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Resenha: Dream Theater - Train Of Thought (2003)

Por: Márcio Chagas

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Train Of Thought é pesado, mas voa!
4
06/01/2019

O Dream Theater sempre foi uma banda com uma pluralidade enorme de influências. Os lideres John Petrucci e Mike Portnoy nunca esconderam seu entusiasmo por diversas bandas e estilos, admitindo preferências que vão dos Beatles a Napalm Death passando por Frank Zappa.

Toda essa diversidade é sentida nos álbuns do grupo, que sempre difere levemente sua sonoridade a cada lançamento. Porém, quatro bandas podem ser facilmente perceptíveis em todos os trabalhos da banda, são elas: Iron Maiden, Metallica, Pink Floyd e Rush.

Após lançarem um clássico conceitual influenciado diretamente pelo rock progressivo (Metropolis) e um álbum duplo com canções diversificadas (Six Degrees of Inner Turbulence.)  me parece que o grupo voltou ao estúdio com a faca nos dentes, dispostos a extravasarem as influências apenas das bandas citadas a cima, o que resultou em um dos álbuns mais diretos e pesados de toda sua  carreira;

A musicalidade pesada e agressiva pode ser perceptível ate mesmo na capa do álbum, completamente diferente das anteriores. A arte de Jerry Uelsmann é soturna, toda em preto e branco, remetendo inclusive a grupos de black metal.

O álbum se inicia de maneira lúgubre com "As I Am", que possui um riff de guitarra no melhor estilo Metallica. Até a voz de LaBrie soa mais rasgada como a de Hetfield. Sinceramente, esta faixa poderia fazer parte do Black álbum.   Os grandes destaques da canção são os lideres Petrucci e Portnoy, pois apesar do tecladista Rudess aparecer com um interessante solo, é notório que os teclados foram colocados em segundo plano. Uma curiosidade é que esta faixa se inicia com a mesma nota que terminou o álbum anterior, Six Degrees of Inner Turbulence;

"This Dying Soul" já abre na porrada, com Portnoy abusando do bumbo duplo fazendo contraponto com as paredes de guitarras gravadas por Petrucci. É um tema longo (11 minutos), e que possui boas nuances e quebras de andamento. LaBrie entra com vocais limpos na parte mais lenta da canção apenas para voltar abruptamente a agressividade inicial. Uma compsição de Pornoy bastante influenciada pelo Thrash em geral, onde o baterista usa a letra para dar continuidade na saga de 12 passos seguidas por ele e que foi iniciada com “The Glass Prision”, presente no citado “Six Degrees...”. A canção se encerra de maneira abrupta, tal qual se iniciou;

A faixa seguinte "Endless Sacrifice", também possui 11 minutos e se inicia de modo diferente, com guitarras melancólicas e camas de teclados fazendo base para o vocal limpo de LaBrie. O tema possui até inserções de piano e segue tranquila até seu refrão, onde se desenvolve para uma agressividade grandiloquente plenamente condizente com a letra sofrível:  “Tento ficar vivo / Até ouvir sua voz / Eu vou enlouquecer / Alguém me diga porque / Porque escolhi esta vida? / Esta mentira superficial / Compromisso constante / Sacrifício interminável...” após a sua metade, a canção vai crescendo, ficando mais rápida e dinâmica com passagens sincopadas e intricadas onde os músicos demonstram não só seu virtuosismo, mas também o nível de entrosamento de todo o grupo;

"Honor Thy Father"  é uma composição de Portnoy em homenagem ao seu padrasto e se inicia com bumbos duplos e riffs de guitarra poderosos até a entrada do vocal limpo de Labrie amparado pelo competente baixo de Myung. Apesar de longa, a canção é mais linear, soando agressiva na maior parte do tempo e sem tantas mudanças bruscas de andamento. LaBrie mostra grande forma vocal e em nada lembra o vocalista limitado de “Fallingo into Infinity”. Este tema gerou algumas controvérsias entre os fãs mais ortodoxos por trazer nítidas influências do metal moderno;
  
A canção Vacant"  é a única composição de LaBrie e o único tema a destoar do álbum. Uma balada bucólica e progressiva  amparada pelo violoncelo de Eugene Friesen. Na verdade ela serve como um prelúdio para a faixa seguinte;

"Stream of Consciousness" é um longo tema instrumental intrincado, com amplo espaço para cada músico demonstrar toda sua técnica e virtuosismo como é tradição nos álbuns do grupo. A composição em questão ganhou um peso extra, seguindo a linha adotada pela banda;

Encerrando o álbum vem "In the Name of God" , composição de Petrucci com mais de quatorze minutos. Assim como as demais, ela é complexa, pesada e com boas nuances no andamento. O refrão também funciona muito bem, com um grande trabalho vocal de LaBrie.  Destaco ainda a base da canção, muito bem estruturada por Myung e Portnoy;

De saldo final temos o disco mais pesado da carreira do grupo, que realmente fez um grande trabalho. Minha única ressalva seria a duração das músicas que em sua maioria ultrapassam a casa dos dez minutos. Como a banda optou por fazer um disco mais pesado e sem tantas influências progressivas, deveriam ter optado também por temas mais diretos e com estruturas menores. 

Apesar desta ressalva, o álbum foi bem aceito de um modo geral pela crítica e público com o grupo conseguindo inclusive angariar novos fãs que se identificaram o a vertente mais pesada apresentada em “Train of Trough”

A banda caiu na estrada realizando shows com até três horas de duração e percorreu os quatros cantos do planeta, inclusive o Japão onde gravaram o DVD “Live at Budokan”, um dos melhores registros ao vivo da história do grupo.

