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    Lost Symphony (2011)

    5 Por: Tiago Meneses

Resenha: Karfagen - Lost Symphony (2011)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Uma bela mistura entre o jazz, o clássico, o folk e o rock sinfônico
5
05/12/2018

Se comparado ao que a banda havia feito nos seus três discos anteriores, Lost Symphony não é apenas um grande passo a frente, mas um verdadeiro salto. Karfagen, um dos projetos liderado pelo brilhante multi-instrumentista ucraniano, Antony Kalugin, apresenta uma música com uma riqueza ainda não vista até aquele momento. O álbum é completamente instrumental e praticamente todas as composições podem ser vistas como destaque. O ouvinte pode esperar um som sinfônico bombástico e pesado por conta do título do disco, mas o que é apresentado é uma sinfonia de sutilezas. Outro bom conselho que dou é que o álbum seja ouvido algumas vezes para que haja toda uma captação sobre a estrutura dele. Todas as composições fluem extremamente bem uma para a outra. Uma vez que o ouvinte tenha adquirido o gosto pelo disco, é difícil parar de ouvir, sendo que em cada audição tem como descobrir algo novo, novos sons ao fundo, ou detalhes que não foram notados antes nos arranjos que são todos eles meticulosamente trabalhados. 

Para conseguir essa sonoridade tão variada, Antony  Kalugin mais uma vez se cercou de uma pequena orquestra de excelentes músicos, além de uma pequena banda padrão, formada por guitarras, teclados, baixo e bateria. Pode-se também desfrutar de uma pequena seção de cordas e uma seção luxuosa de sopro, composta por uma flauta, um oboé e um fagote. Como um elemento folclórico extra, um bayan, um tipo de acordeão russo/ucraniano é adicionado à formação. Como mencionado, não há vocais neste álbum, e eu não acho que palavras seriam necessárias aqui. A eloquência está na música.

O som do Karfagen sempre esteve firmemente enraizado na música folclórica ucraniana, o que dá à banda um som muito característico. A música é muito melodiosa e mistura de uma maneira bonita o jazz, o clássico, o folk e o rock sinfônico em uma bela paisagem musical parecida com um conto de fadas.

Após uma breve introdução ao teclado que dá início ao disco com “Entering The Space Gates”, a música do disco evolui pra um ritmo acelerado e sólido, "Salvatore & His Leather Jackets", uma composição muito atraente, mostrando de imediato os muitos aspectos musicais que a Karfagen tem para oferecer.

“Orgaria (scene 1)” apresenta um curto órgão de interlúdio que logo nos leva a bela e sinfônica, “Cosmic Frog & The Beast". Ambas as partes de guitarra elétrica e acústica tocadas por Alexandr Pavlov também valem a pena serem mencionadas. As melodias suaves tocadas pelo fagote me fizeram inconscientemente pensar em "Papillon" da banda italiana Latte e Miele. É um milagre que tantas melodias fluentes e atraentes se encaixem em um espaço de tempo tão curto. Os sons de teclado bem escolhidos nunca são intrusivos e conectam todas as seções desta composição clássica moderna, que termina com um acorde suave tocado pelos ventos.

“The China Wizard” possui um maravilhoso toque de violão clássico onde cada nota parece ser escolhida minunciosamente. Algumas batidas de fundo o acompanham até que a música fica mais sinfônica, momento belíssimo. “Sylph” mostra que a serenidade no disco permeia com lindas linhas de guitarra, baixo e bateria que crescem em determinado momento, assim como a participação dos sempre brilhantes teclados de Antony. Tem um final mais forte com coro e solo de guitarra e uma belíssima e emocionante atmosfera sinfônica. “Daydream” traz no seu início um clima bastante pastoral. Antony cria um clima de fundo soberbo para o violão que lidera a canção. Sem muito mais o que dizer, linda do começo ao fim. 

“Orgaria (scene 2)” é apenas mais um interlúdio calcado em órgão que antecede o épico, “Journey Through The Looking Glass". Uma incrível e enorme aventura musical, com várias mudanças de tempos. As melodias acústicas sutis são frequentemente alternadas por intervenções mais sólidas, apoiadas por uma seção rítmica muito eficaz. A excelente flauta tocada por Vasya Ivanov me remete e muito a banda húngara Solaris em seu disco clássico The Martian Chronicles, inclusive eu acho que que os fãs dessa banda e que não conhecem esse trabalho aqui, ficarão bastante satisfeitos com este álbum do Karfagen. O bayan cuidadosamente colocado nos arranjos dá a esta composição apenas sua unicidade necessária. Mais uma vez, os sons sutis do teclado de Antony Kalugin estão intimamente entrelaçados com os vários instrumentos de sopro, violinos e violoncelo.

O outro épico do álbum é “The Symphony Of Sound” e que traz um pouco de pleonasmo em seu nome. Na verdade foi adicionada ao disco inclusive como uma faixa bônus (algo que eu inclusive queria entender o porquê). Boa arte do seu arranjo foi apagado e a banda quase a perdeu, mas ainda bem que pode ser reconstituída graças a um mix de áudio. É bastante sólida onde o teclado é o que há de mais notável durante os seus quase vinte minutos. “Afterwords” finaliza o disco através de uma orquestração muito bela e com menos de três minutos. Na verdade eu nem sei se era necessária no disco, mas também não compromete. 

Um disco de gravação muito bem feita, o som tem uma ótima transparência, destacando assim todos os detalhes dos arranjos. Kalugin alcançou com seu Lost Symphony um álbum que agradará a todos os que curtem ouvir música e seus detalhes, particularmente eu recomendaria este álbum para fãs de artistas como Pekka Pohjola, Solaris, Mike Oldfield e Latte & Miele, mas saindo de um publico específico, o faria simplesmente para qualquer um daqueles que realmente amam boa música.

