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Resenha: Caetano Veloso - Circuladô (1991)

Por: Márcio Chagas

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Um álbum com canções pluralizadas e riqueza sonora.
4.5
04/11/2018

Ninguém discute a importância de Caetano Veloso para a M.P.B. e até mesmo a música mundial. Compositor de primeira,  o cantor pecava apenas em um quesito: Pelo fato de não ser bom músico, consequentemente nunca foi um grande arranjador. 

Deste modo, apesar de canções harmonicamente bem estruturadas e com letras inteligentes, a pobreza nos arranjos imperava, optando por deixar os temas até certo ponto simplistas, onde o violão era o fio condutor de todas as canções.
No disco anterior “Estrangeiro” esse fato começou a mudar, com a produção de Arto Lindsay e participações de Marc Ribot, Bill Frisell e Naná Vasconcellos. Porém, é óbvio que houve alguns excessos que, digamos deixou o som demasiadamente pop.

Apenas no trabalho seguinte, Circuladô que Veloso, repetiu a parceria com Lindsay na produção e achou seu parceiro ideal para contribuir com arranjos e melodias: O Maestro e violoncelista Jacques Morellebaum. O músico era integrante da New Band de Tom Jobim, e começaria uma parceria com o cantor que perduraria até os dias de hoje. 

Amparado por um time de músicos irrepreensíveis, Lindsay enxugou os excessos do disco anterior e ajudou Caetano na elaboração de um trabalho maduro, harmonicamente bem elaborado e com arranjos que valorizavam as letras.

“Fora da Ordem” é uma canção midi tempo amparada pela cozinha formada aqui por Arthur Maia e Marcelo Costa, tenho como contraponto a guitarra grooveada de Tony Costa. O refrão é repetido ao final da música em vários idiomas. Apesar de não ter sido concebida para ser popular, a canção se destacou e é até hoje executada nos shows do cantor;

“Circuladô de Fulô” é um poema de Haroldo de Campos musicado por Caetano. O arranjo é denso e minimalista, centrado apenas em seu violão, o Cello de Morellebaum, o acordeom do mestre Oswaldinho  e algumas esparsas percussões. um grande trabalho que se tornou um dos pontos altos do CD;

O álbum segue com a bucólica “Itapuã”, que possui um interessante arranjo de cordas para violoncelo, que assim como o restante dos instrumentos, foi pensado apenas para emoldurar as palavras do cantor sobre a paradisíaca praia baiana;

‘Boas Vindas” é um calcada no samba de roda baiano, feita e, homenagem ao filho que acabara de nascer. É harmonicamente simples, mas tem como destaque o baixo fretless de Arthur Maia;

“Ela ela” é uma parceria entre Veloso e o produtor Lindsay, que inclusive utiliza somente sua guitarra esquizóide para acompanhar o cantor. É um tema atonal e avant-garde, onde Caetano parece recitar a letra de improviso;

O álbum retorna ao normal com “Santa Clara padroeira da televisão”, outra canção com andamento médio calcada na cozinha, com sua letra falando sobre a importância da TV. O tema tem um interessante solo de trompete ao o final da canção;

“Baião da Penha” é quase uma oração, onde Veloso canta de maneira comedida, amparado apenas por seu violão, como se estivesse recitando um mantra;

Em “Neide Candolina”, o cantor optou por homenagear sua professora de português favorita em uma canção dinâmica com andamento contagiante amparado por percussões, samplers de Riyuichi Sakamoto e a guitarra jazzy de Marc Ribot;

Seguindo temos uma parceria entre Caetano e Milton Nascimento em “Terceira Margem do Rio”, um tema com profunda riqueza melódica, calcada em percussões minimalistas. Foi concebida como trilha sonora de um filme baseado na obra de Guimarães Rosa. Tentando emular o famoso escritor e novelista, o cantor brinca com as palavras ao executar a música;

“O Cu do Mundo”, traz a tona o Caetano debochado e irreverente, amparado novamente pela guitarra singular  de Lindsay e pelo baixo fretless de Tavinho fialho. No decorrer da canção, novas vozes vão sendo inseridas no refrão, como a de Gal Costa e Gilberto Gil, aumentando o coro e o experimentalismo do tema;

Encerrando o álbum temos “Lindeza”, uma bossa nova romântica, onde o  cantor parece tentar recriar seu próprio hit, “Você é linda”, cantando inclusive com a mesma tonalidade e com o mesmo violão despretensioso usado no citado tema;

Durante a turnê de divulgação denominada “Circuladô Vivo”, que inclusive foi registrada em CD duplo, o cantor comemorou seus recém-completados 50 anos e iniciou a festejada parceria com Jaques Morellebaum, gravando outros excelentes álbuns de M.P.B. 

