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    Pérola Negra (1973)

    5 Por: Marcel Z. Dio

Resenha: Luiz Melodia - Pérola Negra (1973)

Por: Marcel Z. Dio

Acessos: 63

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Fazendo música com a alma
5
22/01/2019

28 minutos de samba, soul, blues e uma pincelada rock n roll, colocaram Perola Negra entre os melhores discos nacionais de todos os tempos. Peso inicial carregado até os dias finais de Melodia, um "bom peso" eu diria. Discos maravilhosos foram concebidos por ele, mas sem o brilho da estreia.
O álbum passa tão rápido, que ouvir e reouvir é um processo prazeroso, seja em qualquer período.
A abertura com "Estácio, Eu e Você" investia na flauta de Altamiro Carrilho, uma sumidade no assunto, alem da obvia inspiração instrumental no mestre Cartola, servindo também como homenagem ao bairro carioca, onde o músico nasceu.

O arranjo de "Vale o Quanto Pesa" tem o ponto alto no blues com samba de breque, com variações e suingue latino nos metais. Parafraseando o título, a música vale o quanto pesa, cada grama, cada nota !!.

"Estácio, Holly Estácio" era pura poesia, cada nota de cada instrumento como uma "voz" diferente, todo o detalhe minucioso, em cima de uma letra linda de chorar, e quiça com o melhor refrão da música nacional.
"Se alguém quer matar-me de amor
Que me mate no Estácio
Bem no compasso, bem junto ao passo
Do passista da escola de samba
Do Largo do Estácio
O Estácio acalma o sentido dos erros que eu faço
Trago não traço, faço não caço
O amor da morena maldita do Largo do Estácio"

Na animada "Prá Aquietar", a pegada rocker tem sua vez. Mesmo que o suingue seja baseado no piano com fraseados usados no soul, o peso do contrabaixo, a condução da bateria e a simplicidade da guitarra, remetem imediatamente ao som de Roberto e Erasmo.

A faixa título abriu a amizade com Gal Costa, gravada no disco “Gal a todo vapor” de 1972. E isso deu uma força danada ao cantor, ao ponto de ser considerado o novo caçula da turma da tropicália, situação aproveitada para divulgar o futuro disco. 
A letra tinha algo mágico, em sacadas pouco usuais, um talento invejável no quesito composição ...
"Tente passar pelo que estou passando, Tente apagar este teu novo engano, Tente me amar pois estou te amando, Baby, te amo, nem sei se te amo".
Pérola Negra também serviu como trilha de Durval Discos, curioso filme de 2002, na história de um dono de loja de discos, que em plena era do CD insiste em continuar seu negócio.

As partes de guitarra feitas pelo lendário Hyldon, fazem valer a compra em "Farrapo Humano", num trabalho que ainda continha as geniais : Abundantemente Morte, Magrelinha, Objeto H e Forró de Janeiro.

Pérola Negra foi o brilho artístico de Luiz Melodia, reunindo grandes feras da música, tanto que o personagem principal achou melhor não tocar nenhum instrumento, já bastava sua contribuição com voz e letras.
Infelizmente o rótulo de maldito da MBP, recaídos em artistas da década de 70 e 80 que flertavam com experimentações e linguagens pouco tragáveis para as rádios, serviu para o artista em questão, entretanto, de uma forma mais leve. Ele não chegou ao ponto de ser menosprezado como um Sérgio Sampaio, “O rei dos malditos”, porem nunca gozou o justo prestígio da imprensa musical. E como o tempo é o senhor da razão, cabe a você que esta lendo o texto, ouvir a obra desse "senhor", falecido em 2017, (embora muitos nem saibam). Ouça e tire as conclusões, será uma boa regressão a 1973, a luz de um tempo, onde compositores não escreviam sob a latrina.

Fazendo música com a alma
5
22/01/2019

28 minutos de samba, soul, blues e uma pincelada rock n roll, colocaram Perola Negra entre os melhores discos nacionais de todos os tempos. Peso inicial carregado até os dias finais de Melodia, um "bom peso" eu diria. Discos maravilhosos foram concebidos por ele, mas sem o brilho da estreia.
O álbum passa tão rápido, que ouvir e reouvir é um processo prazeroso, seja em qualquer período.
A abertura com "Estácio, Eu e Você" investia na flauta de Altamiro Carrilho, uma sumidade no assunto, alem da obvia inspiração instrumental no mestre Cartola, servindo também como homenagem ao bairro carioca, onde o músico nasceu.

O arranjo de "Vale o Quanto Pesa" tem o ponto alto no blues com samba de breque, com variações e suingue latino nos metais. Parafraseando o título, a música vale o quanto pesa, cada grama, cada nota !!.

"Estácio, Holly Estácio" era pura poesia, cada nota de cada instrumento como uma "voz" diferente, todo o detalhe minucioso, em cima de uma letra linda de chorar, e quiça com o melhor refrão da música nacional.
"Se alguém quer matar-me de amor
Que me mate no Estácio
Bem no compasso, bem junto ao passo
Do passista da escola de samba
Do Largo do Estácio
O Estácio acalma o sentido dos erros que eu faço
Trago não traço, faço não caço
O amor da morena maldita do Largo do Estácio"

Na animada "Prá Aquietar", a pegada rocker tem sua vez. Mesmo que o suingue seja baseado no piano com fraseados usados no soul, o peso do contrabaixo, a condução da bateria e a simplicidade da guitarra, remetem imediatamente ao som de Roberto e Erasmo.

A faixa título abriu a amizade com Gal Costa, gravada no disco “Gal a todo vapor” de 1972. E isso deu uma força danada ao cantor, ao ponto de ser considerado o novo caçula da turma da tropicália, situação aproveitada para divulgar o futuro disco. 
A letra tinha algo mágico, em sacadas pouco usuais, um talento invejável no quesito composição ...
"Tente passar pelo que estou passando, Tente apagar este teu novo engano, Tente me amar pois estou te amando, Baby, te amo, nem sei se te amo".
Pérola Negra também serviu como trilha de Durval Discos, curioso filme de 2002, na história de um dono de loja de discos, que em plena era do CD insiste em continuar seu negócio.

As partes de guitarra feitas pelo lendário Hyldon, fazem valer a compra em "Farrapo Humano", num trabalho que ainda continha as geniais : Abundantemente Morte, Magrelinha, Objeto H e Forró de Janeiro.

Pérola Negra foi o brilho artístico de Luiz Melodia, reunindo grandes feras da música, tanto que o personagem principal achou melhor não tocar nenhum instrumento, já bastava sua contribuição com voz e letras.
Infelizmente o rótulo de maldito da MBP, recaídos em artistas da década de 70 e 80 que flertavam com experimentações e linguagens pouco tragáveis para as rádios, serviu para o artista em questão, entretanto, de uma forma mais leve. Ele não chegou ao ponto de ser menosprezado como um Sérgio Sampaio, “O rei dos malditos”, porem nunca gozou o justo prestígio da imprensa musical. E como o tempo é o senhor da razão, cabe a você que esta lendo o texto, ouvir a obra desse "senhor", falecido em 2017, (embora muitos nem saibam). Ouça e tire as conclusões, será uma boa regressão a 1973, a luz de um tempo, onde compositores não escreviam sob a latrina.

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