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Resenha: Iron Maiden - Somewhere In Time (1986)

Por: Márcio Chagas

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Nova sonoridade em um disco clássico e singular
4.5
02/02/2019

O que fazer após o lançamento de um clássico denominado “Powerslave” e um duplo ao vivo essencial como “Live After Death”? Muita coisa se for uma banda do porte de Iron Maiden. No auge de seu sucesso, o grupo poderia ter continuado com a sonoridade tão consagrada, mas preferiu segui em constante evolução. 

Tal atitude ousada gerou controvérsia por parte dos fãs. Se todos consideram “Somewhere in Time” um divisor na carreira do grupo, uma boa parte acredita que o declínio do grupo começa justamente aqui. Outros como o baterista Aquiles Priester, tem o álbum como seu melhor trabalho.

Além da mudança de sonoridade com a inclusão de guitarras sintetizadas tão em evidência na época, “Somewhere...” marca também uma mudança no modus operandi da banda, pois os temas foram compostos quase que individualmente, em sua maioria entre o líder Steve Harris e Adrian Smith, sendo que este último passou a contribuir exponencialmente com suas composições principalmente pelo fato do vocalista Bruce Dickinson não contribuir com nenhuma canção para o álbum, sendo a primeira vez que isso acontecia desde sua entrada para a banda.

A gravação do álbum também se deu de maneira diversa, com os instrumentos sendo gravados em diferentes estúdios: Baixo e  bateria foram gravadas em Bahamas, Smith e Murray gravaram suas guitarras na Holanda, mais precisamente no Wisselord studios, onde Bruce também registrou sua voz. A mixagem, a cargo do mago Martin Birch foi feita em Nova York, onde Foi devidamente finalizado.
Apesar de não ser considerado um álbum conceitual, as músicas de “Somewhere...” tem como foco principal as relações do ser humano com o tempo e a passagem do mesmo. Coincidência  ou não, o grupo poderia ter explorado melhor o tema se estivem juntos nos momentos de maior inspiração.

Se havia diferenças no modo como se organizaram para a gravação e composição, estava diferente também a unidade do grupo. Após uma imensa turnê a banda soava coesa, técnica e afiada como nenhuma outra e essa unidade se reflete muito no álbum, principalmente o trabalho antológico de guitarras e a integração da cozinha formada pelo líder Harris e o tresloucado Mcbrain.

A Abertura melódica com "Caught Somewhere in Time", dava indícios de como seria a sonoridade do grupo: melodia e peso unidos por uma massa sonora técnica e eficiente. A curta introdução não chega a se estender por muito tempo, sendo finalizada por uma entrada fenomenal que só o Maiden saber fazer: guitarras “cavalgando” a canção, baixão pulsando no peito e a bateria quebrando tudo. Alias, o trabalho de bumbo de Nicko merece aplausos efusivos, principalmente se levarmos em conta que naquela época nem havia essa moda de bumbo duplo. Apesar da unidade entre Dave e Adrian, é possível diferenciar claramente o estilo cortante e pungente do primeiro com o melódico e cadenciado do segundo. Essa dicotomia entre a técnica da dupla é um dos segredos de seu sucesso;

"Wasted Years"  foi o maior sucesso comercial do grupo até então, e o primeiro single. É  quase um hard rock, com um refrão pegajoso onde  um riff impactante permeia toda a canção. Um composição de Adrian, que, aliás, executa um solo impressionante. Esse tema serve também pra mostrar o quanto Bruce estava cantando bem e que na época, nenhum cantor de heavy metal fazia frente a sua potente voz;
O álbum segue com "Sea Of Madness" , que começa com uma parede de guitarras amparando o vocal rasgado de Dickinson. Destaque para a cozinha completamente coesa, que contribui para uma eficiente construção do tema, que tem um belíssimo solo de Murray;

Steve mostra toda a potência de seus graves na entrada de "Heaven Can Wait", auxiliado por Mcbrain.   É um tema com andamento rápido e empolgante, feita para funcionar muito bem ao vivo. Difícil assistir ao show e não cantar o refrão junto com Bruce. Mais uma composição certeira do líder Harris;

“The Loneliness of the Long Distance Runner"  é outra canção da lavra de Harris e sofre clara influencia do rock progressivo,  com sua entrada melódica culminando com mudanças bruscas de andamento para a entrada do vocal de Bruce e as guitarras distorcidas de Murray e Smith. Essas alterações rítmicas acontecem durante toda a canção em menor intensidade, e o solo dobrado na parte final lembra Wishbone Ash;

