Bem-vindo ao 80 Minutos

Nós amamos música e adoramos compartilhar nossas avaliações sobre os álbuns de nossas bandas favoritas.

  • Últimas Notas de A Black Box

Resenha: Peter Hammill - A Black Box (1980)

Por: Tiago Meneses

Acessos: 84

Compartilhar:

Facebook Twitter Google +
User Photo
Album Cover
Recomendado a qualquer um fã dos trabalhos 70’s do músico.
4
19/01/2019

Então que é chegado o ano de 1980 e com ele A Black Box de Peter Hammill. Mas o que esperar desse disco? Mais uma vez trata-se de um disco solo produzido e interpretado principalmente por Hammill com as únicas ajudas desta vez vindo de David Ferguson e David Jackson. O álbum é divido entre um material otimista, bastante direto e um material mais experimental, difícil e que abrange um amplo escopo sonoro, sendo essas músicas a de maior interesse em relação a aqueles fãs progressivos mais devotos. No geral ele ainda está muito determinado a reter solidamente a vibração experimental e intransigente e que foi o que quase sempre caracterizou os processos de escrita e gravação de sua discografia.

O disco abre com “Golden Promises" através de baterias e vocais proeminentes, sendo uma música cativante e com bastante agressividade. Ainda que não tenha exatamente nada de especial, os seus quase três minutos é uma boa maneira de começar o álbum. Um rock direto e reto. 

“Losing Faith in Words”  apesar de ser mais uma música curta (como são todas as faixas que compõem o primeiro lado do disco), sempre tive a impressão que poderia figurar em qualquer um dos discos do Van der Graaf Generator dos anos 70. Essa composição é estelar e são faixas como essas que realmente destacam Peter Hammill como o compositor espetacular o qual é considerado por tantos. 

“The Jargon King”, apesar de ter gostado das duas músicas anteriores, foi aqui que vi algo realmente interessante nesse disco pela primeira vez. Logo de cara fica claro que o ouvinte não está diante do Peter Hammill do começo dos anos 70. Essa faixa mostra o músico mergulhando em uma experimentação de efeitos sonoros, se afastando drasticamente de qualquer coisa que ele já havia feito com o Van der Graaf Generator, porém, ainda assim com um mesmo arranjo especializado e espirito de exploração que qualquer um que o conheça poderia esperar. Um som estranho, mas cheio de glamour. Considero uma excelente adição ao álbum. 

“Fogwalking” certamente pode ganhar a coroa como destaque da primeira metade do álbum e quem sabe uma das músicas curtas de Hammill mais legais. Seu clima é bastante sombrio e ameaçador, sendo organizada de uma maneira praticamente minimalista. Tudo funciona perfeitamente e os vocais dramáticos de Hammill é a cereja do bolo desse som extremamente introspectivo. 

“The Spirit” é a faixa mais simples do disco. É direcionada principalmente por um violão e não tem mais uma quantidade grande de instrumentos além de uma bateria e guitarra elétrica. Se você conhece as músicas de Hammill e sua maneira de escrever, pode achar essa faixa otimista demais, quase um peixe fora d’água, porém, eu acho legal sua abordagem. 

“In Slow Time” volta ao que ele sabe fazer de melhor, ou seja, uma composição melancólica e sombria que faz um excelente uso de sintetizadores para criar uma espécie de Krautrock. Hammill sempre conseguindo passar bastante emoção em sua interpretação. Com menos de dois minutos, “The Wipe” é a menor faixa do álbum e soa de maneira bastante ruidosa e percussiva. Uma viagem total (mas que sinceramente, eu considero dispensável).  

“Flight” é a música que toma a segunda metade de todo o disco através dos seus quase vinte minutos de duração e que é dividida em seis partes. Começa com uma belíssima introdução piano e voz até que alguns acordes de violão se junta ao duo. A partir disso a música passa por vários tipos de permutações, onde em cada uma delas existe uma grande riqueza de arranjo e melodia que já é esperado vindo de Peter Hammill. A música consegue ir de uma grande beleza a uma linha mais louca e vice versa várias vezes, mas sempre bem controlada e direcionada, nunca se perdendo em viagens que não a levariam lugar nenhum. Ainda que eu ache que ela é meio esticada e pra mim deveria ser um pouco menor, isso não chega a ser um grande problema. Um excelente épico. 

A Black Box certamente é um disco recomendado a qualquer um fã dos trabalhos 70’s do músico. Para muitos o canto dos cisnes em relação ao que diz a música verdadeiramente progressiva de Hammill, já que depois ele partiu para uma linha de trabalhos mais convencional. Porém aqui, digo inclusive que é uma audição obrigatória. 

Recomendado a qualquer um fã dos trabalhos 70’s do músico.
4
19/01/2019

Então que é chegado o ano de 1980 e com ele A Black Box de Peter Hammill. Mas o que esperar desse disco? Mais uma vez trata-se de um disco solo produzido e interpretado principalmente por Hammill com as únicas ajudas desta vez vindo de David Ferguson e David Jackson. O álbum é divido entre um material otimista, bastante direto e um material mais experimental, difícil e que abrange um amplo escopo sonoro, sendo essas músicas a de maior interesse em relação a aqueles fãs progressivos mais devotos. No geral ele ainda está muito determinado a reter solidamente a vibração experimental e intransigente e que foi o que quase sempre caracterizou os processos de escrita e gravação de sua discografia.

