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Resenha: Iron Maiden - Piece Of Mind (1983)

Por: Fábio Arthur

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Pesado e clássico
5
08/11/2018

Para se entender a importância de “Piece of Mind”, temos que voltar um pouco no tempo. O Maiden chegou com um contrato para três discos em 1980 e, ao passo em que começou a fazer a divulgação dos discos e turnês, a banda conseguiu um sucesso estrondoso. 
Em partes, a entrada de um novo vocalista – Bruce Dickinson, e um hit sob os holofotes da fama, a canção “Run to the Hills”, o grupo britânico se viu nas portas de um auge promissor. 
O vocalista Paul Di Anno havia sido retirado do grupo e deixado dois álbuns de peso iniciais: “Iron Maiden” e “Killers”, mas, o estrelato veio de vez como com a entrada de Dickinson.

Chegando então em 1983, o Iron Maiden, com suas conquistas e já com uma produção digna de profissionais, entrou de cabeça e caiu nas graças dos fãs. 
Sendo seu quarto álbum de estúdio, “Piece of Mind” traz peso, melodias e um cast de faixas perfeitas. Um disco fenomenal.
Um outro detalhe importante foi a entrada do baterista ex-Trust, Nicko McBrain, cuja técnica mais apurada, trouxe um certo nível elevado dentro das composições do grupo.
Steve Harris, como sempre sendo um homem de frente, manteve a banda coesa e com um repertório que não somente deu margem de crescimento musical, mas também uma muralha sonora, muito bem produzida por Martin Birch (Deep Purple, Black Sabbath entre outras), e que denotou um caminho mais singular para banda.
Se em 1982 com o disco “The Number of the Beast” eles haviam elaborado mais em melodias e nos riffs, aqui não seria diferente, mas, todos esses elementos viriam ser muito mais apurados agora.
Clive Burr (R.I.P.), havia deixado o grupo, mas eles iriam em frente e, mesmo que tudo estivesse mudando dentro da banda, ainda assim seriam uma das mais imponentes dos anos oitenta. Bruce Dickinson, nesse período estando livre de vínculos contratuais passados, pôde desta feita inserir seu nome em suas composições e contribuiu em demasia no álbum. 
E “Piece of Mind” chegou com uma arte magnífica, estampando um “Eddie” sem os longos cabelos e lobotomizado. O álbum chegou em gatefold, ou seja, em capa dupla, com a imagem do grupo sentado à mesa em um jantar em que o prato principal seria o cérebro do mascote Eddie com legumes servidos – obviamente os pais odiariam tudo isso – e do outro, as letras inseridas no álbum. Um verdadeiro trabalho de arte. 
Dois singles foram lançados para “Piece of Mind” e dois vídeos também, assim, a divulgação seria ainda maior. Na verdade, nessa fase a banda almejava, cada vez mais, chegar ao status máximo junto aos EUA, já que toda a banda tinha uma melhor expansão de seu trabalho, estando com caminhos abertos nos Estados Unidos. 
O grupo vinha de uma fama de ser satanista. Para provocar os religiosos e afins, uma mensagem ao contrário e na voz de Nicko foi adicionada com alguns dizeres para impressioná-los. 

