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Resenha: Porcupine Tree - Deadwing (2005)

Por: Tiago Meneses

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Muitos belos elementos e lindas atmosferas.
4.5
01/10/2017

Esse foi o primeiro álbum da banda que ouvi e confesso que de maneira tardia se pegar o tempo que estou sempre de cabeça dentro do universo do rock progressivo. Mas como diz o ditado, antes tarde do que nunca. Foi paixão a primeira ouvida, senti nele uma atmosfera genuinamente brilhante e original mostrando ser um grupo que sabem absorver tudo que de melhor o rock tem a oferecer. Ainda que algumas partes mais pesadas desse disco possam remeter o ouvinte facilmente a bandas como Dream Theater e Tool, eles no final das contas sempre voltam a sua típica orientação sonora durante a música.

“Deadwing” abre o álbum através de alguns breves efeitos espaciais antes que a banda se mova rapidamente em alta velocidade com um riff agressivo de guitarra. Steve Wilson apresenta o ouvinte para praticamente todos os diferentes efeitos vocais que ele usa ao longo do álbum. Isso inclui sussurros, palavras faladas e harmonias limpas. A faixa também possui vários solos muito diferentes de guitarra, o primeiro pelo próprio Wilson e o trabalho de guitarra perto do final da música é do músico convidado Adrian Belew. Há momentos atmosféricos que também a enriquecem, enfim, uma grande abertura pra um grande álbum.

“Shallow” é uma canção incomum de metal, mas direta, que contem um refrão que gosto bastante e alguns bons riffs e quebradas inspiradas em Dream Theater. Essa música talvez não seja muito bem vista por uns fãs mais puristas de progressivo, mas eu particularmente a acho uma canção de excelente construção e execução.

“Lazarus” move o álbum para outra extremidade de espectro musical com uma introdução através de um suave e melancólico piano. De grande simplicidade e linha emocional, com certeza que tocada em uma situação especial é capaz de arrancar lágrimas do ouvinte.

“Halo” é mais um momento bastante acessível do álbum embora tenha m final mais complexo. Uma canção bem interpretada, musicalmente é cheia de atmosferas, uma linha de baixo matadora, um coro cativante, passagens de guitarras interessante. Liricamente também é boa, pois usa Deus como tema, o colocando como “responsável de tudo no mundo” quando diz, "Deus é liberdade, Deus é verdade, Deus é poder e Deus é prova, Deus é moda, Deus é fama, Deus dá sentido, Deus dá ... dor!"

"Arriving Somewhere But Not Here” é a minha música preferida do disco e a primeira música que ouvi da banda. Costumo dizer que ela é o coração do álbum, um clássico exemplo de tudo o que a banda tem a oferecer em apenas uma faixa. Space rock progressivo com muitas atmosferas , muitas harmonias vocais e efeitos interessantes. A introdução com as guitarras acústicas dão início já deixando a ideia de promessa de um épico magistral. As melodias oníricas e os arranjos meditativos permitem que o ouvinte viagem pra fora do seu corpo. A banda então assume o controle por completo em uma sonoridade edificante e de pura magia sonora. A faixa também apresenta várias partes pesadas no meio onde novamente podemos notar influências em Dream Theater em uma combinação de riffs e quebras de tempo além de percebermos reminiscências novamente na Tool também.  A parte principal da música então retorna até que ela vai desaparecendo. Sem dúvida alguma a principal faixa do disco e um dos hinos da banda.

Depois de um épico, nada melhor que uma faixa que permita que o ouvinte ganhe uma folga da complexidade. “Mellotron Stratch” é uma faixa suave, começa com um bom riff, uma percussão eletrônica se junta, o desempenho de Steven Wilson está ótimo, soando de forma bastante devotada até que a faixa adquira de fato algum ritmo. Tem um coro muito bonito e uma parte mais enérgica apoiada por um leve solo de guitarra. Ainda que se eu fosse escolher uma faixa como a minha menos favorita ela seria a minha escolha, não quer dizer que não possui uma qualidade de primeira também.

