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Resenha: King Crimson - Islands (1971)

Por: Tiago Meneses

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Às vezes não compreendido, mas muito bom.
3.5
02/10/2017

Islands é um disco que requer paciência e talvez por isso alguns fãs do King Crimson torcem um pouco o nariz pra ele. Particularmente eu não vi dificuldade alguma em me deixar levar pela música encontrada aqui. Existe um desenvolvimento lento e suave das peças. Apesar de que quem acompanha a banda sabe que eles costumam ter um lado suave, aqui é diferente, pois as coisas giram inteiramente em torno dessas passagens musicais tendo raros momentos mais ásperos e pesados. Não é bem um disco pra iniciar na banda, mas se você é familiarizado facilmente pode deixar cai-lo em suas graças.

“Formentera Lady” abre o disco com um bom contrabaixo levando o ouvinte de imediato a uma atmosfera clássica. Logo se junta a uma boa flauta e um piano que é completado com as primeiras frases vocais. Após os três primeiros minutos a música começa a decolar com os brilhantes tambores jazzísticos começando um pouco timidamente, mas melhorando em todo o álbum. Tem um momento de improvisação de piano que é belíssimo. Mais a frente há algumas peças de guitarras acústicas agradáveis, com Fripp mostrando seu habitual talento. O final da música traz algumas partes brilhantes de improvisação.

“Sailor's Tale” começa com tambores funky e um baixo onde logo se juntam a guitarra e saxofone. A parte do solo de guitarra aqui se encaixa muito bem na música, levando a um clímax que é muito bom, com alguns instrumentos que tocam uma nota um tanto maior que se encaixam perfeitamente no motivo rítmico. O solo de saxofone é incrível. Após isso a música começa em uma parte maravilhosa e descontraída com Fripp “brincando na guitarra”. Sua diferença melódica e rítmica do baixo e da bateria aqui é brilhante. De repente essa parte ganha velocidade, seguindo agora com um apoio orquestral e improvisação da bateria.

“The Letters” começa com uma voz e trabalho de guitarra acústica novamente brilhante. Essa parte é bastante emocional com a guitarra escolhendo melodias continuamente alternadas. De repente, acontece uma explosão musical bem ao estilo King Crimson de ser e logo depois retorna a algo mais suave com todos os membros da banda mostrando que eles fazem música progressiva como deve ser, complexa, virtuosa e sentimental.

“The Ladies of the Road” é minha música favorita do disco, embora seja um pouco repetitiva. O baixo e a bateria são muito divertidos nesta música, com o excelente saxofone que toca no começo. O vocal faz um bom trabalho, mostrando algumas emoções trabalhadas em sua voz. O coro é maravilhosamente suave, com o alto som da guitarra e as segundas vozes. No final da música tem um solo de sax maravilhoso, mostrando mais um belo trabalho de Mel Collins.

“Prelude: Song Of The Gulls” é uma bela parte clássica, preparando o ouvinte para a faixa homônima ao disco e que fecha o trabalho. É uma faixa simples e que combina perfeitamente com o resto do disco, belas melodias que se assemelham com a introdução de Islands.

“Islands” apresenta um equilíbrio perfeito de letra e música, uma paternidade de Fripp e Sinfield. Mostra uma belíssima melodia acompanhada por piano e flauta. Tem um momento de saxofone solitário, o vazio de tudo se soma a atmosfera triste. A parte vocal/piano se repete, mas ao invés de terem junto a ela uma flauta, um violino a substitui. Uma faixa que se desenvolve muito bem e dá uma sensação onírica ao ouvinte, um poder imaginativo e a capacidade de despertar inúmeras sensações diferentes.

Por mais que o King Crimson dos anos 70 seja uma banda impressionante, nem sempre tudo produzido deve ser encarado como algo que deva existir amor à primeira audição. Islands é justamente esse tipo de registro, muitas vezes não compreendido logo de cara e largado de mão. Mas se lhe der mais do que uma chance a possibilidade que ele sempre cresça a cada audição é muito grande.

