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Resenha: Genesis - Wind & Wuthering (1976)

Por: Tiago Meneses

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Ainda levando consigo o estilo inconfundível da banda
4
01/11/2018

O último trabalho com Steve Hackett é também o que considero de fato o último disco essencial do Genesis para aqueles que se interessam somente pelos seus registros mais progressivos (ainda que existam elementos progressivos espalhados em algumas obras futuras). Até hoje me lembro da vez que ouvi esse álbum pela primeira vez e quase que de maneira seguinte ao anterior, A Trick of the Tail, fiquei simplesmente hipnotizado com a sua riqueza em termos de música. Anos depois ele veio a me surpreender pela segunda vez, dessa vez me deixando cativado pelas letras que pareciam histórias infantis inspiradas por muitas drogas ou por Hans Christian Anderson (escritor dinamarquês autor de histórias infantis tendo como uma das mais conhecidas O Patinho Feio). Wind and Wuthering é um álbum outonal, imbuído de um sentimento de melancolia e decadência, começando inclusive pela belíssima arte da capa e que reflete perfeitamente o título. O Genesis iria provar pela segunda vez que a banda estava mais viva do que nunca, pena que a partir daqui as coisas de fato começariam a mudar, mas isso é assunto pra escrever em outras resenhas. 

O disco começa através de, "Eleventh Earl of Mar", uma pura música de rock progressivo tocada em um ritmo bastante animado e que parece dar aos músicos uma oportunidade de dizer aos fãs: nós somos o Genesis e ainda somos uma banda de rock progressivo. Ecoa uma sensação pastoral como as sentidas no disco Selling England By The Pound, com os vocais de várias camadas de Phil dando a ele uma presença fantasmagórica. Os ritmos são intensos e agitados, contrabalançando o trabalho acústico delicado de Hackett e os teclados do genial e sempre preciso homem das teclas, Tony Banks. 

“One For The Vine” mais do que simplesmente ser o nome de uma música do Genesis, foi por um tempo o nome de um grande vício meu, houve uma época em que eu a ouvia várias vezes ao dia. Uma jornada mais profunda do que a faixa de abertura, oferecendo muita emoção e muitas camadas densas para que o ouvinte a atravesse. Uma música longa e multifacetada, com ritmo e mudanças de humor, muito melódica, muito bem estruturada e com grande musicalidade, principalmente por parte de Banks, com destaque para o tema apresentado a partir de mais ou menos 5:28. Que música mais incrível. 

Eu adoro várias baladas progressivas, mas “Your Own Special Way” carrega todos os ingredientes que eu não consigo suportar. Uma pena o disco ter algo assim depois de um começo tão animador. Pra não dizer que nada se salva, a produção é boa e possui um bonito realce nas camadas de teclado, no mais, um pop (pop mesmo e não pop-rock) completamente insosso. Collins em alguns momentos soa como uma espécie de cópia barata de John Lennon. Ainda bem que nada mais no disco soa horrível dessa maneira. 

“Wot Gorilla” é uma música instrumental com uma boa veia jazzística por parte dos teclados de Banks. Uma pena ela não ter uma duração para que pudesse se transformar no “monstro” que eu acredito que ela poderia ser. Mas tirando isso acho uma boa música. 

“All in a Mouse`s Night” traz o álbum de volta para o melhor do rock progressivo. Rutheford junto a Collins fazem uma cozinha forte e com ritmos hábeis enquanto que Banks através de suas teclas preenche a música de uma maneira quase sufocante em alguns pontos. Hackett no geral está bastante discreto, contribuindo apenas com alguns efeitos sonoros boa parte do tempo até o momento final da faixa em que ele mostra que também existe um guitarrista na banda, momento esse que inclusive é o mais belo da música. 

“Blood on the Rooftops” é mais uma boa faixa, começa com um dedilhado belíssimo e melancólico de Hackett no violão que em seguida ganha um bom desempenho vocal de Collins e umas lindas escolhas melódicas de Banks. Mesmo assim sempre que eu a escuto fico com a impressão de que faltou alguma coisa, mas de qualquer forma o que ela tem já agrada bastante. 

“Unquiet Slumbers for the Sleepers ...” e “...In That Quiet Earth” são duas músicas que eu costumo falar delas em uma mesma sentença. Duas ótimas peças instrumentais que tem inicialmente uma linda interpretação de Hackett e depois de Banks, porém, quem jamais deve ser esquecido aqui é Rutherford e suas linhas de baixo extremamente bem ornamentadas e sutis, muito bom. Na verdade todos trabalham muito bem aqui, a bateria de Collins apesar de não ser necessariamente brilhante, também é excelente. Duas músicas que devem sempre andar unidas, ainda que seus humores nem sempre tenham muita semelhanças. 

O disco chega ao fim através de "Afterglow", música que nas palavras do próprio Tony Banks é uma das mais bonitas da banda, logo, quem sou eu pra discordar? De fato possui uma melodia lindíssima, um fluxo linear bastante suave e que se transformou em um clássico graças a dois pontos importantes, a incrivelmente exuberante camada de teclas construídas por Banks e aquela que certamente está no topo de interpretações vocais de Collins com a banda. Hackett e Rutherford são “apenas” pontuais e preenchem bem suas funções. 

Wind and Wuthering apesar de ser um pouco inferior ao disco anterior, ainda levou consigo o estilo inconfundível da banda, com vários duetos entre a guitarra de Hackett e os teclados de Banks. Apesar de alguns momentos menos interessantes, no geral a doçura desse disco é encantadora e tem seus momentos de pura genialidade e grande refinamento e polimento musical. 

