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Resenha: Camel - Mirage (1974)

Por: Marcel Z. Dio

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Amor à primeira ouvida
5
06/01/2019

A paixão pelo Camel começou em 1998 quando entrei num pequeno sebo da cidade ...

Folheando Lps na parte roqueira, não encontrei nada do agrado, mas, quando a gente não quer perder viagem, remexe até nos discos de sertanejo, e por mais absurdo que pareça, foi ali que achei o tesouro. Era meu dia de sorte, encontrar aquele disco de capa amarela imitando a ilustração do conhecido cigarro, até a fonte do logo era igual. Seria um coletânea com hits da marca, tal qual os comerciais do Hollywood ?.
Percebi que não se tratava de propaganda quando pus o bolachão pra rodar em meu velho DS 40 da Gradiente.
Mesmo conhecendo ótimas bandas progressivas, o som feito pelo Camel tinha algo de especial, principalmente pelas linhas melódicas na guitarra e a adição da flauta, instrumento que é sempre agradável aos ouvidos, seja em qualquer estilo.

Freefall não fisgou tão rápido, mas a cada audição se tornava melhor. Interessante mesmo era a dobra melódica entre a guitarra e os teclados, alem de um discreto acento jazz em algumas partes. Os solos de Andrew fixam de tal forma, que da para assoviar as melodias, cada nota disposta perfeitamente em seu lugar, como uma engrenagem de relógio.

Pirei quando ouvi a curta instrumental Supertwister. A flauta e as frases oitavadas do baixo, eram incríveis. A condução suave faz o ouvinte flutuar no tempo e espaço, e a brincadeira final da "sonoplastia" com a lata de cerveja sendo aberta e despejada no copo, foi bem bolada.

Baseado na obra de J.R.R. Tolkien, Nimrodel /The Procession /The White Rider, é uma verdadeira montanha russa da psicodelia prog !! Ora na calmaria dos teclados atmosféricos, ritmos marchados e vocais plácidos, ora dando espaço a uma tempestade hard progressiva. A retomada desfecha com um dos melhores solos feitos por Andrew Latimer, lisergia total !!.

Earthrise é organizada no inacreditável teclado de Bardens, incorporando um pouco da energia citada na parte intermediaria de Nimrodel ... 
Destaque para a seção rítmica, quase sempre ofuscada pelos talentosos Latimer e Bardens.

Encaixar a parte instrumental requer talento, mas o que Camel comete em Lady Fantasy, é digno de louvor. Dividida em três partes, a suíte Lady Fantasy escapa do virtuosismo pretensioso, rolando de forma espontânea, e com o peso característico do hard rock em alguns acordes.
Uma ressalva ao baixista Doug Feguson, que na maior parte de Lady Fantasy, faz uma contra melodia sensacional. Quem já tocou contrabaixo ou gosta do instrumento, tem a dimensão da dificuldade em criar tais linhas independentes.

Fica nítido o avanço de Mirage ante ao debut de 1973, a maioria dos grupos só encontra a identidade no terceiro ou quarto trabalho, e o Camel acertou quase de cara !. Tanto que boa parte dos fãs, consideram Mirage o melhor disco da banda, e eu me identifico com eles.

Amor à primeira ouvida
5
06/01/2019

A paixão pelo Camel começou em 1998 quando entrei num pequeno sebo da cidade ...

Folheando Lps na parte roqueira, não encontrei nada do agrado, mas, quando a gente não quer perder viagem, remexe até nos discos de sertanejo, e por mais absurdo que pareça, foi ali que achei o tesouro. Era meu dia de sorte, encontrar aquele disco de capa amarela imitando a ilustração do conhecido cigarro, até a fonte do logo era igual. Seria um coletânea com hits da marca, tal qual os comerciais do Hollywood ?.
Percebi que não se tratava de propaganda quando pus o bolachão pra rodar em meu velho DS 40 da Gradiente.
Mesmo conhecendo ótimas bandas progressivas, o som feito pelo Camel tinha algo de especial, principalmente pelas linhas melódicas na guitarra e a adição da flauta, instrumento que é sempre agradável aos ouvidos, seja em qualquer estilo.

Freefall não fisgou tão rápido, mas a cada audição se tornava melhor. Interessante mesmo era a dobra melódica entre a guitarra e os teclados, alem de um discreto acento jazz em algumas partes. Os solos de Andrew fixam de tal forma, que da para assoviar as melodias, cada nota disposta perfeitamente em seu lugar, como uma engrenagem de relógio.

Pirei quando ouvi a curta instrumental Supertwister. A flauta e as frases oitavadas do baixo, eram incríveis. A condução suave faz o ouvinte flutuar no tempo e espaço, e a brincadeira final da "sonoplastia" com a lata de cerveja sendo aberta e despejada no copo, foi bem bolada.

Baseado na obra de J.R.R. Tolkien, Nimrodel /The Procession /The White Rider, é uma verdadeira montanha russa da psicodelia prog !! Ora na calmaria dos teclados atmosféricos, ritmos marchados e vocais plácidos, ora dando espaço a uma tempestade hard progressiva. A retomada desfecha com um dos melhores solos feitos por Andrew Latimer, lisergia total !!.

Earthrise é organizada no inacreditável teclado de Bardens, incorporando um pouco da energia citada na parte intermediaria de Nimrodel ... 
Destaque para a seção rítmica, quase sempre ofuscada pelos talentosos Latimer e Bardens.

Encaixar a parte instrumental requer talento, mas o que Camel comete em Lady Fantasy, é digno de louvor. Dividida em três partes, a suíte Lady Fantasy escapa do virtuosismo pretensioso, rolando de forma espontânea, e com o peso característico do hard rock em alguns acordes.
Uma ressalva ao baixista Doug Feguson, que na maior parte de Lady Fantasy, faz uma contra melodia sensacional. Quem já tocou contrabaixo ou gosta do instrumento, tem a dimensão da dificuldade em criar tais linhas independentes.

Fica nítido o avanço de Mirage ante ao debut de 1973, a maioria dos grupos só encontra a identidade no terceiro ou quarto trabalho, e o Camel acertou quase de cara !. Tanto que boa parte dos fãs, consideram Mirage o melhor disco da banda, e eu me identifico com eles.

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