“Circuladô é o ápice de um cantor pluralizado, mas sem excessos. 

Um álbum com canções pluralizadas e riqueza sonora.
4.5
04/11/2018

Ninguém discute a importância de Caetano Veloso para a M.P.B. e até mesmo a música mundial. Compositor de primeira,  o cantor pecava apenas em um quesito: Pelo fato de não ser bom músico, consequentemente nunca foi um grande arranjador. 

Deste modo, apesar de canções harmonicamente bem estruturadas e com letras inteligentes, a pobreza nos arranjos imperava, optando por deixar os temas até certo ponto simplistas, onde o violão era o fio condutor de todas as canções.
No disco anterior “Estrangeiro” esse fato começou a mudar, com a produção de Arto Lindsay e participações de Marc Ribot, Bill Frisell e Naná Vasconcellos. Porém, é óbvio que houve alguns excessos que, digamos deixou o som demasiadamente pop.

Apenas no trabalho seguinte, Circuladô que Veloso, repetiu a parceria com Lindsay na produção e achou seu parceiro ideal para contribuir com arranjos e melodias: O Maestro e violoncelista Jacques Morellebaum. O músico era integrante da New Band de Tom Jobim, e começaria uma parceria com o cantor que perduraria até os dias de hoje. 

Amparado por um time de músicos irrepreensíveis, Lindsay enxugou os excessos do disco anterior e ajudou Caetano na elaboração de um trabalho maduro, harmonicamente bem elaborado e com arranjos que valorizavam as letras.

“Fora da Ordem” é uma canção midi tempo amparada pela cozinha formada aqui por Arthur Maia e Marcelo Costa, tenho como contraponto a guitarra grooveada de Tony Costa. O refrão é repetido ao final da música em vários idiomas. Apesar de não ter sido concebida para ser popular, a canção se destacou e é até hoje executada nos shows do cantor;

“Circuladô de Fulô” é um poema de Haroldo de Campos musicado por Caetano. O arranjo é denso e minimalista, centrado apenas em seu violão, o Cello de Morellebaum, o acordeom do mestre Oswaldinho  e algumas esparsas percussões. um grande trabalho que se tornou um dos pontos altos do CD;

O álbum segue com a bucólica “Itapuã”, que possui um interessante arranjo de cordas para violoncelo, que assim como o restante dos instrumentos, foi pensado apenas para emoldurar as palavras do cantor sobre a paradisíaca praia baiana;

‘Boas Vindas” é um calcada no samba de roda baiano, feita e, homenagem ao filho que acabara de nascer. É harmonicamente simples, mas tem como destaque o baixo fretless de Arthur Maia;

“Ela ela” é uma parceria entre Veloso e o produtor Lindsay, que inclusive utiliza somente sua guitarra esquizóide para acompanhar o cantor. É um tema atonal e avant-garde, onde Caetano parece recitar a letra de improviso;

O álbum retorna ao normal com “Santa Clara padroeira da televisão”, outra canção com andamento médio calcada na cozinha, com sua letra falando sobre a importância da TV. O tema tem um interessante solo de trompete ao o final da canção;

“Baião da Penha” é quase uma oração, onde Veloso canta de maneira comedida, amparado apenas por seu violão, como se estivesse recitando um mantra;

Em “Neide Candolina”, o cantor optou por homenagear sua professora de português favorita em uma canção dinâmica com andamento contagiante amparado por percussões, samplers de Riyuichi Sakamoto e a guitarra jazzy de Marc Ribot;

Seguindo temos uma parceria entre Caetano e Milton Nascimento em “Terceira Margem do Rio”, um tema com profunda riqueza melódica, calcada em percussões minimalistas. Foi concebida como trilha sonora de um filme baseado na obra de Guimarães Rosa. Tentando emular o famoso escritor e novelista, o cantor brinca com as palavras ao executar a música;

“O Cu do Mundo”, traz a tona o Caetano debochado e irreverente, amparado novamente pela guitarra singular  de Lindsay e pelo baixo fretless de Tavinho fialho. No decorrer da canção, novas vozes vão sendo inseridas no refrão, como a de Gal Costa e Gilberto Gil, aumentando o coro e o experimentalismo do tema;

Encerrando o álbum temos “Lindeza”, uma bossa nova romântica, onde o  cantor parece tentar recriar seu próprio hit, “Você é linda”, cantando inclusive com a mesma tonalidade e com o mesmo violão despretensioso usado no citado tema;

Durante a turnê de divulgação denominada “Circuladô Vivo”, que inclusive foi registrada em CD duplo, o cantor comemorou seus recém-completados 50 anos e iniciou a festejada parceria com Jaques Morellebaum, gravando outros excelentes álbuns de M.P.B. 

“Circuladô é o ápice de um cantor pluralizado, mas sem excessos. 

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