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    Unfolded Like Staircase (1997)

    5 Por: Tiago Meneses

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    3 Por: Tiago Meneses

Resenha: Discipline - Unfolded Like Staircase (1997)

Por: Tiago Meneses

Acessos: 71

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Album Cover
Um dos mais avançados e inovadores discos de rock progressivo dos anos 90
5
07/11/2018

Discipline é uma banda que tem uma qualidade notável em sua música, porém, expressar as palavras merecedoras em uma resenha às vezes pode não ser uma tarefa tão fácil assim devido a complexidade do seu som. Pra começar, acho praticamente impossível falar de suas influências de maneira coerente, afinal, o álbum é um verdadeiro paradoxo que bombardeia o ouvinte com sonoridades 70’s e 80’s, mas ao mesmo tempo não conseguimos precisar qual é qual, sendo a abordagem deles tão única como a personalidade de seu líder, Matthew Parmenter.

King Crimson e Van der Graaf Generator são dois dos nomes do rock progressivo clássico que mais gosto, e aqui o espirito de ambas as bandas se mostram presentes, mas interpretados de uma maneira diferente e única. Também trazem na sua música algo de Genesis era Peter Gabriel. Unfolded Like Staircase no fim das contas é um quebra cabeça musical extremamente prazeroso de se decifrar. 

A faixa que abre o disco é, “Canto IV (Limbo)”, logo de cara mostra-se uma música de tirar o fôlego em que o ouvinte pode apontar uma clara influência de King Crimson (mais precisamente no disco Larks’ Tongues in Aspic de 1973), mas depois a música se transforma em algo menos complexo e mais melódico e suave. A voz obscura e quase depressiva de Mathew Parmenter é perfeita para criar o efeito de névoa pesada que flutua sobre a cabeça do ouvinte e como a música aponta no seu próprio  título com a palavra Limbo, um lugar entre o nada ou mais propriamente "um lugar intermediário". As mudanças radicais, as seções de violino quase aterrorizantes, a guitarra agressiva, tudo faz de "Canto IV (Limbo)" treze minutos da mais pura expressão que a arte do rock progressivo pode nos apresentar.

Após uma introdução mais melódica e acústica, “Crutches” apresenta uma mudança radical onde Matthew Parmenter demonstra a ductilidade de sua voz apenas com um violão de fundo, algo na veia de bandas de neo progressivo, a música então começa a crescer, mas parece nunca explodir em um clímax absoluto, até que a guitarra de Jon Preston Bouda, apoiada perfeitamente pela cozinha de Matthew Kennedy (baixo) e Paul Dzendzel (bateria) mostra uma música mais vigorosa. Novamente é como se uma névoa misteriosa descesse sobre as nossas cabeças. “Crutches” é muito bem desenvolvida, além de dramática ao extremo, um rock progressivo em sua essência. 

No geral em discos de rock progressivo costumamos tratar o grande épico como a faixa central do trabalho, mas neste caso específico não sei se “Into The Dream” poderia ser tratada assim, afinal, tudo no álbum parece ser central. A faixa mais longa do álbum, com pouco mais de vinte e dois minutos é rock progressivo puro, novamente quase caótico e depressivo, o seu som também não é fácil de descrever, muda de complexo e dissonante para melódico e coerente em questão de segundos, sendo que isso não ocorre apenas uma vez, mas ao longo de toda sua extensão. Uma música continuamente rica e que emerge uma sensação épica encantadora através de vários momentos deslumbrantes. 

O disco chega ao fim através de “Before the Storm”, mais uma longa suíte de quinze minutos (na verdade está separada entre parte um e parte dois, mas muitas vezes músicas assim eu costumo avalia-las como uma só). Ela começa com uma melodia linda de piano e vocal, depois de alguns minutos eles parecem novamente está se segurando para evitar uma explosão instrumental que esperamos acontecer, inclusive até a própria banda parece perder um pouco (só um pouco mesmo) o seu poder de controle. A banda parece está nos dando as primeiras peças de um trabalho que estão construindo passo a passo. Então um intervalo barroco anuncia a primeira mudança instrumental na veia de bandas clássicas como King Crimson e Genesis ou algo mais contemporâneo a eles como os suecos da Anglagard, mas com um violino melancólico ao fundo, sempre mantendo a sua identidade progressiva. Então que novamente como aconteceu em outros momentos do álbum, a besta é liberada, guitarra, teclado, baixo e bateria nos dão um tapa na cara por um curto período de tempo. Esses caras realmente são verdadeiros mestres do timing, eles sabem exatamente o que fazer e quando fazer, pois a  música flui do começo ao fim uma espécie de lógica ilógica que apenas os grandes do gênero conseguem fazer. Um final épico para um disco esplendoroso. 

Unfolded Like Staircase é um disco onde todas as suas músicas unidas constroem um dos mais avançados álbuns de rock progressivo dos anos 90. Bastante sombrio e de longas passagens obscuras pelas quais somos transcendidos.  Toda a musicalidade é do mais alto calibre e todas as músicas são muito bem construídas. Sem dúvida um álbum que já nasceu clássico. 