“Open Car” é outra canção acessível, confesso que não houve amor a primeira ouvida, mas depois essa faixa cresceu bastante em mim. Começa com um tipo de riff silencioso que certeza bandas como Tool e Opeth também usariam. Depois o riff fica mais pesado quando a bateria entra. O refrão é mais leve do que se pode esperar da música, mas feito em um excelente trabalho vocal de Steven Wilson. Confesso que nunca entendi muito bem sobre o que essa música está falando, mas creio que seja sobre as coisas que desmoronam em sua vida. Belíssimo momento rock and roll do álbum.

“Start Of Something Beautiful” traz um humor que eu gosto bastante. É suave, brilhante e feliz em um único pacote. A melhor parte da música sem dúvida alguma é a sua passagem instrumental que se ajusta próximo dos cinco minutos, uma melodia assombrosa de piano que remete a belíssimos momentos eternizados no progressivo 70’s, pelo Genesis, por exemplo. Uma faixa bastante forte e sinfônica em uma entrega musical emocionante.

“Glass Arm Shattering” é a última música do álbum. Uma forma perfeita de encerramento por toda a viagem musical abordada no disco. Começa com algumas guitarras estáticas e então alguns sintetizadores espaciais também entram antes que Steve Wilson comece a cantar com vocais bem relaxantes de se ouvir. A faixa progride bastante bem com um ótimo piano. Depois de uma seção mais pesada a música termina de maneira mais ou menos como começou.

Deadwing é um daqueles registros de efeito duradouro e que parece que melhorar a cada audição. Um dos melhores discos de uma das melhores bandas surgidas nos últimos vinte e cinco anos. Excelente produção, composições e performances de qualidade. Muitos belos elementos e lindas atmosferas pra fornecer os jarros emocionais que as músicas muitas vezes necessitam. Enfim, um registro imperdível. 

Muitos belos elementos e lindas atmosferas.
4.5
01/10/2017

Esse foi o primeiro álbum da banda que ouvi e confesso que de maneira tardia se pegar o tempo que estou sempre de cabeça dentro do universo do rock progressivo. Mas como diz o ditado, antes tarde do que nunca. Foi paixão a primeira ouvida, senti nele uma atmosfera genuinamente brilhante e original mostrando ser um grupo que sabem absorver tudo que de melhor o rock tem a oferecer. Ainda que algumas partes mais pesadas desse disco possam remeter o ouvinte facilmente a bandas como Dream Theater e Tool, eles no final das contas sempre voltam a sua típica orientação sonora durante a música.

“Deadwing” abre o álbum através de alguns breves efeitos espaciais antes que a banda se mova rapidamente em alta velocidade com um riff agressivo de guitarra. Steve Wilson apresenta o ouvinte para praticamente todos os diferentes efeitos vocais que ele usa ao longo do álbum. Isso inclui sussurros, palavras faladas e harmonias limpas. A faixa também possui vários solos muito diferentes de guitarra, o primeiro pelo próprio Wilson e o trabalho de guitarra perto do final da música é do músico convidado Adrian Belew. Há momentos atmosféricos que também a enriquecem, enfim, uma grande abertura pra um grande álbum.

“Shallow” é uma canção incomum de metal, mas direta, que contem um refrão que gosto bastante e alguns bons riffs e quebradas inspiradas em Dream Theater. Essa música talvez não seja muito bem vista por uns fãs mais puristas de progressivo, mas eu particularmente a acho uma canção de excelente construção e execução.

“Lazarus” move o álbum para outra extremidade de espectro musical com uma introdução através de um suave e melancólico piano. De grande simplicidade e linha emocional, com certeza que tocada em uma situação especial é capaz de arrancar lágrimas do ouvinte.

