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Resenha: Radiohead - OK Computer (1997)

Por: Tiago Meneses

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O álbum flui bem, mas sem trilhas memoráveis suficientes para ser um clássico
3
30/01/2019

Sempre ouvi tanto falaram sobre OK Computer do Radiohead, onde mesmo eu adorando fazer resenhas de discos, nunca me senti atraído por ele a ponto disso, até depois de ouvir coisas (absurdas do meu ponto de vista) como, “trata-se do Dark Side Of the Moon dos anos 90”. Calma aí um pouco né, não vou negar que o disco tenha a sua qualidade, mas aí fazer uma comparação desse tipo é de um exagero sem tamanho. Apesar de algumas influências no space prog, as músicas seguem basicamente uma linha indie ou mesmo aquele som alternativo clássico bastante comum principalmente na segunda metade dos anos 90. Mas certamente que uma das maiores características desse álbum é o fato do ouvinte sempre poder prever o que está por vir ainda no primeiro acorde de certas músicas. Isso é algo ruim? Não necessariamente, é apenas um fator comum que consigo encontrar em quase todas as suas faixas. 

Mas antes de falar sobre cada uma de suas musicas, devo ser o mais justo possível, como por exemplo, mencionar o trabalho realizado pela dupla, Jonny Greenwood e Ed O'Brian, a qual conseguem criar muitas vezes um som atmosférico e obscuro bastante interessante. Collin Greenwood possui ideias muito fortes em várias de suas linhas de baixo. Um ponto que já não gosto muito é a bateria de Pete Selway, que apesar de se mostrar um músico decente, muitas vezes soa quase como uma bateria eletrônica. Apesar de soar em alguns momentos bem agradáveis, os vocais de Thom Yorke não é do tipo que gosto muito, considero bem chato às vezes. Mas vamos agora ao que de fato mais nos interessam, ou seja, as músicas. 

“Airbag” é a faixa inicial, possui uma ótima introdução de guitarra e um baixo bastante poderoso, os vocais como em todas as faixas do disco ecoam de maneira sóbria e deprimente. Tem um bom refrão e em alguns momentos lembra Oasis com um toque de REM, não sei nem se essa comparação realmente foi boa. Mas no fim é uma boa música. 

“"Paranoid Android" é certamente a minha música preferida no disco. Começa através de uma atmosfera oriental e de maneira suave na qual a voz de Thom Yorke que como eu disse, não costuma me agradar, dessa vez soa perfeita. Quando esta seção está começando a ficar muito previsível especialmente para a bateria, a banda progressivamente muda para um rock clássico com explosões pesadas de guitarra nas quais você pode notar as habilidades dos músicos. Então que novamente a música se transforma em uma passagem muito melódica e sombria com um trabalho vocal complexo e bem desenvolvido, misturando corais baixo e altos backing vocals (provavelmente mellotron ou outros efeitos digitais). Variação que adicionam um grande interesse ao som e preparam o ouvinte para a poderosa e caótica seção de encerramento, onde cada membro trabalha de maneira perfeita. Uma música imaginativa com mudanças constantes de andamento e realmente imprevisível. Sem dúvida alguma uma abordagem bastante progressiva no álbum.

“Subterranean Homesick Alien”  faz o álbum cair de nível em relação as faixas anteriores,  principalmente se comparar com a anterior. Não possui nada de chamativo, o trabalho de guitarra não é muito bom, exceto pelo que é e feito nas passagens mais altas. 

"Exit Music (For a Film)" é uma faixa acústica e extremamente melancólica, não apenas pela voz de Yorke, mas o fundo semi-coral é muito depressivo. O que me faz gostar dessa música é porque linhas musicais obscuras literalmente me fascinam e a presença assombrosa do mellotron é muito bela. Uma música adorável, mas não recomendada pra qualquer momento, sua atmosfera pode até lhe fazer mal. 