Um dos mais avançados e inovadores discos de rock progressivo dos anos 90
5
07/11/2018

Discipline é uma banda que tem uma qualidade notável em sua música, porém, expressar as palavras merecedoras em uma resenha às vezes pode não ser uma tarefa tão fácil assim devido a complexidade do seu som. Pra começar, acho praticamente impossível falar de suas influências de maneira coerente, afinal, o álbum é um verdadeiro paradoxo que bombardeia o ouvinte com sonoridades 70’s e 80’s, mas ao mesmo tempo não conseguimos precisar qual é qual, sendo a abordagem deles tão única como a personalidade de seu líder, Matthew Parmenter.

King Crimson e Van der Graaf Generator são dois dos nomes do rock progressivo clássico que mais gosto, e aqui o espirito de ambas as bandas se mostram presentes, mas interpretados de uma maneira diferente e única. Também trazem na sua música algo de Genesis era Peter Gabriel. Unfolded Like Staircase no fim das contas é um quebra cabeça musical extremamente prazeroso de se decifrar. 

A faixa que abre o disco é, “Canto IV (Limbo)”, logo de cara mostra-se uma música de tirar o fôlego em que o ouvinte pode apontar uma clara influência de King Crimson (mais precisamente no disco Larks’ Tongues in Aspic de 1973), mas depois a música se transforma em algo menos complexo e mais melódico e suave. A voz obscura e quase depressiva de Mathew Parmenter é perfeita para criar o efeito de névoa pesada que flutua sobre a cabeça do ouvinte e como a música aponta no seu próprio  título com a palavra Limbo, um lugar entre o nada ou mais propriamente "um lugar intermediário". As mudanças radicais, as seções de violino quase aterrorizantes, a guitarra agressiva, tudo faz de "Canto IV (Limbo)" treze minutos da mais pura expressão que a arte do rock progressivo pode nos apresentar.

Após uma introdução mais melódica e acústica, “Crutches” apresenta uma mudança radical onde Matthew Parmenter demonstra a ductilidade de sua voz apenas com um violão de fundo, algo na veia de bandas de neo progressivo, a música então começa a crescer, mas parece nunca explodir em um clímax absoluto, até que a guitarra de Jon Preston Bouda, apoiada perfeitamente pela cozinha de Matthew Kennedy (baixo) e Paul Dzendzel (bateria) mostra uma música mais vigorosa. Novamente é como se uma névoa misteriosa descesse sobre as nossas cabeças. “Crutches” é muito bem desenvolvida, além de dramática ao extremo, um rock progressivo em sua essência. 

No geral em discos de rock progressivo costumamos tratar o grande épico como a faixa central do trabalho, mas neste caso específico não sei se “Into The Dream” poderia ser tratada assim, afinal, tudo no álbum parece ser central. A faixa mais longa do álbum, com pouco mais de vinte e dois minutos é rock progressivo puro, novamente quase caótico e depressivo, o seu som também não é fácil de descrever, muda de complexo e dissonante para melódico e coerente em questão de segundos, sendo que isso não ocorre apenas uma vez, mas ao longo de toda sua extensão. Uma música continuamente rica e que emerge uma sensação épica encantadora através de vários momentos deslumbrantes. 

O disco chega ao fim através de “Before the Storm”, mais uma longa suíte de quinze minutos (na verdade está separada entre parte um e parte dois, mas muitas vezes músicas assim eu costumo avalia-las como uma só). Ela começa com uma melodia linda de piano e vocal, depois de alguns minutos eles parecem novamente está se segurando para evitar uma explosão instrumental que esperamos acontecer, inclusive até a própria banda parece perder um pouco (só um pouco mesmo) o seu poder de controle. A banda parece está nos dando as primeiras peças de um trabalho que estão construindo passo a passo. Então um intervalo barroco anuncia a primeira mudança instrumental na veia de bandas clássicas como King Crimson e Genesis ou algo mais contemporâneo a eles como os suecos da Anglagard, mas com um violino melancólico ao fundo, sempre mantendo a sua identidade progressiva. Então que novamente como aconteceu em outros momentos do álbum, a besta é liberada, guitarra, teclado, baixo e bateria nos dão um tapa na cara por um curto período de tempo. Esses caras realmente são verdadeiros mestres do timing, eles sabem exatamente o que fazer e quando fazer, pois a  música flui do começo ao fim uma espécie de lógica ilógica que apenas os grandes do gênero conseguem fazer. Um final épico para um disco esplendoroso. 

Unfolded Like Staircase é um disco onde todas as suas músicas unidas constroem um dos mais avançados álbuns de rock progressivo dos anos 90. Bastante sombrio e de longas passagens obscuras pelas quais somos transcendidos.  Toda a musicalidade é do mais alto calibre e todas as músicas são muito bem construídas. Sem dúvida um álbum que já nasceu clássico. 

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