“Halo” é mais um momento bastante acessível do álbum embora tenha m final mais complexo. Uma canção bem interpretada, musicalmente é cheia de atmosferas, uma linha de baixo matadora, um coro cativante, passagens de guitarras interessante. Liricamente também é boa, pois usa Deus como tema, o colocando como “responsável de tudo no mundo” quando diz, "Deus é liberdade, Deus é verdade, Deus é poder e Deus é prova, Deus é moda, Deus é fama, Deus dá sentido, Deus dá ... dor!"

"Arriving Somewhere But Not Here” é a minha música preferida do disco e a primeira música que ouvi da banda. Costumo dizer que ela é o coração do álbum, um clássico exemplo de tudo o que a banda tem a oferecer em apenas uma faixa. Space rock progressivo com muitas atmosferas , muitas harmonias vocais e efeitos interessantes. A introdução com as guitarras acústicas dão início já deixando a ideia de promessa de um épico magistral. As melodias oníricas e os arranjos meditativos permitem que o ouvinte viagem pra fora do seu corpo. A banda então assume o controle por completo em uma sonoridade edificante e de pura magia sonora. A faixa também apresenta várias partes pesadas no meio onde novamente podemos notar influências em Dream Theater em uma combinação de riffs e quebras de tempo além de percebermos reminiscências novamente na Tool também.  A parte principal da música então retorna até que ela vai desaparecendo. Sem dúvida alguma a principal faixa do disco e um dos hinos da banda.

Depois de um épico, nada melhor que uma faixa que permita que o ouvinte ganhe uma folga da complexidade. “Mellotron Stratch” é uma faixa suave, começa com um bom riff, uma percussão eletrônica se junta, o desempenho de Steven Wilson está ótimo, soando de forma bastante devotada até que a faixa adquira de fato algum ritmo. Tem um coro muito bonito e uma parte mais enérgica apoiada por um leve solo de guitarra. Ainda que se eu fosse escolher uma faixa como a minha menos favorita ela seria a minha escolha, não quer dizer que não possui uma qualidade de primeira também.

“Open Car” é outra canção acessível, confesso que não houve amor a primeira ouvida, mas depois essa faixa cresceu bastante em mim. Começa com um tipo de riff silencioso que certeza bandas como Tool e Opeth também usariam. Depois o riff fica mais pesado quando a bateria entra. O refrão é mais leve do que se pode esperar da música, mas feito em um excelente trabalho vocal de Steven Wilson. Confesso que nunca entendi muito bem sobre o que essa música está falando, mas creio que seja sobre as coisas que desmoronam em sua vida. Belíssimo momento rock and roll do álbum.

“Start Of Something Beautiful” traz um humor que eu gosto bastante. É suave, brilhante e feliz em um único pacote. A melhor parte da música sem dúvida alguma é a sua passagem instrumental que se ajusta próximo dos cinco minutos, uma melodia assombrosa de piano que remete a belíssimos momentos eternizados no progressivo 70’s, pelo Genesis, por exemplo. Uma faixa bastante forte e sinfônica em uma entrega musical emocionante.

“Glass Arm Shattering” é a última música do álbum. Uma forma perfeita de encerramento por toda a viagem musical abordada no disco. Começa com algumas guitarras estáticas e então alguns sintetizadores espaciais também entram antes que Steve Wilson comece a cantar com vocais bem relaxantes de se ouvir. A faixa progride bastante bem com um ótimo piano. Depois de uma seção mais pesada a música termina de maneira mais ou menos como começou.

Deadwing é um daqueles registros de efeito duradouro e que parece que melhorar a cada audição. Um dos melhores discos de uma das melhores bandas surgidas nos últimos vinte e cinco anos. Excelente produção, composições e performances de qualidade. Muitos belos elementos e lindas atmosferas pra fornecer os jarros emocionais que as músicas muitas vezes necessitam. Enfim, um registro imperdível. 

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