“Let Down” soa como algo tirado de um álbum do Oasis, de levada calma, suave, com trabalhos interessantes de guitarra, a música flui suavemente do começo ao fim com quase nenhuma interrupção ou surpresa. Resumindo, boa, mas nada demais, aquele tipo de som perfeito para um single de sucesso.

“Karma Police” é anunciada através de uma bonita introdução ao piano. Muito boa, certamente é um dos momentos mais diferentes do álbum, bastante rítmica, mas ao mesmo tempo melódica. Possui uma mudança bem agradável e surpreendente, especialmente porque o piano vai crescendo criando uma sensação de expectativa nem sempre presente no Radiohead e também porque é a primeira música em que a bateria é muito precisa. 

"Filter Happier" é uma grande ideia, porém usada de forma desperdiçada, eles fingem ser inovadores e experimentais, mas isso foi feito anteriormente desde os anos 60 e 70 por bandas como Pink Floyd, mas é claro que com muito mais originalidade, o fundo do piano é bastante decente, mas a voz sintética do computador é simplesmente horrenda, ainda que eu tenha total consciência que ela é importante para o conceito, porque nos dá uma ideia de desumanização, acredito que havia alternativas melhores para trabalha-lo sem sacrificar a musicalidade. Sinceramente, uma verdadeira bola fora. 

“Electioneering” é um rock simples, barulhento e não muito imaginativo. A música parece que está preparando o ouvinte para um clímax, mas que por sua vez nunca chega, com isso, tornando a faixa bastante entediante e desinteressante. Apenas barulho e nada mais. Mais um momento do disco que não me diz absolutamente nada. 

“Climbing Up The Walls” a princípio parece que está colocando a banda novamente naquele ponto da primeira metade do disco, porém, pura ilusão. Novamente a banda cai no mesmo erro da faixa anterior, tornando-a repetitiva ao máximo. A impressão que dá é que depois da “Karma Police”, a banda perde em grande parte a atmosfera obscura e melódica predominante nas primeiras seis músicas (mesmo que nem todas elas tenha de fato uma grandeza musical relevante).

Em “No Surprises” pelo menos acertaram em cheio no nome da faixa. Mais um momento monótono, mas aqui pelo menos a banda parece acender a fagulha e recuperar ao menos de forma parcial o sentido melódico, porém, passa longe de ser o suficiente pra que seja recuperada a atenção do ouvinte ou mostrar que eles são mais do que uma banda alternativa como outra qualquer. 

“Lucky” começa com um trabalho de guitarra muito bom, mas nesse caso a voz de Thom Yorke tira o brilho que poderia ser bem maior na música devido a sua chatice. Após uma curta passagem vocal podemos encontrar uma primeira explosão musical que indica que essa música terá um poder que faltou em algumas anteriores, sendo, nesse caso, uma impressão certa. Acho que esse som poderia ser bem melhor se o Thom Yorke dessa a impressão de que gosta de cantar e não soasse tão preguiçoso e sem brio. 

“The Tourist” é a faixa que encerra o álbum. Uma música bastante espacial e nitidamente influenciada por Pink Floyd. Os vocais de Yorke aqui me soam melhor que em boa parte de todo o álbum, como se ele tivesse notado de que cantar com um pouco de vida não faz mal a ninguém, muito pelo contrário. A atmosfera nostálgica está presente como na primeira metade do álbum, mas você pode sentir que Thom adiciona um pouco de entusiasmo. Uma boa escolha para encerrar o disco. 

Mas como decretar em poucas palavras o que é o OK Computer? Bom, se todo o disco tivesse o mesmo nível das seis primeiras faixas e mais da que o encerra, certamente seria no mínimo excelente, pois mesmo as faixas que não chegam a ser nada demais, também não comprometem, mas por possuir cinco momentos que são grandes escorregões, não tem como vê-lo mais do que como um bom álbum. Essencial? Não mesmo, mas vale sim uma audição. 