Para a faixa de abertura, Harris queria uma introdução de bateria que fosse algo rápido e pesado. Nicko criou uma entrada, mas Harris insistiu em mudar, e assim o baterista o fez, “Where Eagles Dare” tem sua introdução como a uma metralhadora, com imposição dos tambores e suas viradas, que marcam plenamente com o conteúdo da letra, que remete ao período de Segunda Guerra Mundial, que por sua vez, fora inspirada não tão somente na Historia Geral como no livro/filme. A canção se situa entre o peso, com riffs compassados e uma sonoridade única. “Revelations”, de autoria de Bruce Dickinson, chega como uma balada em meio ao turbilhão pesado e com tempos musicais alternados entre idas e vindas. Sua letra acaba por centrar parte em Aleister Crowley, o mago/bruxo e que tem até mesmo uma passagem contada na faixa, em que está com sua esposa em uma espécie de transe ou ritual. A imponência da interpretação de Bruce nessa faixa e realmente espantosa. “Flight of Icarus”, a questão da Mitologia Grega entra em destaque e a faixa estava destinada a não fazer parte do disco, mas Harris foi convencido do contrário – ele a achava arrastada e sem uma direção correta, no entanto, o tempo mostrou que a canção tem um tom clássico e totalmente importante no disco. “Die With Your Boots On”, com refrão simplório mas com uma melodia extremamente envolvente e riffs muito bem elaborados, traz mais uma peça importante dentro do repertorio. “The Trooper”, que também prima por uma letra fundamental e histórica sobre a batalha vivida entre russos e ingleses, denota muita coesão. Seus riffs, as palhetadas e cavalgadas na canção se mostram avidamente exuberantes, algo como um hino de guerra mesmo, em que uma vocalização chama em um coro de vozes dobradas e sem um refrão propriamente dito, sendo outra peça chave e uma das melhores faixas. “Still Life”, aonde se tem a frase em que se dá o nome do álbum, remete a canção entre melodias belíssimas e solos bem incisivos, além de uma qualidade muito acima de media. No quesito bateria, as notas fluem de forma brilhante e totalmente bem encaixadas. “Quest for Fire”, bem britânica, traz uma ótima letra e seu ritmo mais cadenciado fica envolvente com a voz de Bruce, que faz uso de alguns falsetes embalados com um vocal firme dando o tom exato do que a canção se propõe. “Sun and Steel”, ágil e uma canção curta, que nos remete a algo no estilo do disco de 81, “Killers”. Essa realmente vem como uma preparação para o final apoteótico e baseado no livro Duna, um clássico da literatura estrangeira e que remonta o grupo naquele processo de canções mais extensas: “To Tame a Land”, ótima faixa, muita vocalização e aqui Adrian e Murray dão um show nas cordas de suas guitarras. Os detalhes das notas e os andamentos remetem claramente ao livro, como se fosse uma trilha dele. O autor não concedeu alguns direitos para banda, assim o título foi alterado de Dune – ou seja, Duna – para o que saiu no disco. 

Aqui, em “Piece of Mind”, nós temos realmente uma obra de impacto perfeita, um avanço em comparação com o que a banda havia feito e que continuaria fazer em discos futuros. As inovações, aliadas ao peso do disco, remete a uma arte totalmente profunda e de maior qualidade. Esse certamente trouxe canções de muito alinhamento musical. Os detalhes da bateria, as incursões vocais mais aprofundadas de Dickinson e os arranjos elaborados, são notados de imediato, tudo incluso em um álbum realmente coeso. Up The Irons!




Pesado e clássico
5
08/11/2018

Para se entender a importância de “Piece of Mind”, temos que voltar um pouco no tempo. O Maiden chegou com um contrato para três discos em 1980 e, ao passo em que começou a fazer a divulgação dos discos e turnês, a banda conseguiu um sucesso estrondoso. 
Em partes, a entrada de um novo vocalista – Bruce Dickinson, e um hit sob os holofotes da fama, a canção “Run to the Hills”, o grupo britânico se viu nas portas de um auge promissor. 
O vocalista Paul Di Anno havia sido retirado do grupo e deixado dois álbuns de peso iniciais: “Iron Maiden” e “Killers”, mas, o estrelato veio de vez como com a entrada de Dickinson.

Chegando então em 1983, o Iron Maiden, com suas conquistas e já com uma produção digna de profissionais, entrou de cabeça e caiu nas graças dos fãs. 
Sendo seu quarto álbum de estúdio, “Piece of Mind” traz peso, melodias e um cast de faixas perfeitas. Um disco fenomenal.
Um outro detalhe importante foi a entrada do baterista ex-Trust, Nicko McBrain, cuja técnica mais apurada, trouxe um certo nível elevado dentro das composições do grupo.
Steve Harris, como sempre sendo um homem de frente, manteve a banda coesa e com um repertório que não somente deu margem de crescimento musical, mas também uma muralha sonora, muito bem produzida por Martin Birch (Deep Purple, Black Sabbath entre outras), e que denotou um caminho mais singular para banda.
Se em 1982 com o disco “The Number of the Beast” eles haviam elaborado mais em melodias e nos riffs, aqui não seria diferente, mas, todos esses elementos viriam ser muito mais apurados agora.
Clive Burr (R.I.P.), havia deixado o grupo, mas eles iriam em frente e, mesmo que tudo estivesse mudando dentro da banda, ainda assim seriam uma das mais imponentes dos anos oitenta. Bruce Dickinson, nesse período estando livre de vínculos contratuais passados, pôde desta feita inserir seu nome em suas composições e contribuiu em demasia no álbum. 
E “Piece of Mind” chegou com uma arte magnífica, estampando um “Eddie” sem os longos cabelos e lobotomizado. O álbum chegou em gatefold, ou seja, em capa dupla, com a imagem do grupo sentado à mesa em um jantar em que o prato principal seria o cérebro do mascote Eddie com legumes servidos – obviamente os pais odiariam tudo isso – e do outro, as letras inseridas no álbum. Um verdadeiro trabalho de arte. 
Dois singles foram lançados para “Piece of Mind” e dois vídeos também, assim, a divulgação seria ainda maior. Na verdade, nessa fase a banda almejava, cada vez mais, chegar ao status máximo junto aos EUA, já que toda a banda tinha uma melhor expansão de seu trabalho, estando com caminhos abertos nos Estados Unidos. 
O grupo vinha de uma fama de ser satanista. Para provocar os religiosos e afins, uma mensagem ao contrário e na voz de Nicko foi adicionada com alguns dizeres para impressioná-los. 

