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Resenha: Par Lindh Project - Gothic Impressions (1994)

Por: Tiago Meneses

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Um clássico álbum com uma personalidade distinta, muito criativo e original
5
31/01/2019

Sempre tive a ideia de que não é nada fácil encontrar um super grupo onde de fato as coisas realmente funcionem, afinal, no geral eles costumam apresentar uma coleção de egos enorme tentando provar a todo custo que cada um é superior aos demais. Sendo que isso no fim das contas acaba dando um resultado bastante caótico na maioria das vezes. 

Mas acredito que Pär Lindh encontrou a fórmula perfeita em Gothic Impressions, mantendo o seu nome para a banda e se juntando ao time de músicos suecos dos mais competentes possíveis vindos de bandas como Anglagard, Bjorn Johansson, além de membros já conhecidos da Pär Lindh Project e Camerata Vocalis. Mas não havia dúvida alguma, Pär Lindh deixou sempre claro que o líder e mentor era ele, tendo o resto como quase convidados de luxo, logo, a luta por qualquer tipo de liderança foi evitada. 

Já escutei uma lenda urbana envolvendo esse disco e que falava que ele havia sido gravado ainda nos ano 70, mas devido a falta de apoio só foi lançado no ano de 1994. Porém, isso é um tanto impossível de ser verdade, afinal, Mattias Olson e Anna Holmgren nasceram em 1975 e 1969 (respectivamente) além do fato de que Pär Lind se juntou a sua primeira banda de Hard Rock (Anthena Baroque) em 1977 e somente em 1978 se juntou ao trio Art Rock chamado Vincebus Eruptun com quem tocou vários shows, mas ele quase imediatamente deixou o mundo do rock e retornou à sua carreira clássica. Pianista e cravista e em 1980 ingressou na Royal Swedish Chamber Orchestra. Isso só até 1989, quando ele decide dedicar sua vida ao rock progressivo e se une a uma banda local chamada Manticore durante esse período, ele construiu seu próprio estúdio onde gravou Gothic Impressions já com o nome de Par Lindh Project e com os melhores músicos suecos disponíveis no momento, incluindo Roine Stolt, então acredite ou não, Gothic Impressions é um produto dos anos 90 com o estilo de som claro e qualidade dos anos 70.

Acho que não é exatamente um segredo pra nenhum amante de rock progressivo que a Suécia era um terreno fértil do gênero na primeira metade dos anos 90, apresentando ao mundo um enorme número de músicos clássicos e com um enorme amor por esse gênero musical. Descrever esse disco não é uma tarefa fácil, podemos chamar apenas de um rock progressivo sinfônico com uma grande influência clássica, influência essa de forma ampla, que passeia do período medieval, gótico, moderno clássico e barroco. 

Mas independente de qualquer coisa o mais importante é o quanto é espetacular a música encontrada nesse disco. As habilidades de Pär Lind como tecladista é incrível e bastante subestimada, eu não o colocaria atrás de nomes de monstros Wakeman e Emerson, porém, com uma formação mais sólida. Suas habilidades de composição são muito bem desenvolvidas devido a uma educação musical formal muito completa em vários instrumentos e uma vida dedicada à música. Mas é claro que uma das razões de seu sucesso é que ele escolhe os melhores músicos disponíveis para está ao seu lado, então o resultado é simplesmente excelente.

O álbum começa através de “Dresden Lamentation”, uma peça gótica, sombria e atmosfera assombrosa com um claro som canônico/religioso que logo de cara já mostra o quanto Pär é um ótimo organista. Introdução maravilhosa e que combina perfeitamente com a faixa seguinte.

“The Iconoclast” traz uma atmosfera mais barroca junto a uma linha hard rock, onde Pär mostra também ser excelente no hammond. Apesar dos vocais parecerem está fora do tom em alguns momentos, isso parece ser feito propositalmente com a clara intenção de criar um som gótico quase como uns monges rezando. Destaque também para o excelente trabalho de Mattias Olson com a bateria, especialmente se você notar que o cara tinha 19. Quando a música atinge o orgasmo do órgão e parece terminar, começa uma curta seção instrumental claramente influenciada pelos membros do Anglagard que levam a um final mais suave e um tanto cacofônico. 

“Green Meadow Lands” começa de uma maneira suave e de alguma forma lembrando algo como o flamenco, mas novamente os poderosos vocais da Camerata Vocalis nos trazem de volta à era gótica misturada a um rock bem orientado. Os vocais parecem fora de sintonia, mas se encaixam perfeitamente com a atmosfera da música. Parece uma faixa mais simples e menos ambiciosa que as anteriores, pelo menos até por volta de sua metade, quando Anna Holmgren e a sua belíssima flauta, tocada de maneira suave e crescente até levar a uma explosão instrumental liderada pelo órgão e um vocal crimsoniano. Mais uma faixa de grande excelência. 

