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Resenha: Larry Coryell - Spaces (1970)

Por: Márcio Chagas

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Clássico essencial do fusion!
5
02/12/2018

Larry Coryell surgiu no final dos anos 60 apresentando um estilo até então singular: O músico misturava o furor e a dinâmica do rock and roll com o improviso do jazz para criar seu estilo urgente e sincopado. Sua guitarra soava feroz, ágil, tensa. Sua técnica era formada  por pausas seguidos de fraseados eletrizantes, em uma mistura de jazz, rock, psicodelia, pitadas de soul e improvisos cheios de groove.

Isso ficou claro desde o  seu primeiro trabalho auto-intitulado em 1969. Porém, guitarrista não sabia dosar suas influências com perfeição, pendendo mais para um ou outro estilo na elaboração dos temas.

Somente em seu terceiro trabalho solo que Coryell encontrou definitivamente sua musicalidade, misturando mais homogeneamente as sonoridades e deixando seu lado rockeiro mais controlado. Parece-me que o musico tinha bastante segurança quanto uma técnica uma vez que chamou para este disco ninguém menos que John Mclaughlin, um dos maiores guitarristas do estilo para tocar ao seu lado e dividir as linhas do instrumento. Fato raro na época.

Para gravar o disco, o grupo montado por Larry contava, além do citado McLaughlin, Chick Corea, Miroslav Vitous e Billy Cobham. Cada um deles era ou seria depois grandes expoentes do fusion, integrando grupos seminais e liderando bandas como solistas. McLaughlin já tinha iniciado sua carreira solo, além de ter integrado respectivamente as bandas de Tony Williams e Miles Davis. Corea, além de também possuir disco solo, era o mentor do Return to Forever e tecladista do grupo de Miles. Miroslav participou da fundação do combo Weather Report, e Billy Cobham foi o baterista da banda criada por McLaughlin. Com esta seleção de músicos, Coryell entrou em estúdio para a gravação de “Spaces”.
 
 “Spaces (Infinity)”, a faixa titulo se inicia com o contrabaixo de Vitous no arco, amparado por  acordes esparsos de McLaughlin, que abre caminho  para os solos sincopados de Coryell. A concepção de Cobhan em seu instrumento é essencial para o desenvolvimento complexo do tema. Vem dele as nuances e mudanças no andamento da canção que é a mais longa do disco com seus mais de nove minutos;

“Rene´s Theme”, vem em seguida, com Coryell utilizando de seu violão e fazendo um duo quase telepático com Mclaughlin. Interessante como os dois guitarristas se completavam cada qual em seu estilo;

A terceira canção, "Gloria's Step", é um tema composto pelo genial Scott LaFaro, baixista do mítico trio de Bill Evans. Aqui Vitous volta a utilizar o baixo com arco, sendo que os demais músicos conseguem uma unidade do tema se utilizando de notas esparsas e bem colocadas. Um arranjo soberbo, onde o principal objetivo de cada um é valorizar a canção. Coryell é destaque com sua guitarra jazzy cheia de groove;
A quarta faixa, “Wrong is Right”, se inicia com um pequeno duo entre guitarra e baixo. A bateria de Cobhan se mostra precisa na condução e Miroslav se destaca mais uma vez. Mclaughlin e Corea fazem um trabalho coadjuvante, mas não menos genial

“Chris”, é um tema que se inicia lento, a Guitarra de Larry soa mais suave realizando um bom contraponto com o piano de Corea, que se torna essencial na construção da canção, uma vez que seu instrumento é o responsável por unir os demais músicos, sendo o fio condutor da canção. Os demais instrumentos vão aparecendo naturalmente durante o tema, como se já estivessem ali e o ouvinte nem percebesse sua entrada. 
	
 O disco se encerra com “New Year's Day in Los Angeles 1968”, na verdade uma vinheta de apenas 20 segundos que encerra o trabalho.

A álbum foi lançado em março de 1970, e além de ajudar a consolidar o estilo denominado fusion, foi determinante para catapultar a carreira do guitarrista, que foi elevado a um dos fundadores do chamado jazz rock. “Spaces” é um clássico do fusion e seu único defeito é ter apenas 37 minutos.

