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Resenha: Neal Morse - Momentum (2012)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Um álbum muito bom, com excelentes peças e trechos bem estruturados
4
19/01/2019

Neal Morse é aquele tipo de artista que costumo dizer que gosta de permanecer em sua zona de conforto, logo, raramente será visto algum tipo de erro da sua parte. Para alguns isso é ótimo, para outros isso o deixa muito em uma constante que pode não agradar aqueles que querem algo mais além do que o apresentado. Eu particularmente me contento com que o músico costuma fazer em sua carreira extremamente prolífica. Momentum é um dos seus grandes (com o perdão do trocadilho) momentos da carreira e apresenta um grupo enxuto e extremamente envolvente e criativo. Um disco feito para fãs, logo, ser você não é um fã de Neal Morse não acho que esse disco seja pra você, eu o aconselharia pular uma casa e ver o que tem mais a frente que o agrade. 

O disco abre com a faixa homônima e mesmo que eu não soubesse de quem se trata, seus dez primeiros segundos já denunciam ser uma música de Neal Morse. Uma típica música prog pop que é uma marca registrada do música e que ele sabe fazer muito bem. Confesso que não tem nada de especial e inovador (embora inovar não seja muita a praia dele), mas tem uma linha cativante lembrando inclusive de "All On a Sunday" da Spock’s Beard da sua época na banda. O destaque maior fica para o bom solo de guitarra de Paul Gilbert. 

“Thoughts Part 5” contem a ideias de harmonias vocais influenciadas por Gentle Giant e que Neal Morse parece sempre gostar de usar muito bem uma vez ou outra. A música tem uma sonoridade mais pesada que a anterior, novamente seus característicos trabalhos de teclados e algumas ideias menos peculiares que o normal. Possui alguns riffs de baixo que são incríveis e são um verdadeiro deleite, cortesia do grande Randy George. 

"Smoke and Mirrors" é uma música lenta, sendo principalmente ao violão com um clímax agradável no meio com a entrada dos demais instrumentos, com destaque para o teclado que da um ar épico. Considero essa uma peça linda e original se comparar com que a gente costuma esperar vindo de Morse. Uma das grandes baladas já escritas por ele e que se encaixa muito bem no álbum. 

"Weathering Sky" embora seja uma faixa cativante e dinâmica, essa considero o meu momento menos favorito do álbum. Ainda assim possui um riff pesado legal e um dos seus típicos refrãos de sonoridade mais pop. Uma faixa simples que embora eu tenha dito ser a minha menos favorita, tem os seus momentos. 

“Freak” é mais uma música lenta, baseada em cordas e que eu achei bastante legal. Não apresenta grandes riffs ou melodias para ser considerada uma ótima música como, “Thoughts Part 5, por exemplo, mas é um ponto idiossincrático do álbum. Te uma ponte cativante que leva a uma modulação dinâmica, dando a música um bonito acabamento dramático. 

Por último, mas longe de ser menos importante, muito contrário, finalmente chegamos no ápice do álbum, “World Without End” e os seus trinta e três minutos, a música apresenta uma forte reminiscência no Transatlantic. Possui uma introdução bastante enérgica e que dura certa de quatro minutos até que a melodia entra seguida por um vocal único. A melodia em si é um pouco derivada de seus trabalhos anteriores e por isso não chega a ser tão memorável quanto, por exemplo, “Seeds of Gold”, mas ainda assim a sensação transmitida é agradável.  Por volta dos doze minutos é quando somos atingidos por um riff pesado apoiado por uma bateria bastante pulsante. Mais uma vez os vocais de Morse são bem interessantes e únicos se comparado a seus trabalhos anteriores. Adson Sodré oferece um solo de guitarra excelente antes que a música entre em uma das melhores realizações de toda a carreira de Neal Morse, o quarto capítulo da faixa, “Mystery”. “Mystery” é provavelmente um dos melhores quatro minutos de qualquer trabalho solo de Neal Morse. A seção possui um verdadeiro orgasmo de teclado tocando algumas das melhores melodias que ele já compôs. Chega bate um desapontamento quando acaba, porém, a música ainda está pela metade e muita coisa ainda está por vir. A seção seguinte novamente traz uma vibração meio Transatlantic, até ser interrompida por um riff pesado e um solo de baixo. O caos continua até cerca dos vinte e sete minutos quando temos aquela sensação de que a música acabou. Porém ainda temos seis minutos de um final épico com o tema principal sendo reprisado , incluindo guitarras muito semelhantes a, “Dancing With Eternal Glory” do disco The Whirlwind da Transatlantic. Sou não dou a essa música exatamente o status de perfeita devido a ter muitos derivados de trabalhos anteriores. Mas ainda assim se fosse apenas por ela, esse disco mereceria nota máxima sem dúvida alguma. 

Há ainda algo a se dizer sobre Momentum: suas letras. Todas as músicas foram escritas por Morse em apenas duas semanas e com as letras presumivelmente escritas no mesmo período de tempo. Se por um lado ele realmente estava inspirado, por outro, deixou um tanto a desejar. Se por um lado as referências cristãs e que parece não agradar, estão quase inexistentes, por outro lado foram substituídas por letras bobas na melhor das hipótese, sendo muitas vezes algo sem sentido algum. Você concordando ou não com as letras de Neal Morse, ele sempre foi alguém que sempre escreveu coisas bastante emocionantes e comoventes, sendo que aqui nada disso é visto. Sendo esse mais um ponto que me faz coloca-lo abaixo dos seus melhores álbuns, digo, aqueles dignos de cinco estrelas. Ainda assim, que merece certamente uma boa audição. 