"Stranger in a Strange Land" foi o single do álbum ao lado de “wasted Years”. É um tema de Adrian, que começa totalmente calcado na cozinha de Harris e Mcbrain. A letra fala da readaptação de um homem após passar cem anos congelado na Antártica e inserido novamente na civilização. É um tema cadenciado e me atrevo a dizer que Smith nos brinda com seu solo mais progressivo,  melódico e belo de todos os tempos;

A seguir temos "Déjà-Vu", uma boa parceria de Harris com Dave Murray, este ultimo sempre preguiçoso e reticente quando o assunto é compor músicas. A parceria foi proveitosa: com sua letra soturna, onde um homem descreve a sensação de já ter vivido uma determinada situação como sugere o titulo da música. Em termos musicais, a canção tem a marca de Murray, com guitarras cortantes e pungentes duelando boa parte do tempo fazendo contraponto com o baixo “gorduroso’ de Harris;

Encerrando o trabalho de maneira grandiloquente temos "Alexander the Great", um tema épico de mais de oito minutos escrito por Harris cuja letra fala do famoso rei da antiga macedônia. "Meu filho, consiga para você um outro reino / Pois este que deixo é pequeno demais para você"  diz a letra no inicio da canção, já anunciando o que estaria por vir. Aqui as influências de Harris vindas do rock progressivo são ainda mais explicitas, com guitarras dedilhadas e nuances no andamento da canção. Embora já tenha sido ensaiada pelo grupo,  o Maiden nunca apresentou a canção ao vivo, para frustração de inúmeros admiradores do tema que consideram a canção a melhor de toda a carreira da banda;

Uma curiosidade: o lado B do single “Wasted Years” era uma faixa que não aparece no álbum e se chamava “Sheriff Of Huddersfield" . A letra hilária,  fazia uma brincadeira com o empresário do grupo Rod Smallwood, que na época havia fixado residência nos Estados Unidos e na visão do grupo, estava virando um californiano típico.

O disco foi lançando em setembro de 1986, e embora tenha dividido opiniões, conseguiu a terceira colocação no Reino unido e a décima primeira nos EUA nos charts da Billboard. Nada mal para um grupo de Heavy Metal. Apesar de toda controvérsia em torno do álbum, Somewhere in Time é considerado um clássico absoluto nos dias de hoje.

Porém, é impossível falar do disco sem mencionar a capa confeccionada por Derek Riggs. Com uma temática futurista e baseada no clássico filme "Blade Runner", de 1982, as ilustrações e títulos remetem a história do grupo e do Reino Unido, com referências até mesmo a Margareth Tatcher, primeira ministra britânica na época. 

Nova sonoridade em um disco clássico e singular
4.5
02/02/2019

O que fazer após o lançamento de um clássico denominado “Powerslave” e um duplo ao vivo essencial como “Live After Death”? Muita coisa se for uma banda do porte de Iron Maiden. No auge de seu sucesso, o grupo poderia ter continuado com a sonoridade tão consagrada, mas preferiu segui em constante evolução. 

Tal atitude ousada gerou controvérsia por parte dos fãs. Se todos consideram “Somewhere in Time” um divisor na carreira do grupo, uma boa parte acredita que o declínio do grupo começa justamente aqui. Outros como o baterista Aquiles Priester, tem o álbum como seu melhor trabalho.

Além da mudança de sonoridade com a inclusão de guitarras sintetizadas tão em evidência na época, “Somewhere...” marca também uma mudança no modus operandi da banda, pois os temas foram compostos quase que individualmente, em sua maioria entre o líder Steve Harris e Adrian Smith, sendo que este último passou a contribuir exponencialmente com suas composições principalmente pelo fato do vocalista Bruce Dickinson não contribuir com nenhuma canção para o álbum, sendo a primeira vez que isso acontecia desde sua entrada para a banda.

A gravação do álbum também se deu de maneira diversa, com os instrumentos sendo gravados em diferentes estúdios: Baixo e  bateria foram gravadas em Bahamas, Smith e Murray gravaram suas guitarras na Holanda, mais precisamente no Wisselord studios, onde Bruce também registrou sua voz. A mixagem, a cargo do mago Martin Birch foi feita em Nova York, onde Foi devidamente finalizado.
Apesar de não ser considerado um álbum conceitual, as músicas de “Somewhere...” tem como foco principal as relações do ser humano com o tempo e a passagem do mesmo. Coincidência  ou não, o grupo poderia ter explorado melhor o tema se estivem juntos nos momentos de maior inspiração.

Se havia diferenças no modo como se organizaram para a gravação e composição, estava diferente também a unidade do grupo. Após uma imensa turnê a banda soava coesa, técnica e afiada como nenhuma outra e essa unidade se reflete muito no álbum, principalmente o trabalho antológico de guitarras e a integração da cozinha formada pelo líder Harris e o tresloucado Mcbrain.

