Bem-vindo ao 80 Minutos

Nós amamos música e adoramos compartilhar nossas avaliações sobre os álbuns de nossas bandas favoritas.

  • Últimas Notas de Anno Domini High Definition
  • Últimas Notas de Anno Domini High Definition

Resenha: Riverside - Anno Domini High Definition (2009)

Por: Tiago Meneses

Acessos: 160

Compartilhar:

Facebook Twitter Google +
User Photo
Album Cover
Musicalmente técnico, mas também bastante emocional
4.5
01/10/2017

Em seus três primeiros álbuns, a Riverside soava com uma banda de rock progressivo altamente agradável e que misturava elementos de bandas como Porcupine Tree, Marillion e Tool. O som era dominado por guitarra, baixo e as excelentes habilidades vocais de Mariusz Duda, que flertava ocasionalmente com o heavy metal. Os três primeiros álbuns formaram uma trilogia, onde em sua terceira parte a banda parecia já está com as ideias meio gastas. O que eu poderia esperar em seu quarto álbum? Confesso que não acreditava que pudessem fazer algo de alto nível, mas ainda bem que eu estava completamente enganado. A banda se reinventou, tudo bem que com isso poderia dividir os fãs, mas acho que ele seguiram o caminho certo e compuseram o seu melhor disco. Anno Domino High Definition é mais pesado, agitado, dinâmico e com o uso de algumas das melhores aplicações de teclado da carreira da banda. A partir daqui a banda passou a ter uma faceta mais de metal progressivo, mas sem perder as suas influências dos anos 70, muito pelo contrário, parecem mais influenciados devido a multiplicidade de sintetizadores analógicos e órgãos vintage de hammond.

A primeira música do álbum é “Hyperactive”. Inicia-se com um tema de piano que lentamente desaparece enquanto as guitarras começam a encorpar a faixa. Os sintetizadores moog tocam ao longo dos riffs de heavy metal. Depois há uma seção de chamada e resposta entre vocais e instrumentação pesada. Uma ponte possui mais sintetizadores de hammond e mini-moog e o clímax da música é um solo de sintetizador analógico apoiado por um pesado riff de metal.

"Driven to Destruction" é uma faixa mais descontraída com toneladas e toneladas de nuances sutis que se pode continuar a descobrir com cada nova audição. Começa com uma linha de baixo, sintetizadores sujos e grossos até transitar para uma seção de influência latina com uma linha de piano exótica. A habilidade técnica presente nas notas fantasmas na bateria é suficiente para que eu possa dizer que o Riverside é um dos atos mais talentosos e menos óbvios em toda a música progressiva moderna. A variedade das linhas vocais de Mariusz Duda também mantém as coisas sempre interessantes e frescas.

Ao contrário do que houve nas duas primeiras faixas, em "Edoist Hedonist" não fui pego logo de cara, mas fui mudando de opinião conforme ouvi o álbum mais vezes. Tem tantas texturas e modos diferentes que você não pode deixar de ficar fascinado com a forma como ela realmente funciona como uma faixa coesa. Os sintetizadores semelhantes a Keith Emerson introduzem e terminam a seção de metais. Essa é inclusive uma parte bastante divertida, com trompa e linhas de baixo saltitantes alternando com partes mais pesadas com uma melodia de sintetizador muito eficaz. Novamente os teclados vintage ajudam o humor da música na sua parte mais suave. Os últimos três minutos da música tem grande influência na música do Oriente Médio.

“Left Out” é o momento mais emocionante do álbum e minha faixa favorita. Os primeiros minutos parecem influenciados pelo lado mais suave da Opeth e quase sem teclados. Novamente a variedade é a chave para que a música seja ótima. A música brevemente fica pesada por duas vezes com guitarras elétricas, execuções de órgão hammond e sintetizadores. Guitarras extremamente bem trabalhadas, baixo e bateria formam uma cozinha forte e os teclados variando entre bastante perceptíveis e atmosféricos completam de maneira perfeita a execução instrumental da música, com destaque para a parte final. Como não se pode deixar de mencionar, a interpretação vocal de Mariusz Duda é impecável.

“Hybrid Times” é com certeza a música mais desafiadora do álbum. O início é dominado por um piano elegantemente complexo e acelerado sobe ótimos vocais. O tema do piano então é interpretado por guitarras pesadas e sintetizadores. Um timbre soa semelhante a algo utilizado por Rick Wakeman. Depois de alguns minutos de metal influenciados por Dream Theater , vários teclados criam uma bela paisagem musical. Múltiplas mudanças frenéticas ocorrem durante a música, pode-se dizer que eles pretendem apresentar um resumo de cada linha progressiva feita até esse momento. Não é um tipo de música que sempre será digerível na primeira audição do ouvinte, pois sempre parece descobrir algo novo, algo diferente que deixou passar anteriormente. Depois de cerca de nove minutos de uma música tempestuosa, chega a bonança em uma passagem eletrônica  mais suave com direito a teclados vintage além de tudo ficar mais dissonante no final.

Este álbum marcou uma diferença notável na direção da escrita da Riverside. É um álbum que quebra barreiras e diz exatamente o que quer de forma concisa e despreocupada. Sem dúvida alguma que para aqueles que desconhecem a banda essa é a melhor porta de entrada. Impecável do início ao fim, musicalmente técnico, mas também bastante emocional. Recomendado pra qualquer pessoa interessada em uma banda que quebra os seus limites musicais, mas sempre bem direcionada e sem perder o foco. 