Ainda levando consigo o estilo inconfundível da banda
4
01/11/2018

O último trabalho com Steve Hackett é também o que considero de fato o último disco essencial do Genesis para aqueles que se interessam somente pelos seus registros mais progressivos (ainda que existam elementos progressivos espalhados em algumas obras futuras). Até hoje me lembro da vez que ouvi esse álbum pela primeira vez e quase que de maneira seguinte ao anterior, A Trick of the Tail, fiquei simplesmente hipnotizado com a sua riqueza em termos de música. Anos depois ele veio a me surpreender pela segunda vez, dessa vez me deixando cativado pelas letras que pareciam histórias infantis inspiradas por muitas drogas ou por Hans Christian Anderson (escritor dinamarquês autor de histórias infantis tendo como uma das mais conhecidas O Patinho Feio). Wind and Wuthering é um álbum outonal, imbuído de um sentimento de melancolia e decadência, começando inclusive pela belíssima arte da capa e que reflete perfeitamente o título. O Genesis iria provar pela segunda vez que a banda estava mais viva do que nunca, pena que a partir daqui as coisas de fato começariam a mudar, mas isso é assunto pra escrever em outras resenhas. 

O disco começa através de, "Eleventh Earl of Mar", uma pura música de rock progressivo tocada em um ritmo bastante animado e que parece dar aos músicos uma oportunidade de dizer aos fãs: nós somos o Genesis e ainda somos uma banda de rock progressivo. Ecoa uma sensação pastoral como as sentidas no disco Selling England By The Pound, com os vocais de várias camadas de Phil dando a ele uma presença fantasmagórica. Os ritmos são intensos e agitados, contrabalançando o trabalho acústico delicado de Hackett e os teclados do genial e sempre preciso homem das teclas, Tony Banks. 

“One For The Vine” mais do que simplesmente ser o nome de uma música do Genesis, foi por um tempo o nome de um grande vício meu, houve uma época em que eu a ouvia várias vezes ao dia. Uma jornada mais profunda do que a faixa de abertura, oferecendo muita emoção e muitas camadas densas para que o ouvinte a atravesse. Uma música longa e multifacetada, com ritmo e mudanças de humor, muito melódica, muito bem estruturada e com grande musicalidade, principalmente por parte de Banks, com destaque para o tema apresentado a partir de mais ou menos 5:28. Que música mais incrível. 

Eu adoro várias baladas progressivas, mas “Your Own Special Way” carrega todos os ingredientes que eu não consigo suportar. Uma pena o disco ter algo assim depois de um começo tão animador. Pra não dizer que nada se salva, a produção é boa e possui um bonito realce nas camadas de teclado, no mais, um pop (pop mesmo e não pop-rock) completamente insosso. Collins em alguns momentos soa como uma espécie de cópia barata de John Lennon. Ainda bem que nada mais no disco soa horrível dessa maneira. 

“Wot Gorilla” é uma música instrumental com uma boa veia jazzística por parte dos teclados de Banks. Uma pena ela não ter uma duração para que pudesse se transformar no “monstro” que eu acredito que ela poderia ser. Mas tirando isso acho uma boa música. 

“All in a Mouse`s Night” traz o álbum de volta para o melhor do rock progressivo. Rutheford junto a Collins fazem uma cozinha forte e com ritmos hábeis enquanto que Banks através de suas teclas preenche a música de uma maneira quase sufocante em alguns pontos. Hackett no geral está bastante discreto, contribuindo apenas com alguns efeitos sonoros boa parte do tempo até o momento final da faixa em que ele mostra que também existe um guitarrista na banda, momento esse que inclusive é o mais belo da música. 

“Blood on the Rooftops” é mais uma boa faixa, começa com um dedilhado belíssimo e melancólico de Hackett no violão que em seguida ganha um bom desempenho vocal de Collins e umas lindas escolhas melódicas de Banks. Mesmo assim sempre que eu a escuto fico com a impressão de que faltou alguma coisa, mas de qualquer forma o que ela tem já agrada bastante. 

“Unquiet Slumbers for the Sleepers ...” e “...In That Quiet Earth” são duas músicas que eu costumo falar delas em uma mesma sentença. Duas ótimas peças instrumentais que tem inicialmente uma linda interpretação de Hackett e depois de Banks, porém, quem jamais deve ser esquecido aqui é Rutherford e suas linhas de baixo extremamente bem ornamentadas e sutis, muito bom. Na verdade todos trabalham muito bem aqui, a bateria de Collins apesar de não ser necessariamente brilhante, também é excelente. Duas músicas que devem sempre andar unidas, ainda que seus humores nem sempre tenham muita semelhanças. 

O disco chega ao fim através de "Afterglow", música que nas palavras do próprio Tony Banks é uma das mais bonitas da banda, logo, quem sou eu pra discordar? De fato possui uma melodia lindíssima, um fluxo linear bastante suave e que se transformou em um clássico graças a dois pontos importantes, a incrivelmente exuberante camada de teclas construídas por Banks e aquela que certamente está no topo de interpretações vocais de Collins com a banda. Hackett e Rutherford são “apenas” pontuais e preenchem bem suas funções. 

Wind and Wuthering apesar de ser um pouco inferior ao disco anterior, ainda levou consigo o estilo inconfundível da banda, com vários duetos entre a guitarra de Hackett e os teclados de Banks. Apesar de alguns momentos menos interessantes, no geral a doçura desse disco é encantadora e tem seus momentos de pura genialidade e grande refinamento e polimento musical. 

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