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Resenha: The Cure - Seventeen Seconds (1980)

Por: Tarcisio Lucas

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Bem mais que 17 Segundos!
4
06/12/2018

É muito difícil falar sobre o The Cure. Primeiramente por que a própria banda odeia a alcunha de "banda gótica", e uma boa parte da discografia do conjunto realmente justifica tal atitude. 
No entanto, aquela parte da discografia do grupo que é gótica, é música gótica até o osso! E é justamente nesse lado "dark" que se encaixa esse "Seventeen Seconds".

Sendo esse o segundo disco lançado, o som apresentado ainda se mostrava um tanto quanto incerto, não por falta de maturidade, mas por ainda não ter aquela sutileza e cuidado sem pressa que se tornariam marcas registradas do The Cure em álbuns como "Disintegration", Kiss me Kiss Me", entre outros. Apesar da obscuridade das músicas, há um clima de urgência em 17 Seconds que é facilmente percebido logo após a intro "A Reflection", com a música "Play for Today", com sua bateria quase militar e seus timbres totalmente oitentistas.
Não poderiam ter escolhido música melhor para iniciarem os trabalhos do disco, e o que se segue é um desdobramento e desenvolvimento do que é apresentado aqui.
"Secrets" , que se segue, já contém o clima de pressa com uma interpretação vocal abafada, etérea. Trata-se de uma música claustrofóbica, sombria e enigmática. A bateria é tão reta que parece estar sendo tocada por um robô, e dentro do contexto da canção, isso não é uma crítica, e sim um elogio; era justamente essa abordagem rítmica que a musica pedia.
"Secrets" também aposta em outra característica do The Cure ao longo de sua carreira: uso do teclado de forma minimalista, que acrescenta profundidade e expande o clima criado. Pena que o teclado apareça bem pouco nesse álbum. 
Falar da música do The Cure é falar de climas. Poucas bandas conseguem criar um clima tão palpável em sua  sonoridade como o grupo capitaneado pelo vocalista Robert Smith.
Na música "In Your House", o conjunto encontra aquela calma soturna que tanto faz a alegria dos fãs da fase dark. Essa musica poderia estar presente em um "Disintegration", por exemplo. Aqui algumas sequências harmônicas inusitadas são colocadas propositadamente para quebrar a falsa sensação de estabilidade que a própria harmonia sugere previamente.
"Three" e "The Final Sound" vem para colocar trevas e mostrar que nada nesse álbum (e segundo a filosofia do The Cure, nada nesse mundo) é estável. Tratam-se de duas vinhetas, com harmonias queparecem saídas de vídeos encontrados na Deep Web.
E aí somos presenteados com "A Forest", na minha opinião o primeiro grande momento dentro do que a banda havia entregado até então em sua carreira. 
Essa música arranca sorrisos de qualquer gótico que a escute (se não, você precisa repensar seus conceitos...).
O vocal parece ser cantado dentro de uma caverna, há séculos de distância. Aliás, abro um adendo para falar um pouco sobre o vocal de Robert Smith. O cara é um fenômeno. Simples assim. Dotado de um vocal até certo ponto limitado em sua tessitura (nome técnico que marca as diferenças entre a nota mais grave e a mais aguda que ele é capaz de alcançar), o cara, além de possuir um timbre absurdamente intrigante, coloca um peso emocional em cada silaba que canta, uma coisa que beira o hipnotizante. Um dos vocalistas mais emblemáticos da história do rock, não há duvidas.
"M" traz aquelas linhas de baixo minimalistas que tanto amamos no The Cure, outra música memorável, com uma letra que deve ser evitada por pessoas em crises depressivas ou em fim de relacionamentos amorosos.
"At Night" segue a toada vampiresca noite adentro, com guitarras saturadas e uma série de timbres esquisitos, criando um clima que chega a ser assustador, quebrado apenas pela delicadeza da interpretação vocal de Robert. Uma música de contrastes.
E finalmente chegamos á musica "Seventeen Seconds", o grand finale do álbum, com versos do gabarito de "Seventeen Seconds, a measure of life (Dezesete segundos, uma medida da vida)" Aliás, curiosamente, a letra da música lembra, e MUITO, o poema "E Agora, José?", do grande poeta Drummond de Andrade. Eis aqui um trecho da letra:

"O Tempo acaba
E a luz começa a enfraquecer
E tudo está quieto agora
O sentimento se foi
E a foto desaparece
E tudo é frio agora
O sonho teve que acabar
O desejo nunca se realizou
E a garota
Começa a cantar"

Isso é poesia, de qualidade,  e sempre foi assim com as letras do grupo.

Caso não tenha ficado claro o que penso do disco, digo aqui sem ressalvas: é um disco maravilhoso, complexo em sua proposta e simples em sua execução. Um registro que a banda deve se orgulhar, bem como os seus fãs.