O álbum flui bem, mas sem trilhas memoráveis suficientes para ser um clássico
3
30/01/2019

Sempre ouvi tanto falaram sobre OK Computer do Radiohead, onde mesmo eu adorando fazer resenhas de discos, nunca me senti atraído por ele a ponto disso, até depois de ouvir coisas (absurdas do meu ponto de vista) como, “trata-se do Dark Side Of the Moon dos anos 90”. Calma aí um pouco né, não vou negar que o disco tenha a sua qualidade, mas aí fazer uma comparação desse tipo é de um exagero sem tamanho. Apesar de algumas influências no space prog, as músicas seguem basicamente uma linha indie ou mesmo aquele som alternativo clássico bastante comum principalmente na segunda metade dos anos 90. Mas certamente que uma das maiores características desse álbum é o fato do ouvinte sempre poder prever o que está por vir ainda no primeiro acorde de certas músicas. Isso é algo ruim? Não necessariamente, é apenas um fator comum que consigo encontrar em quase todas as suas faixas. 

Mas antes de falar sobre cada uma de suas musicas, devo ser o mais justo possível, como por exemplo, mencionar o trabalho realizado pela dupla, Jonny Greenwood e Ed O'Brian, a qual conseguem criar muitas vezes um som atmosférico e obscuro bastante interessante. Collin Greenwood possui ideias muito fortes em várias de suas linhas de baixo. Um ponto que já não gosto muito é a bateria de Pete Selway, que apesar de se mostrar um músico decente, muitas vezes soa quase como uma bateria eletrônica. Apesar de soar em alguns momentos bem agradáveis, os vocais de Thom Yorke não é do tipo que gosto muito, considero bem chato às vezes. Mas vamos agora ao que de fato mais nos interessam, ou seja, as músicas. 

“Airbag” é a faixa inicial, possui uma ótima introdução de guitarra e um baixo bastante poderoso, os vocais como em todas as faixas do disco ecoam de maneira sóbria e deprimente. Tem um bom refrão e em alguns momentos lembra Oasis com um toque de REM, não sei nem se essa comparação realmente foi boa. Mas no fim é uma boa música. 

“"Paranoid Android" é certamente a minha música preferida no disco. Começa através de uma atmosfera oriental e de maneira suave na qual a voz de Thom Yorke que como eu disse, não costuma me agradar, dessa vez soa perfeita. Quando esta seção está começando a ficar muito previsível especialmente para a bateria, a banda progressivamente muda para um rock clássico com explosões pesadas de guitarra nas quais você pode notar as habilidades dos músicos. Então que novamente a música se transforma em uma passagem muito melódica e sombria com um trabalho vocal complexo e bem desenvolvido, misturando corais baixo e altos backing vocals (provavelmente mellotron ou outros efeitos digitais). Variação que adicionam um grande interesse ao som e preparam o ouvinte para a poderosa e caótica seção de encerramento, onde cada membro trabalha de maneira perfeita. Uma música imaginativa com mudanças constantes de andamento e realmente imprevisível. Sem dúvida alguma uma abordagem bastante progressiva no álbum.

“Subterranean Homesick Alien”  faz o álbum cair de nível em relação as faixas anteriores,  principalmente se comparar com a anterior. Não possui nada de chamativo, o trabalho de guitarra não é muito bom, exceto pelo que é e feito nas passagens mais altas. 

"Exit Music (For a Film)" é uma faixa acústica e extremamente melancólica, não apenas pela voz de Yorke, mas o fundo semi-coral é muito depressivo. O que me faz gostar dessa música é porque linhas musicais obscuras literalmente me fascinam e a presença assombrosa do mellotron é muito bela. Uma música adorável, mas não recomendada pra qualquer momento, sua atmosfera pode até lhe fazer mal. 

