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Resenha: Dream Theater - Falling Into Infinity (1997)

Por: Márcio Chagas

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Album Cover
Não é um clássico e muito menos um disco ruim
3.5
04/01/2019

Um dos expoentes do chamado prog metal, o Dream Theater é uma banda que possui fãs realmente devotados. A popularidade do grupo se deve não só pela qualidade da música, como também pela a aproximação do grupo com fãs, sendo uma das primeiras bandas a utilizar as redes sociais de maneira correta para realizar tal interação.

Cada álbum lançando é motivo de teorias e discussões entre os apreciadores da sonoridade do grupo, que em meio a tanta música de qualidade também cometeu alguns equívocos.

Após seu álbum de estreia, a banda lançou dois excelentes trabalhos, o clássico “Images and Worlds” e o excelente ‘Awake”, que colocou o grupo ao lado das grandes bandas internacionais com shows por todo o mundo.

Porém, em 96/97, as coisas não andavam boas para o grupo: o tecladista original Kevin Moore havia deixado a banda, o vocalista James LaBrie sofria com uma ruptura em suas cordas vocais e todos os músicos ainda sentiam uma imensa pressão da gravadora para que atingissem níveis mais comerciais. Tantos problemas internos e burocráticos com certeza afetou a sonoridade do grupo, que lançou não um álbum ruim, mas diferente, com certas canções que, embora possuam inquestionável qualidade, estão longe da sonoridade que consagrou a banda.

A entrada do tecladista Derek Sherinian no lugar de Moore não foi a decisão mais acertada. Apesar de excelente tecladista, Derek pensa e utiliza seu instrumento de maneira pungente, como se fosse um guitarrista, e o grupo não precisava deste tipo de sonoridade tendo um músico como John Petrucci. Na verdade o Dream Theater precisava de um tecladista que usasse seu instrumento com grandiloquência, criando camas sonoras em meio a agressividade das composições. Sendo fã de trilhas sonoras e musica ambiente, Moore sabia utilizar seu instrumento em meio ao peso do grupo, o mesmo aconteceria mais tarde com Jordan Rudess. Mas definitivamente essa não era a técnica de Sherinian, que realmente não se encaixou na estrutura musical da banda e com certeza ajudou descaracterizar a sonoridade contida no álbum.

Além de todos os problemas mencionados, o álbum ainda tem uma peculiaridade: O artista gráfico responsável pela capa Storm Thorgerson, famoso por suas capas com o Pink Floyd e outros medalhões, se recusou a trabalhar com fontes criadas por outros artistas, motivo pelo qual este  é o único álbum que não contem o logotipo da banda na capa.

"New Millenium"  abre os trabalhos e traz novidades: Aqui o baixista Myung utiliza um stick (instrumento de 10 ou 12 cordas tocado no estilo tapping, como um piano, com as duas mãos sobre as coras). A canção da lavra de Portnoy tem influência de Rush na bateria, um excelente trabalho de vocal do grupo e várias mudanças de andamento. A integração entre Petrucci, Portnoy e Myung é quase palpável. É uma faixa essencialmente Dream Theater;

O tema seguinte, "You Not Me" é uma colaboração de Petrucci com o hitmaker Desmond Child. Tem boa entrada com o vocal de LaBrie sendo entoado em cima da base da canção. Apesar de bom tema, não pode ser considerada uma faixa típica do grupo, principalmente pelo refrão demasiadamente pegajoso e  hard rock. Claro que a influência de Desmond pesou na concepção da música;

"Peruvian Skies"  é uma canção de Petrucci e começa de maneira soturna e arrastada até o solo de guitarra, quando há uma mudança brusca de andamento e o tema passa a assumir as características mais comuns do grupo;

"Hollow Years"  é uma balada muito bem construída, com um belo solo, mas fica óbvio que o tema tem somente o intuído de agradar a gravadora que impôs ao grupo um hit para as rádios;

Em "Burning My Soul" temos o velho e bom Dream Theater de volta, com o baixo pulsante de John a frente da canção fazendo um contraponto com as paredes de guitarras de Petrucci e a bateria atrabiliária de Mike. LaBrie não está em sua melhor forma vocal, mas dá conta do recado de maneira correta. Derek Sherinian aparece como destaque pela primeira vez om um ótimo solo de teclado. É notório que o músico foi relegado a mero coadjuvante na gravação do álbum;