Bem mais que 17 Segundos!
4
06/12/2018

É muito difícil falar sobre o The Cure. Primeiramente por que a própria banda odeia a alcunha de "banda gótica", e uma boa parte da discografia do conjunto realmente justifica tal atitude. 
No entanto, aquela parte da discografia do grupo que é gótica, é música gótica até o osso! E é justamente nesse lado "dark" que se encaixa esse "Seventeen Seconds".

Sendo esse o segundo disco lançado, o som apresentado ainda se mostrava um tanto quanto incerto, não por falta de maturidade, mas por ainda não ter aquela sutileza e cuidado sem pressa que se tornariam marcas registradas do The Cure em álbuns como "Disintegration", Kiss me Kiss Me", entre outros. Apesar da obscuridade das músicas, há um clima de urgência em 17 Seconds que é facilmente percebido logo após a intro "A Reflection", com a música "Play for Today", com sua bateria quase militar e seus timbres totalmente oitentistas.
Não poderiam ter escolhido música melhor para iniciarem os trabalhos do disco, e o que se segue é um desdobramento e desenvolvimento do que é apresentado aqui.
"Secrets" , que se segue, já contém o clima de pressa com uma interpretação vocal abafada, etérea. Trata-se de uma música claustrofóbica, sombria e enigmática. A bateria é tão reta que parece estar sendo tocada por um robô, e dentro do contexto da canção, isso não é uma crítica, e sim um elogio; era justamente essa abordagem rítmica que a musica pedia.
"Secrets" também aposta em outra característica do The Cure ao longo de sua carreira: uso do teclado de forma minimalista, que acrescenta profundidade e expande o clima criado. Pena que o teclado apareça bem pouco nesse álbum. 
Falar da música do The Cure é falar de climas. Poucas bandas conseguem criar um clima tão palpável em sua  sonoridade como o grupo capitaneado pelo vocalista Robert Smith.
Na música "In Your House", o conjunto encontra aquela calma soturna que tanto faz a alegria dos fãs da fase dark. Essa musica poderia estar presente em um "Disintegration", por exemplo. Aqui algumas sequências harmônicas inusitadas são colocadas propositadamente para quebrar a falsa sensação de estabilidade que a própria harmonia sugere previamente.
"Three" e "The Final Sound" vem para colocar trevas e mostrar que nada nesse álbum (e segundo a filosofia do The Cure, nada nesse mundo) é estável. Tratam-se de duas vinhetas, com harmonias queparecem saídas de vídeos encontrados na Deep Web.
E aí somos presenteados com "A Forest", na minha opinião o primeiro grande momento dentro do que a banda havia entregado até então em sua carreira. 
Essa música arranca sorrisos de qualquer gótico que a escute (se não, você precisa repensar seus conceitos...).
O vocal parece ser cantado dentro de uma caverna, há séculos de distância. Aliás, abro um adendo para falar um pouco sobre o vocal de Robert Smith. O cara é um fenômeno. Simples assim. Dotado de um vocal até certo ponto limitado em sua tessitura (nome técnico que marca as diferenças entre a nota mais grave e a mais aguda que ele é capaz de alcançar), o cara, além de possuir um timbre absurdamente intrigante, coloca um peso emocional em cada silaba que canta, uma coisa que beira o hipnotizante. Um dos vocalistas mais emblemáticos da história do rock, não há duvidas.
"M" traz aquelas linhas de baixo minimalistas que tanto amamos no The Cure, outra música memorável, com uma letra que deve ser evitada por pessoas em crises depressivas ou em fim de relacionamentos amorosos.
"At Night" segue a toada vampiresca noite adentro, com guitarras saturadas e uma série de timbres esquisitos, criando um clima que chega a ser assustador, quebrado apenas pela delicadeza da interpretação vocal de Robert. Uma música de contrastes.
E finalmente chegamos á musica "Seventeen Seconds", o grand finale do álbum, com versos do gabarito de "Seventeen Seconds, a measure of life (Dezesete segundos, uma medida da vida)" Aliás, curiosamente, a letra da música lembra, e MUITO, o poema "E Agora, José?", do grande poeta Drummond de Andrade. Eis aqui um trecho da letra:

"O Tempo acaba
E a luz começa a enfraquecer
E tudo está quieto agora
O sentimento se foi
E a foto desaparece
E tudo é frio agora
O sonho teve que acabar
O desejo nunca se realizou
E a garota
Começa a cantar"

Isso é poesia, de qualidade,  e sempre foi assim com as letras do grupo.

Caso não tenha ficado claro o que penso do disco, digo aqui sem ressalvas: é um disco maravilhoso, complexo em sua proposta e simples em sua execução. Um registro que a banda deve se orgulhar, bem como os seus fãs.

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