Às vezes não compreendido, mas muito bom.
3.5
02/10/2017

Islands é um disco que requer paciência e talvez por isso alguns fãs do King Crimson torcem um pouco o nariz pra ele. Particularmente eu não vi dificuldade alguma em me deixar levar pela música encontrada aqui. Existe um desenvolvimento lento e suave das peças. Apesar de que quem acompanha a banda sabe que eles costumam ter um lado suave, aqui é diferente, pois as coisas giram inteiramente em torno dessas passagens musicais tendo raros momentos mais ásperos e pesados. Não é bem um disco pra iniciar na banda, mas se você é familiarizado facilmente pode deixar cai-lo em suas graças.

“Formentera Lady” abre o disco com um bom contrabaixo levando o ouvinte de imediato a uma atmosfera clássica. Logo se junta a uma boa flauta e um piano que é completado com as primeiras frases vocais. Após os três primeiros minutos a música começa a decolar com os brilhantes tambores jazzísticos começando um pouco timidamente, mas melhorando em todo o álbum. Tem um momento de improvisação de piano que é belíssimo. Mais a frente há algumas peças de guitarras acústicas agradáveis, com Fripp mostrando seu habitual talento. O final da música traz algumas partes brilhantes de improvisação.

“Sailor's Tale” começa com tambores funky e um baixo onde logo se juntam a guitarra e saxofone. A parte do solo de guitarra aqui se encaixa muito bem na música, levando a um clímax que é muito bom, com alguns instrumentos que tocam uma nota um tanto maior que se encaixam perfeitamente no motivo rítmico. O solo de saxofone é incrível. Após isso a música começa em uma parte maravilhosa e descontraída com Fripp “brincando na guitarra”. Sua diferença melódica e rítmica do baixo e da bateria aqui é brilhante. De repente essa parte ganha velocidade, seguindo agora com um apoio orquestral e improvisação da bateria.

“The Letters” começa com uma voz e trabalho de guitarra acústica novamente brilhante. Essa parte é bastante emocional com a guitarra escolhendo melodias continuamente alternadas. De repente, acontece uma explosão musical bem ao estilo King Crimson de ser e logo depois retorna a algo mais suave com todos os membros da banda mostrando que eles fazem música progressiva como deve ser, complexa, virtuosa e sentimental.

“The Ladies of the Road” é minha música favorita do disco, embora seja um pouco repetitiva. O baixo e a bateria são muito divertidos nesta música, com o excelente saxofone que toca no começo. O vocal faz um bom trabalho, mostrando algumas emoções trabalhadas em sua voz. O coro é maravilhosamente suave, com o alto som da guitarra e as segundas vozes. No final da música tem um solo de sax maravilhoso, mostrando mais um belo trabalho de Mel Collins.

“Prelude: Song Of The Gulls” é uma bela parte clássica, preparando o ouvinte para a faixa homônima ao disco e que fecha o trabalho. É uma faixa simples e que combina perfeitamente com o resto do disco, belas melodias que se assemelham com a introdução de Islands.

“Islands” apresenta um equilíbrio perfeito de letra e música, uma paternidade de Fripp e Sinfield. Mostra uma belíssima melodia acompanhada por piano e flauta. Tem um momento de saxofone solitário, o vazio de tudo se soma a atmosfera triste. A parte vocal/piano se repete, mas ao invés de terem junto a ela uma flauta, um violino a substitui. Uma faixa que se desenvolve muito bem e dá uma sensação onírica ao ouvinte, um poder imaginativo e a capacidade de despertar inúmeras sensações diferentes.

Por mais que o King Crimson dos anos 70 seja uma banda impressionante, nem sempre tudo produzido deve ser encarado como algo que deva existir amor à primeira audição. Islands é justamente esse tipo de registro, muitas vezes não compreendido logo de cara e largado de mão. Mas se lhe der mais do que uma chance a possibilidade que ele sempre cresça a cada audição é muito grande.

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