A Abertura melódica com "Caught Somewhere in Time", dava indícios de como seria a sonoridade do grupo: melodia e peso unidos por uma massa sonora técnica e eficiente. A curta introdução não chega a se estender por muito tempo, sendo finalizada por uma entrada fenomenal que só o Maiden saber fazer: guitarras “cavalgando” a canção, baixão pulsando no peito e a bateria quebrando tudo. Alias, o trabalho de bumbo de Nicko merece aplausos efusivos, principalmente se levarmos em conta que naquela época nem havia essa moda de bumbo duplo. Apesar da unidade entre Dave e Adrian, é possível diferenciar claramente o estilo cortante e pungente do primeiro com o melódico e cadenciado do segundo. Essa dicotomia entre a técnica da dupla é um dos segredos de seu sucesso;

"Wasted Years"  foi o maior sucesso comercial do grupo até então, e o primeiro single. É  quase um hard rock, com um refrão pegajoso onde  um riff impactante permeia toda a canção. Um composição de Adrian, que, aliás, executa um solo impressionante. Esse tema serve também pra mostrar o quanto Bruce estava cantando bem e que na época, nenhum cantor de heavy metal fazia frente a sua potente voz;
O álbum segue com "Sea Of Madness" , que começa com uma parede de guitarras amparando o vocal rasgado de Dickinson. Destaque para a cozinha completamente coesa, que contribui para uma eficiente construção do tema, que tem um belíssimo solo de Murray;

Steve mostra toda a potência de seus graves na entrada de "Heaven Can Wait", auxiliado por Mcbrain.   É um tema com andamento rápido e empolgante, feita para funcionar muito bem ao vivo. Difícil assistir ao show e não cantar o refrão junto com Bruce. Mais uma composição certeira do líder Harris;

“The Loneliness of the Long Distance Runner"  é outra canção da lavra de Harris e sofre clara influencia do rock progressivo,  com sua entrada melódica culminando com mudanças bruscas de andamento para a entrada do vocal de Bruce e as guitarras distorcidas de Murray e Smith. Essas alterações rítmicas acontecem durante toda a canção em menor intensidade, e o solo dobrado na parte final lembra Wishbone Ash;

"Stranger in a Strange Land" foi o single do álbum ao lado de “wasted Years”. É um tema de Adrian, que começa totalmente calcado na cozinha de Harris e Mcbrain. A letra fala da readaptação de um homem após passar cem anos congelado na Antártica e inserido novamente na civilização. É um tema cadenciado e me atrevo a dizer que Smith nos brinda com seu solo mais progressivo,  melódico e belo de todos os tempos;

A seguir temos "Déjà-Vu", uma boa parceria de Harris com Dave Murray, este ultimo sempre preguiçoso e reticente quando o assunto é compor músicas. A parceria foi proveitosa: com sua letra soturna, onde um homem descreve a sensação de já ter vivido uma determinada situação como sugere o titulo da música. Em termos musicais, a canção tem a marca de Murray, com guitarras cortantes e pungentes duelando boa parte do tempo fazendo contraponto com o baixo “gorduroso’ de Harris;

Encerrando o trabalho de maneira grandiloquente temos "Alexander the Great", um tema épico de mais de oito minutos escrito por Harris cuja letra fala do famoso rei da antiga macedônia. "Meu filho, consiga para você um outro reino / Pois este que deixo é pequeno demais para você"  diz a letra no inicio da canção, já anunciando o que estaria por vir. Aqui as influências de Harris vindas do rock progressivo são ainda mais explicitas, com guitarras dedilhadas e nuances no andamento da canção. Embora já tenha sido ensaiada pelo grupo,  o Maiden nunca apresentou a canção ao vivo, para frustração de inúmeros admiradores do tema que consideram a canção a melhor de toda a carreira da banda;

Uma curiosidade: o lado B do single “Wasted Years” era uma faixa que não aparece no álbum e se chamava “Sheriff Of Huddersfield" . A letra hilária,  fazia uma brincadeira com o empresário do grupo Rod Smallwood, que na época havia fixado residência nos Estados Unidos e na visão do grupo, estava virando um californiano típico.

O disco foi lançando em setembro de 1986, e embora tenha dividido opiniões, conseguiu a terceira colocação no Reino unido e a décima primeira nos EUA nos charts da Billboard. Nada mal para um grupo de Heavy Metal. Apesar de toda controvérsia em torno do álbum, Somewhere in Time é considerado um clássico absoluto nos dias de hoje.

Porém, é impossível falar do disco sem mencionar a capa confeccionada por Derek Riggs. Com uma temática futurista e baseada no clássico filme "Blade Runner", de 1982, as ilustrações e títulos remetem a história do grupo e do Reino Unido, com referências até mesmo a Margareth Tatcher, primeira ministra britânica na época. 

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