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Resenha: Metamorfosi - Inferno (1973)

Por: Tiago Meneses

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Um álbum muito bem guiado por teclados e órgão
3.5
01/12/2018

O segundo disco da Metamorfosi, chamado Inferno, é um álbum conceitual baseado na Divina Comédia de Dante e focado obviamente na parte do Inferno onde cada uma das faixas representa um dos seus níveis. Uma viagem ao submundo, povoada por personagens e cenários do poema, mas com um toque moderno. A espiritualidade do grupo passa a ampliação primordial de uma fé sobrenatural, à denúncia concreta daqueles assuntos que estão corroendo o mundo civilizado, demonstrando, assim, não só a maturidade artística e intelectual superveniente, mas também tendo uma consciência comunicativa perfeitamente em sintonia com o tempo. Cada um dos episódios que compõem o álbum tem sua própria personalidade bem definida e adjacentes envolvente, formando um lineup de beleza sinfônica e ácida muito boa. 

O disco tem início através de “Introduzione / Selva Oscura”, um teclado e uma trilha guiada por órgão. Depois que os vocais soberbos de Spitaleri cantam pela primeira vez, as letras de abertura, os teclados entram em alta velocidade alternando entre piano e sintetizador ao lado de alguns instrumentos pesados de guitarra. Com cerca de dois minutos a música antes serena já entra em uma maior velocidade e técnica com um solo de sintetizador que continuamente se alterna com ótimos trabalhos de órgão e piano de cauda. 

A segunda faixa é, “Porta Dell'Inferno", uma música curta e que parece ser uma extensão da faixa anterior, baseada em órgão tem uma atmosfera que serve para que o ouvinte sinta-se entrando no inferno (como o seu próprio nome sugere). 

"Caronte" não é uma música muito diferente das outras duas anteriores e nesse ponto eu acho que o disco da uma escorregada, já que essas músicas encaixariam perfeitamente em uma só ao invés de serem três musicas separadas, algo inclusive comum nesse álbum. 

"Spacciatore Di Droga” já abre de uma maneira bastante intensa e explosiva. As explosões levam a um baixo jazzístico e ótimos trabalhos de órgão, depois a música entra em um vocal e peça de piano que se move em ritmo mais lento, destaque também para alguns sons de vento atmosféricos e solos de piano. Uma excelente música muitas vezes caótica e em outros pontos com um ar de bastante mistério. 

“Lussuriosi" tem uma linha barroca barroco com um cravo que cadencia a melodia por toda a música e os vocais são bastante harmoniosos em torno dela. Certamente um dos momentos mais serenos de todo o álbum. 

Mesmo sendo apenas uma das músicas curtas do álbum, "Avari" possui talvez o melhor solo de sintetizador de todo o disco. Não há muito o que dizer além disso, mas vale muito a pena os seus pouco mais de um minuto e meio. 

"Violenti" começa tranquilamente com vocais delicados, mas logo apresenta um desenvolvimento que novamente cai em um momento onde existe uma série caótica de sintetizadores. 

"Malebolge" é uma canção do tipo dança ao fogo, onde o ouvinte sente que está caindo nas profundezas do inferno. Considero ela uma das melhores músicas do disco. Mas novamente sofre em ser mais um daqueles momentos do disco onde a banda preferiu deixa-la como uma curta passagem à tê-la juntada a algo a transformando em uma música de tamanho mais natural. 

Em “Sfruttatori” a insanidade do teclado segue a todo vapor. Os vocais são mais tensos e selvagens nessa música, assim como os trabalhos das teclas que em alguns momentos soam até mesmo espaciais. O baixo final da música no final parece soar um pouco fora do lugar se comparado as linhas psicodélicas de antes. 

“Razzisti” possui umas batidas que são o principal motivo de eu não ter gostado da música inicialmente, mas com o tempo passei a acha-la interessante. Como acontece praticamente durante todo o álbum, o teclado que se destaca aqui, soando muitas vezes rígido e mais tenso que na maioria do disco. 

“Lucifero” é onde o ouvinte se encontra com o próprio Satã e tem mais daquelas melodias de órgão assombrosas que abriram o álbum. Nós nos encontramos no fundo do inferno aqui, perto do final do álbum e a performance vocal é uma das melhores, quase como se o próprio Satanás estivesse cantando. Muito bom. 

“Conclusione” como o nome sugere fecha o álbum, trata-se de simplesmente outra curta música baseada em teclado com vocais leves. Termina em um som ecoante bastante estranho, deixando o caos do submundo por trás dela. 

Apesar das numerosas canções curtas, que na minha opinião deveriam ter sido simplesmente anexadas às peças mais longas, este é um álbum muito bem guiado por teclados e órgãos, tendo alguns dos melhores desempenhos nesses instrumentos. Uma obra-prima? Não é pra tanto, mas certamente um disco de grande valor. 

