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Resenha: Slayer - South Of Heaven (1988)

Por: Marcel Z. Dio

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Album Cover
Evoluindo sem perder a origem
5
31/10/2018

Seis clássicos consecutivos (contando com Divine Intervention), fizeram do Slayer uma lenda do thrash, e quiçá a mais importante de todas.
Se para muitos, Reign In Blood tem peso de ouro e continua sendo o mais votado em preferência, South Of Heaven criou um pequeno abismo entre os dois, mostrando uma evolução que deixou alguns fãs chocados, tanto para a aprovação (maior parcela), quanto para a decepção. Entre os decepcionados, podemos incluir o próprio Kerry King, que em muitas entrevistas questiona sua atuação no disco. 
Ainda que o alicerce seja o mesmo, através da enxurrada de riffs, temas obscuros e a precisão cirúrgica dos músicos, o Slayer pisa um pouco no freio e capricha nas guitarras, agora com mais "melodia", e menos insanidade. Afinações mais baixas e um ligeiro groove, abrem um leque de possibilidades inexistente em trabalhos anteriores.
O genial Dave Lombardo demonstra que não é só um maluco a descer a baqueta a torto e direito, em South of Heaven o musico prova estar um degrau acima de seus contemporâneos.
A voz de Tom Araya é aquilo, sem grandes novidades técnicas e a essa altura segurando um pouco as rédeas nos agudos, algo similar a Reign In Blood, de certo acabaria com suas cordas vocais.

Se no disco anterior, a caótica e controversa "Angel Of Death" serviu como abertura, aqui, a faixa título tem o ponto forte na cadencia e nos imortais licks iniciais de Kerry King, progressão criativa e simples, que gruda e fica martelando a cabeça por semanas. Pois é, o Slayer pulava de patamar, e criava um dos discos mais incríveis dos anos 80.

"Behind the Crooked Cross" é outra pedrada !!, com palhetadas abafadas e dobradas, ao som espetacular de caixa e viradas insanas do virtuoso Lombardo, que também debulha em "Live Unded", com linhas sofisticadas e rápidas. Alias, o som criado em "Live Unded", é uma prévia do que se arrastaria até Divine Intervention (1994)

As bases de "Ghost of War" são viciantes, e é essa a grande força da banda, a massa sonora destruidora, que te carrega até o fim, fazendo o banger bater cabeça como alucinado. Talvez seja a melhor faixa ao lado de "South Of Heaven", digo talvez, porque minha preferencia pelos álbuns e canções do grupo estão sempre no modo itinerante.

No cover para "Dissident Aggressor" (Judas Priest) o Slayer consegue a façanha de superar a obra original. Comparem a parte do refrão e percebam a dinâmica dada a música. Se a faixa parece um tanto confusa com o Judas Priest, os americanos conseguiram coloca-la nos trilhos, e consequentemente imprimiram seu DNA.

"Spill the Blood" transita pela mesma estrutura da trilha homônima, criando um semi auto plágio. Bem cara de pau da parte deles, apesar de terem crédito para tal.

Seria blasfêmia esquecer "Mandatory Suicide", figurinha carimbada em qualquer set list da banda. Apesar de não apresentar grandes novidades, seus solos, pra lá de esquisitos, parecem deslocados da estrutura harmônica, dando a sensação de ser um "corpo estranho" colado. Se fosse feito em qualquer outro grupo não funcionaria, mas com o Slayer a bagaça funciona e muito bem. O álbum Reign in Blood que o diga.
O disco ainda conta com "Silent Scream", "Read Between the Lies" e "Cleanse the Soul" .

Ouça sem moderação !!

Evoluindo sem perder a origem
5
31/10/2018

Seis clássicos consecutivos (contando com Divine Intervention), fizeram do Slayer uma lenda do thrash, e quiçá a mais importante de todas.
Se para muitos, Reign In Blood tem peso de ouro e continua sendo o mais votado em preferência, South Of Heaven criou um pequeno abismo entre os dois, mostrando uma evolução que deixou alguns fãs chocados, tanto para a aprovação (maior parcela), quanto para a decepção. Entre os decepcionados, podemos incluir o próprio Kerry King, que em muitas entrevistas questiona sua atuação no disco. 
Ainda que o alicerce seja o mesmo, através da enxurrada de riffs, temas obscuros e a precisão cirúrgica dos músicos, o Slayer pisa um pouco no freio e capricha nas guitarras, agora com mais "melodia", e menos insanidade. Afinações mais baixas e um ligeiro groove, abrem um leque de possibilidades inexistente em trabalhos anteriores.
O genial Dave Lombardo demonstra que não é só um maluco a descer a baqueta a torto e direito, em South of Heaven o musico prova estar um degrau acima de seus contemporâneos.
A voz de Tom Araya é aquilo, sem grandes novidades técnicas e a essa altura segurando um pouco as rédeas nos agudos, algo similar a Reign In Blood, de certo acabaria com suas cordas vocais.

Se no disco anterior, a caótica e controversa "Angel Of Death" serviu como abertura, aqui, a faixa título tem o ponto forte na cadencia e nos imortais licks iniciais de Kerry King, progressão criativa e simples, que gruda e fica martelando a cabeça por semanas. Pois é, o Slayer pulava de patamar, e criava um dos discos mais incríveis dos anos 80.

"Behind the Crooked Cross" é outra pedrada !!, com palhetadas abafadas e dobradas, ao som espetacular de caixa e viradas insanas do virtuoso Lombardo, que também debulha em "Live Unded", com linhas sofisticadas e rápidas. Alias, o som criado em "Live Unded", é uma prévia do que se arrastaria até Divine Intervention (1994)

As bases de "Ghost of War" são viciantes, e é essa a grande força da banda, a massa sonora destruidora, que te carrega até o fim, fazendo o banger bater cabeça como alucinado. Talvez seja a melhor faixa ao lado de "South Of Heaven", digo talvez, porque minha preferencia pelos álbuns e canções do grupo estão sempre no modo itinerante.

No cover para "Dissident Aggressor" (Judas Priest) o Slayer consegue a façanha de superar a obra original. Comparem a parte do refrão e percebam a dinâmica dada a música. Se a faixa parece um tanto confusa com o Judas Priest, os americanos conseguiram coloca-la nos trilhos, e consequentemente imprimiram seu DNA.

"Spill the Blood" transita pela mesma estrutura da trilha homônima, criando um semi auto plágio. Bem cara de pau da parte deles, apesar de terem crédito para tal.

Seria blasfêmia esquecer "Mandatory Suicide", figurinha carimbada em qualquer set list da banda. Apesar de não apresentar grandes novidades, seus solos, pra lá de esquisitos, parecem deslocados da estrutura harmônica, dando a sensação de ser um "corpo estranho" colado. Se fosse feito em qualquer outro grupo não funcionaria, mas com o Slayer a bagaça funciona e muito bem. O álbum Reign in Blood que o diga.
O disco ainda conta com "Silent Scream", "Read Between the Lies" e "Cleanse the Soul" .

Ouça sem moderação !!

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