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Resenha: Supertramp - Crime Of The Century (1974)

Por: Marcel Z. Dio

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O tudo ou nada que virou clássico
5
24/11/2018

O Supertramp basicamente nasceu de um anúncio de jornal publicado por um milionário holandês, que desanimado com o insucesso de "seu" outro grupo, (o The Joint) partiu para outra aposta. E como todo empresário ansioso por retorno financeiro, as fichas de Stanley 'Sam' August Miesegaes foram jogadas no ralo outra vez, já que os dois primeiros discos, não tinham um direcionamento para o mainstream. E apesar da qualidade da dupla Rick Davies e Roger Hogdson as composições não iam para lugar nenhum, pois ainda estavam em processo de maturação. 
Com isso, Stanley decide cair fora, deixando a banda com uma grande dívida. Então, a única solução, foi reformular o Supertramp e tentar salvar o contrato com a gravadora A&M, fazendo um disco que "virasse alguma coisa". Era isso, ou a falência e encerramento das atividades.
Os remanescentes Rick e Hogdson, escolheram Dougie Thomson (baixo), Bob Siebenberg (bateria) e John Helliwell (saxofone, teclados adicionais e vocais de apoio) para fazer parte do time, e o Supertramp mudou da água pro vinho. 
As canções caminhavam pelo rock blues, pop e algumas partes mais progressivas, futuramente intercaladas em composições de Rick Davies, que cantava as mesmas, e assim funcionava com Roger Hugdson. Ainda que no começo essa divisão fosse saudável, isso gerou uma competição futura, tornando-se uma guerra de egos em disputa dos hits.

"School" (faixa de abertura) é um relato da adolescência de Roger Hogdson, e tem nas notas iniciais, um "Q" de filme de faroeste, numa típica trilha Ennio Morricone. Após a retirada das gaitas, a voz de Roger aponta o caminho que acompanharia a banda quase até o fim. E esse caminho passava pelas magistrais linhas de pianos, que por falta de um, eram dois que roubavam a cena, embora Roger desse suas escapadas para a guitarra, instrumento que dominava bem.

"Bloody Well Right" também virou hit, um forte rock and roll com pianos de sallon, cantado sobre a voz mais grave de Rick Davies.

O pianinho quase infantil de "Hide In Your Shell" esconde ou engana a primeira vista, pois Hide In Your Shell é repleta de nuances, vocais de apoio e interações pontuais de saxofone, que enriquecem de forma com que o ouvinte queira o repeteco.

"Dreamer" serve como inspiração ao sonhadores, sentimento que a banda iria experimentar pouco tempo depois, ao ver o sonho realizado de lotar estádios e ter suas músicas reconhecidas pelo mundo. Dreamer chamou o publico até no auge da banda, parece que Roger tinha uma sinergia maior com os fãs, dando a impressão que as pessoas iam mais para ouvir sua voz e composições, tanto é, que a maioria chora até hoje por sua volta.

O clima bossa/ jazz é o que ouvimos em "Rudy", mas só até a metade, pois as notas espaçadas e "dobradas" de baixo e guitarra, lhe conferem um peso extraordinário. É o arquétipo de som que modula a todo momento, com orquestrações sensacionais, que vão crescendo a medida que o ritmo acelera.

Citando apenas os destaques, se é que isso é possível, pois "Asylum", e "If Everyone Was Listening" não ficam por menos, fecho com a progressiva e estonteante faixa homônima, uma obra de arte expelidas em ondas sonoras.
Algumas partes de Crime of the Century remetem ao climático Pink Floyd, talvez seja por ela, que alguns roqueiros confundam o grupo como um legitimo representante do rock progressivo, o que é uma meia verdade. O Supertramp foi elaborado para ser uma banda de grandes arenas e sucessos radiofônicos, mesmo que pese na balança os arranjos elaborados, muito som de teclado e piano, não dá pra colocar eles no mesmo balaio de Yes, Genesis e afins, era outro conceito...

O veredito final, é que Crime of the Century está alem de rótulos musicais, por ser um clássico que eleva a música a outros níveis, misturando toda a genialidade e diferenças de seus membros. Era a cartada final, e eles conseguiram pregar o zap* na testa e ganhar a partida.






