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Resenha: Marillion - Clutching At Straws (1987)

Por: Tiago Meneses

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Musicalmente belíssimo e liricamente emotivo.
3.5
30/09/2017

Clutching At Straws por muito tempo foi meu disco preferido do Marillion. E não era por menos, realmente se trata dos trabalhos mais bem feitos da banda. Apesar de ser um disco que teve a missão indigesta de suceder o considerado pela maioria a obra prima da banda, Misplaced Childhood, não deixou a desejar e manteve a discografia da banda até então bastante homogênea e nivelada por alto. O disco é quase todo conceitual onde o fio condutor gira em torno de Torch, um homem de 29 anos cuja vida é uma bagunça. Procura conforto principalmente no álcool pra tentar esquecer coisas como um casamento fracassado e sua falta de sucesso comercial como vocalista de uma banda. A medida que ele se aprofunda em um estado ébrio mais pleno, Torch também escreve sobre o que passa ao seu arredor, suas emoções e arrependimentos.

O disco abre com “Hotel Hobbies”, uma faixa bastante edificante, dinâmica e cheia de energia. Após umas breves notas de baixo e guitarra, começa com um divertido riff de teclado. A linha de baixo é excelente e o trabalho de guitarra muito bom e com direito a um belo e curto solo final, bateria é do tipo característica da banda, Fish está cantando muito bem e os teclados criam a atmosfera necessária pra música, principalmente na parte final criando uma ponte para a faixa seguinte.

“Warm Wet Circles” traz um dos melhores solos de guitarra da carreira de Rothery. O primeiro coro é edificante e dá vontade de cantar junto. Uma linda interpretação de Fish sobre uma banda de músicos preenchendo perfeitamente cada um o seu espaço. Ótima linha de baixo, guitarra suave, bateria firme e belas linhas de teclados que inclui o piano final que liga diretamente essa a faixa seguinte.

“That Time of the Night (The Short Straw)” é uma faixa que foi escrita por Fish em um quarto de hotel enquanto ele já pensava em sair da banda. Começa com uma instrumentação suave e ambiental lembrando o tom de “Hotel Hobbies”. Tem um dos melhores riffs de teclado de Mark Kelly. É uma faixa pesada de carga bastante 80’s, talvez seja uma música um pouco repetitiva na seção do meio, mas ao mesmo tempo apresenta um refrão que considero a melhor parte da música.

“Going Under” é uma faixa curta, porém fascinante que vai fazê-lo perceber algo novo sempre que ouvi-la de novo. Um belíssimo dedilhado de guitarra unido a um efeito de eco na voz de Fish ajuda a criar dinâmicas estereofônicas interessantes. A música fala sobre decair a um alcoolismo mais profundo e marca o pior estágio da vida de Torch.

“Just For The Record” é provavelmente a faixa mais animada do álbum e que marca uma mudança no estado de Torch na história. Muito esperançosa baseada em um teclado otimizado, a cozinha é bastante enérgica. A música tem um vocal que flue muito bem com um interlúdio de teclado. Uma faixa bem diferente de tudo apresentado até agora, dá um grande contraste no álbum. O destaque maior fica por conta do belíssimo solo de teclado.

“White Russian” pra mim é a melhor faixa do álbum e uma das melhores músicas de sempre da banda e que não tem mais nenhuma ligação com a história de Torch. Vocais brutais e letras marcantes sobre o surgimento dos neonazistas na Europa. É o momento menos acessível do álbum, digamos assim, traz o solo de guitarra mais técnico, vocais mais emotivos e de atmosfera perturbadora nos refrãos. Também é marcada por inúmeros seguimentos com boa melodia. Tem um final em tom misterioso através de um xilofone. Com certeza a faixa mais forte desse álbum.

“Incommunicado” novamente traz um contraste de faixas no álbum. Saindo de uma linha sombria, mostra a banda de novo em uma sonoridade edificante. Essa música de cara me fez enxergar bastante reminiscência de Genesis dos anos 80 como a bateria pesada e o teclado com riffs marcantes. Torch está de volta sendo o personagem central que quer ser famoso, mas ao mesmo tempo não quer as responsabilidades que vem com a fama, algo com que o próprio Marillion passou nos anos 80.

