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Resenha: Santana - Abraxas (1970)

Por: Tiago Meneses

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Uma obra-prima sólida e essencial
5
29/01/2019

Fico até surpreso comigo mesmo ao perceber que só fui me dar conta de que nunca havia escrito nenhuma resenha para um disco do Santana 250 resenhas depois desde que fiz a primeira aqui no site.  E nada mais justo do que escolher um dos seus mais importantes discos e de maiores picos criativos pra estrear aqui. Um marco absoluto do jazz-rock com aquele tempero latino que marca o estilo do guitarrista mexicano. 

A faixa de abertura é “Singing Winds, Crying Beasts" e foi composta por Michael Carabello, uma belíssima introdução de álbum onde a sutileza do órgão e as congas criam uma atmosfera que cai sobre o ouvinte como se fosse uma névoa espessa. Se algumas vezes Santana esteve perto do fusion, certamente nessa faixa foi um desses momentos. 

“Black Magic Woman / Gypsy Queen” é uma verdadeira fantasia psicodélica escrita por Peter Green e inspirada na obra “Gypsy Queen” do músico Gábor Szabó e que permite ao mestre Carlos Santana explorar suas habilidades com a guitarra elétrica, enquanto Gregg Rolie acrescenta sua voz característica, além do fantástico hammond que cria a uma atmosfera onírica tão característica do final dos anos 60. Simplesmente brilhante. 

“Oye Como Va” é um dos grandes números do guitarrista, carrega alguns toques que é salsa pura, suavizado somente pelo trabalho de órgão atmosférico e os brilhantes solos de guitarra de Carlos Santana. Tudo isso fazem dessa música um verdadeiro clássico atemporal.  

“Incident At Neshabur” é uma música bem mais “nervosa” se for comparada ao que foi apresentado até aqui. Composição do pianista Alberto Gianquinto e com arranjos confeccionados por Santana. Trata-se de uma mistura um tanto estranha em uma fusão de rock e o jazz com congas e timbales. Bastante dramática e pesada, carrega consigo todo o espírito revolucionário dos anos 60. Destaque também para o desempenho de Gregg Rolie nos teclados. 

"Se A Cabo" apesar de ser uma faixa composta por Jose 'Chepito' Area, ao contrário do que todos podem esperar, a ênfase não é colocada em sua amada percussão, mas na combinação de teclados e guitarra. Somente lá pelo meio que alguns timbales nos fazem lembrar o autor da música. Mas é o hammond que faz com que essa música seja ótima, onde sem ele ela jamais teria nem metade do brilho que possui. 

“Mother's Daughter”  é uma música bastante frenética e composta por Gregg Rolie, onde Carlos Santana pode exibir todas as suas habilidades de guitarra com o maior prazer. A voz rouca de Gregg tem uma singularidade tão grande que parece que essa música é feita apenas pra ele cantar. Esse é o momento menos latino do álbum, mas mesmo assim não se mostra deslocada, muito pelo contrário, encaixa perfeitamente com todas as outras. 

“Samba Pa Ti” é uma das maiores obras primas não apenas de Santana, mas em se tratando de qualquer trabalho de guitarra já feito. Nota-se vários tipos de ares, linhas doce, suave e misteriosa em uma performance soberba de Santana. Rolie ainda coloca a cereja em cima do bolo com um belo trabalho de hammond. Os instrumentos de percussão também dão mais beleza a música. Não sei dizer ao certo, mas falar que se trata da minha música preferida do guitarrista não seria nenhum exagero. 

“Hope You're Feeling Better”  é uma daquelas músicas típicas do final dos anos 60, um rock psicodélico puro com vocais agressivos, linhas de guitarras oníricas e um trabalho de hammond bem enérgico. A música é uma composição de Gregg Rolie, mas poderia se passar até por a de alguma artista diferente da época. 

“El Nicoya“ é a faixa que termina o álbum, um som puramente afro-caribenho baseado praticamente somente em uma percussão complexa. Não é uma faixa ruim, mas se eu tivesse que dizer qual me diz menos, certamente seria essa. Porém, não compromete o álbum. 

É claro que nenhuma resenha desse álbum seria completa sem mencionar e belíssima e colorida capa, uma linda arte chamada Annunciation e pintada por Mati Klarwein em 1961, uma magnifica obra que mais parece um mural que mistura algo de Diego Rivera com toques de Salvador Dali. Por tudo isso, Abraxas é um disco que não pode ser definido de forma inferior a uma obra-prima sólida e essencial. 