O disco abre com “Golden Promises" através de baterias e vocais proeminentes, sendo uma música cativante e com bastante agressividade. Ainda que não tenha exatamente nada de especial, os seus quase três minutos é uma boa maneira de começar o álbum. Um rock direto e reto. 

“Losing Faith in Words”  apesar de ser mais uma música curta (como são todas as faixas que compõem o primeiro lado do disco), sempre tive a impressão que poderia figurar em qualquer um dos discos do Van der Graaf Generator dos anos 70. Essa composição é estelar e são faixas como essas que realmente destacam Peter Hammill como o compositor espetacular o qual é considerado por tantos. 

“The Jargon King”, apesar de ter gostado das duas músicas anteriores, foi aqui que vi algo realmente interessante nesse disco pela primeira vez. Logo de cara fica claro que o ouvinte não está diante do Peter Hammill do começo dos anos 70. Essa faixa mostra o músico mergulhando em uma experimentação de efeitos sonoros, se afastando drasticamente de qualquer coisa que ele já havia feito com o Van der Graaf Generator, porém, ainda assim com um mesmo arranjo especializado e espirito de exploração que qualquer um que o conheça poderia esperar. Um som estranho, mas cheio de glamour. Considero uma excelente adição ao álbum. 

“Fogwalking” certamente pode ganhar a coroa como destaque da primeira metade do álbum e quem sabe uma das músicas curtas de Hammill mais legais. Seu clima é bastante sombrio e ameaçador, sendo organizada de uma maneira praticamente minimalista. Tudo funciona perfeitamente e os vocais dramáticos de Hammill é a cereja do bolo desse som extremamente introspectivo. 

“The Spirit” é a faixa mais simples do disco. É direcionada principalmente por um violão e não tem mais uma quantidade grande de instrumentos além de uma bateria e guitarra elétrica. Se você conhece as músicas de Hammill e sua maneira de escrever, pode achar essa faixa otimista demais, quase um peixe fora d’água, porém, eu acho legal sua abordagem. 

“In Slow Time” volta ao que ele sabe fazer de melhor, ou seja, uma composição melancólica e sombria que faz um excelente uso de sintetizadores para criar uma espécie de Krautrock. Hammill sempre conseguindo passar bastante emoção em sua interpretação. Com menos de dois minutos, “The Wipe” é a menor faixa do álbum e soa de maneira bastante ruidosa e percussiva. Uma viagem total (mas que sinceramente, eu considero dispensável).  

“Flight” é a música que toma a segunda metade de todo o disco através dos seus quase vinte minutos de duração e que é dividida em seis partes. Começa com uma belíssima introdução piano e voz até que alguns acordes de violão se junta ao duo. A partir disso a música passa por vários tipos de permutações, onde em cada uma delas existe uma grande riqueza de arranjo e melodia que já é esperado vindo de Peter Hammill. A música consegue ir de uma grande beleza a uma linha mais louca e vice versa várias vezes, mas sempre bem controlada e direcionada, nunca se perdendo em viagens que não a levariam lugar nenhum. Ainda que eu ache que ela é meio esticada e pra mim deveria ser um pouco menor, isso não chega a ser um grande problema. Um excelente épico. 

A Black Box certamente é um disco recomendado a qualquer um fã dos trabalhos 70’s do músico. Para muitos o canto dos cisnes em relação ao que diz a música verdadeiramente progressiva de Hammill, já que depois ele partiu para uma linha de trabalhos mais convencional. Porém aqui, digo inclusive que é uma audição obrigatória. 

Sample photo

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Mais Resenhas de Peter Hammill

Album Cover

Peter Hammill - In Camera (1974)

Beleza e diversidades equilibradas a bastante experimentalismo.
5
Por: Tiago Meneses
24/01/2018
Album Cover

Peter Hammill - Nadir's Big Chance (1975)

Nadir's Big Chance é cheio de méritos artísticos musicalmente e liricamente
4
Por: Tiago Meneses
07/06/2018
Album Cover

Peter Hammill - Chameleon in the Shadow of the Night (1973)

Extremamente temperamental e expressivo.
5
Por: Tiago Meneses
05/10/2017

Quer Mais?

Veja as nossas recomendações:

Album Cover

Magenta - We Are Legend (2017)

Apesar dos problemas extras, um disco muito bom.
3.5
Por: Tiago Meneses
27/10/2017
Album Cover

Be-Bop Deluxe - Futurama (1975)

Um disco que passeia por vários estilos diferentes sem se perder
3.5
Por: Tiago Meneses
08/08/2018
Album Cover

Hatfield and the North - Hatfield And The North (1973)

Complexidade desafiadora, humor caloroso e espirituoso.
4.5
Por: Tiago Meneses
09/10/2017