Musicalmente técnico, mas também bastante emocional
4.5
01/10/2017

Em seus três primeiros álbuns, a Riverside soava com uma banda de rock progressivo altamente agradável e que misturava elementos de bandas como Porcupine Tree, Marillion e Tool. O som era dominado por guitarra, baixo e as excelentes habilidades vocais de Mariusz Duda, que flertava ocasionalmente com o heavy metal. Os três primeiros álbuns formaram uma trilogia, onde em sua terceira parte a banda parecia já está com as ideias meio gastas. O que eu poderia esperar em seu quarto álbum? Confesso que não acreditava que pudessem fazer algo de alto nível, mas ainda bem que eu estava completamente enganado. A banda se reinventou, tudo bem que com isso poderia dividir os fãs, mas acho que ele seguiram o caminho certo e compuseram o seu melhor disco. Anno Domino High Definition é mais pesado, agitado, dinâmico e com o uso de algumas das melhores aplicações de teclado da carreira da banda. A partir daqui a banda passou a ter uma faceta mais de metal progressivo, mas sem perder as suas influências dos anos 70, muito pelo contrário, parecem mais influenciados devido a multiplicidade de sintetizadores analógicos e órgãos vintage de hammond.

A primeira música do álbum é “Hyperactive”. Inicia-se com um tema de piano que lentamente desaparece enquanto as guitarras começam a encorpar a faixa. Os sintetizadores moog tocam ao longo dos riffs de heavy metal. Depois há uma seção de chamada e resposta entre vocais e instrumentação pesada. Uma ponte possui mais sintetizadores de hammond e mini-moog e o clímax da música é um solo de sintetizador analógico apoiado por um pesado riff de metal.

"Driven to Destruction" é uma faixa mais descontraída com toneladas e toneladas de nuances sutis que se pode continuar a descobrir com cada nova audição. Começa com uma linha de baixo, sintetizadores sujos e grossos até transitar para uma seção de influência latina com uma linha de piano exótica. A habilidade técnica presente nas notas fantasmas na bateria é suficiente para que eu possa dizer que o Riverside é um dos atos mais talentosos e menos óbvios em toda a música progressiva moderna. A variedade das linhas vocais de Mariusz Duda também mantém as coisas sempre interessantes e frescas.

Ao contrário do que houve nas duas primeiras faixas, em "Edoist Hedonist" não fui pego logo de cara, mas fui mudando de opinião conforme ouvi o álbum mais vezes. Tem tantas texturas e modos diferentes que você não pode deixar de ficar fascinado com a forma como ela realmente funciona como uma faixa coesa. Os sintetizadores semelhantes a Keith Emerson introduzem e terminam a seção de metais. Essa é inclusive uma parte bastante divertida, com trompa e linhas de baixo saltitantes alternando com partes mais pesadas com uma melodia de sintetizador muito eficaz. Novamente os teclados vintage ajudam o humor da música na sua parte mais suave. Os últimos três minutos da música tem grande influência na música do Oriente Médio.

“Left Out” é o momento mais emocionante do álbum e minha faixa favorita. Os primeiros minutos parecem influenciados pelo lado mais suave da Opeth e quase sem teclados. Novamente a variedade é a chave para que a música seja ótima. A música brevemente fica pesada por duas vezes com guitarras elétricas, execuções de órgão hammond e sintetizadores. Guitarras extremamente bem trabalhadas, baixo e bateria formam uma cozinha forte e os teclados variando entre bastante perceptíveis e atmosféricos completam de maneira perfeita a execução instrumental da música, com destaque para a parte final. Como não se pode deixar de mencionar, a interpretação vocal de Mariusz Duda é impecável.

“Hybrid Times” é com certeza a música mais desafiadora do álbum. O início é dominado por um piano elegantemente complexo e acelerado sobe ótimos vocais. O tema do piano então é interpretado por guitarras pesadas e sintetizadores. Um timbre soa semelhante a algo utilizado por Rick Wakeman. Depois de alguns minutos de metal influenciados por Dream Theater , vários teclados criam uma bela paisagem musical. Múltiplas mudanças frenéticas ocorrem durante a música, pode-se dizer que eles pretendem apresentar um resumo de cada linha progressiva feita até esse momento. Não é um tipo de música que sempre será digerível na primeira audição do ouvinte, pois sempre parece descobrir algo novo, algo diferente que deixou passar anteriormente. Depois de cerca de nove minutos de uma música tempestuosa, chega a bonança em uma passagem eletrônica  mais suave com direito a teclados vintage além de tudo ficar mais dissonante no final.

Este álbum marcou uma diferença notável na direção da escrita da Riverside. É um álbum que quebra barreiras e diz exatamente o que quer de forma concisa e despreocupada. Sem dúvida alguma que para aqueles que desconhecem a banda essa é a melhor porta de entrada. Impecável do início ao fim, musicalmente técnico, mas também bastante emocional. Recomendado pra qualquer pessoa interessada em uma banda que quebra os seus limites musicais, mas sempre bem direcionada e sem perder o foco. 

Sample photo

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Mais Resenhas de Riverside

Album Cover

Riverside - Wasteland (2018)

Descarregando as emoções para seguir adiante
4
Por: André Luiz Paiz
16/10/2018

Quer Mais?

Veja as nossas recomendações:

Album Cover

Sieges Even - The Art Of Navigating By The Stars (2005)

Metal progressivo de sonoridade mais inventiva e suave.
4.5
Por: Tiago Meneses
04/11/2017
Album Cover

Secret Sphere - Portrait Of A Dying Heart (2012)

O Retrato de Um Coração Moribundo, com uma trilha sonora poderosa e marcante!
5
Por: João Paulo
05/11/2018
Album Cover

Dream Theater - Octavarium (2005)

Entre falhas e um épico grandioso, boas músicas e integridade artística
3.5
Por: Tiago Meneses
30/10/2018