Um álbum muito bom, com excelentes peças e trechos bem estruturados
4
19/01/2019

Neal Morse é aquele tipo de artista que costumo dizer que gosta de permanecer em sua zona de conforto, logo, raramente será visto algum tipo de erro da sua parte. Para alguns isso é ótimo, para outros isso o deixa muito em uma constante que pode não agradar aqueles que querem algo mais além do que o apresentado. Eu particularmente me contento com que o músico costuma fazer em sua carreira extremamente prolífica. Momentum é um dos seus grandes (com o perdão do trocadilho) momentos da carreira e apresenta um grupo enxuto e extremamente envolvente e criativo. Um disco feito para fãs, logo, ser você não é um fã de Neal Morse não acho que esse disco seja pra você, eu o aconselharia pular uma casa e ver o que tem mais a frente que o agrade. 

O disco abre com a faixa homônima e mesmo que eu não soubesse de quem se trata, seus dez primeiros segundos já denunciam ser uma música de Neal Morse. Uma típica música prog pop que é uma marca registrada do música e que ele sabe fazer muito bem. Confesso que não tem nada de especial e inovador (embora inovar não seja muita a praia dele), mas tem uma linha cativante lembrando inclusive de "All On a Sunday" da Spock’s Beard da sua época na banda. O destaque maior fica para o bom solo de guitarra de Paul Gilbert. 

“Thoughts Part 5” contem a ideias de harmonias vocais influenciadas por Gentle Giant e que Neal Morse parece sempre gostar de usar muito bem uma vez ou outra. A música tem uma sonoridade mais pesada que a anterior, novamente seus característicos trabalhos de teclados e algumas ideias menos peculiares que o normal. Possui alguns riffs de baixo que são incríveis e são um verdadeiro deleite, cortesia do grande Randy George. 

"Smoke and Mirrors" é uma música lenta, sendo principalmente ao violão com um clímax agradável no meio com a entrada dos demais instrumentos, com destaque para o teclado que da um ar épico. Considero essa uma peça linda e original se comparar com que a gente costuma esperar vindo de Morse. Uma das grandes baladas já escritas por ele e que se encaixa muito bem no álbum. 

"Weathering Sky" embora seja uma faixa cativante e dinâmica, essa considero o meu momento menos favorito do álbum. Ainda assim possui um riff pesado legal e um dos seus típicos refrãos de sonoridade mais pop. Uma faixa simples que embora eu tenha dito ser a minha menos favorita, tem os seus momentos. 

“Freak” é mais uma música lenta, baseada em cordas e que eu achei bastante legal. Não apresenta grandes riffs ou melodias para ser considerada uma ótima música como, “Thoughts Part 5, por exemplo, mas é um ponto idiossincrático do álbum. Te uma ponte cativante que leva a uma modulação dinâmica, dando a música um bonito acabamento dramático. 

Por último, mas longe de ser menos importante, muito contrário, finalmente chegamos no ápice do álbum, “World Without End” e os seus trinta e três minutos, a música apresenta uma forte reminiscência no Transatlantic. Possui uma introdução bastante enérgica e que dura certa de quatro minutos até que a melodia entra seguida por um vocal único. A melodia em si é um pouco derivada de seus trabalhos anteriores e por isso não chega a ser tão memorável quanto, por exemplo, “Seeds of Gold”, mas ainda assim a sensação transmitida é agradável.  Por volta dos doze minutos é quando somos atingidos por um riff pesado apoiado por uma bateria bastante pulsante. Mais uma vez os vocais de Morse são bem interessantes e únicos se comparado a seus trabalhos anteriores. Adson Sodré oferece um solo de guitarra excelente antes que a música entre em uma das melhores realizações de toda a carreira de Neal Morse, o quarto capítulo da faixa, “Mystery”. “Mystery” é provavelmente um dos melhores quatro minutos de qualquer trabalho solo de Neal Morse. A seção possui um verdadeiro orgasmo de teclado tocando algumas das melhores melodias que ele já compôs. Chega bate um desapontamento quando acaba, porém, a música ainda está pela metade e muita coisa ainda está por vir. A seção seguinte novamente traz uma vibração meio Transatlantic, até ser interrompida por um riff pesado e um solo de baixo. O caos continua até cerca dos vinte e sete minutos quando temos aquela sensação de que a música acabou. Porém ainda temos seis minutos de um final épico com o tema principal sendo reprisado , incluindo guitarras muito semelhantes a, “Dancing With Eternal Glory” do disco The Whirlwind da Transatlantic. Sou não dou a essa música exatamente o status de perfeita devido a ter muitos derivados de trabalhos anteriores. Mas ainda assim se fosse apenas por ela, esse disco mereceria nota máxima sem dúvida alguma. 

Há ainda algo a se dizer sobre Momentum: suas letras. Todas as músicas foram escritas por Morse em apenas duas semanas e com as letras presumivelmente escritas no mesmo período de tempo. Se por um lado ele realmente estava inspirado, por outro, deixou um tanto a desejar. Se por um lado as referências cristãs e que parece não agradar, estão quase inexistentes, por outro lado foram substituídas por letras bobas na melhor das hipótese, sendo muitas vezes algo sem sentido algum. Você concordando ou não com as letras de Neal Morse, ele sempre foi alguém que sempre escreveu coisas bastante emocionantes e comoventes, sendo que aqui nada disso é visto. Sendo esse mais um ponto que me faz coloca-lo abaixo dos seus melhores álbuns, digo, aqueles dignos de cinco estrelas. Ainda assim, que merece certamente uma boa audição. 

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