* Carta mais valiosa no jogo de truco

O tudo ou nada que virou clássico
5
24/11/2018

O Supertramp basicamente nasceu de um anúncio de jornal publicado por um milionário holandês, que desanimado com o insucesso de "seu" outro grupo, (o The Joint) partiu para outra aposta. E como todo empresário ansioso por retorno financeiro, as fichas de Stanley 'Sam' August Miesegaes foram jogadas no ralo outra vez, já que os dois primeiros discos, não tinham um direcionamento para o mainstream. E apesar da qualidade da dupla Rick Davies e Roger Hogdson as composições não iam para lugar nenhum, pois ainda estavam em processo de maturação. 
Com isso, Stanley decide cair fora, deixando a banda com uma grande dívida. Então, a única solução, foi reformular o Supertramp e tentar salvar o contrato com a gravadora A&M, fazendo um disco que "virasse alguma coisa". Era isso, ou a falência e encerramento das atividades.
Os remanescentes Rick e Hogdson, escolheram Dougie Thomson (baixo), Bob Siebenberg (bateria) e John Helliwell (saxofone, teclados adicionais e vocais de apoio) para fazer parte do time, e o Supertramp mudou da água pro vinho. 
As canções caminhavam pelo rock blues, pop e algumas partes mais progressivas, futuramente intercaladas em composições de Rick Davies, que cantava as mesmas, e assim funcionava com Roger Hugdson. Ainda que no começo essa divisão fosse saudável, isso gerou uma competição futura, tornando-se uma guerra de egos em disputa dos hits.

"School" (faixa de abertura) é um relato da adolescência de Roger Hogdson, e tem nas notas iniciais, um "Q" de filme de faroeste, numa típica trilha Ennio Morricone. Após a retirada das gaitas, a voz de Roger aponta o caminho que acompanharia a banda quase até o fim. E esse caminho passava pelas magistrais linhas de pianos, que por falta de um, eram dois que roubavam a cena, embora Roger desse suas escapadas para a guitarra, instrumento que dominava bem.

"Bloody Well Right" também virou hit, um forte rock and roll com pianos de sallon, cantado sobre a voz mais grave de Rick Davies.

O pianinho quase infantil de "Hide In Your Shell" esconde ou engana a primeira vista, pois Hide In Your Shell é repleta de nuances, vocais de apoio e interações pontuais de saxofone, que enriquecem de forma com que o ouvinte queira o repeteco.

"Dreamer" serve como inspiração ao sonhadores, sentimento que a banda iria experimentar pouco tempo depois, ao ver o sonho realizado de lotar estádios e ter suas músicas reconhecidas pelo mundo. Dreamer chamou o publico até no auge da banda, parece que Roger tinha uma sinergia maior com os fãs, dando a impressão que as pessoas iam mais para ouvir sua voz e composições, tanto é, que a maioria chora até hoje por sua volta.

O clima bossa/ jazz é o que ouvimos em "Rudy", mas só até a metade, pois as notas espaçadas e "dobradas" de baixo e guitarra, lhe conferem um peso extraordinário. É o arquétipo de som que modula a todo momento, com orquestrações sensacionais, que vão crescendo a medida que o ritmo acelera.

Citando apenas os destaques, se é que isso é possível, pois "Asylum", e "If Everyone Was Listening" não ficam por menos, fecho com a progressiva e estonteante faixa homônima, uma obra de arte expelidas em ondas sonoras.
Algumas partes de Crime of the Century remetem ao climático Pink Floyd, talvez seja por ela, que alguns roqueiros confundam o grupo como um legitimo representante do rock progressivo, o que é uma meia verdade. O Supertramp foi elaborado para ser uma banda de grandes arenas e sucessos radiofônicos, mesmo que pese na balança os arranjos elaborados, muito som de teclado e piano, não dá pra colocar eles no mesmo balaio de Yes, Genesis e afins, era outro conceito...

O veredito final, é que Crime of the Century está alem de rótulos musicais, por ser um clássico que eleva a música a outros níveis, misturando toda a genialidade e diferenças de seus membros. Era a cartada final, e eles conseguiram pregar o zap* na testa e ganhar a partida.






* Carta mais valiosa no jogo de truco

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