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    In The Flat Field (1980)

    4.5 Por: Tarcisio Lucas

Resenha: Bauhaus - In The Flat Field (1980)

Por: Tarcisio Lucas

Acessos: 91

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Cantos obscuros da música gótica!
4.5
30/11/2018

Dentro do gótico (ou post punk, ou dark rock, ou seja lá como você prefere se referir ao estilo), é possível dizer que algumas coisas são mais góticas do que outras. E verdade seja dita: poucas coisas conseguiram, ao longo da história, ser mais góticas do que esse “In the Flat Field” do Bauhaus.
Eis aqui o debut de uma das bandas mais originais e ousadas de todos os tempos. Era o ano de 1980 (na verdade, o álbum foi gravado um ano antes) quando um disco que contava com uma capa enigmática e um som mais enigmático ainda, extremamente obscuro, cavernoso e diferenciado atingiu o mercado musical da época com sua sonoridade sombria, timbres totalmente surreais, referências literárias e um clima de filme de terror - daqueles em preto e branco.  Nas apresentações ao vivo, o conjunto brindava seus fãs com performances absurdamente imersivas, hipnotizantes.
O que temos aqui na verdade é o primórdio de tudo que viria ser chamado de música gótica. As letras enigmáticas, os ritmos hora frenéticos hora militares, um contrabaixo totalmente hipnótico, e acima de tudo,  vocais soturnos e dramáticos. Aliás, o trabalho do vocalista Peter Murphy é primoroso, soando como se fosse uma versão vampiresca do próprio David Bowie.
O disco era tão obscuro que a própria banda decidiu produzir o trabalho. Claro, não que fosse possível encontrar muitas equipes técnicas que fossem capazes de lidar com a ousadia do conjunto.
Mas vamos deixar o estilo em si um pouco de lado e focarmos apernas nas composições em si. 

"In the Flat Field" é um disco de rock com tudo aquilo que o estilo carrega em si de transgressor e inovador. Tem momentos absurdamente pesados e densos, como na música "Dive". Possui riffs que remetem ao heavy metal "sabbatiano" (sim, eu sei, essa palavra não existe), como na musica de abertura "Double Dare". A bateria tem um peso gigantesco, ainda que mantenha ritmos sem muitas variações internas.
Verdade é que aqui temos um álbum único. Talvez o clima alcançado aqui, de claustrofobia e depressão, só tenham sido superados, dentro do estilo, pelo Joy Division em seu disco 'Closer". Aliás, "In the Flat Field" é um passeio pelas vias obscuras da psiquê humana, em toda sua complexidade e crueza.
Cumpre dizer que não é um disco fácil de se assimilado. Músicas como "In the Flat Field", "God in an Alcove" e "Stigmata Martyr" precisam de várias audições atentas para serem completamente digeridas. De certo que não é um disco para todas as horas.
Mas é um disco verdadeiro, ousado e inquieto. O fato de ter realmente  sido recebido positivamente na ocasião do seu lançamento também constitui um fato singular, afinal, destoava de tudo que estava sendo sucesso nas paradas da cena que se formava.
Além das músicas presentes, algumas edições apresentavam a música bônus "Telegram Sam".
O Bauhaus alcançou muito cedo sua identidade musical. Aqui estamos falando de seu álbum de estréia, sendo que a banda se separaria apenas 3 anos depois, em 1983, tendo lançado 4 álbuns dentro desse período,  indo se reunir novamente apenas 15 anos depois, em 1998. Em 2008 a banda lançou um disco de músicas inéditas, "Go Away White", que apesar de ter músicas interessantes, não possui aquela aura que a própria banda construiu para si.
Apesar de estar em 11 a cada 10 listas de nomes emblemáticos da música e do movimento gótico como um todo, cumpre dizer que o Bauhaus soube colocar em seu som elementos distintos, como o funk americano, a psicodelia, e até mesmo glam rock.
Mas a quem se destina esse tipo de som?
Bom, caso você não conheça a banda, saiba que um fã tipico do grupo colocaria os álbuns do mesmo ao lado de bandas como: Joy Division, Fields of Nephelim, The Cure (no começo de carreira). Talvez até mesmo The Mission e Sisters of Mercy apareçam por ali.
Também indicados para fãs de cinema alternativo, especialmente filmes obscuros em preto e branco das décadas de 40 e 50 (e não, não estou brincando, isso é sério).