Train Of Thought é pesado, mas voa!
4
06/01/2019

O Dream Theater sempre foi uma banda com uma pluralidade enorme de influências. Os lideres John Petrucci e Mike Portnoy nunca esconderam seu entusiasmo por diversas bandas e estilos, admitindo preferências que vão dos Beatles a Napalm Death passando por Frank Zappa.

Toda essa diversidade é sentida nos álbuns do grupo, que sempre difere levemente sua sonoridade a cada lançamento. Porém, quatro bandas podem ser facilmente perceptíveis em todos os trabalhos da banda, são elas: Iron Maiden, Metallica, Pink Floyd e Rush.

Após lançarem um clássico conceitual influenciado diretamente pelo rock progressivo (Metropolis) e um álbum duplo com canções diversificadas (Six Degrees of Inner Turbulence.)  me parece que o grupo voltou ao estúdio com a faca nos dentes, dispostos a extravasarem as influências apenas das bandas citadas a cima, o que resultou em um dos álbuns mais diretos e pesados de toda sua  carreira;

A musicalidade pesada e agressiva pode ser perceptível ate mesmo na capa do álbum, completamente diferente das anteriores. A arte de Jerry Uelsmann é soturna, toda em preto e branco, remetendo inclusive a grupos de black metal.

O álbum se inicia de maneira lúgubre com "As I Am", que possui um riff de guitarra no melhor estilo Metallica. Até a voz de LaBrie soa mais rasgada como a de Hetfield. Sinceramente, esta faixa poderia fazer parte do Black álbum.   Os grandes destaques da canção são os lideres Petrucci e Portnoy, pois apesar do tecladista Rudess aparecer com um interessante solo, é notório que os teclados foram colocados em segundo plano. Uma curiosidade é que esta faixa se inicia com a mesma nota que terminou o álbum anterior, Six Degrees of Inner Turbulence;

"This Dying Soul" já abre na porrada, com Portnoy abusando do bumbo duplo fazendo contraponto com as paredes de guitarras gravadas por Petrucci. É um tema longo (11 minutos), e que possui boas nuances e quebras de andamento. LaBrie entra com vocais limpos na parte mais lenta da canção apenas para voltar abruptamente a agressividade inicial. Uma compsição de Pornoy bastante influenciada pelo Thrash em geral, onde o baterista usa a letra para dar continuidade na saga de 12 passos seguidas por ele e que foi iniciada com “The Glass Prision”, presente no citado “Six Degrees...”. A canção se encerra de maneira abrupta, tal qual se iniciou;

A faixa seguinte "Endless Sacrifice", também possui 11 minutos e se inicia de modo diferente, com guitarras melancólicas e camas de teclados fazendo base para o vocal limpo de LaBrie. O tema possui até inserções de piano e segue tranquila até seu refrão, onde se desenvolve para uma agressividade grandiloquente plenamente condizente com a letra sofrível:  “Tento ficar vivo / Até ouvir sua voz / Eu vou enlouquecer / Alguém me diga porque / Porque escolhi esta vida? / Esta mentira superficial / Compromisso constante / Sacrifício interminável...” após a sua metade, a canção vai crescendo, ficando mais rápida e dinâmica com passagens sincopadas e intricadas onde os músicos demonstram não só seu virtuosismo, mas também o nível de entrosamento de todo o grupo;

"Honor Thy Father"  é uma composição de Portnoy em homenagem ao seu padrasto e se inicia com bumbos duplos e riffs de guitarra poderosos até a entrada do vocal limpo de Labrie amparado pelo competente baixo de Myung. Apesar de longa, a canção é mais linear, soando agressiva na maior parte do tempo e sem tantas mudanças bruscas de andamento. LaBrie mostra grande forma vocal e em nada lembra o vocalista limitado de “Fallingo into Infinity”. Este tema gerou algumas controvérsias entre os fãs mais ortodoxos por trazer nítidas influências do metal moderno;
  
A canção Vacant"  é a única composição de LaBrie e o único tema a destoar do álbum. Uma balada bucólica e progressiva  amparada pelo violoncelo de Eugene Friesen. Na verdade ela serve como um prelúdio para a faixa seguinte;

"Stream of Consciousness" é um longo tema instrumental intrincado, com amplo espaço para cada músico demonstrar toda sua técnica e virtuosismo como é tradição nos álbuns do grupo. A composição em questão ganhou um peso extra, seguindo a linha adotada pela banda;

Encerrando o álbum vem "In the Name of God" , composição de Petrucci com mais de quatorze minutos. Assim como as demais, ela é complexa, pesada e com boas nuances no andamento. O refrão também funciona muito bem, com um grande trabalho vocal de LaBrie.  Destaco ainda a base da canção, muito bem estruturada por Myung e Portnoy;

De saldo final temos o disco mais pesado da carreira do grupo, que realmente fez um grande trabalho. Minha única ressalva seria a duração das músicas que em sua maioria ultrapassam a casa dos dez minutos. Como a banda optou por fazer um disco mais pesado e sem tantas influências progressivas, deveriam ter optado também por temas mais diretos e com estruturas menores. 

Apesar desta ressalva, o álbum foi bem aceito de um modo geral pela crítica e público com o grupo conseguindo inclusive angariar novos fãs que se identificaram o a vertente mais pesada apresentada em “Train of Trough”

A banda caiu na estrada realizando shows com até três horas de duração e percorreu os quatros cantos do planeta, inclusive o Japão onde gravaram o DVD “Live at Budokan”, um dos melhores registros ao vivo da história do grupo.

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