Uma bela mistura entre o jazz, o clássico, o folk e o rock sinfônico
5
05/12/2018

Se comparado ao que a banda havia feito nos seus três discos anteriores, Lost Symphony não é apenas um grande passo a frente, mas um verdadeiro salto. Karfagen, um dos projetos liderado pelo brilhante multi-instrumentista ucraniano, Antony Kalugin, apresenta uma música com uma riqueza ainda não vista até aquele momento. O álbum é completamente instrumental e praticamente todas as composições podem ser vistas como destaque. O ouvinte pode esperar um som sinfônico bombástico e pesado por conta do título do disco, mas o que é apresentado é uma sinfonia de sutilezas. Outro bom conselho que dou é que o álbum seja ouvido algumas vezes para que haja toda uma captação sobre a estrutura dele. Todas as composições fluem extremamente bem uma para a outra. Uma vez que o ouvinte tenha adquirido o gosto pelo disco, é difícil parar de ouvir, sendo que em cada audição tem como descobrir algo novo, novos sons ao fundo, ou detalhes que não foram notados antes nos arranjos que são todos eles meticulosamente trabalhados. 

Para conseguir essa sonoridade tão variada, Antony  Kalugin mais uma vez se cercou de uma pequena orquestra de excelentes músicos, além de uma pequena banda padrão, formada por guitarras, teclados, baixo e bateria. Pode-se também desfrutar de uma pequena seção de cordas e uma seção luxuosa de sopro, composta por uma flauta, um oboé e um fagote. Como um elemento folclórico extra, um bayan, um tipo de acordeão russo/ucraniano é adicionado à formação. Como mencionado, não há vocais neste álbum, e eu não acho que palavras seriam necessárias aqui. A eloquência está na música.

O som do Karfagen sempre esteve firmemente enraizado na música folclórica ucraniana, o que dá à banda um som muito característico. A música é muito melodiosa e mistura de uma maneira bonita o jazz, o clássico, o folk e o rock sinfônico em uma bela paisagem musical parecida com um conto de fadas.

Após uma breve introdução ao teclado que dá início ao disco com “Entering The Space Gates”, a música do disco evolui pra um ritmo acelerado e sólido, "Salvatore & His Leather Jackets", uma composição muito atraente, mostrando de imediato os muitos aspectos musicais que a Karfagen tem para oferecer.

“Orgaria (scene 1)” apresenta um curto órgão de interlúdio que logo nos leva a bela e sinfônica, “Cosmic Frog & The Beast". Ambas as partes de guitarra elétrica e acústica tocadas por Alexandr Pavlov também valem a pena serem mencionadas. As melodias suaves tocadas pelo fagote me fizeram inconscientemente pensar em "Papillon" da banda italiana Latte e Miele. É um milagre que tantas melodias fluentes e atraentes se encaixem em um espaço de tempo tão curto. Os sons de teclado bem escolhidos nunca são intrusivos e conectam todas as seções desta composição clássica moderna, que termina com um acorde suave tocado pelos ventos.

“The China Wizard” possui um maravilhoso toque de violão clássico onde cada nota parece ser escolhida minunciosamente. Algumas batidas de fundo o acompanham até que a música fica mais sinfônica, momento belíssimo. “Sylph” mostra que a serenidade no disco permeia com lindas linhas de guitarra, baixo e bateria que crescem em determinado momento, assim como a participação dos sempre brilhantes teclados de Antony. Tem um final mais forte com coro e solo de guitarra e uma belíssima e emocionante atmosfera sinfônica. “Daydream” traz no seu início um clima bastante pastoral. Antony cria um clima de fundo soberbo para o violão que lidera a canção. Sem muito mais o que dizer, linda do começo ao fim. 

“Orgaria (scene 2)” é apenas mais um interlúdio calcado em órgão que antecede o épico, “Journey Through The Looking Glass". Uma incrível e enorme aventura musical, com várias mudanças de tempos. As melodias acústicas sutis são frequentemente alternadas por intervenções mais sólidas, apoiadas por uma seção rítmica muito eficaz. A excelente flauta tocada por Vasya Ivanov me remete e muito a banda húngara Solaris em seu disco clássico The Martian Chronicles, inclusive eu acho que que os fãs dessa banda e que não conhecem esse trabalho aqui, ficarão bastante satisfeitos com este álbum do Karfagen. O bayan cuidadosamente colocado nos arranjos dá a esta composição apenas sua unicidade necessária. Mais uma vez, os sons sutis do teclado de Antony Kalugin estão intimamente entrelaçados com os vários instrumentos de sopro, violinos e violoncelo.

O outro épico do álbum é “The Symphony Of Sound” e que traz um pouco de pleonasmo em seu nome. Na verdade foi adicionada ao disco inclusive como uma faixa bônus (algo que eu inclusive queria entender o porquê). Boa arte do seu arranjo foi apagado e a banda quase a perdeu, mas ainda bem que pode ser reconstituída graças a um mix de áudio. É bastante sólida onde o teclado é o que há de mais notável durante os seus quase vinte minutos. “Afterwords” finaliza o disco através de uma orquestração muito bela e com menos de três minutos. Na verdade eu nem sei se era necessária no disco, mas também não compromete. 

Um disco de gravação muito bem feita, o som tem uma ótima transparência, destacando assim todos os detalhes dos arranjos. Kalugin alcançou com seu Lost Symphony um álbum que agradará a todos os que curtem ouvir música e seus detalhes, particularmente eu recomendaria este álbum para fãs de artistas como Pekka Pohjola, Solaris, Mike Oldfield e Latte & Miele, mas saindo de um publico específico, o faria simplesmente para qualquer um daqueles que realmente amam boa música.

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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