“Let Down” soa como algo tirado de um álbum do Oasis, de levada calma, suave, com trabalhos interessantes de guitarra, a música flui suavemente do começo ao fim com quase nenhuma interrupção ou surpresa. Resumindo, boa, mas nada demais, aquele tipo de som perfeito para um single de sucesso.

“Karma Police” é anunciada através de uma bonita introdução ao piano. Muito boa, certamente é um dos momentos mais diferentes do álbum, bastante rítmica, mas ao mesmo tempo melódica. Possui uma mudança bem agradável e surpreendente, especialmente porque o piano vai crescendo criando uma sensação de expectativa nem sempre presente no Radiohead e também porque é a primeira música em que a bateria é muito precisa. 

"Filter Happier" é uma grande ideia, porém usada de forma desperdiçada, eles fingem ser inovadores e experimentais, mas isso foi feito anteriormente desde os anos 60 e 70 por bandas como Pink Floyd, mas é claro que com muito mais originalidade, o fundo do piano é bastante decente, mas a voz sintética do computador é simplesmente horrenda, ainda que eu tenha total consciência que ela é importante para o conceito, porque nos dá uma ideia de desumanização, acredito que havia alternativas melhores para trabalha-lo sem sacrificar a musicalidade. Sinceramente, uma verdadeira bola fora. 

“Electioneering” é um rock simples, barulhento e não muito imaginativo. A música parece que está preparando o ouvinte para um clímax, mas que por sua vez nunca chega, com isso, tornando a faixa bastante entediante e desinteressante. Apenas barulho e nada mais. Mais um momento do disco que não me diz absolutamente nada. 

“Climbing Up The Walls” a princípio parece que está colocando a banda novamente naquele ponto da primeira metade do disco, porém, pura ilusão. Novamente a banda cai no mesmo erro da faixa anterior, tornando-a repetitiva ao máximo. A impressão que dá é que depois da “Karma Police”, a banda perde em grande parte a atmosfera obscura e melódica predominante nas primeiras seis músicas (mesmo que nem todas elas tenha de fato uma grandeza musical relevante).

Em “No Surprises” pelo menos acertaram em cheio no nome da faixa. Mais um momento monótono, mas aqui pelo menos a banda parece acender a fagulha e recuperar ao menos de forma parcial o sentido melódico, porém, passa longe de ser o suficiente pra que seja recuperada a atenção do ouvinte ou mostrar que eles são mais do que uma banda alternativa como outra qualquer. 

“Lucky” começa com um trabalho de guitarra muito bom, mas nesse caso a voz de Thom Yorke tira o brilho que poderia ser bem maior na música devido a sua chatice. Após uma curta passagem vocal podemos encontrar uma primeira explosão musical que indica que essa música terá um poder que faltou em algumas anteriores, sendo, nesse caso, uma impressão certa. Acho que esse som poderia ser bem melhor se o Thom Yorke dessa a impressão de que gosta de cantar e não soasse tão preguiçoso e sem brio. 

“The Tourist” é a faixa que encerra o álbum. Uma música bastante espacial e nitidamente influenciada por Pink Floyd. Os vocais de Yorke aqui me soam melhor que em boa parte de todo o álbum, como se ele tivesse notado de que cantar com um pouco de vida não faz mal a ninguém, muito pelo contrário. A atmosfera nostálgica está presente como na primeira metade do álbum, mas você pode sentir que Thom adiciona um pouco de entusiasmo. Uma boa escolha para encerrar o disco. 

Mas como decretar em poucas palavras o que é o OK Computer? Bom, se todo o disco tivesse o mesmo nível das seis primeiras faixas e mais da que o encerra, certamente seria no mínimo excelente, pois mesmo as faixas que não chegam a ser nada demais, também não comprometem, mas por possuir cinco momentos que são grandes escorregões, não tem como vê-lo mais do que como um bom álbum. Essencial? Não mesmo, mas vale sim uma audição. 

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