“Torch Song” reverte a batalha árdua do nosso personagem contra o alcoolismo. Os vocais de Fish são excelentes assim como a forma com que a música é conduzida dando uma sensação real do que acontece com Torch neste momento. Novamente a atmosfera criada coloca o ouvinte dentro da história.

“Slàinte Mhath” e a anterior na verdade devem ser encaradas como uma única faixa. Começa com um piano antes da banda se juntar e produzirem uma melodia muito bonita. O baixo é o destaque trabalhando em paralelo com a bateria. Fish produz ataques vocais que lhe são característicos e o solo de guitarra embora curto e simples, brilha no final da música.

“Sugar Mice” é uma música bastante pesada do tipo que toca o coração. Torch parece está com problemas novamente. O baixo ambiente é belíssimo e serve de forma perfeita como plano de fundo para maior parte da música. Um dos trabalhos de guitarras mais belos da banda sob letras sentidas. Todos parecem tocar os instrumentos com ideias que saem do coração e vão para as mãos sem precisar passar pelo cérebro.

“The Last Straw” é a música que finalize o disco. Fala obviamente sobre a crise que Torch enfrenta,  trazendo um final tão apropriado quanto épico. Tem uma melodia bastante forte e a guitarra de Rothery é brilhante mais uma vez. Os vocais são insanamente poderosos e ficam melhor ainda na parte final quando Fish entra em dueto com Tess Niles. O final da história de é Torch feliz? Não, como ouvimos Fish gritar no final da faixa seguido por umas risadas insanas. Isso representa a vontade de Torch de desistir da bebida, mas que acaba sendo sempre tentativas falhas.

Um álbum bastante triste que conta a história de um alcoólatra falido através de algumas das melhores músicas da banda. Também marcou a despedida de Fish do grupo. É importante ao ouvir este álbum, tratá-lo como você faria com qualquer outro álbum conceitual, ou seja, com uma análise cuidadosa dos temas líricos e do que você já entende do conceito. Embora seja um conceito pesado, você pode desfrutar deste álbum como faria com qualquer outro sem ter que se preocupar com letras sombrias e às vezes deprimentes. 

Musicalmente belíssimo e liricamente emotivo.
3.5
30/09/2017

Clutching At Straws por muito tempo foi meu disco preferido do Marillion. E não era por menos, realmente se trata dos trabalhos mais bem feitos da banda. Apesar de ser um disco que teve a missão indigesta de suceder o considerado pela maioria a obra prima da banda, Misplaced Childhood, não deixou a desejar e manteve a discografia da banda até então bastante homogênea e nivelada por alto. O disco é quase todo conceitual onde o fio condutor gira em torno de Torch, um homem de 29 anos cuja vida é uma bagunça. Procura conforto principalmente no álcool pra tentar esquecer coisas como um casamento fracassado e sua falta de sucesso comercial como vocalista de uma banda. A medida que ele se aprofunda em um estado ébrio mais pleno, Torch também escreve sobre o que passa ao seu arredor, suas emoções e arrependimentos.

O disco abre com “Hotel Hobbies”, uma faixa bastante edificante, dinâmica e cheia de energia. Após umas breves notas de baixo e guitarra, começa com um divertido riff de teclado. A linha de baixo é excelente e o trabalho de guitarra muito bom e com direito a um belo e curto solo final, bateria é do tipo característica da banda, Fish está cantando muito bem e os teclados criam a atmosfera necessária pra música, principalmente na parte final criando uma ponte para a faixa seguinte.

“Warm Wet Circles” traz um dos melhores solos de guitarra da carreira de Rothery. O primeiro coro é edificante e dá vontade de cantar junto. Uma linda interpretação de Fish sobre uma banda de músicos preenchendo perfeitamente cada um o seu espaço. Ótima linha de baixo, guitarra suave, bateria firme e belas linhas de teclados que inclui o piano final que liga diretamente essa a faixa seguinte.

“That Time of the Night (The Short Straw)” é uma faixa que foi escrita por Fish em um quarto de hotel enquanto ele já pensava em sair da banda. Começa com uma instrumentação suave e ambiental lembrando o tom de “Hotel Hobbies”. Tem um dos melhores riffs de teclado de Mark Kelly. É uma faixa pesada de carga bastante 80’s, talvez seja uma música um pouco repetitiva na seção do meio, mas ao mesmo tempo apresenta um refrão que considero a melhor parte da música.