Enfim, recomendado para todos que gostam de encarar desafios musicais de peito e ouvidos abertos.
Garanto que vale a pena. Vai soar estranho. Mas vai valer a pena!

Cantos obscuros da música gótica!
4.5
30/11/2018

Dentro do gótico (ou post punk, ou dark rock, ou seja lá como você prefere se referir ao estilo), é possível dizer que algumas coisas são mais góticas do que outras. E verdade seja dita: poucas coisas conseguiram, ao longo da história, ser mais góticas do que esse “In the Flat Field” do Bauhaus.
Eis aqui o debut de uma das bandas mais originais e ousadas de todos os tempos. Era o ano de 1980 (na verdade, o álbum foi gravado um ano antes) quando um disco que contava com uma capa enigmática e um som mais enigmático ainda, extremamente obscuro, cavernoso e diferenciado atingiu o mercado musical da época com sua sonoridade sombria, timbres totalmente surreais, referências literárias e um clima de filme de terror - daqueles em preto e branco.  Nas apresentações ao vivo, o conjunto brindava seus fãs com performances absurdamente imersivas, hipnotizantes.
O que temos aqui na verdade é o primórdio de tudo que viria ser chamado de música gótica. As letras enigmáticas, os ritmos hora frenéticos hora militares, um contrabaixo totalmente hipnótico, e acima de tudo,  vocais soturnos e dramáticos. Aliás, o trabalho do vocalista Peter Murphy é primoroso, soando como se fosse uma versão vampiresca do próprio David Bowie.
O disco era tão obscuro que a própria banda decidiu produzir o trabalho. Claro, não que fosse possível encontrar muitas equipes técnicas que fossem capazes de lidar com a ousadia do conjunto.
Mas vamos deixar o estilo em si um pouco de lado e focarmos apernas nas composições em si. 

"In the Flat Field" é um disco de rock com tudo aquilo que o estilo carrega em si de transgressor e inovador. Tem momentos absurdamente pesados e densos, como na música "Dive". Possui riffs que remetem ao heavy metal "sabbatiano" (sim, eu sei, essa palavra não existe), como na musica de abertura "Double Dare". A bateria tem um peso gigantesco, ainda que mantenha ritmos sem muitas variações internas.
Verdade é que aqui temos um álbum único. Talvez o clima alcançado aqui, de claustrofobia e depressão, só tenham sido superados, dentro do estilo, pelo Joy Division em seu disco 'Closer". Aliás, "In the Flat Field" é um passeio pelas vias obscuras da psiquê humana, em toda sua complexidade e crueza.
Cumpre dizer que não é um disco fácil de se assimilado. Músicas como "In the Flat Field", "God in an Alcove" e "Stigmata Martyr" precisam de várias audições atentas para serem completamente digeridas. De certo que não é um disco para todas as horas.
Mas é um disco verdadeiro, ousado e inquieto. O fato de ter realmente  sido recebido positivamente na ocasião do seu lançamento também constitui um fato singular, afinal, destoava de tudo que estava sendo sucesso nas paradas da cena que se formava.
Além das músicas presentes, algumas edições apresentavam a música bônus "Telegram Sam".
O Bauhaus alcançou muito cedo sua identidade musical. Aqui estamos falando de seu álbum de estréia, sendo que a banda se separaria apenas 3 anos depois, em 1983, tendo lançado 4 álbuns dentro desse período,  indo se reunir novamente apenas 15 anos depois, em 1998. Em 2008 a banda lançou um disco de músicas inéditas, "Go Away White", que apesar de ter músicas interessantes, não possui aquela aura que a própria banda construiu para si.
Apesar de estar em 11 a cada 10 listas de nomes emblemáticos da música e do movimento gótico como um todo, cumpre dizer que o Bauhaus soube colocar em seu som elementos distintos, como o funk americano, a psicodelia, e até mesmo glam rock.
Mas a quem se destina esse tipo de som?
Bom, caso você não conheça a banda, saiba que um fã tipico do grupo colocaria os álbuns do mesmo ao lado de bandas como: Joy Division, Fields of Nephelim, The Cure (no começo de carreira). Talvez até mesmo The Mission e Sisters of Mercy apareçam por ali.
Também indicados para fãs de cinema alternativo, especialmente filmes obscuros em preto e branco das décadas de 40 e 50 (e não, não estou brincando, isso é sério).

Enfim, recomendado para todos que gostam de encarar desafios musicais de peito e ouvidos abertos.
Garanto que vale a pena. Vai soar estranho. Mas vai valer a pena!

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