“The Cathedral” é um épico com quase vinte minutos de duração. Começa com uma seção de órgão de igreja que logo é composto por um refrão dramático e um órgão na linha mais barroca. Neste caso os vocais são incríveis, a atmosfera obscura e medieval é perfeitamente alcançada até que de repente a música ganha mais corpo, o hammond se mistura com a guitarra e a bateria para criar uma seção de rock sinfônica durante a qual Pär Lind tem a chance de tocar com todos os tipos de teclados e criar seções musicais muito complexas. Depois de um tempo tudo fica novamente mais suave com Björn Johansson tocando sua guitarra clássica misturada com a flauta de Anna e os vocais para criar uma atmosfera espiritual que é empático pela harpa, mas novamente do nada uma seção muito pesada a lá Emerson, Lake & Palmer começa a fazer uma nova mudança e uma guitarra muito psicodélico de Jonas Endgegård completa a fusão de sons. A faixa termina com outro solo de órgão de Igreja espetacular. Quase vinte minutos do melhor que o rock progressivo tem a oferecer. 

“Gunnlev's Run" é uma faixa medieval com cravo onde a voz estupenda de Magdalena Hagsberg se funde completamente com um refrão excepcional, você pode sentir o espírito de trovadores viajantes, com algumas fugas barrocas. Completamente diferente da anterior, mas um dos meus momentos favoritos no disco, ainda assim eu lamento algo, o fato de ser muito curta, acho que poderia oferecer bem mais do que ofereceu. 

“Night on Bare Mountain” é uma faixa que saiu apenas na versão em LP de 1997, logo, eu não deveria está falando dela, afinal, sempre fiz resenhas baseado somente nas primeiras versões de cada disco, porém, seria injusto deixa-la de fora da resenha. Trata-se de um clássico do compositor russo Modest Mussorgsky, que foi parcialmente recriado por vários músicos e bandas de progressivo, mas em minha opinião e todo respeito as demais  versões, essa é de longe o melhor arranjo e performance que já ouvi, toda a força e drama são capturados, toda a essência está presente sem ser apenas uma cópia, é muito mais, outro destaque do álbum. Uma versão completamente nova, mas ao mesmo tempo respeitosa desta obra-prima, excelente é uma palavra pobre para descrevê-lo. Um final épico para um disco sem erros. 

Uma joia esquecida que deveria figurar entre os melhores discos da história do rock progressivo em qualquer lista que se preze. Um clássico álbum com uma personalidade, muito criativo e original.  

Um clássico álbum com uma personalidade distinta, muito criativo e original
5
31/01/2019

Sempre tive a ideia de que não é nada fácil encontrar um super grupo onde de fato as coisas realmente funcionem, afinal, no geral eles costumam apresentar uma coleção de egos enorme tentando provar a todo custo que cada um é superior aos demais. Sendo que isso no fim das contas acaba dando um resultado bastante caótico na maioria das vezes. 

Mas acredito que Pär Lindh encontrou a fórmula perfeita em Gothic Impressions, mantendo o seu nome para a banda e se juntando ao time de músicos suecos dos mais competentes possíveis vindos de bandas como Anglagard, Bjorn Johansson, além de membros já conhecidos da Pär Lindh Project e Camerata Vocalis. Mas não havia dúvida alguma, Pär Lindh deixou sempre claro que o líder e mentor era ele, tendo o resto como quase convidados de luxo, logo, a luta por qualquer tipo de liderança foi evitada. 

Já escutei uma lenda urbana envolvendo esse disco e que falava que ele havia sido gravado ainda nos ano 70, mas devido a falta de apoio só foi lançado no ano de 1994. Porém, isso é um tanto impossível de ser verdade, afinal, Mattias Olson e Anna Holmgren nasceram em 1975 e 1969 (respectivamente) além do fato de que Pär Lind se juntou a sua primeira banda de Hard Rock (Anthena Baroque) em 1977 e somente em 1978 se juntou ao trio Art Rock chamado Vincebus Eruptun com quem tocou vários shows, mas ele quase imediatamente deixou o mundo do rock e retornou à sua carreira clássica. Pianista e cravista e em 1980 ingressou na Royal Swedish Chamber Orchestra. Isso só até 1989, quando ele decide dedicar sua vida ao rock progressivo e se une a uma banda local chamada Manticore durante esse período, ele construiu seu próprio estúdio onde gravou Gothic Impressions já com o nome de Par Lindh Project e com os melhores músicos suecos disponíveis no momento, incluindo Roine Stolt, então acredite ou não, Gothic Impressions é um produto dos anos 90 com o estilo de som claro e qualidade dos anos 70.