Clássico essencial do fusion!
5
02/12/2018

Larry Coryell surgiu no final dos anos 60 apresentando um estilo até então singular: O músico misturava o furor e a dinâmica do rock and roll com o improviso do jazz para criar seu estilo urgente e sincopado. Sua guitarra soava feroz, ágil, tensa. Sua técnica era formada  por pausas seguidos de fraseados eletrizantes, em uma mistura de jazz, rock, psicodelia, pitadas de soul e improvisos cheios de groove.

Isso ficou claro desde o  seu primeiro trabalho auto-intitulado em 1969. Porém, guitarrista não sabia dosar suas influências com perfeição, pendendo mais para um ou outro estilo na elaboração dos temas.

Somente em seu terceiro trabalho solo que Coryell encontrou definitivamente sua musicalidade, misturando mais homogeneamente as sonoridades e deixando seu lado rockeiro mais controlado. Parece-me que o musico tinha bastante segurança quanto uma técnica uma vez que chamou para este disco ninguém menos que John Mclaughlin, um dos maiores guitarristas do estilo para tocar ao seu lado e dividir as linhas do instrumento. Fato raro na época.

Para gravar o disco, o grupo montado por Larry contava, além do citado McLaughlin, Chick Corea, Miroslav Vitous e Billy Cobham. Cada um deles era ou seria depois grandes expoentes do fusion, integrando grupos seminais e liderando bandas como solistas. McLaughlin já tinha iniciado sua carreira solo, além de ter integrado respectivamente as bandas de Tony Williams e Miles Davis. Corea, além de também possuir disco solo, era o mentor do Return to Forever e tecladista do grupo de Miles. Miroslav participou da fundação do combo Weather Report, e Billy Cobham foi o baterista da banda criada por McLaughlin. Com esta seleção de músicos, Coryell entrou em estúdio para a gravação de “Spaces”.
 
 “Spaces (Infinity)”, a faixa titulo se inicia com o contrabaixo de Vitous no arco, amparado por  acordes esparsos de McLaughlin, que abre caminho  para os solos sincopados de Coryell. A concepção de Cobhan em seu instrumento é essencial para o desenvolvimento complexo do tema. Vem dele as nuances e mudanças no andamento da canção que é a mais longa do disco com seus mais de nove minutos;

“Rene´s Theme”, vem em seguida, com Coryell utilizando de seu violão e fazendo um duo quase telepático com Mclaughlin. Interessante como os dois guitarristas se completavam cada qual em seu estilo;

A terceira canção, "Gloria's Step", é um tema composto pelo genial Scott LaFaro, baixista do mítico trio de Bill Evans. Aqui Vitous volta a utilizar o baixo com arco, sendo que os demais músicos conseguem uma unidade do tema se utilizando de notas esparsas e bem colocadas. Um arranjo soberbo, onde o principal objetivo de cada um é valorizar a canção. Coryell é destaque com sua guitarra jazzy cheia de groove;
A quarta faixa, “Wrong is Right”, se inicia com um pequeno duo entre guitarra e baixo. A bateria de Cobhan se mostra precisa na condução e Miroslav se destaca mais uma vez. Mclaughlin e Corea fazem um trabalho coadjuvante, mas não menos genial

“Chris”, é um tema que se inicia lento, a Guitarra de Larry soa mais suave realizando um bom contraponto com o piano de Corea, que se torna essencial na construção da canção, uma vez que seu instrumento é o responsável por unir os demais músicos, sendo o fio condutor da canção. Os demais instrumentos vão aparecendo naturalmente durante o tema, como se já estivessem ali e o ouvinte nem percebesse sua entrada. 
	
 O disco se encerra com “New Year's Day in Los Angeles 1968”, na verdade uma vinheta de apenas 20 segundos que encerra o trabalho.

A álbum foi lançado em março de 1970, e além de ajudar a consolidar o estilo denominado fusion, foi determinante para catapultar a carreira do guitarrista, que foi elevado a um dos fundadores do chamado jazz rock. “Spaces” é um clássico do fusion e seu único defeito é ter apenas 37 minutos.

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