"Hell's Kitchen"  é uma faixa instrumental composta pelo grupo. Um tema com espaço para cada  instrumentista brilhar e demonstrar sua técnica soberba;

Em seguida temos a primeira suíte do disco, "Lines in the Sand" , composição complexa e intrincada de Petrucci, com várias mudanças de andamento, passagens sincopadas e Portnoy abusando do bumbo duplo;

"Take Away My Pain" de Petrucci e “ Anna Lee” do vocalista LaBrie são canções bem construídas, mas aquém da genialidade da banda, principalmente a segunda, uma baladinha ‘sem-vergonha” que não deveria ser aproveitada nem em um disco de sobras do quinteto;

No meio das duas temos "Just Let Me Breathe", faixa encorpada e agressiva composta por Portnoy,  com paredes de guitarras alinhadas à frente do tema e uma bateria insana. Até os vocais de James estão mais soltos aqui;

Encerrando o álbum temos a segunda suíte do álbum e pra mim um dos melhores temas já compostos pelo grupo em toda sua carreira: "Trial of Tears". Uma canção fortemente influenciada pelo Rush em sua fase mais progressiva, mas com certo peso extra e uma letra completamente genial e depressiva de Myung, que, aliás, toca uma barbaridade. E neste caso, “tocar muito”, é muito mais abrangente do que apenas tocar mais rápido com ou com uma enorme profusão de notas. Neste caso ressalto também o bom gosto e o senso de oportunidade do músico na construção e execução do tema;

De saldo final temos um ótimo disco com alguns equívocos que obviamente foram cometidos com o intuído de ceder a determinadas pressões da gravadora. Mas um trabalho com sete grandes faixas, três regulares e apenas uma descartável não pode ser considerado um disco ruim. Além do mais  “Falling Into Infinity” foi importante para que o grupo resolvesse suas diferenças, acreditasse em sua música e seguisse adiante, lançando o clássico ‘Metropolis”. 

Não é um clássico e muito menos um disco ruim
3.5
04/01/2019

Um dos expoentes do chamado prog metal, o Dream Theater é uma banda que possui fãs realmente devotados. A popularidade do grupo se deve não só pela qualidade da música, como também pela a aproximação do grupo com fãs, sendo uma das primeiras bandas a utilizar as redes sociais de maneira correta para realizar tal interação.

Cada álbum lançando é motivo de teorias e discussões entre os apreciadores da sonoridade do grupo, que em meio a tanta música de qualidade também cometeu alguns equívocos.

Após seu álbum de estreia, a banda lançou dois excelentes trabalhos, o clássico “Images and Worlds” e o excelente ‘Awake”, que colocou o grupo ao lado das grandes bandas internacionais com shows por todo o mundo.

Porém, em 96/97, as coisas não andavam boas para o grupo: o tecladista original Kevin Moore havia deixado a banda, o vocalista James LaBrie sofria com uma ruptura em suas cordas vocais e todos os músicos ainda sentiam uma imensa pressão da gravadora para que atingissem níveis mais comerciais. Tantos problemas internos e burocráticos com certeza afetou a sonoridade do grupo, que lançou não um álbum ruim, mas diferente, com certas canções que, embora possuam inquestionável qualidade, estão longe da sonoridade que consagrou a banda.

A entrada do tecladista Derek Sherinian no lugar de Moore não foi a decisão mais acertada. Apesar de excelente tecladista, Derek pensa e utiliza seu instrumento de maneira pungente, como se fosse um guitarrista, e o grupo não precisava deste tipo de sonoridade tendo um músico como John Petrucci. Na verdade o Dream Theater precisava de um tecladista que usasse seu instrumento com grandiloquência, criando camas sonoras em meio a agressividade das composições. Sendo fã de trilhas sonoras e musica ambiente, Moore sabia utilizar seu instrumento em meio ao peso do grupo, o mesmo aconteceria mais tarde com Jordan Rudess. Mas definitivamente essa não era a técnica de Sherinian, que realmente não se encaixou na estrutura musical da banda e com certeza ajudou descaracterizar a sonoridade contida no álbum.