Acho que não é exatamente um segredo pra nenhum amante de rock progressivo que a Suécia era um terreno fértil do gênero na primeira metade dos anos 90, apresentando ao mundo um enorme número de músicos clássicos e com um enorme amor por esse gênero musical. Descrever esse disco não é uma tarefa fácil, podemos chamar apenas de um rock progressivo sinfônico com uma grande influência clássica, influência essa de forma ampla, que passeia do período medieval, gótico, moderno clássico e barroco. 

Mas independente de qualquer coisa o mais importante é o quanto é espetacular a música encontrada nesse disco. As habilidades de Pär Lind como tecladista é incrível e bastante subestimada, eu não o colocaria atrás de nomes de monstros Wakeman e Emerson, porém, com uma formação mais sólida. Suas habilidades de composição são muito bem desenvolvidas devido a uma educação musical formal muito completa em vários instrumentos e uma vida dedicada à música. Mas é claro que uma das razões de seu sucesso é que ele escolhe os melhores músicos disponíveis para está ao seu lado, então o resultado é simplesmente excelente.

O álbum começa através de “Dresden Lamentation”, uma peça gótica, sombria e atmosfera assombrosa com um claro som canônico/religioso que logo de cara já mostra o quanto Pär é um ótimo organista. Introdução maravilhosa e que combina perfeitamente com a faixa seguinte.

“The Iconoclast” traz uma atmosfera mais barroca junto a uma linha hard rock, onde Pär mostra também ser excelente no hammond. Apesar dos vocais parecerem está fora do tom em alguns momentos, isso parece ser feito propositalmente com a clara intenção de criar um som gótico quase como uns monges rezando. Destaque também para o excelente trabalho de Mattias Olson com a bateria, especialmente se você notar que o cara tinha 19. Quando a música atinge o orgasmo do órgão e parece terminar, começa uma curta seção instrumental claramente influenciada pelos membros do Anglagard que levam a um final mais suave e um tanto cacofônico. 

“Green Meadow Lands” começa de uma maneira suave e de alguma forma lembrando algo como o flamenco, mas novamente os poderosos vocais da Camerata Vocalis nos trazem de volta à era gótica misturada a um rock bem orientado. Os vocais parecem fora de sintonia, mas se encaixam perfeitamente com a atmosfera da música. Parece uma faixa mais simples e menos ambiciosa que as anteriores, pelo menos até por volta de sua metade, quando Anna Holmgren e a sua belíssima flauta, tocada de maneira suave e crescente até levar a uma explosão instrumental liderada pelo órgão e um vocal crimsoniano. Mais uma faixa de grande excelência. 

“The Cathedral” é um épico com quase vinte minutos de duração. Começa com uma seção de órgão de igreja que logo é composto por um refrão dramático e um órgão na linha mais barroca. Neste caso os vocais são incríveis, a atmosfera obscura e medieval é perfeitamente alcançada até que de repente a música ganha mais corpo, o hammond se mistura com a guitarra e a bateria para criar uma seção de rock sinfônica durante a qual Pär Lind tem a chance de tocar com todos os tipos de teclados e criar seções musicais muito complexas. Depois de um tempo tudo fica novamente mais suave com Björn Johansson tocando sua guitarra clássica misturada com a flauta de Anna e os vocais para criar uma atmosfera espiritual que é empático pela harpa, mas novamente do nada uma seção muito pesada a lá Emerson, Lake & Palmer começa a fazer uma nova mudança e uma guitarra muito psicodélico de Jonas Endgegård completa a fusão de sons. A faixa termina com outro solo de órgão de Igreja espetacular. Quase vinte minutos do melhor que o rock progressivo tem a oferecer. 

“Gunnlev's Run" é uma faixa medieval com cravo onde a voz estupenda de Magdalena Hagsberg se funde completamente com um refrão excepcional, você pode sentir o espírito de trovadores viajantes, com algumas fugas barrocas. Completamente diferente da anterior, mas um dos meus momentos favoritos no disco, ainda assim eu lamento algo, o fato de ser muito curta, acho que poderia oferecer bem mais do que ofereceu. 

“Night on Bare Mountain” é uma faixa que saiu apenas na versão em LP de 1997, logo, eu não deveria está falando dela, afinal, sempre fiz resenhas baseado somente nas primeiras versões de cada disco, porém, seria injusto deixa-la de fora da resenha. Trata-se de um clássico do compositor russo Modest Mussorgsky, que foi parcialmente recriado por vários músicos e bandas de progressivo, mas em minha opinião e todo respeito as demais  versões, essa é de longe o melhor arranjo e performance que já ouvi, toda a força e drama são capturados, toda a essência está presente sem ser apenas uma cópia, é muito mais, outro destaque do álbum. Uma versão completamente nova, mas ao mesmo tempo respeitosa desta obra-prima, excelente é uma palavra pobre para descrevê-lo. Um final épico para um disco sem erros. 

Uma joia esquecida que deveria figurar entre os melhores discos da história do rock progressivo em qualquer lista que se preze. Um clássico álbum com uma personalidade, muito criativo e original.  

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