“Going Under” é uma faixa curta, porém fascinante que vai fazê-lo perceber algo novo sempre que ouvi-la de novo. Um belíssimo dedilhado de guitarra unido a um efeito de eco na voz de Fish ajuda a criar dinâmicas estereofônicas interessantes. A música fala sobre decair a um alcoolismo mais profundo e marca o pior estágio da vida de Torch.

“Just For The Record” é provavelmente a faixa mais animada do álbum e que marca uma mudança no estado de Torch na história. Muito esperançosa baseada em um teclado otimizado, a cozinha é bastante enérgica. A música tem um vocal que flue muito bem com um interlúdio de teclado. Uma faixa bem diferente de tudo apresentado até agora, dá um grande contraste no álbum. O destaque maior fica por conta do belíssimo solo de teclado.

“White Russian” pra mim é a melhor faixa do álbum e uma das melhores músicas de sempre da banda e que não tem mais nenhuma ligação com a história de Torch. Vocais brutais e letras marcantes sobre o surgimento dos neonazistas na Europa. É o momento menos acessível do álbum, digamos assim, traz o solo de guitarra mais técnico, vocais mais emotivos e de atmosfera perturbadora nos refrãos. Também é marcada por inúmeros seguimentos com boa melodia. Tem um final em tom misterioso através de um xilofone. Com certeza a faixa mais forte desse álbum.

“Incommunicado” novamente traz um contraste de faixas no álbum. Saindo de uma linha sombria, mostra a banda de novo em uma sonoridade edificante. Essa música de cara me fez enxergar bastante reminiscência de Genesis dos anos 80 como a bateria pesada e o teclado com riffs marcantes. Torch está de volta sendo o personagem central que quer ser famoso, mas ao mesmo tempo não quer as responsabilidades que vem com a fama, algo com que o próprio Marillion passou nos anos 80.

“Torch Song” reverte a batalha árdua do nosso personagem contra o alcoolismo. Os vocais de Fish são excelentes assim como a forma com que a música é conduzida dando uma sensação real do que acontece com Torch neste momento. Novamente a atmosfera criada coloca o ouvinte dentro da história.

“Slàinte Mhath” e a anterior na verdade devem ser encaradas como uma única faixa. Começa com um piano antes da banda se juntar e produzirem uma melodia muito bonita. O baixo é o destaque trabalhando em paralelo com a bateria. Fish produz ataques vocais que lhe são característicos e o solo de guitarra embora curto e simples, brilha no final da música.

“Sugar Mice” é uma música bastante pesada do tipo que toca o coração. Torch parece está com problemas novamente. O baixo ambiente é belíssimo e serve de forma perfeita como plano de fundo para maior parte da música. Um dos trabalhos de guitarras mais belos da banda sob letras sentidas. Todos parecem tocar os instrumentos com ideias que saem do coração e vão para as mãos sem precisar passar pelo cérebro.

“The Last Straw” é a música que finalize o disco. Fala obviamente sobre a crise que Torch enfrenta,  trazendo um final tão apropriado quanto épico. Tem uma melodia bastante forte e a guitarra de Rothery é brilhante mais uma vez. Os vocais são insanamente poderosos e ficam melhor ainda na parte final quando Fish entra em dueto com Tess Niles. O final da história de é Torch feliz? Não, como ouvimos Fish gritar no final da faixa seguido por umas risadas insanas. Isso representa a vontade de Torch de desistir da bebida, mas que acaba sendo sempre tentativas falhas.

Um álbum bastante triste que conta a história de um alcoólatra falido através de algumas das melhores músicas da banda. Também marcou a despedida de Fish do grupo. É importante ao ouvir este álbum, tratá-lo como você faria com qualquer outro álbum conceitual, ou seja, com uma análise cuidadosa dos temas líricos e do que você já entende do conceito. Embora seja um conceito pesado, você pode desfrutar deste álbum como faria com qualquer outro sem ter que se preocupar com letras sombrias e às vezes deprimentes. 

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