Uma obra-prima sólida e essencial
5
29/01/2019

Fico até surpreso comigo mesmo ao perceber que só fui me dar conta de que nunca havia escrito nenhuma resenha para um disco do Santana 250 resenhas depois desde que fiz a primeira aqui no site.  E nada mais justo do que escolher um dos seus mais importantes discos e de maiores picos criativos pra estrear aqui. Um marco absoluto do jazz-rock com aquele tempero latino que marca o estilo do guitarrista mexicano. 

A faixa de abertura é “Singing Winds, Crying Beasts" e foi composta por Michael Carabello, uma belíssima introdução de álbum onde a sutileza do órgão e as congas criam uma atmosfera que cai sobre o ouvinte como se fosse uma névoa espessa. Se algumas vezes Santana esteve perto do fusion, certamente nessa faixa foi um desses momentos. 

“Black Magic Woman / Gypsy Queen” é uma verdadeira fantasia psicodélica escrita por Peter Green e inspirada na obra “Gypsy Queen” do músico Gábor Szabó e que permite ao mestre Carlos Santana explorar suas habilidades com a guitarra elétrica, enquanto Gregg Rolie acrescenta sua voz característica, além do fantástico hammond que cria a uma atmosfera onírica tão característica do final dos anos 60. Simplesmente brilhante. 

“Oye Como Va” é um dos grandes números do guitarrista, carrega alguns toques que é salsa pura, suavizado somente pelo trabalho de órgão atmosférico e os brilhantes solos de guitarra de Carlos Santana. Tudo isso fazem dessa música um verdadeiro clássico atemporal.  

“Incident At Neshabur” é uma música bem mais “nervosa” se for comparada ao que foi apresentado até aqui. Composição do pianista Alberto Gianquinto e com arranjos confeccionados por Santana. Trata-se de uma mistura um tanto estranha em uma fusão de rock e o jazz com congas e timbales. Bastante dramática e pesada, carrega consigo todo o espírito revolucionário dos anos 60. Destaque também para o desempenho de Gregg Rolie nos teclados. 

"Se A Cabo" apesar de ser uma faixa composta por Jose 'Chepito' Area, ao contrário do que todos podem esperar, a ênfase não é colocada em sua amada percussão, mas na combinação de teclados e guitarra. Somente lá pelo meio que alguns timbales nos fazem lembrar o autor da música. Mas é o hammond que faz com que essa música seja ótima, onde sem ele ela jamais teria nem metade do brilho que possui. 

“Mother's Daughter”  é uma música bastante frenética e composta por Gregg Rolie, onde Carlos Santana pode exibir todas as suas habilidades de guitarra com o maior prazer. A voz rouca de Gregg tem uma singularidade tão grande que parece que essa música é feita apenas pra ele cantar. Esse é o momento menos latino do álbum, mas mesmo assim não se mostra deslocada, muito pelo contrário, encaixa perfeitamente com todas as outras. 

“Samba Pa Ti” é uma das maiores obras primas não apenas de Santana, mas em se tratando de qualquer trabalho de guitarra já feito. Nota-se vários tipos de ares, linhas doce, suave e misteriosa em uma performance soberba de Santana. Rolie ainda coloca a cereja em cima do bolo com um belo trabalho de hammond. Os instrumentos de percussão também dão mais beleza a música. Não sei dizer ao certo, mas falar que se trata da minha música preferida do guitarrista não seria nenhum exagero. 

“Hope You're Feeling Better”  é uma daquelas músicas típicas do final dos anos 60, um rock psicodélico puro com vocais agressivos, linhas de guitarras oníricas e um trabalho de hammond bem enérgico. A música é uma composição de Gregg Rolie, mas poderia se passar até por a de alguma artista diferente da época. 

“El Nicoya“ é a faixa que termina o álbum, um som puramente afro-caribenho baseado praticamente somente em uma percussão complexa. Não é uma faixa ruim, mas se eu tivesse que dizer qual me diz menos, certamente seria essa. Porém, não compromete o álbum. 

É claro que nenhuma resenha desse álbum seria completa sem mencionar e belíssima e colorida capa, uma linda arte chamada Annunciation e pintada por Mati Klarwein em 1961, uma magnifica obra que mais parece um mural que mistura algo de Diego Rivera com toques de Salvador Dali. Por tudo isso, Abraxas é um disco que não pode ser definido de forma inferior a uma obra-prima sólida e essencial. 

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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