Além de todos os problemas mencionados, o álbum ainda tem uma peculiaridade: O artista gráfico responsável pela capa Storm Thorgerson, famoso por suas capas com o Pink Floyd e outros medalhões, se recusou a trabalhar com fontes criadas por outros artistas, motivo pelo qual este  é o único álbum que não contem o logotipo da banda na capa.

"New Millenium"  abre os trabalhos e traz novidades: Aqui o baixista Myung utiliza um stick (instrumento de 10 ou 12 cordas tocado no estilo tapping, como um piano, com as duas mãos sobre as coras). A canção da lavra de Portnoy tem influência de Rush na bateria, um excelente trabalho de vocal do grupo e várias mudanças de andamento. A integração entre Petrucci, Portnoy e Myung é quase palpável. É uma faixa essencialmente Dream Theater;

O tema seguinte, "You Not Me" é uma colaboração de Petrucci com o hitmaker Desmond Child. Tem boa entrada com o vocal de LaBrie sendo entoado em cima da base da canção. Apesar de bom tema, não pode ser considerada uma faixa típica do grupo, principalmente pelo refrão demasiadamente pegajoso e  hard rock. Claro que a influência de Desmond pesou na concepção da música;

"Peruvian Skies"  é uma canção de Petrucci e começa de maneira soturna e arrastada até o solo de guitarra, quando há uma mudança brusca de andamento e o tema passa a assumir as características mais comuns do grupo;

"Hollow Years"  é uma balada muito bem construída, com um belo solo, mas fica óbvio que o tema tem somente o intuído de agradar a gravadora que impôs ao grupo um hit para as rádios;

Em "Burning My Soul" temos o velho e bom Dream Theater de volta, com o baixo pulsante de John a frente da canção fazendo um contraponto com as paredes de guitarras de Petrucci e a bateria atrabiliária de Mike. LaBrie não está em sua melhor forma vocal, mas dá conta do recado de maneira correta. Derek Sherinian aparece como destaque pela primeira vez om um ótimo solo de teclado. É notório que o músico foi relegado a mero coadjuvante na gravação do álbum;

"Hell's Kitchen"  é uma faixa instrumental composta pelo grupo. Um tema com espaço para cada  instrumentista brilhar e demonstrar sua técnica soberba;

Em seguida temos a primeira suíte do disco, "Lines in the Sand" , composição complexa e intrincada de Petrucci, com várias mudanças de andamento, passagens sincopadas e Portnoy abusando do bumbo duplo;

"Take Away My Pain" de Petrucci e “ Anna Lee” do vocalista LaBrie são canções bem construídas, mas aquém da genialidade da banda, principalmente a segunda, uma baladinha ‘sem-vergonha” que não deveria ser aproveitada nem em um disco de sobras do quinteto;

No meio das duas temos "Just Let Me Breathe", faixa encorpada e agressiva composta por Portnoy,  com paredes de guitarras alinhadas à frente do tema e uma bateria insana. Até os vocais de James estão mais soltos aqui;

Encerrando o álbum temos a segunda suíte do álbum e pra mim um dos melhores temas já compostos pelo grupo em toda sua carreira: "Trial of Tears". Uma canção fortemente influenciada pelo Rush em sua fase mais progressiva, mas com certo peso extra e uma letra completamente genial e depressiva de Myung, que, aliás, toca uma barbaridade. E neste caso, “tocar muito”, é muito mais abrangente do que apenas tocar mais rápido com ou com uma enorme profusão de notas. Neste caso ressalto também o bom gosto e o senso de oportunidade do músico na construção e execução do tema;

De saldo final temos um ótimo disco com alguns equívocos que obviamente foram cometidos com o intuído de ceder a determinadas pressões da gravadora. Mas um trabalho com sete grandes faixas, três regulares e apenas uma descartável não pode ser considerado um disco ruim. Além do mais  “Falling Into Infinity” foi importante para que o grupo resolvesse suas diferenças, acreditasse em sua música e seguisse adiante, lançando o clássico ‘Metropolis”. 

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