira qualidade. Melodias marcantes, ótimas passagens e um excelente vocalista (Berry) contribuem positivamente. O que peca são alguns excessos. Uso exagerado de sintetizadores e tudo muito oposto do som orgânico dos anos 70. Algumas faixas como “Desde La Vida” são um verdadeiro desafio para os ouvidos. Como fazem falta alguns riffs e solos de guitarra…
Do lado positivo, “Talkin' Bout” - originalmente escrita para o GTR e “Lover To Lover” são boas faixas pop, assim como a balada “You Do Or You Don't”.  “Eight Miles High”, uma versão dos The Byrds, cresce de maneira agradável, “Chains” e “On My Way Home” também possuem boas melodias. Em geral, as composições têm qualidade de sobra, mas, não consigo deixar de pensar como teria sido se tivessem deixado a produção nas mãos de um engenheiro como Peter Collins, que produziu o excelente “Power Windows”, do Rush.

Um disco com momentos curiosos e, até certo ponto, interessantes. Porém, algumas decisões erradas e alguns exageros impediram o projeto de seguir adiante. No ano passado, Berry liderou o projeto para mais um lançamento, agora nomeado “3.2”, lançando um novo álbum de nome: “The Rules Have Changed”, com algumas canções do passado, algumas das últimas ideias de Keith Emerson e novas composições de Berry.

Nem rock, nem progressivo
3
06/02/2019

Nos anos 80, surgiu um “boom” de mudanças e reuniões de grupos bem-sucedidos do rock progressivo dos anos 70. Tivemos um novo King Crimson, o surgimento do Asia, a mudança sonora do Rush, a transformação do Genesis e a fase Trevor Rabin no Yes. No meio desse cenário, já era hora de uma reunião de Emerson, Lake and Palmer. Com Carl Palmer no Asia, surgiu o Emerson, Lake and Powel, que não chamou muito a atenção. Ao tentar uma nova reunião, agora era Greg Lake que estava indisponível. Assim, Keith Emerson, Carl Palmer e o baixista/guitarrista Robert Berry, que tinha acabado de deixar o GTR, uniram forças em conjunto com Sue Shifrin, que saiu logo depois. Juntos, os três restantes lançaram “...To The Power Of Three”, em um projeto denominado “3”.

É possível compreender o que os fãs de ELP devem ter sentido quando ouviram notícias sobre este lançamento na época. Tudo bem, é um outro grupo e com outro nome, portanto, teoricamente não havia uma sonoridade ou estilo preestabelecidos. A banda poderia fazer o que quisesse em seu primeiro álbum. Mas, obviamente, dada a formação do trio, certamente o público principal seria aquele de outrora. Assim, a decepção realmente deve ter sido enorme. Então meus amigos, não, “...To The Power Of Three” não é prog e não é rock. É pop!

Deixe-me dizer agora, que a conclusão do meu parágrafo anterior não é totalmente ruim. O pop feito pelo grupo é de primeira qualidade. Melodias marcantes, ótimas passagens e um excelente vocalista (Berry) contribuem positivamente. O que peca são alguns excessos. Uso exagerado de sintetizadores e tudo muito oposto do som orgânico dos anos 70. Algumas faixas como “Desde La Vida” são um verdadeiro desafio para os ouvidos. Como fazem falta alguns riffs e solos de guitarra…
Do lado positivo, “Talkin' Bout” - originalmente escrita para o GTR e “Lover To Lover” são boas faixas pop, assim como a balada “You Do Or You Don't”.  “Eight Miles High”, uma versão dos The Byrds, cresce de maneira agradável, “Chains” e “On My Way Home” também possuem boas melodias. Em geral, as composições têm qualidade de sobra, mas, não consigo deixar de pensar como teria sido se tivessem deixado a produção nas mãos de um engenheiro como Peter Collins, que produziu o excelente “Power Windows”, do Rush.

Um disco com momentos curiosos e, até certo ponto, interessantes. Porém, algumas decisões erradas e alguns exageros impediram o projeto de seguir adiante. No ano passado, Berry liderou o projeto para mais um lançamento, agora nomeado “3.2”, lançando um novo álbum de nome: “The Rules Have Changed”, com algumas canções do passado, algumas das últimas ideias de Keith Emerson e novas composições de Berry.

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