Para a faixa de abertura, Harris queria uma introdução de bateria que fosse algo rápido e pesado. Nicko criou uma entrada, mas Harris insistiu em mudar, e assim o baterista o fez, “Where Eagles Dare” tem sua introdução como a uma metralhadora, com imposição dos tambores e suas viradas, que marcam plenamente com o conteúdo da letra, que remete ao período de Segunda Guerra Mundial, que por sua vez, fora inspirada não tão somente na Historia Geral como no livro/filme. A canção se situa entre o peso, com riffs compassados e uma sonoridade única. “Revelations”, de autoria de Bruce Dickinson, chega como uma balada em meio ao turbilhão pesado e com tempos musicais alternados entre idas e vindas. Sua letra acaba por centrar parte em Aleister Crowley, o mago/bruxo e que tem até mesmo uma passagem contada na faixa, em que está com sua esposa em uma espécie de transe ou ritual. A imponência da interpretação de Bruce nessa faixa e realmente espantosa. “Flight of Icarus”, a questão da Mitologia Grega entra em destaque e a faixa estava destinada a não fazer parte do disco, mas Harris foi convencido do contrário – ele a achava arrastada e sem uma direção correta, no entanto, o tempo mostrou que a canção tem um tom clássico e totalmente importante no disco. “Die With Your Boots On”, com refrão simplório mas com uma melodia extremamente envolvente e riffs muito bem elaborados, traz mais uma peça importante dentro do repertorio. “The Trooper”, que também prima por uma letra fundamental e histórica sobre a batalha vivida entre russos e ingleses, denota muita coesão. Seus riffs, as palhetadas e cavalgadas na canção se mostram avidamente exuberantes, algo como um hino de guerra mesmo, em que uma vocalização chama em um coro de vozes dobradas e sem um refrão propriamente dito, sendo outra peça chave e uma das melhores faixas. “Still Life”, aonde se tem a frase em que se dá o nome do álbum, remete a canção entre melodias belíssimas e solos bem incisivos, além de uma qualidade muito acima de media. No quesito bateria, as notas fluem de forma brilhante e totalmente bem encaixadas. “Quest for Fire”, bem britânica, traz uma ótima letra e seu ritmo mais cadenciado fica envolvente com a voz de Bruce, que faz uso de alguns falsetes embalados com um vocal firme dando o tom exato do que a canção se propõe. “Sun and Steel”, ágil e uma canção curta, que nos remete a algo no estilo do disco de 81, “Killers”. Essa realmente vem como uma preparação para o final apoteótico e baseado no livro Duna, um clássico da literatura estrangeira e que remonta o grupo naquele processo de canções mais extensas: “To Tame a Land”, ótima faixa, muita vocalização e aqui Adrian e Murray dão um show nas cordas de suas guitarras. Os detalhes das notas e os andamentos remetem claramente ao livro, como se fosse uma trilha dele. O autor não concedeu alguns direitos para banda, assim o título foi alterado de Dune – ou seja, Duna – para o que saiu no disco. 

Aqui, em “Piece of Mind”, nós temos realmente uma obra de impacto perfeita, um avanço em comparação com o que a banda havia feito e que continuaria fazer em discos futuros. As inovações, aliadas ao peso do disco, remete a uma arte totalmente profunda e de maior qualidade. Esse certamente trouxe canções de muito alinhamento musical. Os detalhes da bateria, as incursões vocais mais aprofundadas de Dickinson e os arranjos elaborados, são notados de imediato, tudo incluso em um álbum realmente coeso. Up The Irons!




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