Um álbum muito bem guiado por teclados e órgão
3.5
01/12/2018

O segundo disco da Metamorfosi, chamado Inferno, é um álbum conceitual baseado na Divina Comédia de Dante e focado obviamente na parte do Inferno onde cada uma das faixas representa um dos seus níveis. Uma viagem ao submundo, povoada por personagens e cenários do poema, mas com um toque moderno. A espiritualidade do grupo passa a ampliação primordial de uma fé sobrenatural, à denúncia concreta daqueles assuntos que estão corroendo o mundo civilizado, demonstrando, assim, não só a maturidade artística e intelectual superveniente, mas também tendo uma consciência comunicativa perfeitamente em sintonia com o tempo. Cada um dos episódios que compõem o álbum tem sua própria personalidade bem definida e adjacentes envolvente, formando um lineup de beleza sinfônica e ácida muito boa. 

O disco tem início através de “Introduzione / Selva Oscura”, um teclado e uma trilha guiada por órgão. Depois que os vocais soberbos de Spitaleri cantam pela primeira vez, as letras de abertura, os teclados entram em alta velocidade alternando entre piano e sintetizador ao lado de alguns instrumentos pesados de guitarra. Com cerca de dois minutos a música antes serena já entra em uma maior velocidade e técnica com um solo de sintetizador que continuamente se alterna com ótimos trabalhos de órgão e piano de cauda. 

A segunda faixa é, “Porta Dell'Inferno", uma música curta e que parece ser uma extensão da faixa anterior, baseada em órgão tem uma atmosfera que serve para que o ouvinte sinta-se entrando no inferno (como o seu próprio nome sugere). 

"Caronte" não é uma música muito diferente das outras duas anteriores e nesse ponto eu acho que o disco da uma escorregada, já que essas músicas encaixariam perfeitamente em uma só ao invés de serem três musicas separadas, algo inclusive comum nesse álbum. 

"Spacciatore Di Droga” já abre de uma maneira bastante intensa e explosiva. As explosões levam a um baixo jazzístico e ótimos trabalhos de órgão, depois a música entra em um vocal e peça de piano que se move em ritmo mais lento, destaque também para alguns sons de vento atmosféricos e solos de piano. Uma excelente música muitas vezes caótica e em outros pontos com um ar de bastante mistério. 

“Lussuriosi" tem uma linha barroca barroco com um cravo que cadencia a melodia por toda a música e os vocais são bastante harmoniosos em torno dela. Certamente um dos momentos mais serenos de todo o álbum. 

Mesmo sendo apenas uma das músicas curtas do álbum, "Avari" possui talvez o melhor solo de sintetizador de todo o disco. Não há muito o que dizer além disso, mas vale muito a pena os seus pouco mais de um minuto e meio. 

"Violenti" começa tranquilamente com vocais delicados, mas logo apresenta um desenvolvimento que novamente cai em um momento onde existe uma série caótica de sintetizadores. 

"Malebolge" é uma canção do tipo dança ao fogo, onde o ouvinte sente que está caindo nas profundezas do inferno. Considero ela uma das melhores músicas do disco. Mas novamente sofre em ser mais um daqueles momentos do disco onde a banda preferiu deixa-la como uma curta passagem à tê-la juntada a algo a transformando em uma música de tamanho mais natural. 

Em “Sfruttatori” a insanidade do teclado segue a todo vapor. Os vocais são mais tensos e selvagens nessa música, assim como os trabalhos das teclas que em alguns momentos soam até mesmo espaciais. O baixo final da música no final parece soar um pouco fora do lugar se comparado as linhas psicodélicas de antes. 

“Razzisti” possui umas batidas que são o principal motivo de eu não ter gostado da música inicialmente, mas com o tempo passei a acha-la interessante. Como acontece praticamente durante todo o álbum, o teclado que se destaca aqui, soando muitas vezes rígido e mais tenso que na maioria do disco. 

“Lucifero” é onde o ouvinte se encontra com o próprio Satã e tem mais daquelas melodias de órgão assombrosas que abriram o álbum. Nós nos encontramos no fundo do inferno aqui, perto do final do álbum e a performance vocal é uma das melhores, quase como se o próprio Satanás estivesse cantando. Muito bom. 

“Conclusione” como o nome sugere fecha o álbum, trata-se de simplesmente outra curta música baseada em teclado com vocais leves. Termina em um som ecoante bastante estranho, deixando o caos do submundo por trás dela. 

Apesar das numerosas canções curtas, que na minha opinião deveriam ter sido simplesmente anexadas às peças mais longas, este é um álbum muito bem guiado por teclados e órgãos, tendo alguns dos melhores desempenhos nesses instrumentos. Uma obra-prima? Não é pra tanto, mas certamente um disco de grande valor. 

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