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Resenha: Raul Seixas - Metrô Linha 743 (1984)

Por: Marcel Z. Dio

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Um disco mediano, com lampejos de genialidade
3
01/12/2018

Em 1984 Raul Seixas começava a cair no ostracismo, sua vida desregrada, abandono de shows e brigas com gravadoras, fecharam algumas portas, influenciando diretamente na parte criativa.
Saindo da modesta gravadora Eldorado, o compositor encontra na Som Livre, uma ponta de esperança. As participações de final de ano em programas como Os Trapalhões e Balão Mágico, renderam o contrato com a gravadora da Globo. Só que o "casamento" durou apenas um disco, e logo Raul migraria para a Copacabana, onde terminaria os seus dois últimos trabalhos solos.

A faixa homônima tenta com sucesso, emular Ouro De Tolo, mais pela forma como é cantada, ou melhor, falada. Pode-se dizer que é o rap country de Raulzito, e o tom jocoso, é na verdade, outra porrada sobre a ditadura militar.

"Messias Indeciso", muito comparada ao livro Ilusões de Richard Bach, voltava ao tema religioso. A estória cantarolada por Raul, não é complexa, e sim corajosa !!, descrevendo Jesus Cristo como um fantoche na mão dos governantes, servindo também como crítica a idolatria do povo. A chave do mistério, segundo Raul, estava na própria mensagem deixada pelo Messias: Vós sois deuses!.

O disco era cheio de canções para encher linguiça, e "Meu Piano", é a prova cabal. O ritmo é muito contagiante, mas não era Raul Seixas em essência, e sim, algo feito as pressas para atender a demanda da Som Livre e jogar logo o disco no mercado. Ficou conhecida na época, por conter "o solo mais caro do Brasil", no qual o músico Clive Stevens recebeu 3 mil dólares para fazer um solo de sax.

A Raiva do cantor não perdoava ninguém, e agora ele atacava os militares, como na insubordinada "Mamãe eu não Queria", resultando em outra música vetada pela censura.
Reparem que a mesma, tem a letra inspirada em "I Don't Wanna Be a Soldier Mama", de John Lennon.

É inegável que a chama estava se apagando, obras como "Quero Ser o Homem que Sou","Canção do Vento" e "Mas I Love You (Pra Ser Feliz)" se encolhiam diante de um passado glorioso. Ainda que magrelo barbudo tivesse lampejos de genialidade, Raul tinha um estoque menor de lenha a queimar.
Imagino a conversa do produtor da Som Livre com Raul : - Olha, a gente precisa fechar o disco logo, então faz qualquer coisa, lança uma ou duas versões de algum sucesso ai.
E assim foi feito !!, (aposto que a contragosto do maluco beleza), pois a "nova" "Eu Sou Egoísta" foi assassinada pelo próprio autor. Pior ainda, foi pataquada que fizeram com "Trem das Sete", com refrães cantados à capela ... mais desnecessário impossível !!.

A profecia em "Geração da Luz" não se cumpriu, Raul apostava na geração futura, ou fingia que apostava. Numa quase carta de despedida, o baiano via um futuro melhor, sem tolices religiosas, políticas e velhos paradigmas. E se ele soubesse que seus sucessores continuariam de mãos atadas, afagados pela fuga da alta tecnologia, teria escrito um tango nos moldes de "Cambalache".

Um disco mediano, com lampejos de genialidade
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01/12/2018

Em 1984 Raul Seixas começava a cair no ostracismo, sua vida desregrada, abandono de shows e brigas com gravadoras, fecharam algumas portas, influenciando diretamente na parte criativa.
Saindo da modesta gravadora Eldorado, o compositor encontra na Som Livre, uma ponta de esperança. As participações de final de ano em programas como Os Trapalhões e Balão Mágico, renderam o contrato com a gravadora da Globo. Só que o "casamento" durou apenas um disco, e logo Raul migraria para a Copacabana, onde terminaria os seus dois últimos trabalhos solos.

A faixa homônima tenta com sucesso, emular Ouro De Tolo, mais pela forma como é cantada, ou melhor, falada. Pode-se dizer que é o rap country de Raulzito, e o tom jocoso, é na verdade, outra porrada sobre a ditadura militar.

"Messias Indeciso", muito comparada ao livro Ilusões de Richard Bach, voltava ao tema religioso. A estória cantarolada por Raul, não é complexa, e sim corajosa !!, descrevendo Jesus Cristo como um fantoche na mão dos governantes, servindo também como crítica a idolatria do povo. A chave do mistério, segundo Raul, estava na própria mensagem deixada pelo Messias: Vós sois deuses!.

O disco era cheio de canções para encher linguiça, e "Meu Piano", é a prova cabal. O ritmo é muito contagiante, mas não era Raul Seixas em essência, e sim, algo feito as pressas para atender a demanda da Som Livre e jogar logo o disco no mercado. Ficou conhecida na época, por conter "o solo mais caro do Brasil", no qual o músico Clive Stevens recebeu 3 mil dólares para fazer um solo de sax.

A Raiva do cantor não perdoava ninguém, e agora ele atacava os militares, como na insubordinada "Mamãe eu não Queria", resultando em outra música vetada pela censura.
Reparem que a mesma, tem a letra inspirada em "I Don't Wanna Be a Soldier Mama", de John Lennon.

É inegável que a chama estava se apagando, obras como "Quero Ser o Homem que Sou","Canção do Vento" e "Mas I Love You (Pra Ser Feliz)" se encolhiam diante de um passado glorioso. Ainda que magrelo barbudo tivesse lampejos de genialidade, Raul tinha um estoque menor de lenha a queimar.
Imagino a conversa do produtor da Som Livre com Raul : - Olha, a gente precisa fechar o disco logo, então faz qualquer coisa, lança uma ou duas versões de algum sucesso ai.
E assim foi feito !!, (aposto que a contragosto do maluco beleza), pois a "nova" "Eu Sou Egoísta" foi assassinada pelo próprio autor. Pior ainda, foi pataquada que fizeram com "Trem das Sete", com refrães cantados à capela ... mais desnecessário impossível !!.

A profecia em "Geração da Luz" não se cumpriu, Raul apostava na geração futura, ou fingia que apostava. Numa quase carta de despedida, o baiano via um futuro melhor, sem tolices religiosas, políticas e velhos paradigmas. E se ele soubesse que seus sucessores continuariam de mãos atadas, afagados pela fuga da alta tecnologia, teria escrito um tango nos moldes de "Cambalache".

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